Daily Archives: November 3, 2025

 11 07 Sexta Lc 16, 1-8 «Os filhos deste mundo são mais espertos do que os filhos da luz, no trato com os seus semelhantes»

 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Um homem rico tinha um administrador que foi denunciado por andar a desperdiçar os seus bens. Mandou chamá-lo e disse-lhe: ‘Que é isto que ouço dizer de ti? Presta contas da tua administração, porque já não podes continuar a administrar’. O administrador disse consigo: ‘Que hei de fazer, agora que o meu senhor me vai tirar a administração? Para cavar não tenho forças, de mendigar tenho vergonha. Já sei o que hei de fazer, para que, ao ser despedido da administração, alguém me receba em sua casa’. Mandou chamar um por um os devedores do seu senhor e disse ao primeiro: ‘Quanto deves ao meu senhor?’. Ele respondeu: ‘Cem talhas de azeite’. O administrador disse-lhe: ‘Toma a tua conta: senta-te depressa e escreve cinquenta’. A seguir disse a outro: ‘E tu quanto deves?’ Ele respondeu: ‘Cem medidas de trigo’. Disse-lhe o administrador: ‘Toma a tua conta e escreve oitenta’. E o senhor elogiou o administrador desonesto, por ter procedido com esperteza. De facto, os filhos deste mundo são mais espertos do que os filhos da luz, no trato com os seus semelhantes».

Palavra da salvação.

Reflexão: A Astúcia dos Filhos da Luz

A parábola do administrador astuto é, à primeira vista, desconcertante. Como pode Jesus parecer elogiar a conduta de um homem desonesto? A chave para entender esta passagem está no objeto do elogio: não é a desonestidade que é louvada, mas a esperteza, a prudência, a astúcia e a visão de futuro.

O administrador, confrontado com uma crise iminente, age com extraordinária previsão. Ele avalia os seus recursos limitados (forças e dignidade) e decide usar o poder que ainda tem – no caso, a autoridade sobre os bens do patrão – para garantir o seu futuro. Ele investe no relacionamento com os devedores, criando uma rede de favores que o acolherá quando for despedido. É um plano sagaz, ainda que eticamente questionável.

Jesus então faz o contraste crucial: “os filhos deste mundo são mais espertos do que os filhos da luz”. Os que vivem apenas para os bens materiais demonstram uma habilidade impressionante para planejar, negociar e assegurar o seu bem-estar terreno. E nós, “os filhos da luz”, que dizemos ter como tesouro o Reino de Deus, mostramos a mesma ousadia, a mesma criatividade e a mesma prontidão para garantir o que é eterno?

A lição não é sermos desonestos, mas sermos igualmente sábios e determinados na nossa busca pelo Céu. Deus deu-nos “bens” para administrar: o nosso tempo, os nossos talentos, a nossa caridade, a nossa fé. Estamos a usá-los com a mesma astúcia para construir tesouros no Céu? Estamos a “fazer amigos” com as nossas esmolas e atos de bondade, para que eles nos recebam “nas moradas eternas”?

A exortação é para que sejamos tão hábeis no bem quanto os mundanos o são nos seus negócios. Que a nossa esperteza se manifeste no perdão, na generosidade e no amor, usando os bens passageiros deste mundo para alcançar um fim que nunca passará.

Oração 

Senhor Jesus, Mestre e Divino Administrador,
Vós que nos confiastes os bens passageiros deste mundo,
dai-nos a sabedoria do administrador astuto,
não para a desonestidade, mas para a prudência do espírito.

06 Quinta  Lc 15, 1-10 «Haverá alegria entre os Anjos de Deus por um só pecador que se arrependa»

 

EVANGELHO Lc 15, 1-10
«Haverá alegria entre os Anjos de Deus
por um só pecador que se arrependa»

 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, os publicanos e os pecadores aproximavam-se todos de Jesus, para O ouvirem. Mas os fariseus e os escribas murmuravam entre si, dizendo: «Este homem acolhe os pecadores e come com eles». Jesus disse-lhes então a seguinte parábola: «Quem de vós, que possua cem ovelhas e tenha perdido uma delas, não deixa as outras noventa e nove no deserto, para ir à procura da que anda perdida, até a encontrar? Quando a encontra, põe-na alegremente aos ombros e, ao chegar a casa, chama os amigos e vizinhos e diz-lhes: ‘Alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha perdida’. Eu vos digo: Assim haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se arrependa, do que por noventa e nove justos, que não precisam de arrependimento. Ou então, qual é a mulher que, possuindo dez dracmas e tendo perdido uma, não acende uma lâmpada, varre a casa e procura cuidadosamente a moeda até a encontrar? Quando a encontra, chama as amigas e vizinhas e diz-lhes: ‘Alegrai-vos comigo, porque encontrei a dracma perdida’. Eu vos digo: Assim haverá alegria entre os Anjos de Deus por um só pecador que se arrependa».
Palavra da salvação.

Reflexão 

O episódio de Lucas 15 revela o coração compassivo de Deus diante da fragilidade humana. Jesus conta duas parábolas—a ovelha perdida e a dracma desaparecida—em resposta aos fariseus, que criticavam o acolhimento aos pecadores. Ambas as histórias destacam um mesmo movimento: a busca insistente pelo que se perdeu e a alegria transbordante ao reencontrá-lo.  

A ovelha desgarrada representa o ser humano que se afasta de Deus. O pastor abandona as noventa e nove no deserto para resgatar uma única. Seu gesto de carregá-la nos ombros revela não apenas perdão, mas restauração digna. A mulher que varre a casa para achar a moeda (equivalente a um dia de salário) mostra que nada, por menor que pareça, é insignificante aos olhos divinos.  

A crítica de Jesus aos fariseus é contundente: eles agiam como “donos do rebanho”, excluindo quem julgavam indigno. Mas Deus não é um contador de méritos; é Pai que corre ao encontro. A alegria no Céu pelo “pecador que se arrepende” subverte a lógica humana: não há condenação, só festa. Lucas enfatiza essa misericórdia como núcleo do Evangelho—um convite a abandonar a rigidez e celebrar a graça que resgata os perdidos.  

Para nós hoje, o texto questiona: agimos como fariseus, criando barreiras, ou como Cristo, que transforma mesas em lugares de comunhão? A verdadeira conversão começa quando reconhecemos que todos somos, em algum momento, a ovelha perdida—e também instrumentos do abraço de Deus para outros.  

### **Oração:**  
*Senhor Jesus, Pastor das ovelhas perdidas,  
que saístes ao nosso encontro nos desertos da vida,  
ensinai-nos a vossa misericórdia sem limites.  
Fazei que nossos olhos vejam o irmão afastado  
com o mesmo amor com que nos buscais,  
e que nossas mãos sejam instrumentos  
do vosso abraço restaurador.  
Que a alegria do Céu, por cada pecador que volta,  
eco em nossos corações e comunidades.  
Amém.*

 

 

11 05 Lc 14 25-33 Quem quiser meu discípulo de Jesus, tem de se desprender da familia e dos seus haveres

Evangelho de Jesus segundo São Lucas

Naquele tempo, seguia Jesus uma grande multidão. Jesus voltou-Se e disse-lhes: «Se alguém vem ter comigo, e não Me preferir ao pai, à mãe, à esposa, aos filhos, aos irmãos, às irmãs e até à própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não pode ser meu discípulo. Quem de vós, desejando construir uma torre, não se senta primeiro a calcular a despesa, para ver se tem com que terminá-la? Não suceda que, depois de assentar os alicerces, se mostre incapaz de a concluir e todos os que olharem comecem a fazer troça, dizendo: ‘Esse homem começou a edificar, mas não foi capaz de concluir’. E qual é o rei que parte para a guerra contra outro rei e não se senta primeiro a considerar se é capaz de se opor, com dez mil soldados, àquele que vem contra ele com vinte mil? Aliás, enquanto o outro ainda está longe, manda-lhe uma delegação a pedir as condições de paz. Assim, quem de entre vós não renunciar a todos os seus bens, não pode ser meu discípulo».

Reflexão 

Este ensinamento de Jesus, proferido a uma grande multidão, é um dos mais desafiadores do Evangelho. Jesus não suaviza as exigências para seguir o Seu caminho; pelo contrário, Ele as eleva ao máximo. A preferência por Cristo deve ser absoluta, superando até os laços familiares mais profundos – pai, mãe, esposa, filhos, irmãos, irmãs – e a própria vida. Esta não é uma negação do amor humano, mas uma reordenação radical das prioridades. O amor a Cristo deve ser o fundamento e a medida de todos os outros amores, o coração que pulsa em todas as relações. Se o amor a Deus não for o centro, os outros amores podem tornar-se ídolos ou desvios.

A exigência de “tomar a sua cruz” e “renunciar a todos os seus bens” aponta para uma entrega total e um desapego radical. A cruz simboliza o sofrimento, a renúncia e a identificação com Cristo no Seu sacrifício. Renunciar aos bens não significa necessariamente uma pobreza material literal para todos, mas sim um desapego interior que impede que as posses se tornem um obstáculo para seguir a Deus. É um convite a não permitir que nada, nem mesmo o que é legítimo e bom, ocupe o lugar de Deus no coração.

As parábolas do construtor da torre e do rei que vai à guerra ilustram a necessidade de um discernimento cuidadoso e de uma determinação firme. Seguir a Cristo não é uma decisão impulsiva, mas um compromisso consciente e calculado, que implica estar preparado para os custos e sacrifícios. A fé exige um realismo que avalie as implicações e uma vontade que persista até o fim. A mensagem final é clara: a discipulado exige tudo, mas oferece a única plenitude onde o amor total pode residir.

Oração

Senhor Jesus, Tu que nos chamas a uma entrega radical e a um amor sem reservas,arranca do nosso coração tudo o que nos impede de Te seguir com total liberdade.Dá-nos a graça de Te preferir acima de todas as coisas e de todos os afetos.Ajuda-nos a carregar a nossa cruz com coragem e a renunciar aos bens que nos prendem,para que possamos ser verdadeiramente Teus discípulos.Que a nossa vida seja um cálculo bem feito, uma torre edificada sobre a rocha da Tua vontade,e uma batalha travada com a certeza da Tua vitória.Que o nosso amor por Ti purifique todos os nossos sentimentos,e que em Ti encontremos a única exigência onde cabe o amor total.Ámen.