Monthly Archives: October 2025

11 02 Domingo Jo 11, 21-27 «Eu sou a ressurreição e a vida».

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João

Naquele tempo,disse Marta a Jesus:
«Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido.
Mas eu sei que, mesmo agora,
tudo o que pedires a Deus, Ele To concederá».
Disse-lhe Jesus:
«Teu irmão ressuscitará».
Marta respondeu:
«Eu sei que há de ressuscitar na ressurreição do último dia».
Disse-lhe Jesus:
«Eu sou a ressurreição e a vida.
Quem acredita em Mim,
ainda que tenha morrido, viverá;
e todo aquele que vive e acredita em Mim nunca morrerá.
Acreditas nisto?».
Disse-Lhe Marta:
«Acredito, Senhor, que Tu és o Messias, o Filho de Deus,
que havia de vir ao mundo».

Palavra da salvação.

REFLEXÃO 

O Evangelho de São João, no capítulo 11, versículos 21 a 27, apresenta um dos momentos mais profundos e reveladores da vida de Jesus. Estamos diante da morte de Lázaro, irmão de Marta e Maria, e da chegada de Jesus a Betânia. A dor de Marta é palpável em suas primeiras palavras a Jesus: «Senhor, se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido». Esta frase, carregada de mágoa e fé ao mesmo tempo, revela a sua profunda convicção no poder de Jesus. Ela acredita que a Sua presença teria evitado a tragédia, mas mesmo assim, mantém a esperança: «Mas eu sei que, mesmo agora, tudo o que pedires a Deus, Ele To concederá»..

A resposta de Jesus é um anúncio de esperança imediata: «Teu irmão ressuscitará». No entanto, Marta, com a sua fé ainda ligada à compreensão judaica da ressurreição, responde: «Eu sei que há de ressuscitar na ressurreição do último dia». É neste ponto que Jesus pronuncia uma das mais poderosas declarações sobre a Sua própria identidade: «Eu sou a ressurreição e a vida. Quem acredita em Mim, ainda que tenha morrido, viverá; e todo aquele que vive e acredita em Mim nunca morrerá. Acreditas nisto?».

Esta afirmação de Jesus transcende a ideia de uma ressurreição futura e distante. Ele se apresenta não como alguém que simplesmente causa a ressurreição, mas como a própria essência dela e da vida. A vida que Jesus oferece não é apenas a vida terrena, nem apenas a vida após a morte, mas uma vida plena e eterna que começa no momento em que se acredita Nele. A morte física torna-se apenas uma passagem para aqueles que creem, pois a união com Cristo garante a vida para sempre.

A pergunta final de Jesus a Marta – «Acreditas nisto?» – é um convite pessoal a uma fé mais profunda e abrangente. Marta, movida pelo Espírito Santo, responde com uma confissão de fé que ecoa através dos séculos: «Acredito, Senhor, que Tu és o Messias, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo». Ela reconhece Jesus não apenas como um taumaturgo, mas como o Ungido de Deus, o Salvador prometido. Esta é a fé que nos salva, que nos dá a certeza da vida eterna em Cristo. O episódio de Lázaro não é apenas um milagre, mas uma catequese profunda sobre a natureza da vida e da morte em Jesus Cristo.

Oração

Senhor Jesus Cristo, ressurreição e vida,
Agradecemos-Te por estas palavras de esperança e verdade.
Concede-nos a graça de crer em Ti com a mesma fé de Marta,
Reconhecendo-Te como o Messias, o Filho de Deus,
Que veio ao mundo para nos dar a vida eterna.
Que a Tua presença nos fortaleça diante da dor e da perda,
Dando-nos a certeza de que, em Ti, a morte não tem a última palavra.
Que possamos viver cada dia na Tua luz,
Com a esperança inabalável da ressurreição.

Ámen.

 

 

11 01 Sábado Mt 5, 1-12a  «Alegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa»

11 01 Sábado Mt 5, 1-12a  «Alegrai-vos e exultai, porque é grande nos Céus a vossa recompensa»

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo,

ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte e sentou-Se.

Rodearam-n’O os discípulos

e Ele começou a ensiná-los, dizendo:

«Bem-aventurados os pobres em espírito,

porque deles é o reino dos Céus.

Bem-aventurados os humildes,

porque possuirão a terra.

Bem-aventurados os que choram,

porque serão consolados.

Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça,

porque serão saciados.

Bem-aventurados os misericordiosos,

porque alcançarão misericórdia.

Bem-aventurados os puros de coração,

porque verão a Deus.

Bem-aventurados os que promovem a paz,

porque serão chamados filhos de Deus.

Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça,

porque deles é o reino dos Céus.

Bem-aventurados sereis, quando, por minha causa,

vos insultarem, vos perseguirem

e, mentindo, disserem todo o mal contra vós.

Alegrai-vos e exultai,

porque é grande nos Céus a vossa recompensa».

Palavra da salvação..

Reflexão

O Evangelho de São Mateus 5, 1-12a, conhecido como as Bem-Aventuranças, é um dos textos mais fundacionais e transformadores dos ensinamentos de Jesus. Ao subir ao monte e sentar-Se, Jesus assume a posição de um novo Moisés, promulgando uma “nova lei” que não se baseia em preceitos externos, mas numa profunda transformação interior e em valores que subvertem as expectativas mundanas. Este discurso não é apenas uma lista de virtudes a serem alcançadas, mas um mapa para a verdadeira felicidade e para a plenitude do Reino de Deus.

Jesus inicia com os “pobres em espírito”, não se referindo apenas à carência material, mas a uma atitude de despojamento interior, de humildade que reconhece a total dependência de Deus. É a renúncia ao orgulho e à autossuficiência que abre o coração para receber o Reino dos Céus. Em seguida, os “humildes” são prometidos a posse da terra, um símbolo da herança divina e da realização da vida em Deus, contrariando a visão mundana de que o poder reside na dominação.

Aos que “choram”, Jesus promete consolo. Este choro não é apenas de tristeza, mas pode ser o lamento pelos pecados, a compaixão pelo sofrimento alheio ou a dor pelas injustiças do mundo. Para esses, o consolo divino é uma certeza. Aqueles que têm “fome e sede de justiça” serão saciados, indicando uma busca ardente pela vontade de Deus e pela retidão em todas as dimensões da vida, uma sede que só a retidão de Deus pode aplacar.

A misericórdia, um atributo central de Deus, é a virtude dos “misericordiosos”, que por sua vez alcançarão misericórdia. É o convite para refletir o amor e o perdão divinos nas relações humanas. Os “puros de coração” verão a Deus, apontando para uma integridade de intenções, uma sinceridade que busca unicamente a Deus. Os “que promovem a paz” são elevados ao título de “filhos de Deus”, revelando o seu papel na construção de um mundo reconciliado.

Finalmente, Jesus aborda a perseguição. Os “que sofrem perseguição por amor da justiça” e aqueles que são insultados e perseguidos por causa Dele, são bem-aventurados, pois o Reino dos Céus lhes pertence e a sua recompensa será grande. Esta é a bem-aventurança mais desafiadora, pois exige um compromisso inabalável com a fé e com os valores do Evangelho, mesmo diante da adversidade. As Bem-Aventuranças são, portanto, um convite radical para uma vida que reflete o coração de Deus, uma vida de bem-aventurança que transcende as promessas superficiais do mundo.

Oração

Ó Deus, louvamos-Te pelas palavras de vida em Jesus. Ajuda-nos a ser humildes, a chorar com os que sofrem, a ter fome de justiça e a ser misericordiosos, para Te ver e sermos instrumentos da Tua paz. Dá-nos força na perseguição, lembrando a recompensa celestial, e que a Tua graça nos impulsione a viver as Bem-Aventuranças. Por Cristo. Amém.

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10 31 Sexta Lc 14, 1-6 «Se um filho vosso ou um boi cair num poço, qual de vós não irá logo retirá-lo em dia de sábado?»

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, Jesus entrou, num sábado, em casa de um dos principais fariseus, para tomar uma refeição. Todos O observavam. Diante d’Ele encontrava-se um hidrópico. Jesus tomou a palavra e disse aos doutores da lei e aos fariseus: «É lícito ou não curar ao sábado?». Mas eles ficaram calados. Então Jesus tomou o homem pela mão, curou-o e mandou-o embora. Depois disse-lhes: «Se um filho vosso ou um boi cair num poço, qual de vós não irá logo retirá-lo em dia de sábado?». E eles não puderam replicar a estas palavras.
Palavra da salvação.

O Evangelho de Lucas 14, 1-6 oferece um vislumbre da sabedoria e compaixão de Jesus, contrastando-as com a rigidez legalista dos fariseus. A cena se desenrola em um sábado, um dia de observância religiosa estrita, na casa de um fariseu proeminente. Jesus é o centro das atenções, com “todos O observavam”, aguardando um passo em falso. A presença de um homem hidrópico, sofrendo de inchaço, serve como o ponto central para a lição de Jesus.

Jesus, ciente dos pensamentos e preconceitos dos presentes, faz uma pergunta direta e desafiadora: “É lícito ou não curar ao sábado?”. Esta questão simples expõe o dilema dos fariseus. Responder “sim” significaria ir contra sua interpretação literal da lei do sábado, enquanto “não” negaria a compaixão e a urgência de aliviar o sofrimento humano. O silêncio deles é revelador, mostrando a incapacidade de conciliar a letra da lei com a misericórdia.

 

Sem esperar por uma resposta, Jesus age com autoridade e ternura. Ele “tomou o homem pela mão, curou-o e mandou-o embora”. Este ato não é apenas um milagre físico, mas uma demonstração vívida de que a vida e a dignidade humana têm precedência sobre observâncias rituais. A lei do sábado, que proibia trabalhos, não deveria ser um obstáculo para fazer o bem e salvar uma vida.

Para aprofundar sua lição, Jesus apresenta uma parábola que expõe a hipocrisia de seus oponentes: “Se um filho vosso ou um boi cair num poço, qual de vós não irá logo retirá-lo em dia de sábado?”. Com essa ilustração do cotidiano, Jesus revela a inconsistência na lógica dos fariseus. Eles certamente resgatariam um filho ou um animal, mesmo que isso implicasse “trabalhar” no sábado, pois o amor e o interesse pessoal justificariam a ação. No entanto, quando se tratava de um estranho doente, sua rigidez legalista sufocava a compaixão.

 

Este episódio sublinha a mensagem central de Jesus: o amor a Deus e ao próximo é o mandamento principal. A lei não é um fim em si mesma, mas um meio para alcançar a justiça, a misericórdia e o amor. A observância cega da letra da lei, sem o espírito de caridade, torna-se vazia e até mesmo cruel. Jesus convida seus ouvintes, e a nós hoje, a olhar para além das regras e a abraçar o verdadeiro propósito da fé: servir a Deus servindo ao próximo. O silêncio dos fariseus no final do relato é a prova de que não puderam replicar, pois a verdade da compaixão de Jesus era inegável.

Oração: Senhor, ilumina os nossos corações para que possamos discernir o espírito da vossa Lei, colocando sempre a compaixão e o amor ao próximo acima de qualquer rigidez ou formalidade. Que possamos ver em cada necessitado a oportunidade de servir-Vos e de viver verdadeiramente o Vosso Evangelho. Amém.

​10 30  Lc 13, 31-35 Quinta : Jerusalém e o Caminho da Salvação​


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele dia, aproximaram-se alguns fariseus, que disseram a Jesus: «Vai-te daqui, porque Herodes quer matar-te». Jesus respondeu-lhes: «Ide dizer a essa raposa: Eu expulso demónios e realizo curas hoje e amanhã; ao terceiro dia chego ao meu fim. Mas hoje, amanhã e depois de amanhã, devo seguir o meu caminho, porque não é possível que um profeta morra fora de Jerusalém. Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas aqueles que te são enviados, quantas vezes Eu quis reunir os teus filhos, como a galinha recolhe os pintainhos debaixo das suas asas! Mas vós não quisestes. Pois bem. A vossa casa vai ficar abandonada. E Eu vos digo: Não voltareis a ver-Me, até chegar o dia em que direis: ‘Bendito o que vem em nome do Senhor!’».
Palavra da salvação.

O Evangelho de Lucas 13, 31-35, apresenta-nos um Jesus determinado e com plena consciência do seu destino. A advertência dos fariseus sobre Herodes serve apenas para reafirmar a sua inabalável missão. A sua resposta a Herodes, chamando-o de “raposa”, não é um insulto, mas uma afirmação de autoridade e um desdém pela superficialidade do poder terreno. Jesus não se desvia do seu propósito: continuar a sua obra de libertação e cura, sabendo que o seu caminho culmina em Jerusalém. Esta cidade, central na fé judaica, é paradoxalmente o palco onde os profetas de Deus são rejeitados e mortos.

A frase “Não é possível que um profeta morra fora de Jerusalém” é a chave para este texto. Ela encapsula a trágica ironia de Jerusalém: a cidade escolhida para ser o centro da revelação divina torna-se o local da maior contradição. O amor de Deus, manifestado em Cristo, encontra a incompreensão e a ingratidão dos seus próprios habitantes. Jesus reconhece que o seu sacrifício, embora seja o ápice do amor divino, será consumado num ambiente de hostilidade. No entanto, é precisamente nesse cenário de pecado e rejeição que Deus prepara a salvação para a humanidade. Jerusalém, o teatro do pecado, é também o lugar da redenção, onde o Filho de Deus oferece a sua vida.​.

A lamentação de Jesus por Jerusalém é uma das passagens mais comoventes dos Evangelhos. A imagem da galinha que deseja recolher os seus pintainhos sob as asas é uma metáfora poderosa do cuidado protetor e do amor de Deus pelo seu povo. Jesus anseia por uma união e segurança que Jerusalém obstinadamente recusa: “Mas vós não quisestes”. Esta recusa não é uma falha divina, mas uma escolha livre da cidade, que acarreta consequências, como o abandono da “vossa casa”. No entanto, a promessa de que “Não voltareis a ver-Me, até chegar o dia em que direis: ‘Bendito o que vem em nome do Senhor!’” abre uma porta à esperança e à futura aceitação de Cristo, apontando para a sua segunda vinda. A salvação, forjada através da oblação de Jesus na cruz em Jerusalém, é um caminho aberto para todos, mesmo para aqueles que O rejeitaram, demonstrando que o amor divino supera a incompreensão humana.

 

Oração:

Ó Jesus, que com ternura quiseste acolher Jerusalém sob as Tuas asas, abre os nossos corações à Tua presença. Ajuda-nos a reconhecer o Teu amor mesmo nos momentos de incompreensão e rejeição. Que possamos sempre dizer: “Bendito o que vem em nome do Senhor!”, e aceitar o Teu convite para a salvação que preparaste para nós. Amém.

10  29 ​ Domingo Lc 13, 22-30 «Virão muitos do Oriente e do Ocidente e sentar-se-ão à mesa no reino de Deus»



EVANGELHO Lc 13, 22-30
«Virão muitos do Oriente e do Ocidente
e sentar-se-ão à mesa no reino de Deus»

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Naquele tempo, Jesus dirigia-Se para Jerusalém e ensinava nas cidades e aldeias por onde passava. Alguém Lhe perguntou: «Senhor, são poucos os que se salvam?». Ele respondeu: «Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, porque Eu vos digo que muitos tentarão entrar sem o conseguir. Uma vez que o dono da casa se levante e feche a porta, vós ficareis fora e batereis à porta, dizendo: ‘Abre-nos, senhor’; mas ele responder-vos-á: ‘Não sei donde sois’. Então começareis a dizer: ‘Comemos e bebemos contigo e tu ensinaste nas nossas praças’. Mas ele responderá: ‘Repito que não sei donde sois. Afastai-vos de mim, todos os que praticais a iniquidade’. Aí haverá choro e ranger de dentes, quando virdes no reino de Deus Abraão, Isaac e Jacob e todos os Profetas, e vós a serdes postos fora. Virão muitos do Oriente e do Ocidente, do Norte e do Sul, e sentar-se-ão à mesa no reino de Deus. Há últimos que serão dos primeiros e primeiros que serão dos últimos».
Palavra da salvação.

 
Reflexão 

O Evangelho de hoje apresenta-nos uma das respostas mais desconcertantes e profundas de Jesus. Alguém Lhe pergunta, com a curiosidade que ainda hoje nos habita: “Senhor, são poucos os que se salvam?”. Em vez de uma estatística ou de uma revelação sobre o Além, Jesus oferece-nos uma advertência solene e um convite urgente para o *agora*. A questão não é quantos se salvam, mas *como* se salva cada um de nós. A resposta está não no conhecimento de um mistério futuro, mas na vivência responsável do presente.

A imagem da “porta estreita” é central. Não se trata de um convite ao sofrimento pelo sofrimento, mas a uma vida de escolhas deliberadas, de renúncia ao que é supérfluo e de foco no essencial. É a porta da conversão quotidiana, do combate ao pecado e da vivência concreta do amor. Jesus adverte que chegará um momento de exclusividade – “o dono da casa se levante e feche a porta” –, um símbolo do juízo, onde já não haverá lugar para procrastinações.

A cena seguinte é dramática. Muitos, confiantes numa familiaridade superficial com o Senhor – “Comemos e bebemos contigo” –, encontram-se do lado de fora. Esta é uma advertência poderosa para os cristãos de todos os tempos: a pertença a uma comunidade, a participação em rituais ou um conhecimento intelectual da fé não são garantia de salvação. O que define o discípulo é a prática da justiça e a obediência à vontade do Pai. A exclamação “Não sei donde sois” corta qualquer pretensão baseada em privilégios ou aparências.

E eis a reviravolta gloriosa: “Virão muitos do Oriente e do Ocidente e sentar-se-ão à mesa no reino de Deus”. A salvação revela-se universal. O banquete do Céu não será um clube exclusivo para os que se julgavam herdeiros naturais, mas uma festa surpreendente onde os últimos – os pagãos, os marginalizados, os que buscaram a Deus com um coração sincero longe dos holofotes – se tornarão os primeiros. É o triunfo da misericórdia de Deus sobre as nossas lógicas limitadas.

**Oração:**

Senhor Jesus, que nos chamais a entrar pela porta estreita da conversão, afastai de nós a presunção de que nos basta pertencer ao Vosso reino por tradição ou hábito. Dai-nos a graça do esforço quotidiano, da humildade para reconhecer os nossos pecados e da coragem para praticar a Vossa justiça. Que o nosso lugar à mesa do banquete eterno seja conquistado não por nossos títulos, mas por um coração renovado pelo Vosso amor. Fazei-nos, pela Vossa misericórdia, dentre os que, vindos de todos os cantos do mundo, se alegrarão convosco para sempre. Amém.

10  28 EVANGELHO Lc 6, 12-19 «Escolheu doze, a quem chamou apóstolos»
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EVANGELHO Lc 6, 12-19

«Escolheu doze, a quem chamou apóstolos»

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Naqueles dias,
Jesus subiu ao monte para rezar
e passou a noite em oração a Deus.
Quando amanheceu, chamou os discípulos
e escolheu doze entre eles, a quem deu o nome de apóstolos:
Simão, a quem deu também o nome de Pedro,
e seu irmão André;
Tiago e João; Filipe e Bartolomeu, Mateus e Tomé;
Tiago, filho de Alfeu, e Simão, chamado o Zelota;
Judas, irmão de Tiago, e Judas Iscariotes,
que veio a ser o traidor.
Depois desceu com eles do monte
e deteve-Se num sítio plano,
com numerosos discípulos e uma grande multidão de pessoas
de toda a Judeia, de Jerusalém e do litoral de Tiro e de Sidónia.
Tinham vindo para ouvir Jesus
e serem curados das suas doenças.
Os que eram atormentados por espíritos impuros
também ficavam curados.
Toda a multidão procurava tocar Jesus,
porque saía d’Ele uma força que a todos sarava..

Palavra da salvação.

REFLEXÃO **. 

A eleição dos Doze Apóstolos, que celebramos na festa de São Simão e São Judas, revela o coração da Igreja nascente e ilumina a nossa identidade eclesial. Jesus, antes desta escolha fundamental, passa a noite em oração. Este detalhe é fundacional: a Igreja não nasce de um projeto humano, mas da vontade do Pai, discernida na oração perseverante do Filho. Cada apóstolo, incluindo Simão (o Zelota, provavelmente um nacionalista radical) e Judas Tadeu, foi chamado pessoalmente por Jesus, formando um colégio diverso – pescadores, um cobrador de impostos, um zelota – unificado não pelas suas afinidades naturais, mas pela missão comum.

São Simão e São Judas, cujos nomes aparecem entre os Doze, representam todos os santos “sem história” conhecida. A tradição atribui-lhes a evangelização em lugares difíceis e o martírio. A sua festa recorda-nos que a santidade não é para uma elite de protagonistas, mas para todos os baptizados que, no seu anonimato, são colunas vivas da Igreja. Eles eram homens comuns, com as suas fraquezas e histórias, mas a sua resposta ao chamamento de Cristo transformou-os em fundamentos do seu Corpo místico.

Este Evangelho fala diretamente a nós, que pertencemos a esta Igreja. Primeiro, lembra-nos que a nossa identidade mais profunda é uma vocação. Não somos meros membros de uma organização, mas chamados pessoalmente por Cristo, tal como os Doze, para uma missão específica no mundo. Em segundo lugar, a descida do monte para curar a multidão mostra que a Igreja não existe para si mesma. A sua estrutura hierárquica e apostólica tem um único objetivo: descer ao “sítio plano” da humanidade sofredora para levar a cura de Cristo. A “força que a todos sarava” que saía de Jesus é a mesma graça que flui através dos sacramentos e da caridade da Igreja hoje.

Nós somos a continuação dessa multidão que procura tocar em Jesus, mas também somos, pelo Baptismo, chamados a ser canais dessa força sanadora para os outros. A festa de hoje convida-nos a renovar a nossa resposta ao chamamento, confiando que, como Simão e Judas, a nossa fidelidade quotidiana, por mais obscura que seja, constrói o Reino.

**Oração**

Ó Deus, que pela vossa infinita misericórdia nos chamastes à vossa Igreja, tal como chamastes os apóstolos Simão e Judas, concedei-nos a graça de responder com a mesma generosidade e fidelidade. Fazei que, fortalecidos pela oração e unidos no mesmo Espírito, sejamos no mundo testemunhas do vosso amor e instrumentos da vossa cura. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo. Ámen.

10 27 Segunda  Lc 13, 10-17 «Esta filha de Abraão não devia libertar-se desse jugo no dia de sábado?»

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas.

Naquele tempo, estava Jesus a ensinar ao sábado numa sinagoga. Apareceu lá uma mulher com um espírito que a tornava enferma havia dezóito anos; andava curvada e não podia de modo algum endireitar-se. Ao vê-la, Jesus chamou-a e disse-lhe: «Mulher, estás livre da tua enfermidade»; e impôs-lhe as mãos. Ela endireitou-se logo e começou a dar glória a Deus. Mas o chefe da sinagoga, indignado por Jesus ter feito uma cura ao sábado, tomou a palavra e disse à multidão: «Há seis dias para trabalhar. Portanto, vinde curar-vos nesses dias e não no dia de sábado». O Senhor respondeu: «Hipócritas! Não solta cada um de vós do estábulo o seu boi ou o seu jumento ao sábado, para o levar a beber? E esta mulher, filha de Abraão, que Satanás prendeu há dezóito anos, não devia libertar-se desse jugo no dia de sábado?». Enquanto Jesus assim falava, todos os seus adversários ficaram envergonhados e a multidão alegrava-se com todas as maravilhas que Ele realizava..

Palavra da salvação…

REFLEXÃO ..

O episódio da cura da mulher curvada revela o coração da missão de Jesus: libertar o ser humano de tudo que o oprime. A cena é profundamente comovente – uma mulher que há 18 anos não conseguia olhar para o horizonte, simbolicamente incapaz de ver o céu, de encontrar dignidade na sua vida. Jesus não espera que ela peça ajuda. Ele vê a  chama-a e declara a livre antes mesmo de tocá-la….

A reação do chefe da sinagoga representa a religião desumanizada, onde as regras importam mais que as pessoas. Sua fala é dirigida à multidão, nem sequer olha para a mulher curada. Jesus, porém, responde com um argumento irrefutável: no sábado, soltam os animais para matar a sede. **”Quanto mais esta filha de Abraão!”** – eis o grito revolucionário. Jesus declara o valor incomparável desta mulher, restituindo-lhe a dignidade de filha da promessa…

**Aplicações Pastorais:**..

**A prioridade da pessoa:** Nossas comunidades devem ser lugares onde as pessoas vêm antes das estruturas. Quantos em nossas paróquias chegam “curvados” por sofrimentos, dúvidas ou culpas? Precisamos do olhar de Jesus que os vê primeiro… Nossas celebrações devem libertar, alegrar, restaurar a dignidade…

**A mulher na comunidade:** Jesus valoriza publicamente uma mulher numa sociedade patriarcal. Nossas comunidades devem reconhecer e promover o papel indispensável das mulheres…

**A verdadeira religião:** A religião do Deus de Jesus sempre se pergunta: “Esta norma ou tradição serve à vida e à dignidade dos filhos de Deus?”…

Esta passagem convida nos a examinar quais são os “jugos” que ainda mantemos – preconceitos, indiferenças, rigidez pastoral – que impedem as pessoas de se erguerem e glorificarem a Deus.

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10 26 DOMINGO .Lc 18, 9-14 “Quem se exalta será humilhado”

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas.

Naquele tempo, Jesus disse a seguinte parábola para alguns que se consideravam justos e desprezavam os outros: «Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro publicano. O fariseu, de pé, orava assim: ‘Meu Deus, dou-Vos graças por não ser como os outros homens, que são ladrões, injustos e adúlteros, nem como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de todos os meus rendimentos’. O publicano ficou a distância e nem sequer se atrevia a erguer os olhos ao Céu; mas batia no peito e dizia: ‘Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador’. Eu vos digo que este desceu justificado para sua casa e o outro não. Porque todo aquele que se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado».
Palavra da salvação.

Reflexão .

O Evangelho de hoje, através da parábola do fariseu e do publicano, é um espelho implacável que nos convida à introspeção e ao arrependimento. Jesus dirige esta narrativa àqueles que “se consideravam justos e desprezavam os outros,” uma atitude perigosa que corrompe a própria essência da fé.

O Fariseu representa a religiosidade exterior e a autossuficiência. Em sua oração, não louva verdadeiramente a Deus, mas a si mesmo. Seus louvores são uma lista de méritos e um comparativo orgulhoso (“dou-Vos graças por não ser como os outros”), transformando o templo – lugar de encontro com a misericórdia – em palco para a sua vaidade. Ele vê a lei como um meio de se elevar acima dos outros, perdendo de vista que a justiça de Deus é um dom, não um prémio por desempenho. O seu coração, cheio de justiça própria, não deixa espaço para a graça.

Em contraste, o Publicano (um cobrador de impostos, socialmente desprezado e considerado pecador) é a imagem da humildade radical. Ele não se aproxima, não ergue os olhos e bate no peito. A sua oração é a mais curta e a mais profunda do Evangelho: “Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador.” Não enumera méritos; reconhece a sua total dependência da misericórdia divina. É o vazio de si que se enche da graça de Deus.

A conclusão de Jesus é chocante para a mentalidade da época: “Eu vos digo que este desceu justificado para sua casa e o outro não.” A justificação não foi dada a quem cumpria a lei de forma exemplar, mas a quem reconheceu a sua falha. Esta parábola ensina que a porta de acesso ao coração de Deus é a humildade. A verdadeira oração e a verdadeira justiça nascem não do que fazemos para Deus, mas do reconhecimento do que Ele faz por nós. Quem se exalta (o fariseu) será humilhado pelo seu próprio orgulho; quem se humilha (o publicano) será exaltado pela misericórdia de Deus.

Oração..

“Meu Deus, fonte de toda a misericórdia e perdão, À semelhança do publicano, venho a Vós com o coração contrito e humilhado. Longe de Vós o orgulho que me faz julgar o meu próximo e exaltar os meus méritos. Reconheço que sou pecador e dependente da Vossa graça em cada momento da minha vida. Não pelos meus feitos, mas pela Vossa imensa compaixão, concedei-me o dom da humildade sincera, para que, esvaziando-me de mim mesmo, possa ser preenchido pela Vossa justificação e pelo Vosso amor. Amén.”

 

10 23 Quinta-feira da semana XXIX

Agenda litúrgica

2025-10-23

Quinta-feira da semana XXIX

S. João de Capistrano, presbítero – MF
Verde ou br. – Ofício da féria ou da memória.
Missa à escolha (cf. p. 19, n. 18).

L 1 Rm 6, 19-23;

Transição da Escravidão do Pecado para a Liberdade em Cristo

Em Romanos 6, 19-23, São Paulo nos lembra da transição da escravidão do pecado para a liberdade em Cristo. Antes, nossos membros serviam à impureza, resultando em morte. Agora, libertos, somos chamados a colocar nossos membros a serviço da justiça, que conduz à santificação e, finalmente, à vida eterna. É um convite a uma mudança radical de vida, onde o fruto de nossas ações reflete nossa nova identidade em Deus.

Somos chamados a colocar nossos membros a serviço da justiça, que conduz à santificação e, finalmente, à vida eterna. É um convite a uma mudança radical de vida, onde o fruto de nossas ações reflete nossa nova identidade em Deus.

Sl 1, 1-2. 3. 4 e 6

Ev Lc 12, 49-53

 

As passagens bíblicas apresentadas nos convidam a uma profunda reflexão sobre a liberdade, a santidade e as escolhas que moldam nosso destino.

Em Romanos 6, 19-23, São Paulo nos lembra da transição da escravidão do pecado para a liberdade em Cristo. Antes, nossos membros serviam à impureza, resultando em morte. Agora, libertos, somos chamados a colocar nossos membros a serviço da justiça, que conduz à santificação e, finalmente, à vida eterna. É um convite a uma mudança radical de vida, onde o fruto de nossas ações reflete nossa nova identidade em Deus.

O Salmo 1, 1-2, 3, 4 e 6, por sua vez, traça um contraste marcante entre o justo e o ímpio. O homem feliz é aquele que se deleita na lei do Senhor, meditando nela dia e noite. Ele é como uma árvore plantada junto a águas correntes, que dá fruto no tempo certo e cuja folhagem não murcha. Em contrapartida, os ímpios são como palha levada pelo vento, cujo caminho leva à perdição. O Salmo nos assegura que o Senhor vela pelo caminho dos justos, enquanto o dos pecadores se desvanecerá.

Finalmente, Lucas 12, 49-53, nos apresenta uma fala desafiadora de Jesus. Ele afirma ter vindo trazer fogo à terra e não a paz, mas a divisão. Esta passagem, embora possa parecer paradoxal à primeira vista, revela a natureza transformadora e, por vezes, disruptiva do Evangelho. A adesão a Cristo e aos seus ensinamentos pode gerar divisões, até mesmo dentro das famílias, pois a verdade do Reino de Deus exige uma escolha radical que nem todos estão dispostos a fazer. Jesus não veio para uma paz superficial, mas para uma transformação profunda que pode confrontar as estruturas e relações existentes.

* Dia do Ordinariato Castrense.
* Na Ordem Agostiniana – S. Guilherme, eremita e B. João Bom, religioso – MF
* Na Ordem Franciscana e na Ordem dos Franciscanos Capuchinhos – S. João de Capistrano, presbítero, da I Ordem – MO
* Na Congregação dos Irmãos das Escolas Cristãs (Lassalistas/La Salle) – B. Arnoldo Reche, religioso – MF
* Na Diocese de Beja (Beja) – I Vésp. de S. Sisenando.
* Na Congregação dos Missionários do Coração de Maria – I Vésp. de S. António Maria Claret.

Missa

Antífona de entrada Cf. Sl 16, 6.8
Respondei-me, Senhor, quando Vos invoco,
ouvi a minha voz, escutai as minhas palavras.
Guardai-me dos meus inimigos, Senhor.
Protegei-me à sombra das vossas asas.

Oração coleta
Deus todo-poderoso e eterno,
dai-nos a graça de consagrarmos sempre ao vosso serviço
a dedicação da nossa vontade e a sinceridade do nosso coração.
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus
e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo,
por todos os séculos dos séculos.

LEITURA I (anos ímpares) Rm 6, 19-23
«Agora, libertos do pecado e tornados servos de Deus»

“Escravo” e “liberto” eram palavras bem conhecidas dos Romanos a quem S. Paulo escreve: Escravos eram homens ao serviço de outros, mas de tal maneira que não eram considerados “pessoas”; compravam-se e vendiam-se, como se fossem “coisas”. “Libertos” chamavam-se os que, depois de terem sido escravos, recebiam a liberdade. Assim, o cristão, outrora escravo antes da conversão a Cristo, é agora um liberto por Deus em Cristo Jesus. Há-de, portanto, viver agora a liberdade da santidade, e não voltar à escravidão da vida de que foi libertado.

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos

Irmãos: Falo com linguagem humana, por causa da vossa fraqueza: Assim como entregastes os vossos membros como escravos ao serviço da impureza e da desordem, que conduz à revolta contra Deus, colocai agora os vossos membros ao serviço da justiça, que conduz à santidade. Na verdade, quando éreis escravos do pecado, éreis livres em relação à justiça. Mas que fruto colhestes então dessas obras de que atualmente vos envergonhais? De facto, o seu fim é a morte. Mas agora, libertos do pecado e tornados servos de Deus, produzis o fruto que conduz à santificação, cujo fim é a vida eterna. Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, em Jesus Cristo, nosso Senhor.
Palavra do Senhor.

SALMO RESPONSORIAL Salmo 1, 1-2.3.4 e 6 (R. Salmo 39, 5a)
Refrão: Feliz o homem que pôs a sua esperança no Senhor. Repete-se

Feliz o homem que não segue o conselho dos ímpios,
nem se detém no caminho dos pecadores,
mas antes se compraz na lei do Senhor,
e nela medita dia e noite. Refrão

É como árvore plantada à beira das águas:
dá fruto a seu tempo e sua folhagem não murcha.
Tudo quanto fizer será bem sucedido. Refrão

Bem diferente é a sorte dos ímpios:
são como palha que o vento leva.
O Senhor vela pelo caminho dos justos,
mas o caminho dos pecadores leva à perdição. Refrão

ALELUIA Filip 3, 8-9
Refrão: Aleluia. Repete-se
Considero todas as coisas como prejuízo,
para ganhar a Cristo e n’Ele me encontrar. Refrão

EVANGELHO Lc 12, 49-53
«Não vim trazer a paz, mas a divisão»

Há dias, S. Paulo dava a Jesus o nome de Paz. Hoje, é o próprio Senhor que diz que não veio estabelecer a paz. É preciso que entendamos a maneira forte, muito ao gosto dos Evangelhos, de apresentar certas ideias fundamentais da doutrina de Jesus. Ele veio como fogo para iluminar e abrasar; mas, entre aqueles que O acolhem e aqueles que recusam recebê-l’O, Jesus será ocasião de divisão e desavença.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Eu vim trazer o fogo à terra e que quero Eu senão que ele se acenda? Tenho de receber um batismo e estou ansioso até que ele se realize. Pensais que Eu vim estabelecer a paz na terra? Não. Eu vos digo que vim trazer a divisão. A partir de agora, estarão cinco divididos numa casa: três contra dois e dois contra três. Estarão divididos o pai contra o filho e o filho contra o pai, a mãe contra a filha e a filha contra a mãe, a sogra contra a nora e a nora contra a sogra».
Palavra da salvação.

10 25 Reflexão : Liberdade, Fé e Serviço à Luz de João Paulo II

 

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A reflexáo inspirada em São João Paulo II, articula três pilares da vida cristã: liberdade, fé e serviço..

O Senhor vem até nós convidando-nos a receber a nossa liberdade. A verdadeira liberdade, como descrita em Romanos 6, 12-18, não é simples autonomia, mas a libertação do pecado para ser instrumento de justiça..

João Paulo II, que enfrentou regimes totalitários, encarnou este ideal, ensinando que a liberdade autêntica é escolher o bem e viver em Cristo, lutando incansavelmente pela dignidade humana..

Libertos, invoquemo-Lo com muita fé e confiança. A fé inabalável é o segundo pilar, ilustrado pelo Salmo 123 (124), 1-3. 4-6. 7-8.

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Diante de perigos e . atentados, o Papa demonstrou total confiança na proteção divina, resumida em seu lema “Totus Tuus” (“Todo Teu”). Sua vida é um testemunho de que Deus é nosso refúgio seguro em todas as adversidades…

E servindo-O nos outros com o criado fiel. Por fim, a fé e a liberdade culminam no serviço. Como exorta Lucas 12, 39-48, somos chamados a ser “criados fiéis”.

Diante de perigos e. atentados, o Papa demonstrou total confiança na proteção divina, resumida em seu lema “Totus Tuus” (“Todo Teu”). Sua vida é um testemunho de que Deus é nosso refúgio seguro em todas as adversidades…

E servindo-O nos outros com o criado fiel. Por fim, a fé e a liberdade culminam no serviço. Como exorta Lucas 12, 39-48, somos chamados a ser “criados fiéis”.

O pontificado de João Paulo II foi marcado por um serviço abnegado à Igreja e à humanidade, especialmente aos pobres e marginalizados, mostrando que o amor ao próximo é a expressão máxima da liberdade em Cristo..

Que seu exemplo nos inspire a viver essa trilha: livres em  Cristo, firmes na fé e dedicados ao serviço dos irmãos.

Cartaz: Liberdade, Fé e Serviço à Luz de João Paulo II

 

“Não tenhais medo!”, “A verdadeira paz vem do coração”, “A fé e a razão são como duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade” e “A liberdade não consiste em fazer o que gostamos, mas em ter o direito de fazer o que devemos”

10 25 Sabado Lc 13, 1-9 «Se não vos arrependerdes, morrereis do mesmo modo»

 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas.

Naquele tempo, vieram contar a Jesus que Pilatos mandara derramar o sangue de certos galileus, juntamente com o das vítimas que imolavam. Jesus respondeu-lhes: «Julgais que, por terem sofrido tal castigo, esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus? Eu digo-vos que não. E se não vos arrependerdes, morrereis todos do mesmo modo. E aqueles dezoito homens, que a torre de Siloé, ao cair, atingiu e matou? Julgais que eram mais culpados do que todos os outros habitantes de Jerusalém? Eu digo-vos que não. E se não vos arrependerdes, morrereis todos de modo semelhante. Jesus disse então a seguinte parábola: «Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi procurar os frutos que nela houvesse, mas não os encontrou. Disse então ao vinhateiro: ‘Há três anos que venho procurar frutos nesta figueira e não os encontro. Deves cortá-la. Porque há de estar ela a ocupar inutilmente a terra?’ Mas o vinhateiro respondeu-lhe: ‘Senhor, deixa-a ficar ainda este ano, que eu, entretanto, vou cavar-lhe em volta e deitar-lhe adubo. Talvez venha a dar frutos. Se não der, mandarás cortá-la».

Palavra da salvação.

Reflexão .

O Evangelho de hoje apresenta-nos uma profunda reflexão sobre o sofrimento, a culpa e a misericórdia de Deus. Quando informam Jesus sobre a crueldade de Pilatos e sobre um acidente fatal, a expectativa comum seria que Ele explicasse o “porquê” daquele sofrimento. No entanto, Jesus subverte essa lógica. Ele desfaz a ideia, tão arraigada em nós, de que a desgraça é um castigo direto pelo pecado. “Julgais que eram mais culpados?”, pergunta Ele. A resposta é um claro “não”.

A lição não é sobre a causa do sofrimento dos outros, mas sobre o significado que ele tem para as nossas próprias vidas. Jesus usa essas tragédias como um alerta urgente: “E se não vos arrependerdes, morrereis todos do mesmo modo”. Não se trata de uma ameaça, mas de uma realidade espiritual. A morte inesperada serve de espelho para a nossa própria fragilidade e para a urgência de converter o coração.

É então que a narrativa se torna esperançosa com a parábola da figueira estéril. Esta representa cada um de nós e a própria humanidade. O proprietário, símbolo da justiça, vê uma árvore que não cumpre a sua função e decide cortá-la. Mas o vinhateiro, figura da misericórdia e intercessão (como o próprio Cristo), implora por uma última chance: “Deixa-a ficar ainda este ano… Talvez venha a dar frutos”.

Esta é a síntese da mensagem: Deus é justo, mas a sua misericórdia precede e sustenta a justiça. Ele nos concede um “tempo de graça”, um “ano” extra para crescer, converter-nos e produzir frutos de amor, perdão e caridade. A paciência de Deus é o espaço da nossa conversão. No entanto, esse tempo não é infinito. O convite é para que não o desperdicemos, mas que, conscientes da nossa fragilidade, nos deixemos cavar e adubar pela graça, transformando a nossa esterilidade em vida plena.

### **Oração**

Senhor Jesus, que na vossa misericórdia nos concedeis tempo para a conversão, nós Vos agradecemos pela vossa paciência que não cansa de acreditar em nós.

Diante das fragilidades do mundo e das nossas próprias misérias, ajudai-nos a não julgar os outros, mas a examinar o nosso próprio coração. Dai-nos a graça do verdadeiro arrependimento, para que não adiemos a vossa chamada.

Assim como o vinhateiro cuidou da figueira, cavai o solo endurecido do nosso egoísmo e alimentai a nossa alma com a Vossa Palavra e com a Vossa Eucaristia. Que este tempo de graça que nos dais não passe em vão, mas seja fecundo, para que possamos produzir os frutos de bondade, justiça e amor que esperais de nós.

Convertei-nos, Senhor, e fazei de nós uma nova criatura. Amém.

 

 

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10 22 O Convite à Liberdade em Cristo: Caminho para a Verdadeira Vida

  1. O Convite à Liberdade em Cristo: Caminho para a Verdadeira Vida

O Senhor vem até nós com um convite profundo e transformador: o de recebermos a nossa liberdade. Esta liberdade não é meramente a ausência de restrições externas, mas uma libertação do domínio do pecado, conforme nos é revelado em Romanos 6, 12-18. A Palavra de Deus nos exorta: “Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para que não obedeçais às suas concupiscências; nem apresenteis os vossos membros ao pecado, como instrumentos de iniquidade; mas apresentai-vos a Deus, como vivos dentre os mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça.”

Legenda: Romanos 6, 12-18: Representa a libertação das amarras do pecado e a entrega a Deus como instrumentos de justiça.

Essa passagem poderosa nos lembra que não estamos mais debaixo da lei, mas debaixo da graça, e que o pecado não terá domínio sobre nós. A questão que surge é: “Pecaremos, porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça?” A resposta é um categórico “De modo nenhum!”. Nossa liberdade em Cristo nos chama a uma entrega total a Deus, escolhendo a justiça em vez do pecado, e assim vivendo a verdadeira liberdade que Ele nos oferece. Fomos libertados do pecado para sermos feitos servos da justiça, um chamado para uma vida de propósito e retidão.

  1. Invocando o Senhor com Fé e Confiança: O Nosso Refúgio Seguro

Libertos do jugo do pecado, somos chamados a invocar o Senhor com uma fé inabalável e uma confiança plena. O Salmo 123 (124), 1-3. 4-6. 7-8 expressa vividamente essa confiança e gratidão na proteção divina: “Se não fosse o Senhor, que esteve ao nosso lado, diga-o, pois, Israel; se não fosse o Senhor, que esteve ao nosso lado, quando os homens se levantaram contra nós, eles então nos teriam engolido vivos, quando a sua ira se acendeu contra nós.”

Legenda: Salmo 123 (124), 1-3. 4-6. 7-8: Ilustra a proteção divina e a libertação de perigos, com a alma escapando como um pássaro da armadilha.

Este salmo é um hino de louvor e reconhecimento da intervenção divina em momentos de perigo, reforçando a certeza de que a nossa segurança e libertação provêm do Senhor. A imagem do pássaro escapando do laço do passarinheiro é uma metáfora poderosa da nossa alma que escapa, pois “o nosso socorro está no nome do Senhor, que fez o céu e a terra”. Em meio às adversidades da vida, somos convidados a lançar todas as nossas preocupações sobre Ele, sabendo que Ele cuida de nós e nos guarda sob Suas asas.

III. Servindo ao Senhor nos Outros como o Servo Fiel: Vigilância e Amor

Uma vez libertos e fortalecidos pela fé, somos desafiados a servir ao Senhor através do serviço aos outros, seguindo o exemplo do criado fiel, conforme narrado no Evangelho de Lucas 12, 39-48. Jesus nos exorta à vigilância: “Vós também estai apercebidos; porque virá o Filho do homem à hora que não imaginais.” Ele nos alerta sobre a responsabilidade do despenseiro fiel e prudente, que cuida da casa do seu senhor.

Legenda: Lucas 12, 39-48: Mostra a importância da vigilância, responsabilidade e serviço diligente ao próximo, aguardando o retorno do Senhor.

Esta parábola salienta a importância da vigilância, da responsabilidade e do serviço diligente enquanto aguardamos o retorno do Senhor. A nossa liberdade em Cristo deve manifestar-se no amor e no serviço ao próximo, sendo instrumentos de justiça e bondade no mundo. O Senhor enfatiza que “a qualquer que muito for dado, muito se lhe pedirá; e a quem muito se confiou, mais se lhe pedirá.” A liberdade que recebemos de Deus exige de nós uma resposta de fidelidade e serviço, demonstrando nosso amor por Ele através do cuidado com o próximo

Resumo Geral

Esta homilia explora o convite divino à liberdade e ao serviço fiel, fundamentado em passagens bíblicas chave. Em primeiro lugar, Romanos 6, 12-18 nos exorta a uma libertação do domínio do pecado, onde a graça supera a lei e nos capacita a sermos instrumentos de justiça. A liberdade em Cristo é uma escolha ativa de entregar-se a Deus, vivendo com propósito e retidão. Em segundo lugar, o Salmo 123 (124) nos convida a invocar o Senhor com fé inabalável, reconhecendo-O como nosso refúgio seguro em meio às adversidades. A imagem do pássaro escapando do laço simboliza a proteção divina e a intervenção de Deus em momentos de perigo. Por fim, Lucas 12, 39-48 nos desafia a servir ao Senhor através do serviço aos outros, exemplificando o criado fiel. A vigilância, responsabilidade e diligência são essenciais, pois a liberdade que recebemos exige fidelidade e amor ao próximo, cumprindo assim o chamado de Deus em nossas vidas. Em suma, a verdadeira liberdade em Cristo nos impulsiona a uma vida de justiça, confiança em Deus e serviço abnegado aos nossos irmãos, preparando-nos para o encontro final com o Senhor.

Legenda: Três aspectos da vida cristã: Liberdade do pecado, Proteção divina e Serviço ao próximo. Estas imagens resumem os temas centrais da homilia. A primeira imagem, uma pessoa quebrando correntes, representa a liberdade do pecado (Romanos 6, 12-18), onde somos libertos do domínio do mal para viver em justiça. A imagem central, um pássaro escapando de uma armadilha, simboliza a proteção e a confiança em Deus (Salmo 123), nosso refúgio seguro nas adversidades. Por fim, a terceira imagem, uma pessoa prestando ajuda ao próximo, ilustra o chamado ao serviço fiel (Lucas 12, 39-48), onde a liberdade em Cristo se manifesta no amor e cuidado com os outros. Juntas, essas imagens encapsulam a jornada de liberdade, fé e serviço que o Senhor nos convida a viver.

10 24 Lc 12, 54-59 «Shttps://www.eelmoh-dictof.com/2025/10/10-24-lc-12-54-59-se-sabeis-discernir-o-aspecto-da-terra-e-do-ceu-porque-nao-sabeis-discernir-o-tempo-presente/e sabeis discernir o aspecto da terra e do céu, porque não sabeis discernir o tempo presente?»

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas.

Naquele tempo, dizia Jesus à multidão: «Quando vedes levantar-se uma nuvem no poente, logo dizeis: ‘Vem chuva’; e assim acontece. E quando sopra o vento sul, dizeis: ‘Vai fazer muito calor’; e assim sucede. Hipócritas, se sabeis discernir o aspecto da terra e do céu, porque não sabeis discernir o tempo presente? Porque não julgais por vós mesmos o que é justo?». E acrescentou: «Quando fores com o teu adversário ao magistrado, esforça-te por te entenderes com ele no caminho, para que ele não te arraste ao juiz e o juiz te entregue ao oficial de justiça e o oficial de justiça te meta na prisão. Eu te digo: Não sairás de lá, enquanto não pagares o último centavo».

Palavra da salvação.

REFLEXÃO

A palavra “hipócritas” usada por Jesus é forte e revela a gravidade da situação. Não se trata de uma ignorância simples, mas de uma recusa em ver o que é evidente. Eles tinham a capacidade de julgar e interpretar o mundo natural, mas escolhiam não aplicar essa mesma perspicácia às questões espirituais e morais. Jesus os desafia a “julgar por si mesmos o que é justo”, o que implica uma responsabilidade pessoal e intransferível no discernimento ético e espiritual. A fé, neste contexto, não é uma adesão cega, mas um ato de discernimento inteligente e corajoso..

A segunda parte do Evangelho apresenta uma parábola sobre a reconciliação. Jesus aconselha a multidão a “entender-se com o adversário no caminho” antes de chegar ao magistrado. Esta passagem pode ser interpretada em vários níveis. Em um sentido prático, é um conselho prudente para evitar litígios custosos e dolorosos. Mas, em um sentido mais profundo, é um apelo à reconciliação com Deus e com o próximo enquanto há tempo. O “adversário” pode ser a nossa própria consciência ou as consequências das nossas ações. O “caminho” é a vida presente, o “tempo presente” que deve ser discernido. A prisão e o pagamento do “último centavo” simbolizam as consequências inevitáveis da recusa em buscar a justiça e a reconciliação..

Este Evangelho é um convite perene ao autêntico discernimento. Em um mundo onde somos bombardeados por informações e sinais de todas as direções, a capacidade de interpretar o que realmente importa – a vontade de Deus, a necessidade de justiça e reconciliação – torna-se crucial. Não basta apenas ver; é preciso discernir o significado, agir com base nesse discernimento e buscar a paz antes que seja tarde demais.

Oração  

Ó Senhor, que nos deste a capacidade de discernir os sinais do céu e da terra, abre os nossos olhos para que possamos discernir também o tempo presente. Ajuda-nos a reconhecer a Tua voz nos acontecimentos da nossa vida e do mundo, e a agir com justiça e amor. Concede-nos a graça da reconciliação, para que, antes de nos apresentarmos diante de Ti, possamos fazer as pazes com os nossos irmãos e irmãs. Amém.

 

 

 

10 23 Quinta Feira .Lc 12, 49-53 “Não vim trazer a paz, mas a divisão”

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Eu vim trazer o fogo à terra e que quero Eu senão que ele se acenda? Tenho de receber um batismo e estou ansioso até que ele se realize. Pensais que Eu vim estabelecer a paz na terra? Não. Eu vos digo que vim trazer a divisão. A partir de agora, estarão cinco divididos numa casa: três contra dois e dois contra três. Estarão divididos o pai contra o filho e o filho contra o pai, a mãe contra a filha e a filha contra a mãe, a sogra contra a nora e a nora contra a sogra».

Palavra da salvação..

Reflexão 

 

O Evangelho de hoje, em Lucas 12, 49-53, apresenta-nos uma declaração de Jesus que pode parecer, à primeira vista, contraditória com a Sua essência de “Príncipe da Paz” que celebramos. Ele afirma: “Eu vim trazer o fogo à terra e que quero Eu senão que ele se acenda? […] Pensais que Eu vim estabelecer a paz na terra? Não. Eu vos digo que vim trazer a divisão.” Esta passagem, com a sua linguagem forte e imagética impactante, convida-nos a uma reflexão profunda sobre a natureza da paz que Jesus realmente oferece e o impacto transformador da Sua mensagem..

Quando Jesus fala de “fogo”, Ele não se refere a um fogo destrutivo no sentido negativo, mas sim a um fogo purificador, um fogo de paixão e zelo pela verdade divina. É o fogo do Espírito Santo que ilumina as consciências, abrasa os corações e nos impulsiona à conversão. Este fogo, ao ser acendido, inevitavelmente revela as trevas e as resistências dentro de nós e na sociedade..

A “divisão” que Jesus menciona não é um objetivo em si, mas uma consequência dolorosa e, por vezes, inevitável, da adesão radical à Sua proposta de vida. A verdade e os valores do Reino de Deus confrontam as estruturas e os valores do mundo, e esta confrontação pode gerar desavenças até mesmo no seio das famílias. A fidelidade a Cristo pode exigir escolhas que nos separem daqueles que não partilham da mesma fé ou que não estão dispostos a seguir o caminho exigente do Evangelho. Não se trata de uma divisão promovida por Jesus para oprimir, mas uma divisão que emerge da liberdade de cada um em acolher ou rejeitar a Sua palavra. A paz de Cristo não é a ausência de conflito, mas a serenidade interior que nasce da conformidade com a vontade de Deus, mesmo no meio das provações e oposições.

Oração

Senhor Jesus, fogo que acende e ilumina, pedimos-Te que o Teu Espírito arda em nós. Que a Tua Palavra nos purifique e nos transforme, mesmo que isso signifique confrontar as nossas próprias sombras e as divisões do mundo. Dá-nos a coragem de ser fiéis à Tua verdade, buscando a paz que só Tu podes oferecer, uma paz que transcende a mera ausência de conflitos e se enraíza na obediência e no amor ao Pai. Ámen.

10 22 Quarta EVANGELHO Lc 12, 39-48 «A quem muito foi dado, muito será exigido»

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Compreendei isto: se o dono da casa soubesse a que hora viria o ladrão, não o deixaria arrombar a sua casa. Estai vós também preparados, porque na hora em que não pensais virá o Filho do homem». Disse Pedro a Jesus: «Senhor, é para nós que dizes esta parábola, ou também para todos os outros?». O Senhor respondeu: «Quem é o administrador fiel e prudente que o senhor estabelecerá à frente da sua casa, para dar devidamente a cada um a sua ração de trigo? Feliz o servo a quem o senhor, ao chegar, encontrar assim ocupado. Em verdade vos digo que o porá à frente de todos os seus bens. Mas se aquele servo disser consigo mesmo: ‘O meu senhor tarda em vir’; e começar a bater em servos e servas, a comer, a beber e a embriagar-se, o senhor daquele servo chegará no dia em que menos espera e a horas que ele não sabe; ele o expulsará e fará que tenha a sorte dos infiéis. O servo que, conhecendo a vontade do seu senhor, não se preparou ou não cumpriu a sua vontade, levará muitas vergastadas. Aquele, porém, que, sem a conhecer, tenha feito ações que mereçam vergastadas, levará apenas algumas. A quem muito foi dado, muito será exigido; a quem muito foi confiado, mais se lhe pedirá»..

Palavra da salvação..

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Reflexão : Vigilância e Fidelidade na Missão**

O Evangelho de Lucas convida-nos a uma vigilância ativa e a uma administração fiel dos dons recebidos. A imagem do senhor que regressa a qualquer hora exige de nós uma permanente prontidão, não um temor paralisante, mas uma entrega constante à vontade de Deus. A pergunta de Pedro—”é para nós ou para todos?”—encontra resposta na responsabilidade universal: a todos foi confiada uma missão, mas com particular exigência para aqueles a quem foi dada maior autoridade.

Esta passagem ilumina de modo singular a vida e o pontificado de São João Paulo II. A ele, como a Pedro, foi confiado o cuidado da casa de Deus, a Igreja. A sua vida foi um testemunho eloquente do “administrador fiel e prudente”. Ele compreendeu que o Senhor o havia colocado à frente dos seus servos para lhes dar “a sua ração de trigo” no tempo certo: o trigo da Verdade, através do seu magistério incansável; o trigo da Esperança, com o seu lema “Não tenhais medo!”; e o trigo da Misericórdia, promovendo a devoção à Divina Misericórdia.

João Paulo II viveu intensamente a máxima “a quem muito foi dado, muito será exigido”. Aos seus vastos talentos intelectuais, espirituais e pastorais, correspondeu uma entrega sem reservas, uma “vigilância missionária” que o levou aos quatro cantos do mundo. Ele nunca agiu como o servo infiel que, pensando que o senhor tardava, se acomodava ou oprimia os outros. Pelo contrário, acelerou o passo, sabendo que o tempo é precioso. A sua existência foi uma longa e fértil vigília, uma resposta generosa ao chamamento de Cristo até ao último suspiro, incarnando a bem-aventurança do servo a quem o Senhor encontra ocupado na sua vinha.

### . Oração**

Senhor Jesus, Mestre e Pastor,
que chamastes São João Paulo II a uma grande missão
e o encontrastes sempre vigilante na vossa vinha,
concedei-nos, por sua intercessão,
um coração de servos fiéis e prudentes.
Que, na incerteza da hora do vosso regresso,
nós vivamos cada dia com a intensidade de quem espera o Senhor,
amando a Vossa vontade e servindo os nossos irmãos
com a coragem e a paixão do vosso servo João Paulo.

Amém.

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