Daily Archives: November 15, 2025

11 21 Sexta Lc 19, 45-48 «Fizestes da casa do Senhor um covil de ladrões»

 

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, Jesus entrou no templo e começou a expulsar os vendedores, dizendo-lhes: «Está escrito: ‘A minha casa é casa de oração’; e vós fizestes dela ‘um covil de ladrões’». Jesus ensinava todos os dias no templo. Os príncipes dos sacerdotes, os escribas e os chefes do povo procuravam dar Lhe a morte, mas não encontravam o modo de o fazer, porque todo o povo ficava maravilhado quando O ouvia.
Palavra da salvação…

Reflexão .

O Evangelho de São Lucas (19, 45-48) retrata um Jesus profundamente impulsionado pelo zelo da Casa de Seu Pai. Este fervor pela santidade do Templo – concebido como um espaço de oração, súplica e adoração a Deus – ecoa um amor que se manifestou desde cedo, lembrando o episódio em que Ele, ainda jovem, se encontrava entre os doutores, motivado pela necessidade de se dedicar às “coisas do Pai” (Lc 2, 49). Não é, portanto, a primeira vez que Jesus demonstra esta paixão ardente…tinado a ser uma “casa de oração para todas as nações”, estava a desviar-se drasticamente da sua vocação divina. Sob o pretexto de facilitar as práticas religiosas – como a troca de moeda para o imposto do Templo e a venda de animais para os sacrifícios –, o espaço sagrado foi transformado pelos contemporâneos de Jesus num mercado barulhento, degenerando num foco de lucro e exploração..

A atitude de Jesus, ao expulsar os vendilhões, ultrapassava a simples crítica ao comércio: era uma condenação da perversão do que era sagrado e do roubo da adoração genuína. Na realidade, o Templo estava a ser despojado do seu sentido mais profundo: o encontro sincero e desinteressado com Deus..

Esta ação de Jesus é um poderoso ensinamento sobre a prioridade do espírito sobre a letra, e do amor sobre a transação. Até as coisas destinadas a fins santos – como os sacrifícios e as ofertas – podem ser profanadas quando o coração está mais voltado para o benefício pessoal do que para a glória de Deus..

O Evangelista Lucas realça o contraste entre o fervor purificador de Jesus e a reação das autoridades: “Os príncipes dos sacerdotes, os escribas e os chefes do povo procuravam dar Lhe a morte.” O zelo de Jesus confronta o poder estabelecido e os interesses criados. No entanto, o povo simples ficava “maravilhado quando O ouvia”, reconhecendo a verdade e a autoridade em Suas palavras e ações..

Esta purificação aponta para um Templo novo e definitivo: a própria humanidade santíssima de Jesus Cristo ressuscitado. Ele é o lugar onde Deus habita plenamente. O desafio para nós, hoje, é reconhecer que o nosso coração, batizado e habitado pelo Espírito Santo, é o verdadeiro Templo de Deus. Precisamos, tal como Jesus fez em Jerusalém, purificar este Templo interior de todas as “mesas de cambistas” – os apegos, as preocupações mundanas, as faltas de caridade – que nos impedem de ser “casa de oração” pura..

A purificação de que se fala prefigura um Templo novo e definitivo, que é a própria humanidade santíssima de Jesus Cristo ressuscitado. É n’Ele que Deus reside em plenitude..

O desafio atual é reconhecer que o nosso coração, uma vez batizado e habitado pelo Espírito Santo, constitui o verdadeiro Templo de Deus…

Tal como Jesus agiu em Jerusalém, somos chamados a purificar este Templo interior. Devemos remover todas as “mesas de cambistas” – os apegos, as preocupações mundanas e as faltas de caridade – que nos impedem de ser uma “casa de oração” pura..

A Palavra de Deus nos convida a meditar: de que forma tenho eu transformado a minha vida, que é Templo do Espírito Santo, num “covil de ladrões” ou num mercado de vaidades?

Oração

Senhor Jesus Cristo, Verbo de Deus e Templo Vivo, inflamado pelo zelo de Tua Casa, entra no templo do meu coração. Expulsa de mim todo o comércio de interesses mesquinhos, toda a ganância e todo o ruído que abafa a Tua voz. Que a minha alma não seja um covil de preocupações e pecados, mas sim uma casa de oração, um santuário de silêncio e adoração, onde Tu possas reinar soberano. Dá-me a graça de Te ouvir e de Te acolher com a mesma admiração do povo simples. Que a minha vida seja sempre um louvor puro a Deus. Ámen.

11 20 Quinta Lc 19, 41-44 «Se conhecesses o que te pode dar a paz!»

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, quando Jesus Se aproximou de Jerusalém, ao ver a cidade, chorou sobre ela e disse: «Se ao menos hoje conhecesses o que te pode dar a paz! Mas não. Está escondido a teus olhos. Dias virão para ti, em que os teus inimigos te rodearão de trincheiras e te apertarão de todos os lados. Esmagar-te-ão a ti e aos teus filhos e não deixarão em ti pedra sobre pedra, por não teres reconhecido o tempo em que foste visitada».
Palavra da salvação.

REFLEXÃO

Era o momento culminante da peregrinação de Jesus. Ele aproximava-Se de Jerusalém, a cidade santa, o coração da aliança entre Deus e o seu povo. A multidão  aclamava O agitando ramos e proclamando a chegada do Reino. No entanto, em vez de triunfo, o rosto d o Mestre estava marcado por uma dor profunda. Ao avistar a cidade, com o seu esplendor e o seu Templo, Jesus não soltou gritos de vitória, mas rompeu em pranto.

Este choro não era de frustração pessoal, mas o pranto do próprio Deus pela teimosia do seu povo. Era o lamento do coração divino perante uma oportunidade que estava a ser tragicamente desperdiçada. A sua voz, carregada de uma emoção dilacerante, ecoou como um último e urgente apelo: «Se ao menos hoje conhecesses o que te pode dar a paz!». A verdadeira paz – a shalom que é plenitude, reconciliação com Deus e harmonia – estava ali, incarnada n’Ele, a oferecer-se gratuitamente. Mas Jerusalém, simbolizando todo o povo, permanecia cega. A sua paz estava escondida aos seus próprios olhos, ofuscada por expectativas políticas, por um rigor religioso sem amor e por uma recusa em reconhecer a humilde manifestação de Deus no seu meio.

Então, o tom da lamentação transforma-se em profecia solene. Jesus, com a clareza de quem vê o futuro inexorável que a rejeitação acarretará, anuncia a consequência terrível dessa cegueira. A paz que recusaram darão lugar à guerra. A cidade que O rejeita será, por sua vez, sitiada e esmagada. A profecia cumprir-se-ia historicamente, décadas mais tarde, no ano 70 d.C., quando as legiões romanas de Tito arrasariam Jerusalém, não deixando “pedra sobre pedra”, tal como Jesus previu. A destruição não é apresentada como um castigo arbitrário de um Deus vingativo, mas como a consequência lógica e trágica de uma escolha: “por não teres reconhecido o tempo em que foste visitada”.

A “visitação” de Deus em Jesus era o momento da graça, o kairos, o tempo oportuno para o acolhimento e a salvação. Ao rejeitá-Lo, Jerusalém escolheu o caminho que levava à sua própria ruína. Este episódio transcende o contexto histórico para se tornar um aviso perene para todo o coração humano e para toda a comunidade de fé. É um convite urgente à vigilância espiritual, a abrir os olhos para reconhecer a presença de Deus quando Ele nos visita nas encruzilhadas da vida, nos apelos dos pequenos, no silêncio da oração, no rosto do necessitado. Ignorar essa visitação divina é optar por uma falsa paz que conduz, inevitavelmente, à desolação.

**Oração**
Ó Jesus, que chorastes sobre Jerusalém com um coração transbordante de amor e dor, tende piedade de nós quando, na nossa cegueira, recusamos o dom da vossa paz.
Afastai de nós a soberba e a indiferença que escondem de nossos olhos a vossa visitação quotidiana. Abri o nosso coração para reconhecer o tempo da vossa graça e acolher a verdadeira paz que só Vós podeis dar.
Convertei-nos, para que, reconhecendo-Vos como nosso único Salvador, vivamos sempre na luz da vossa misericórdia e sejamos construtores da vossa paz no mundo. Amém.