LEITURA I Gn 1, 26 – 2, 3
«Enchei e dominai a terra»
Leitura do Livro do Génesis
Disse Deus:
«Façamos o homem à nossa imagem e semelhança.
Domine sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu,
sobre os animais domésticos, sobre os animais selvagens
e sobre todos os répteis que rastejam pela terra».
Deus criou o ser humano à sua imagem,
criou-o à imagem de Deus.
Ele o criou homem e mulher.
Deus abençoou-os, dizendo:
«Crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a terra.
Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu
e sobre todos os animais que se movem na terra».
Disse Deus:
«Dou-vos todas as plantas com semente
que existem em toda a superfície da terra,
assim como todas as árvores de fruto com semente,
para que vos sirvam de alimento.
E a todos os animais da terra, a todas as aves do céu
e a todos os seres vivos que se movem na terra
dou as plantas verdes como alimento».
E assim sucedeu.
Deus viu tudo o que tinha feito: era tudo muito bom.
Veio a tarde e, em seguida, a manhã: foi o sexto dia.
Assim se completaram o céu e a terra
e tudo o que eles contêm.
Deus concluiu, no sétimo dia, a obra que fizera
e, no sétimo dia, descansou do trabalho que tinha realizado.
Deus abençoou e santificou o sétimo dia,
porque nele descansou de todo o trabalho da criação.
Palavra do Senhor.
Sl 89 (90), 2.3-4.12-13. 14 e 16
SALMO RESPONSORIAL Salmo 89 (90), 2.3-4.12-13.14 e 16 (R. 17c)
Refrão: Confirmai, Senhor, a obra das nossas mãos.
Antes de se formarem as montanhas
e nascer a terra e o mundo,
desde toda a eternidade
Vós, Senhor, sois Deus.
Vós reduzis o homem ao pó da terra
e dizeis: «Voltai, filhos de Adão».
Mil anos a vossos olhos
são como o dia de ontem que passou
e como uma vigília da noite.
Ensinai-nos a contar os nossos dias,
para chegarmos à sabedoria do coração.
Voltai, Senhor! Até quando…
Tende piedade dos vossos servos.
Saciai-nos, desde a manhã, com a vossa bondade,
para nos alegrarmos e exultarmos todos os dias.
Manifestai a vossa obra aos vossos servos
e aos seus filhos a vossa majestade.
ALELUIA Salmo 67 (68), 20
Refrão: Aleluia. Repete-se
Bendito seja Deus em cada dia.
Vela por nós o Senhor, nosso Salvador. Refrão
EVANGELHO Mt 13, 54-58
«Não é Ele o filho do carpinteiro?»
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Naquele tempo,
Jesus foi à sua terra
e começou a ensinar os que estavam na sinagoga,
de tal modo que ficavam admirados e diziam:
«De onde Lhe vem esta sabedoria
e este poder de fazer milagres?
Não é Ele o filho do carpinteiro?
A sua Mãe não se chama Maria
e os seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas?
E as suas irmãs não vivem entre nós?
De onde Lhe vem tudo isto?».
E estavam escandalizados com Ele.
Mas Jesus disse-lhes:
«Um profeta só é desprezado na sua terra e em sua casa».
E por causa da falta de fé daquela gente,
Jesus não fez ali muitos milagres.
Palavra da salvação.
Caríssimas irmãs e irmãos,
O Livro do Génesis recorda-nos que o trabalho não é um castigo, mas uma vocação: fomos criados para continuar a obra de Deus. E como Jesus eleva esta dignidade! O Senhor do universo aceitou ser conhecido apenas como «o filho do carpinteiro», santificando o labor quotidiano através do exemplo de São José.
São José não deixou discursos escritos, mas louvou a Deus no silêncio da sua oficina. Ele ensina-nos que o valor do trabalho não reside no aplauso humano — pois o mundo muitas vezes escandaliza-se e despreza o profeta, como ouvimos no Evangelho —, mas no amor silencioso com que nos entregamos.
Para vós, que já dedicastes tantas décadas de serviço incansável a Deus e aos irmãos, o “trabalho” ganha hoje novas e profundas formas. Talvez as mãos não tenham o vigor de outrora, mas a vossa obra permanece vital: a oração constante, as limitações oferecidas por amor, o conselho sábio e a presença serena. Tudo isto é continuar a trabalhar o coração do mundo.
Como rezamos no Salmo: «Confirmai, Senhor, a obra das nossas mãos». Que, inspirados por São José, os vossos dias continuem a ser uma liturgia viva e fecunda.
Naqueles dias, aumentando o núm.ero dos discípulos, os helenistas começaram a murmurar contra os hebreus, porque no serviço diário não se fazia caso das suas viúvas. Então os Doze convocaram a assembleia dos discípulos e disseram: «Não convém que deixemos de pregar a palavra de Deus, para servirmos às mesas. Escolhei entre vós, irmãos, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, para lhes confiarmos esse cargo. Quanto a nós, vamos dedicar-nos totalmente à oração e ao ministério da palavra». A proposta agradou a toda a assembleia; e escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Parmenas e Nicolau, prosélito de Antioquia. Apresentaram-nos aos Apóstolos e estes oraram e impuseram as mãos sobre eles. A palavra de Deus ia-se divulgando cada vez mais; o número dos discípulos aumentava consideravelmente em Jerusalém e obedecia à fé também grande número de sacerdotes…
Refrão: Esperamos, Senhor, na vossa misericórdia. Repete-se
Ou: Venha sobre nós a vossa bondade,
porque em Vós esperamos, Senhor. Repete-se
Justos, aclamai o Senhor,
os corações retos devem louvá-l’O.
Louvai o Senhor com a cítara,
cantai-Lhe salmos ao som da harpa. Refrão
A palavra do Senhor é reta,
da fidelidade nascem as suas obras.
Ele ama a justiça e a retidão:
a terra está cheia da bondade do Senhor. Refrão
Os olhos do Senhor estão voltados
para os que O temem,
para os que esperam na sua bondade,
para libertar da morte as suas almas
e os alimentar no tempo da fome. Refrão
LEITURA II 1 Pedro 2, 4-9
«Vós sois geração eleita, sacerdócio real»
A Igreja foi comparada pelo Senhor a um edifício. Agora, o Apóstolo desenvolve a comparação: Cristo é a Pedra, viva pela sua ressurreição e fonte de vida; os cristãos são, por sua vez, pedras vivas, vivendo da vida do Ressuscitado, que unidos a Cristo, vão formando o edifício, o templo novo, em que habita o Espírito Santo, a Igreja. Ela é a comunidade dos crentes, escolhida na continuação do povo escolhido do Antigo Testamento, comunidade sacerdotal, que há de levar aos pagãos a Boa Nova do reino de Deus, e fazer que também eles proclamem os louvores d’Aquele que os chamou das trevas para a luz do reino de Deus.
Leitura da Primeira Epístola de São Pedro
Caríssimos: Aproximai-vos do Senhor, que é a pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e preciosa aos olhos de Deus. E vós mesmos, como pedras vivas, entrai na construção deste templo espiritual, para constituirdes um sacerdócio santo, destinado a oferecer sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus por Jesus Cristo. Por isso se lê na Escritura: «Vou pôr em Sião uma pedra angular, escolhida e preciosa; e quem nela puser a sua confiança não será confundido». Honra, portanto, a vós que acreditais. Para os incrédulos, porém, «a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se pedra angular», «pedra de tropeço e pedra de escândalo». Tropeçaram por não acreditarem na palavra, pois foram para isso destinados. Vós, porém, sois «geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido por Deus, para anunciar os louvores» d’Aquele que vos chamou das trevas para a sua luz admirável.
Palavra do Senhor.
ALELUIA Jo 14, 6
Refrão: Aleluia. Repete-se
Eu sou o caminho, a verdade e a vida, diz o Senhor;
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Não se perturbe o vosso coração. Se acreditais em Deus, acreditai também em Mim. Em casa de meu Pai há muitas moradas; se assim não fosse, Eu vos teria dito que vou preparar-vos um lugar? Quando Eu for preparar-vos um lugar, virei novamente para vos levar comigo, para que, onde Eu estou, estejais vós também. Para onde Eu vou, conheceis o caminho». Disse-Lhe Tomé: «Senhor, não sabemos para onde vais: como podemos conhecer o caminho?». Respondeu-lhe Jesus: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por Mim. Se Me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. Mas desde agora já O conheceis e já O vistes». Disse-Lhe Filipe: «Senhor, mostra-nos o Pai e isto nos basta». Respondeu-lhe Jesus: «Há tanto tempo que estou convosco e não Me conheces, Filipe? Quem Me vê, vê o Pai. Como podes tu dizer: ‘Mostra-nos o Pai’? Não acreditas que Eu estou no Pai e o Pai está em Mim? As palavras que Eu vos digo, não as digo por Mim próprio; mas é o Pai, permanecendo em Mim, que faz as obras. Acreditai-Me: Eu estou no Pai e o Pai está em Mim; acreditai ao menos pelas minhas obras. Em verdade, em verdade vos digo: quem acredita em Mim fará também as obras que Eu faço e fará obras ainda maiores, porque Eu vou para o Pai».
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Não se perturbe o vosso coração. Se acreditais em Deus, acreditai também em Mim. Em casa de meu Pai há muitas moradas; se assim não fosse, Eu vos teria dito que vou preparar-vos um lugar? Quando Eu for preparar-vos um lugar, virei novamente para vos levar comigo, para que, onde Eu estou, estejais vós também. Para onde Eu vou, conheceis o caminho». Disse-Lhe Tomé: «Senhor, não sabemos para onde vais: como podemos conhecer o caminho?». Respondeu-lhe Jesus: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por Mim. Se Me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. Mas desde agora já O conheceis e já O vistes». Disse-Lhe Filipe: «Senhor, mostra-nos o Pai e isto nos basta». Respondeu-lhe Jesus: «Há tanto tempo que estou convosco e não Me conheces, Filipe? Quem Me vê, vê o Pai. Como podes tu dizer: ‘Mostra-nos o Pai’? Não acreditas que Eu estou no Pai e o Pai está em Mim? As palavras que Eu vos digo, não as digo por Mim próprio; mas é o Pai, permanecendo em Mim, que faz as obras. Acreditai-Me: Eu estou no Pai e o Pai está em Mim; acreditai ao menos pelas minhas obras. Em verdade, em verdade vos digo: quem acredita em Mim fará também as obras que Eu faço e fará obras ainda maiores, porque Eu vou para o Pai».
Palavra da salvação.
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o silêncio e entramos na ação.
Orador 1: Sim, há educadores, jovens, comunidade vibrante ali no desenho. E o versículo é o famoso conselho das Bodas de Caná em João: “Fazei tudo o que Ele vos disser”.
Orador 2: O arquétipo do serviço pragmático. Repara: nas Bodas de Caná, acabar o vinho não era só uma chatice. Numa cultura do Antigo Médio Oriente, era uma vergonha, uma verdadeira catástrofe social para a família.
Orador 1: Um problema puramente logístico e material.
Orador 2: Exatamente como a falta de pão para as viúvas helenistas. E o extraordinário é que não foram os peritos do banquete a notar a crise, foi Maria.
Orador 1: Porque ela tinha essa capacidade de atenção aos detalhes da vida. Ela não estava lá ao canto só a rezar pelos noivos, estava atenta aos cântaros vazios.
Orador 2: E não ficou só a lamentar-se, assumiu uma liderança imediata: “Fazei tudo o que Ele vos disser”. É de um pragmatismo arrebatador.
Orador 1: É o serviço prático alicerçado na palavra de Jesus. O paralelismo com a ação dos diáconos de Atos 6 é mesmo perfeito. Ela é a pedra viva original porque nela não há divórcio entre o céu e a terra, percebes? Acreditar e servir são como as sístoles e as diástoles do mesmo coração.
Orador 2: E há uma nota de rodapé no cartaz que funciona como a chave de tudo isto. Diz: “O exemplo de Maria nos ensina a seguir o caminho de Jesus: anunciando a verdade e servindo com amor”.
Orador 1: É a consolidação teórica e prática. Demonstra que nas nossas comunidades ou no nosso trabalho hoje em dia, tentar viver só teoria bela ou só de ativismo frenético leva sempre à exaustão e à rutura.
Orador 2: A lição de fundo é que tentar separar o material do espiritual é um erro. Distribuir comida a uma viúva ou evitar a vergonha de uma família num casamento são atos de profunda densidade espiritual.
Orador 1: A fé e as obras têm de se contaminar de forma positiva para percorrermos o caminho com integridade.
Orador 2: Bom, estamos a chegar ao fim da nossa exploração detalhada de hoje e, em retrospetiva, foi uma viagem e peras. Partimos de uma comunidade real, caótica, com viúvas a passar fome…
Orador 1: E com líderes que souberam elevar o serviço logístico ao mesmo patamar da pregação.
Orador 2: Precisamente. E percebemos que não importa se a nossa função é partilhar a palavra ou preparar a mesa, somos sempre pedras ativas do mesmo edifício.
Orador 1: E terminámos a olhar para Maria não como uma estátua passiva, mas como um modelo super dinâmico, que une a oração de Fátima à ação pronta de Auxiliadora.
Orador 2: Mas olha que eu sei que tu tens aí guardado um detalhe provocador dos textos para fechar a nossa sessão.
Orador 1: Tenho, tenho sim. É um pormenor histórico no Evangelho de João que costuma passar completamente despercebido. Nas palavras de despedida, Jesus lança uma promessa no versículo 12: “Quem acredita em Mim, fará também as obras que Eu faço e fará obras ainda maiores do que estas”.
Orador 2: Fazer obras ainda maiores… bem, isso é de uma ousadia monumental.
Orador 1: A teologia vai muito longe com isto. Jesus está a transferir uma responsabilidade gigante para nós. Se Maria é o nosso padrão humano de excelência, que uniu tão bem o acreditar e o servir, o que é que significa para nós esta promessa de fazer obras ainda maiores?
Orador 2: Que reflexão fantástica para deixar-nos no ar. A provocação fica, de facto, para quem nos escuta. Se o nosso potencial de serviço é assim tão vasto, que talentos práticos, que serviços de mesa, estamos nós a deixar por cumprir?
Orador 1: Que necessidades estamos a negligenciar por querermos ficar apenas nas nuvens da teoria? E por outro lado, que ativismo nosso poderíamos purificar com um pouco mais de silêncio e oração?
Orador 2: O desafio para descobrirmos o nosso lugar na construção desta comunidade viva está lançado. Muito obrigado a quem nos ouviu por nos acompanhar nesta jornada através de textos antigos que são, afinal, tão incrivelmente modernos. Até à próxima sessão.
Síntese de Conteúdos
O podcast centra-se na análise das leituras do Quinto Domingo da Páscoa (Ano A), utilizando cartazes litúrgicos como guias visuais para explorar a integração entre a vida espiritual e a ação prática na Igreja.
1. A Crise de Crescimento da Igreja Primitiva (Atos 6)
Contexto: A rápida expansão da comunidade cristã em Jerusalém gerou tensões administrativas e culturais.
Problema: Viúvas de cultura helenista (fala grega) estavam a ser negligenciadas na distribuição de alimentos face às de fala aramaica.
Solução Apostólica: Os apóstolos decidiram delegar o serviço prático para se focarem na oração e pregação, evitando o colapso institucional.
Os Diáconos: Longe de serem uma “classe operária”, os escolhidos para o serviço das mesas deveriam ter elevada maturidade espiritual (“cheios do Espírito Santo e sabedoria”).
2. Teoria vs. Prática: O Equilíbrio Necessário
Analogia Moderna: O crescimento da Igreja é comparado ao de uma startup que, ao tornar-se viral, precisa de se estruturar em departamentos para não implodir.
Sacralização do Serviço: O podcast enfatiza que o serviço logístico tem a mesma importância e exige a mesma densidade espiritual que a pregação no altar.
3. Identidade e Missão: “Caminho” e “Pedras Vivas”
Cristo como Caminho (João 14): Jesus não apenas indica uma direção; Ele é o próprio trajeto e a verdade encarnada.
Crentes como Pedras Vivas (1 Pedro 2): A aparente contradição entre “pedra” (estático) e “caminho” (movimento) resolve-se na ação constante de sustentar a comunidade. Ser “pedra viva” significa ser um elemento ativo e relacional na expansão do edifício espiritual.
4. Maria como Modelo de Síntese
A Primeira que Acreditou e Serviu: Maria une perfeitamente as duas dimensões exploradas.
Acreditar (Fátima): Representa a escuta, a contemplação e a confiança na promessa divina.
Servir (Auxiliadora/Bodas de Caná): Representa o serviço pragmático e a atenção aos detalhes da vida humana (os “cântaros vazios”), agindo para solucionar crises sociais e materiais.
5. Provocação Final
Obras Maiores: O episódio termina refletindo sobre a promessa de Jesus de que os seus seguidores fariam “obras maiores”, desafiando os ouvintes a encontrarem o seu lugar de serviço prático e equilíbrio espiritual na comunidade moderna.
Naqueles dias, aumentando o número dos discípulos, os helenistas começaram a murmurar contra os hebreus, porque no serviço diário não se fazia caso das suas viúvas. Então os Doze convocaram a assembleia dos discípulos e disseram: «Não convém que deixemos de pregar a palavra de Deus, para servirmos às mesas. Escolhei entre vós, irmãos, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, para lhes confiarmos esse cargo. Quanto a nós, vamos dedicar-nos totalmente à oração e ao ministério da palavra». A proposta agradou a toda a assembleia; e escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Parmenas e Nicolau, prosélito de Antioquia. Apresentaram-nos aos Apóstolos e estes oraram e impuseram as mãos sobre eles. A palavra de Deus ia-se divulgando cada vez mais; o número dos discípulos aumentava consideravelmente em Jerusalém e obedecia à fé também grande número de sacerdotes. Palavra do Senhor.
Comentário:
Esta leitura apresenta um momento crucial na organização da Igreja primitiva: a instituição dos sete diáconos. O texto revela como a comunidade lidou com as tensões internas (entre helenistas e hebreus) através de uma estrutura de serviço. O foco principal é a distinção necessária entre o ministério da Palavra (dos Apóstolos) e o ministério da caridade (dos Sete), garantindo que nenhum necessitado fosse esquecido enquanto a evangelização continuava a crescer. É um exemplo de como a estrutura serve à missão e como o Espírito Santo conduz a Igreja na resolução de conflitos práticos.
(0:00) Olá e bem-vindos a mais uma das nossas Sessões de Análise Aprofundada. (0:06) Hoje temos um daqueles temas que toca exatamente na ferida de toda a gente. (0:11) Exato.
(0:13) É daquelas conversas que, quer dizer, não dá mesmo para fugir. (0:17) Nem mais. (0:18) O nosso objectivo hoje é descodificar fontes densas (0:21) e tirar daqui os conhecimentos mais valiosos para vivermos melhor.
(0:26) E a missão desta sessão é muito clara. (0:28) Sim, vamos explorar o esforço diário que cada pessoa faz (0:33) para se salvar do seu próprio mundo negativo. (0:36) Precisamente, como dominar esta máquina que é a nossa mente, (0:40) relativizar problemas e, claro, (0:43) despertar de uma data de ilusões que criamos.
(0:46) E a nossa bússola de hoje são excertos muito fascinantes. (0:49) Do livro A Arte de Ser Feliz, do Ignacio Larrañaga. (0:52) Mas olha, importa fazer aqui um aviso importante.
(0:55) O livro aborda a fé mais lá para o fim, (0:59) mas o nosso foco hoje vai ser puramente humano. (1:02) Exato. (1:03) Uma perspetiva prática e psicológica de como recuperar a paz interior.
(1:08) Porque num mundo com tanta sobrecarga de informação e ansiedade crónica… (1:13) Quem é que não precisa de um atalho para a serenidade, não é? (1:16) Claro. (1:17) Por isso prometo a quem nos ouve que isto não é uma conversa teórica aborrecida. (1:22) É quase um manual prático contra o sofrimento diário.
(1:27) Um manual de sobrevivência, diria eu. (1:29) E para começar esta jornada de limpar a mente, (1:32) temos de definir logo que raio significa esta palavra. (1:35) Salvar.
(1:36) Salvar? Parece uma coisa épica. (1:39) Parece, mas a fonte explica que salvar-se aqui (1:41) não tem um sentido teológico ou do além. (1:44) Significa pura e simplesmente libertar-nos do medo, (1:48) do tédio e daquela angústia paralisante.
(1:51) E o problema é que o ser humano moderno tem esta ilusão terrível (1:55) de que a salvação vem sempre de fora. (1:58) Sempre. (1:58) Esperamos que venha de terapias super complexas, (2:02) de frascos de farmácia ou de soluções quase mágicas.
(2:05) Alguém que venha com uma varinha condão resolver o nosso caos. (2:10) E o livro argumenta duramente contra isso. (2:13) Ninguém pode viver a vida por outra pessoa.
(2:15) A autolibertação exige suor. (2:18) Esforço pessoal intransmissível. (2:20) Isso nota-se imenso no tal vazio moderno.
(2:23) Pessoas que, na teoria, têm tudo. (2:27) Saúde, dinheiro, família. (2:29) Exato.
O pacote completo. (2:31) Mas sentem que a vida simplesmente lhes escorre pelas mãos. (2:35) Porque lhes falta um porquê.
Falta ali um sentido. (2:38) Pois, mas repara. (2:39) Isso levanta logo uma objeção que eu ouço imensas vezes.
(2:43) Não é egoísmo pensarmos primeiro em nós? (2:46) Como assim? (2:47) Aquela ideia de que não podemos ser genuinamente felizes (2:50) enquanto houver pessoas a sofrer à nossa volta. (2:53) Se eu me focar em salvar a minha própria mente, (2:56) não estarei a ser egocêntrica? (2:58) É uma objeção clássica. (3:00) Mas o autor responde a isso com uma lógica implacável.
(3:04) É simplesmente tempo perdido tentar fazer os outros felizes (3:08) se nós próprios não formos felizes. (3:10) Ou seja, não podes dar o que não tens. (3:12) Nem mais.
(3:13) O texto diz que quem está em guerra consigo mesmo (3:16) acaba por espalhar a guerra à sua volta. (3:19) Só quem é verdadeiramente livre consegue libertar. (3:22) Não é um hedonismo de fechar a porta ao mundo, então? (3:24) Nada disso.
(3:25) É ganhar a capacidade emocional para amar verdadeiramente. (3:29) Se estiveres um caos por dentro, (3:30) vais projetar esse caos na tua família, (3:33) nos teus colegas de trabalho. (3:34) Faz todo o sentido.
(3:35) Mas isso leva-nos a outra questão gigante. (3:38) Se a solução tem de vir de dentro, (3:40) porquê é que o nosso interior é tão caótico em primeiro lugar? (3:44) Pois, essa transição leva-nos à verdadeira origem do nosso mal-estar, (3:48) a própria mente humana. (3:49) A grande culpada.
(3:50) Outros vivem na paz do presente. (3:53) Exatamente, plácidamente no presente. (3:55) Trazem um instinto de fábrica, (3:57) sabem o que fazer para sobreviver desde o primeiro segundo.
(4:00) E nós não. (4:02) Nós não. (4:03) O ser humano ganhou esta coisa maravilhosa (4:04) chamada consciência de si mesmo (4:06) e, ao fazê-lo, separou-se da natureza.
(4:10) Tudo, mas mesmo tudo, teve de ser aprendido. (4:13) Aprender a andar, a comer, a pensar. (4:15) Tudo.
(4:16) E essa consciência traz possibilidades infinitas, claro, (4:19) mas introduziu uma verdadeira catástrofe silenciosa. (4:22) O medo crónico, a incerteza e a ansiedade de estar sempre, (4:26) sempre a analisar possibilidades. (4:28) Sabes que isso faz-me lembrar uma analogia que eu adoro.
(4:31) É como se a nossa mente fosse um supercomputador ultraavançado. (4:35) Gosto dessa imagem. (4:37) A máquina mais potente do universo, percebes? (4:39) Mas entregaram-nos este maquinão de última geração (4:42) sem manual de instruções absolutamente nenhum.
(4:45) E nós não sabemos onde carregar. (4:46) Pois não. (4:47) Deixado à solta, este computador entra em parafuso, (4:50) abre milhares de janelas ao mesmo tempo (4:52) e gasta a bateria toda a prever cenários catastróficos (4:55) que nunca vão acontecer.
(4:56) E consome a energia do sistema todo. (4:58) Precisamente. (4:59) E eu pergunto-me como é que o livro diz (5:02) que devemos dominar esta máquina.
(5:04) Ora bem, se a mente é esse tal supercomputador (5:06) que cria sofrimento ao exagerar a realidade, (5:08) o texto avança com a primeira grande técnica prática. (5:12) E é uma palavra simples. (5:14) Relativizar.
(5:16) Relativizar. (5:16) O grande antídoto. (5:17) É o antídoto contra a obsessão.
(5:20) Porque a mente tem este hábito péssimo de absolutizar a dor presente. (5:24) Como assim absolutizar? (5:25) A fonte tem uma analogia visual que é brilhante. (5:28) Pede para imaginarmos que tapamos os olhos com as palmas das mãos.
(5:31) Ok, estou a imaginar. (5:33) Fica tudo escuro. (5:34) E para os teus olhos, (5:35) parece que a única realidade do mundo inteiro são as tuas mãos.
(5:38) Claro, porque ocupam o meu campo de visão a 100%. (5:41) Exato. (5:42) A nossa mente faz exatamente o mesmo com um desgosto.
(5:45) Aquele problema no trabalho aproxima-se tanto da lente (5:47) que parece ser o mundo inteiro. (5:49) Mas o autor recorda a lei da contingência. (5:52) Tudo nasce, ganha brilho e desaparece.
(5:55) Tudo. (5:56) O livro dá o exemplo das gerações de há 50 e de há 25 anos. (5:59) Pessoas que viveram na mesma cidade que nós.
(6:02) E que amaram, odiaram, choraram. (6:04) Choraram por problemas que lhes pareciam o fim do mundo. (6:07) E hoje, o que são? (6:10) Apenas silêncio.
(6:11) Uau, isso dá que pensar. (6:13) É daquelas verdades que caem com peso. (6:17) E tem mais.
(6:17) Lembras-te daquela pessoa insubstituível no escritório? (6:20) Ai sim, todos conhecemos uma. (6:22) Se essa pessoa infelizmente falecer, o que acontece? (6:26) Em poucos meses, a máquina reorganiza-se (6:29) e ela é esquecida profissionalmente. (6:31) Ou as notícias horríveis do telejornal de hoje.
(6:34) Amanhã já ninguém fala delas. (6:36) Já há um escândalo novo. (6:37) Exatamente.
(6:38) A poeira assenta sempre. (6:40) Mas repara, relativizar isto com tanta intensidade existencial (6:46) pode ser complicado. (6:48) Não é meter a cabeça na areia como um avestruz.
(6:50) Não de todo e a fonte adverte logo contra isso. (6:54) Pois é, que ganhar perspectiva não é ignorar que há um problema a resolver. (6:58) Mas ao afastar as mãos da cara, (7:01) libertamos uma quantidade colossal de energia.
(7:04) Exato. (7:04) Energia mental que antes estava a ser queimada na fornalha da angústia (7:08) e que agora serve para resolver o problema de forma objetiva. (7:12) É um alívio gigante.
(7:13) Mas a libertação final requer ainda mais um passo. (7:16) É que perceber que tudo é passageiro ajuda a acalmar. (7:20) Mas temos de chegar à conclusão de que grande parte do que tememos (7:22) nem sequer existe fisicamente.
(7:24) Ah, lá está. (7:25) Temos de acordar das ilusões. (7:27) Precisamos despertar.
(7:29) E a estatística do autor aqui é assustadora. (7:31) 80 a 90% dos nossos sofrimentos são puramente subjetivos. (7:35) 80 a 90%? (7:37) Sim, criações da nossa cabeça.
(7:39) Ele explora a metáfora da montanha escura. (7:42) Imagina que estás a subir uma serra durante a noite. (7:44) Eu sou um bocado mederosa no escuro, confesso.
(7:47) Pronto, é o cenário ideal. (7:48) Subir à noite faz-nos ver bandidos armados ou bruxas em cada arbusto. (7:52) Um ramo a abanar parece logo um urso.
(7:55) Um predador qualquer. (7:56) Mas se subires essa mesma montanha de dia, com um sol radioso, (7:59) é um passeio maravilhoso. (8:01) Vês que o bandido era afinal um tronco seco (8:03) e o urso era uma vaca a pastar.
(8:05) Os fantasmas só existem no nosso medo (8:08) porque, na falta de informação, (8:11) o computador cria a pior narrativa possível. (8:14) E não é só no presente. (8:16) A fonte discute como o ato de reviver memórias do passado é perigosíssimo.
(8:21) Como, por exemplo, ficar a remoer numa humilhação que aconteceu há três meses. (8:25) Nem mais. (8:26) Reviver isso é trazer um evento que já está literalmente extinto, (8:30) já morreu, de volta à vida.
(8:32) Estás a criar o teu próprio inferno no momento presente. (8:35) Sendo que aqui o inferno é mesmo uma prisão mental sem saída. (8:39) É a definição exata do texto.
(8:41) E o autor diz uma coisa muito provocadora. (8:43) Para um morto, uma ofensa não existe. (8:46) Certo, porque a mente já não processa a informação.
(8:48) Portanto, as coisas só nos afetam (8:50) e só existem na medida em que temos consciência ativa delas. (8:53) Se deixares de reanimar esse cadáver, (8:55) ele deixa de te assombrar. (8:57) Uau, é aquele momento de iluminação.
(8:59) Mas eu pergunto-te, (9:01) com toda a confusão da nossa rotina, (9:03) como é que damos este safanão em nós próprios (9:05) para acordar no dia-a-dia? (9:08) O texto conclui que não há capílulas mágicas. (9:11) Existe força contínua e muita, muita paciência connosco próprios. (9:15) É um treino diário de dizer à mente (9:17) olha, isto é um ramo, não é um bandido.
(9:20) É quase uma musculação mental diária. (9:22) Exatamente, musculação emocional. (9:24) Bem, resumindo a viagem superlógica que fizemos hoje, (9:29) começámos por abandonar a esperança em curas mágicas (9:32) que venham de fora.
(9:33) Deitamos fora a varinha de condão. (9:35) Exato, compreendemos o peso da nossa própria evolução (9:39) e da consciência (9:40) e aprendemos aquela tática vital (9:43) de retirar as mãos da frente dos olhos (9:46) para conseguir relativizar as coisas no tempo. (9:48) E acendemos a luz para afastar as vacas e os galhos (9:51) que pareciam monstros na montanha escura.
(9:52) A grande mensagem que fica (9:54) é mesmo que a liberdade emocional (9:56) não é um dom com o qual se nasce (9:57) mas sim uma conquista de todos os dias. (10:01) Uma conquista exigente (10:02) mas muito recompensadora. (10:04) Mas olha, antes de irmos embora (10:05) queria deixar aqui um pensamento (10:07) para quem nos ouve explorar (10:09) uma provocação final baseada nestas fontes todas.
(10:13) Força, estou curioso. (10:13) Se a nossa mente, quando é deixada assim (10:17) no piloto automático, (10:18) tem este poder aterrador (10:20) de fabricar pesadelos autênticos (10:22) a partir de sombras e memórias (10:24) que já morreram. (10:25) Imaginem só os mundos magníficos (10:28) a paz profunda (10:30) e a criatividade gigante (10:32) que nós poderíamos construir (10:33) se usássemos essa mesma energia mental (10:36) de forma consciente e intencional.
(10:39) É inverter (10:40) completamente o poder do supercomputador (10:42) a nosso favor. (10:44) É isso mesmo. (10:44) Em vez de criarmos fantasmas (10:46) construímos pontos.
(10:47) Pensem um bocadinho nisso (10:48) e questionem as vossas próprias sombras (10:52) durante esta semana. (10:53) Um grande exercício para todos nós. (10:55) Sem dúvida.
Obrigada por terem estado desse lado (10:57) e até à próxima sessão. (10:59) Até à próxima.
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