05 03 Domingo V Domingo da Páscoa edf

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LEITURA I Atos 6, 1-7.

Naqueles dias, aumentando o núm.ero dos discípulos, os helenistas começaram a murmurar contra os hebreus, porque no serviço diário não se fazia caso das suas viúvas. Então os Doze convocaram a assembleia dos discípulos e disseram: «Não convém que deixemos de pregar a palavra de Deus, para servirmos às mesas. Escolhei entre vós, irmãos, sete homens de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, para lhes confiarmos esse cargo. Quanto a nós, vamos dedicar-nos totalmente à oração e ao ministério da palavra». A proposta agradou a toda a assembleia; e escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Parmenas e Nicolau, prosélito de Antioquia. Apresentaram-nos aos Apóstolos e estes oraram e impuseram as mãos sobre eles. A palavra de Deus ia-se divulgando cada vez mais; o número dos discípulos aumentava consideravelmente em Jerusalém e obedecia à fé também grande número de sacerdotes…

Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial  .

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SALMO RESPONSORIAL Salmo 32 (33), 1-2.4-5.18-19 (R. 22)

Refrão: Esperamos, Senhor, na vossa misericórdia. Repete-se

Ou: Venha sobre nós a vossa bondade,

porque em Vós esperamos, Senhor. Repete-se

Justos, aclamai o Senhor,

os corações retos devem louvá-l’O.

Louvai o Senhor com a cítara,

cantai-Lhe salmos ao som da harpa. Refrão

A palavra do Senhor é reta,

da fidelidade nascem as suas obras.

Ele ama a justiça e a retidão:

a terra está cheia da bondade do Senhor. Refrão

Os olhos do Senhor estão voltados

para os que O temem,

para os que esperam na sua bondade,

para libertar da morte as suas almas

e os alimentar no tempo da fome. Refrão

 

LEITURA II 1 Pedro 2, 4-9

«Vós sois geração eleita, sacerdócio real»

A Igreja foi comparada pelo Senhor a um edifício. Agora, o Apóstolo desenvolve a comparação: Cristo é a Pedra, viva pela sua ressurreição e fonte de vida; os cristãos são, por sua vez, pedras vivas, vivendo da vida do Ressuscitado, que unidos a Cristo, vão formando o edifício, o templo novo, em que habita o Espírito Santo, a Igreja. Ela é a comunidade dos crentes, escolhida na continuação do povo escolhido do Antigo Testamento, comunidade sacerdotal, que há de levar aos pagãos a Boa Nova do reino de Deus, e fazer que também eles proclamem os louvores d’Aquele que os chamou das trevas para a luz do reino de Deus.

Leitura da Primeira Epístola de São Pedro

Caríssimos: Aproximai-vos do Senhor, que é a pedra viva, rejeitada pelos homens, mas escolhida e preciosa aos olhos de Deus. E vós mesmos, como pedras vivas, entrai na construção deste templo espiritual, para constituirdes um sacerdócio santo, destinado a oferecer sacrifícios espirituais, agradáveis a Deus por Jesus Cristo. Por isso se lê na Escritura: «Vou pôr em Sião uma pedra angular, escolhida e preciosa; e quem nela puser a sua confiança não será confundido». Honra, portanto, a vós que acreditais. Para os incrédulos, porém, «a pedra que os construtores rejeitaram tornou-se pedra angular», «pedra de tropeço e pedra de escândalo». Tropeçaram por não acreditarem na palavra, pois foram para isso destinados. Vós, porém, sois «geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido por Deus, para anunciar os louvores» d’Aquele que vos chamou das trevas para a sua luz admirável.

Palavra do Senhor.

ALELUIA Jo 14, 6

Refrão: Aleluia. Repete-se

Eu sou o caminho, a verdade e a vida, diz o Senhor;

ninguém vai ao Pai senão por mim. Refrão

 

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Não se perturbe o vosso coração. Se acreditais em Deus, acreditai também em Mim. Em casa de meu Pai há muitas moradas; se assim não fosse, Eu vos teria dito que vou preparar-vos um lugar? Quando Eu for preparar-vos um lugar, virei novamente para vos levar comigo, para que, onde Eu estou, estejais vós também. Para onde Eu vou, conheceis o caminho». Disse-Lhe Tomé: «Senhor, não sabemos para onde vais: como podemos conhecer o caminho?». Respondeu-lhe Jesus: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por Mim. Se Me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. Mas desde agora já O conheceis e já O vistes». Disse-Lhe Filipe: «Senhor, mostra-nos o Pai e isto nos basta». Respondeu-lhe Jesus: «Há tanto tempo que estou convosco e não Me conheces, Filipe? Quem Me vê, vê o Pai. Como podes tu dizer: ‘Mostra-nos o Pai’? Não acreditas que Eu estou no Pai e o Pai está em Mim? As palavras que Eu vos digo, não as digo por Mim próprio; mas é o Pai, permanecendo em Mim, que faz as obras. Acreditai-Me: Eu estou no Pai e o Pai está em Mim; acreditai ao menos pelas minhas obras. Em verdade, em verdade vos digo: quem acredita em Mim fará também as obras que Eu faço e fará obras ainda maiores, porque Eu vou para o Pai».

Palavra da salvação.

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LEITURA I Atos 6, 1-7.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Não se perturbe o vosso coração. Se acreditais em Deus, acreditai também em Mim. Em casa de meu Pai há muitas moradas; se assim não fosse, Eu vos teria dito que vou preparar-vos um lugar? Quando Eu for preparar-vos um lugar, virei novamente para vos levar comigo, para que, onde Eu estou, estejais vós também. Para onde Eu vou, conheceis o caminho». Disse-Lhe Tomé: «Senhor, não sabemos para onde vais: como podemos conhecer o caminho?». Respondeu-lhe Jesus: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por Mim. Se Me conhecêsseis, conheceríeis também o meu Pai. Mas desde agora já O conheceis e já O vistes». Disse-Lhe Filipe: «Senhor, mostra-nos o Pai e isto nos basta». Respondeu-lhe Jesus: «Há tanto tempo que estou convosco e não Me conheces, Filipe? Quem Me vê, vê o Pai. Como podes tu dizer: ‘Mostra-nos o Pai’? Não acreditas que Eu estou no Pai e o Pai está em Mim? As palavras que Eu vos digo, não as digo por Mim próprio; mas é o Pai, permanecendo em Mim, que faz as obras. Acreditai-Me: Eu estou no Pai e o Pai está em Mim; acreditai ao menos pelas minhas obras. Em verdade, em verdade vos digo: quem acredita em Mim fará também as obras que Eu faço e fará obras ainda maiores, porque Eu vou para o Pai».

Palavra da salvação.

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o silêncio e entramos na ação.

Orador 1: Sim, há educadores, jovens, comunidade vibrante ali no desenho. E o versículo é o famoso conselho das Bodas de Caná em João: “Fazei tudo o que Ele vos disser”.

Orador 2: O arquétipo do serviço pragmático. Repara: nas Bodas de Caná, acabar o vinho não era só uma chatice. Numa cultura do Antigo Médio Oriente, era uma vergonha, uma verdadeira catástrofe social para a família.

Orador 1: Um problema puramente logístico e material.

Orador 2: Exatamente como a falta de pão para as viúvas helenistas. E o extraordinário é que não foram os peritos do banquete a notar a crise, foi Maria.

Orador 1: Porque ela tinha essa capacidade de atenção aos detalhes da vida. Ela não estava lá ao canto só a rezar pelos noivos, estava atenta aos cântaros vazios.

Orador 2: E não ficou só a lamentar-se, assumiu uma liderança imediata: “Fazei tudo o que Ele vos disser”. É de um pragmatismo arrebatador.

Orador 1: É o serviço prático alicerçado na palavra de Jesus. O paralelismo com a ação dos diáconos de Atos 6 é mesmo perfeito. Ela é a pedra viva original porque nela não há divórcio entre o céu e a terra, percebes? Acreditar e servir são como as sístoles e as diástoles do mesmo coração.

Orador 2: E há uma nota de rodapé no cartaz que funciona como a chave de tudo isto. Diz: “O exemplo de Maria nos ensina a seguir o caminho de Jesus: anunciando a verdade e servindo com amor”.

Orador 1: É a consolidação teórica e prática. Demonstra que nas nossas comunidades ou no nosso trabalho hoje em dia, tentar viver só teoria bela ou só de ativismo frenético leva sempre à exaustão e à rutura.

Orador 2: A lição de fundo é que tentar separar o material do espiritual é um erro. Distribuir comida a uma viúva ou evitar a vergonha de uma família num casamento são atos de profunda densidade espiritual.

Orador 1: A fé e as obras têm de se contaminar de forma positiva para percorrermos o caminho com integridade.

Orador 2: Bom, estamos a chegar ao fim da nossa exploração detalhada de hoje e, em retrospetiva, foi uma viagem e peras. Partimos de uma comunidade real, caótica, com viúvas a passar fome…

Orador 1: E com líderes que souberam elevar o serviço logístico ao mesmo patamar da pregação.

Orador 2: Precisamente. E percebemos que não importa se a nossa função é partilhar a palavra ou preparar a mesa, somos sempre pedras ativas do mesmo edifício.

Orador 1: E terminámos a olhar para Maria não como uma estátua passiva, mas como um modelo super dinâmico, que une a oração de Fátima à ação pronta de Auxiliadora.

Orador 2: Mas olha que eu sei que tu tens aí guardado um detalhe provocador dos textos para fechar a nossa sessão.

Orador 1: Tenho, tenho sim. É um pormenor histórico no Evangelho de João que costuma passar completamente despercebido. Nas palavras de despedida, Jesus lança uma promessa no versículo 12: “Quem acredita em Mim, fará também as obras que Eu faço e fará obras ainda maiores do que estas”.

Orador 2: Fazer obras ainda maiores… bem, isso é de uma ousadia monumental.

Orador 1: A teologia vai muito longe com isto. Jesus está a transferir uma responsabilidade gigante para nós. Se Maria é o nosso padrão humano de excelência, que uniu tão bem o acreditar e o servir, o que é que significa para nós esta promessa de fazer obras ainda maiores?

Orador 2: Que reflexão fantástica para deixar-nos no ar. A provocação fica, de facto, para quem nos escuta. Se o nosso potencial de serviço é assim tão vasto, que talentos práticos, que serviços de mesa, estamos nós a deixar por cumprir?

Orador 1: Que necessidades estamos a negligenciar por querermos ficar apenas nas nuvens da teoria? E por outro lado, que ativismo nosso poderíamos purificar com um pouco mais de silêncio e oração?

Orador 2: O desafio para descobrirmos o nosso lugar na construção desta comunidade viva está lançado. Muito obrigado a quem nos ouviu por nos acompanhar nesta jornada através de textos antigos que são, afinal, tão incrivelmente modernos. Até à próxima sessão.


Síntese de Conteúdos

O podcast centra-se na análise das leituras do Quinto Domingo da Páscoa (Ano A), utilizando cartazes litúrgicos como guias visuais para explorar a integração entre a vida espiritual e a ação prática na Igreja.

1. A Crise de Crescimento da Igreja Primitiva (Atos 6)

  • Contexto: A rápida expansão da comunidade cristã em Jerusalém gerou tensões administrativas e culturais.

  • Problema: Viúvas de cultura helenista (fala grega) estavam a ser negligenciadas na distribuição de alimentos face às de fala aramaica.

  • Solução Apostólica: Os apóstolos decidiram delegar o serviço prático para se focarem na oração e pregação, evitando o colapso institucional.

  • Os Diáconos: Longe de serem uma “classe operária”, os escolhidos para o serviço das mesas deveriam ter elevada maturidade espiritual (“cheios do Espírito Santo e sabedoria”).

2. Teoria vs. Prática: O Equilíbrio Necessário

  • Analogia Moderna: O crescimento da Igreja é comparado ao de uma startup que, ao tornar-se viral, precisa de se estruturar em departamentos para não implodir.

  • Sacralização do Serviço: O podcast enfatiza que o serviço logístico tem a mesma importância e exige a mesma densidade espiritual que a pregação no altar.

3. Identidade e Missão: “Caminho” e “Pedras Vivas”

  • Cristo como Caminho (João 14): Jesus não apenas indica uma direção; Ele é o próprio trajeto e a verdade encarnada.

  • Crentes como Pedras Vivas (1 Pedro 2): A aparente contradição entre “pedra” (estático) e “caminho” (movimento) resolve-se na ação constante de sustentar a comunidade. Ser “pedra viva” significa ser um elemento ativo e relacional na expansão do edifício espiritual.

4. Maria como Modelo de Síntese

  • A Primeira que Acreditou e Serviu: Maria une perfeitamente as duas dimensões exploradas.

  • Acreditar (Fátima): Representa a escuta, a contemplação e a confiança na promessa divina.

  • Servir (Auxiliadora/Bodas de Caná): Representa o serviço pragmático e a atenção aos detalhes da vida humana (os “cântaros vazios”), agindo para solucionar crises sociais e materiais.

5. Provocação Final

  • Obras Maiores: O episódio termina refletindo sobre a promessa de Jesus de que os seus seguidores fariam “obras maiores”, desafiando os ouvintes a encontrarem o seu lugar de serviço prático e equilíbrio espiritual na comunidade moderna.

 

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