06 01 Segunda   Mc 12, 1-12 «Apoderaram-se do seu filho querido, mataram-no e lançaram-no fora da vinha»

​ Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos

Naquele tempo, Jesus começou a falar em parábolas aos príncipes dos sacerdotes, aos escribas e aos anciãos: «Um homem plantou uma vinha. Cercou-a com uma sebe, construiu um lagar e ergueu uma torre. Depois arrendou-a a uns vinhateiros e partiu para longe. Quando chegou o tempo, enviou um servo aos vinhateiros para receber deles uma parte dos frutos da vinha. Os vinhateiros apoderaram-se do servo, espancaram-no e mandaram-no sem nada. Enviou-lhes de novo outro servo. Também lhe bateram na cabeça e insultaram-no. Enviou-lhes ainda outro, que eles mataram. Enviou-lhes muitos mais e eles espancaram uns e mataram outros. O homem tinha ainda alguém para enviar: o seu querido filho; e enviou-o por último, dizendo consigo: «Respeitarão o meu filho». Mas aqueles vinhateiros disseram entre si: «Este é o herdeiro. Vamos matá-lo e a herança será nossa». Apoderaram-se dele, mataram-no e lançaram-no fora da vinha. Que fará então o dono da vinha? Virá ele próprio para exterminar os vinhateiros e entregará a outros a sua vinha. Não lestes esta passagem da Escritura: ‘A pedra rejeitada pelos construtores tornou-se pedra angular. Isto veio do Senhor e é admirável aos nossos olhos’?». Procuraram então prender Jesus, pois compreenderam que tinha dito para eles a parábola. Mas tiveram receio da multidão e por isso deixaram-n’O e foram-se embora.

Palavra da salvação.

REFLEXÃO

O Evangelho apresenta a parábola dos vinhateiros homicidas, onde Jesus denuncia a infidelidade daqueles a quem foi confiado o cuidado da vinha, símbolo do povo de Deus. Os servos enviados representam os profetas, rejeitados e maltratados ao longo da história. Por fim, o Filho amado é enviado, imagem clara de Jesus, que será também rejeitado e morto. A parábola revela não apenas a dureza do coração humano, mas também a paciência e a confiança de Deus, que nunca desiste de chamar à conversão.

A figura de São Justino, cuja festa a Igreja hoje celebra, mártir e filósofo do século II, ilumina esta mensagem. Ele reconheceu em Cristo a verdade plena e, mesmo diante da perseguição, não O rejeitou. Ao contrário dos vinhateiros da parábola, Justino acolheu o Filho e deu testemunho até ao derramamento do sangue. A sua vida recorda-nos que a vinha continua confiada a cada um de nós: somos chamados a produzir frutos de fé, justiça e verdade.

Este Evangelho interpela-nos: como acolhemos o Filho enviado pelo Pai? Somos fiéis administradores ou apropriamos-nos da vinha como se fosse nossa? A pedra rejeitada tornou-se angular — Cristo permanece o centro, mesmo quando é rejeitado.

Oração:

Senhor Jesus, Filho amado do Pai, ajuda-me a acolher-Te com um coração fiel. Que eu não rejeite a Tua Palavra, mas produza frutos de amor e verdade. Dá-me a coragem de São Justino para testemunhar a fé, mesmo nas dificuldades. Ámen.

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