
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas.
Naquele tempo, comentavam alguns que o templo estava ornado com belas pedras e piedosas ofertas. Jesus disse-lhes: «Dias virão em que, de tudo o que estais a ver, não ficará pedra sobre pedra: tudo será destruído». Eles perguntaram-Lhe: «Mestre, quando sucederá isto? Que sinal haverá de que está para acontecer?». Jesus respondeu: «Tende cuidado; não vos deixeis enganar, pois muitos virão em meu nome e dirão: ‘Sou eu’; e ainda: ‘O tempo está próximo’. Não os sigais. Quando ouvirdes falar de guerras e revoltas, não vos alarmeis: é preciso que estas coisas aconteçam primeiro, mas não será logo o fim». Disse-lhes ainda: «Há-de erguer-se povo contra povo e reino contra reino. Haverá grandes terramotos e, em diversos lugares, fomes e epidemias. Haverá fenómenos espantosos e grandes sinais no céu».
Palavra da salvação.
REFLEXÃO
O texto do Evangelho de São Lucas situa-nos num momento de admiração humana perante a grandeza do Templo de Jerusalém, um símbolo tangível de fé, identidade e estabilidade. É precisamente neste contexto de segurança e beleza que Jesus profere uma das suas palavras mais desestabilizadoras: “Não ficará pedra sobre pedra”. Esta declaração não é apenas uma previsão da destruição histórica do Templo (que ocorreria no ano 70 d.C.), mas uma profunda desconstrução de toda a tentação de alicerçar a fé em realidades temporais, por mais sagradas que pareçam..
A pergunta dos discípulos – “Quando sucederá isto? Que sinal haverá?” – revela uma curiosidade humana que ainda hoje nos é tão familiar: o desejo de controlar o futuro, de decifrar os sinais de Deus para nos sentirmos seguros. A resposta de Jesus, no entanto, é um antídoto contra toda a forma de alarmismo e falsa espiritualidade. Ele não fornece um calendário, mas sim um caminho de discernimento e serenidade interior…
Em primeiro lugar, adverte contra os enganadores, aqueles que, apropriando-se do Seu nome, prometem soluções fáceis e proclamam o fim iminente. Estas vozes exploram o medo e a insegurança, afastando os fiéis da essência da mensagem cristã. Em segundo lugar, Jesus desdramatiza os acontecimentos catastróficos. Guerras, revoltas, terramotos, fomes e epidemias são parte da condição humana caída. Ele afirma: “É preciso que estas coisas aconteçam primeiro, mas não será logo o fim”. Esta frase é crucial. Ela liberta-nos da ideia de que cada tragédia é um sinal inequívoco do apocalipse, convidando-nos, em vez disso, a uma leitura serena da história, sem pânico e sem sensacionalismo..
A mensagem central é um convite à vigilância ativa, que não é um estado de ansiosa espera pelo fim do mundo, mas uma postura de fé madura e confiante. A verdadeira segurança não reside em edifícios imponentes, nem na ausência de conflitos, mas na adesão inabalável a Cristo, a Rocha que permanece quando tudo o mais desmorona. Num mundo ainda hoje assolado por guerras, crises e falsos messias, este Evangelho ressoa com atualidade pungente: a nossa esperança não está na estabilidade das instituições humanas ou na previsão de catástrofes, mas naquele que é o Senhor da História, mesmo quando a história parece mergulhar no caos..
**Oração :**
Senhor Jesus, diante da instabilidade do mundo e das estruturas que desmoronam, guardai o nosso coração no Vosso amor. Que a Vossa Palavra seja a rocha da nossa vida, para que, livres de todo o medo e falsa segurança, Vos sirvamos com fé serena e esperança inquebrantável. Amém..