Irmãos e irmãs, iniciamos esta oração recordando um canto que marcou as gratas memórias da minha adolescência no Seminário Salesiano, no distante ano de 1957. Antes de subirmos para as aulas, cantávamos: “Andamos no mar vasto sem luz e sem conforto / ao suspirado porto quem vem guiar-nos, quem? / Piedosa e meiga estrela brilhas no céu ó Maria”….
Esta imagem de um mar revolto ilustra perfeitamente a dor da humanidade crente de hoje. Quando as certezas desmoronam e a fé vacila, a alma humana procura desesperadamente um “porto”, um abraço onde se possa perder sem precisar de dar explicações.
Quem nos guia nesse mar escuro? É Maria, a Mãe da Fragilidade, aquela que não julga e não abandona ninguém, nem mesmo os que caíram no fundo de um abismo.
Hoje rezamos tendo presentes os protagonistas dos abismos atuais, representados pela jovem Sara e pelo seu amigo. A partir de um “pequeno erro insignificante”, divulgaram fotografias de Sara, gerando uma imensa corrente de ódio e medo.
Consumida pela dor e incapaz de se perdoar no seu próprio “tribunal interior”, Sara decide acabar com a própria vida.
O seu amigo carrega este terrível segredo sozinho; vive uma angústia profunda por não saber a quem recorrer e sente-se a ser engolido pelo mesmo mar de desespero.
Entreguemos as nossas dores a Maria para que Ela nos lance uma “corda” de salvação.
1º Mistério
Sacerdote:
1º Mistério – A agonia de Jesus no jardim das oliveiras.
O Drama:
Contemplamos neste mistério a profunda angústia e o tremor do amigo de Sara. Ele carrega sozinho o pesado segredo de que a amiga quer morrer e sente um pavor e um desamparo totais por não saber a quem recorrer, espelhando a solidão e a agonia extrema que Jesus sentiu na escuridão do Horto.
Leitor:
Jesus saiu e como de costume foi para o monte das oliveiras. Os discípulos acompanharam-nO. Chegando ao lugar Jesus disse-lhes: «Rezai para não cairdes em tentação». Então afastou-se e de joelhos começou a rezar: «Pai, se queres afasta de Mim este cálice. Contudo, não se faça a Minha vontade, mas a Tua». Tomado de angústia Jesus rezava com mais insistência. O Seu suor tornou-se como gotas de sangue que caiam no chão.
Senhor Jesus, tal como sentistes o desamparo total na escuridão do Horto, olhai para a angústia de quem se sente sem força e sem saber a quem recorrer. Fazei que ninguém seja deixado só na hora da provação. Ofereçamos este Mistério por todos os jovens que tremem por carregar fardos e segredos pesados demais, para que encontrem em Maria, que sempre acolhe as nossas confidências, um refúgio e um porto seguro quando as certezas desmoronam.
2º Mistério
Sacerdote: 2º Mistério – A flagelação de Jesus preso à coluna.
O Drama:
Vemos aqui o abismo de Sara. Ela sente-se presa e esmagada pela incapacidade de se perdoar. Tal como os golpes que feriram Cristo, Sara castiga-se e “flagela-se” incessantemente com a culpa devido ao seu “tribunal interior”, que a condena sem apelação.
Leitor:
Pilatos, desejando agradar à multidão, soltou-lhes Barrabás e depois de mandar flagelar Jesus, entregou-o para ser crucificado. A cada golpe que feriu o corpo do Senhor, recordamos como nós próprios nos “flagelamos” continuamente, transformando-nos nos nossos juízes mais cruéis. Ofereçamos este Mistério por todos aqueles que, como a Sara, cometeram erros e se sentem esmagados pelo seu próprio tribunal interior. Que a misericórdia de Maria vá ao seu encontro e derreta a dureza dos seus corações, libertando-os da culpa e ensinando-os a perdoarem a si mesmos.
3º Mistério
Sacerdote: – Jesus é coroado de espinhos, maltratado e condenado à crucifixão.
O Drama:
A partir da exposição da sua intimidade, Sara é oprimida por uma corrente de ódio e humilhação pública. Esta vergonha extrema pesa sobre ela de forma dilacerante, tal como a coroa de espinhos e o implacável juízo alheio suportado por Jesus perante a multidão.
Leitor:
Os soldados levaram Jesus para o pretório, vestiram-No com um manto de púrpura, teceram uma coroa de espinhos e puseram-Lha na cabeça. Depois começaram a saudá-lO: «Salvé, rei dos judeus». A coroa de espinhos e a humilhação do pretório espelham a dor esmagadora de quem se vê exposto e oprimido por uma corrente de ódio e vergonha. Ofereçamos este Mistério pelos fracos, pelos derrotados e pelos jovens que sofrem com o julgamento alheio e a humilhação pública. Suplicamos a Maria que os defenda e lhes ofereça o seu amparo materno: um abraço que não exige explicações e que não julga as suas fragilidades.
4º Mistério
Sacerdote: 4º Mistério – Jesus com a cruz às costas a caminho do calvário.
O Drama:
O jovem sente-se engolido pelo desespero, impotente para carregar a situação sozinho. Ele desabafa que “para esta vida não há instruções” e suplica a Maria que lhe lance uma “corda” para que ele consiga puxar a sua amiga para fora do fosso, imitando a paciência de Jesus que carregou a pesada cruz.
Leitor:
Maria segue-O de perto e consola-O com a sua presença maternal. Seguiam Jesus uma grande multidão de povo e umas mulheres que batiam no peito e se lamentavam por Ele. Jesus voltou-se para elas e disse-lhes: «Filhas de Jerusalém não choreis por Mim, chorai antes por vós mesmas e por vossos filhos». Tal como Jesus suportou o peso do madeiro, many sentem que as cruzes de hoje são pesadas demais para carregar sem instruções.
Ofereçamos este Mistério por todos os familiares e amigos que se sentem engolidos pelo desespero ao verem os seus entes queridos afundar num abismo. Pedimos a Maria que lhes lance “uma corda” de resgate para que se possam agarrar e, assim, tenham força para puxar e ajudar aqueles que não se conseguem salvar sozinhos.
5º Mistério
Sacerdote: 5º Mistério – Crucifixão e morte de Jesus.
O Drama:
O desespero foi tão profundo que convenceu a Sara de que a morte era a única saída possível. Mas no Calvário, Maria conheceu verdadeiramente “o peso da noite” e a dor da perda. É por isso que Ela não condena, mas ampara os desamparados.
Leitor:
Ao chegar ao calvário os soldados crucificaram Jesus e com Jesus dois salteadores. Jesus viu Sua Mãe e ao lado dela o discípulo que Ele amava. Então disse à Sua Mãe: «Mulher eis aí o teu filho.» Depois disse ao discípulo: «Eis aí a tua Mãe.». Às três horas da tarde Jesus clamou com voz forte e soltando um grande brado expirou.
No calvário, Maria conheceu o peso da noite ao abraçar um corpo sem vida, tornando-se capaz de resgatar os que se encontram à beira do precipício. Ofereçamos este Mistério por todas as pessoas que caíram no fundo do poço e acreditam que não merecem viver.
Que Maria, Mãe da Fragilidade, não lhes traga sentenças, mas sim “aquela vida que a morte não conseguiu reter”, para que, no silêncio reconfortante dos Seus braços, a esperança renasça.
Conclusão e Invocação a Maria
Maria, Mãe da Fragilidade, compreende as nossas noites mais longas. Ela desce aos abismos para amparar os perdidos, sem exigir perfeição. Quando o “tribunal interior” nos condena, oferece um abraço seguro, imune a julgamentos. Que a sua misericórdia seja a “corda” de resgate que silencia culpas e permite recomeçar. Ámen.
Salve Rainha
Antes do Vídeo
Maria, Mãe da Fragilidade, não é uma estátua, mas uma mãe viva que compreende as nossas noites mais longas. Ela não exige perfeição; desce aos nossos abismos para amparar os perdidos e derrotados. Quando o implacável tribunal interior nos condena, Ela oferece um abraço seguro e sem julgamentos. Que a sua misericórdia seja a corda de resgate para recomeçarmos. Ámen.
Despedida
Boa noite. Antes de partirem, recordem todas as Saras nas vossas orações. Que Maria, Mãe da Fragilidade, lance a Sua corda de resgate a quem vive no abismo. Fiquem em paz.
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