Monthly Archives: November 2025

11 10 Lc 17, 1-6 Segunda «Se sete vezes vier ter contigo e te disser: ‘Estou arrependido’, tu lhe perdoarás»

 

….

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «É inevitável que haja escândalos; mas ai daquele que os provoca. Melhor seria para ele que lhe atassem ao pescoço uma mó de moinho e o atirassem ao mar, do que ser ocasião de pecado para um só destes pequeninos. Tende cuidado. Se teu irmão cometer uma ofensa, repreende-o, e, se ele se arrepender, perdoa-lhe. Se te ofender sete vezes num dia e sete vezes vier ter contigo e te disser: ‘Estou arrependido’, tu lhe perdoarás». Os Apóstolos disseram ao Senhor: «Aumenta a nossa fé». O Senhor respondeu: «Se tivésseis fé como um grão de mostarda, diríeis a esta amoreira: ‘Arranca-te daí e vai plantar-te no mar’, e ela vos obedeceria».
Palavra da salvação.

REFLEXÃO

«Se sete vezes vier ter +contigo e te disser: ‘Estou arrependido’, tu lhe perdoarás»
O refrão na música é aquela parte que se repete, que ecoa em nossa memória, que marca o ritmo e a essência da composição. Na vida espiritual, o perdão é este refrão divino que deve ressoar continuamente em nossos corações. O Evangelho de Lucas nos apresenta Jesus ensinando sobre a importância do perdão ilimitado: “Se sete vezes vier ter contigo e te disser: ‘Estou arrependido’, tu lhe perdoarás”.

Sete vezes – número que na tradição bíblica representa a perfeição, a totalidade. Não se trata de uma contagem matemática, mas de uma atitude perene do coração. Perdoar sempre, como refrão constante em nossa relação com os outros, espelhando o perdão infinito que Deus nos concede.

São Leão Magno, Papa e Doutor da Igreja do século V, compreendeu profundamente este refrão do perdão. Em meio às invasões bárbaras e divisões na Igreja, sua vida foi um testemunho de como o perdão e a misericórdia devem ser a melodia constante que orienta nossa ação. Ele mediou conflitos, buscou a reconciliação e lembrou aos cristãos que a essência do Evangelho está no amor que perdoa sem medida.

Assim como um refrão musical que se repete para fixar a mensagem principal da canção, o perdão deve ser o tema que se repete em nossas vidas. Cada vez que perdoamos, cantamos novamente o refrão da misericórdia divina. Cada gesto de reconciliação é uma estrofe na grande sinfonia do amor de Deus.

O refrão do perdão não é apenas uma repetição mecânica, mas uma prática transformadora que nos conforma cada vez mais a Cristo. São Leão Magno nos ensina que, através do perdão constante, construímos a verdadeira paz – não apenas a ausência de conflito, mas a presença ativa da justiça temperada pela misericórdia.

Que nossa vida seja como uma canção onde o refrão “perdoarás” ecoe continuamente, transformando nossas relações e testemunhando ao mundo o amor incondicional de Deus.

Oração

Ó Deus de infinita misericórdia,
que nos ensinastes pelo vosso Filho
a perdoar sem limites,fazei que, seguindo o exemplo de São Leão Magno,
saibamos fazer do perdão o refrão de nossas vidas.
Que cada ofensa recebida seja oportunidade
para cantar novamente a vossa misericórdia,
e que nosso coração nunca se canse
de repetir o gesto do acolhimento e do perdão.
Por Cristo, nosso Senhor. Amém.

.

 

 

11 08 Sabado Lc 16, 9-15 «Se não fostes fiéis no que se refere ao vil dinheiro, quem vos confiará o verdadeiro bem?»

image.jpeg

EVANGELHO Lc 16, 9-15

«Se não fostes fiéis no que se refere ao vil dinheiro,

quem vos confiará o verdadeiro bem?»

Esta leitura é constituída por uma série de sentenças que aplicam a parábola ontem proclamada. Todas elas se referem ao uso do dinheiro, que é chamado “vil”, em oposição ao “verdadeiro bem” e ao serviço de Deus. Os bens temporais não são maus em si mesmos, mas são frequentemente ocasião e meio pelo qual o homem se perde. Mas há bens maiores que o dinheiro; e a leitura termina com uma afirmação de Jesus sobre os verdadeiros critérios para julgar os valores autênticos da vida. Estes hão de ser sempre iluminados pela palavra de Deus. E, deste modo, a semana termina abrindo já sobre a claridade do dia do Senhor.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Arranjai amigos com o vil dinheiro, para que, quando este vier a faltar, eles vos recebam nas moradas eternas. Quem é fiel nas coisas pequenas também é fiel nas grandes; e quem é injusto nas coisas pequenas, também é injusto nas grandes. Se não fostes fiéis no que se refere ao vil dinheiro, quem vos confiará o verdadeiro bem? E se não fostes fiéis no bem alheio, quem vos entregará o que é vosso? Nenhum servo pode servir a dois senhores, porque, ou não gosta de um deles e estima o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro». Os fariseus, que eram amigos de dinheiro, ouviam tudo isto e escarneciam de Jesus. Então Jesus disse-lhes: «Vós quereis passar por justos aos olhos dos homens, mas Deus conhece os vossos corações. O que vale muito para os homens nada vale aos olhos de Deus».

Palavra da salvação.

Reflexão 
Claro, aqui está um comentário sobre o Evangelho, uma oração composta a partir dele e uma sugestão de imagem.

### Comentário ao Evangelho (Lc 16, 9-15)

Nesta passagem, Jesus confronta-nos com a realidade mais prática das nossas vidas: a nossa relação com o dinheiro e os bens materiais. Ele não os condena em si mesmos, mas chama-lhes “vil dinheiro”, expondo a sua natureza transitória e a sua perigosa capacidade de nos distrair do que é verdadeiramente essencial. O convite é radical: usar esses bens efémeros para um fim eterno. “Arranjai amigos com o vil dinheiro” é um paradoxo genial. Significa ser generoso, usar os recursos para o bem, para aliviar o sofrimento e promover a justiça. Desta forma, os pobres e necessitados que ajudámos tornar-se-ão, pela graça de Deus, as testemunhas que nos acolherão “nas moradas eternas”.

A seguir, Jesus apresenta uma lei espiritual fundamental: a fidelidade nas pequenas coisas é o treino para a fidelidade nas grandes. Se formos desonestos ou negligentes na administração dos bens terrenos (“bem alheio”), como poderá Deus confiar-nos os bens espirituais, “o verdadeiro bem”, que é a própria vida divina em nós? A questão de fundo é a da soberania do nosso coração. A declaração “Não podeis servir a Deus e ao dinheiro” não é um conselho, mas um diagnóstico da realidade humana. O coração humano é feito para adorar, para se entregar totalmente. Se o nosso tesouro for o dinheiro, o poder ou o prestígio que ele compra, esse será o nosso deus. A reação dos fariseus, que “escarneciam de Jesus”, revela o perigo de uma religiosidade que busca a aprovação humana (“passar por justos”) mas cujo coração está afeiçoado ao dinheiro. Deus, porém, vê para além das aparências e inverte a lógica do mundo: “O que vale muito para os homens nada vale aos olhos de Deus”. O Evangelho convida-nos a um exame de consciência corajoso: a quem ou a quê está verdadeiramente orientado o meu serviço?

### Oração

Senhor Jesus, Vós que nos alertais sobre a sedução do vil dinheiro, dai-nos um coração sábio e livre. Ajudai-nos a usar os bens passageiros que possuímos como instrumentos de caridade e justiça, para que, servindo os nossos irmãos mais necessitados, acumulemos tesouros no Céu.

Sede Vós, ó Deus, o nosso único Senhor. Afastai de nosso coração a tentação de servir a dois amos. Que a fidelidade nas pequenas coisas do dia a dia, no uso honesto dos nossos recursos, nos prepare para recebermos o verdadeiro bem: a Vossa própria vida e amor.

Iluminai a nossa visão, para que, à luz da Vossa Palavra, saibamos discernir os valores eternos dos efémeros e busquemos, em tudo, a Vossa glória. Por Cristo Nosso Senhor. Ámen.

 11 07 Sexta Lc 16, 1-8 «Os filhos deste mundo são mais espertos do que os filhos da luz, no trato com os seus semelhantes»

 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Um homem rico tinha um administrador que foi denunciado por andar a desperdiçar os seus bens. Mandou chamá-lo e disse-lhe: ‘Que é isto que ouço dizer de ti? Presta contas da tua administração, porque já não podes continuar a administrar’. O administrador disse consigo: ‘Que hei de fazer, agora que o meu senhor me vai tirar a administração? Para cavar não tenho forças, de mendigar tenho vergonha. Já sei o que hei de fazer, para que, ao ser despedido da administração, alguém me receba em sua casa’. Mandou chamar um por um os devedores do seu senhor e disse ao primeiro: ‘Quanto deves ao meu senhor?’. Ele respondeu: ‘Cem talhas de azeite’. O administrador disse-lhe: ‘Toma a tua conta: senta-te depressa e escreve cinquenta’. A seguir disse a outro: ‘E tu quanto deves?’ Ele respondeu: ‘Cem medidas de trigo’. Disse-lhe o administrador: ‘Toma a tua conta e escreve oitenta’. E o senhor elogiou o administrador desonesto, por ter procedido com esperteza. De facto, os filhos deste mundo são mais espertos do que os filhos da luz, no trato com os seus semelhantes».

Palavra da salvação.

Reflexão: A Astúcia dos Filhos da Luz

A parábola do administrador astuto é, à primeira vista, desconcertante. Como pode Jesus parecer elogiar a conduta de um homem desonesto? A chave para entender esta passagem está no objeto do elogio: não é a desonestidade que é louvada, mas a esperteza, a prudência, a astúcia e a visão de futuro.

O administrador, confrontado com uma crise iminente, age com extraordinária previsão. Ele avalia os seus recursos limitados (forças e dignidade) e decide usar o poder que ainda tem – no caso, a autoridade sobre os bens do patrão – para garantir o seu futuro. Ele investe no relacionamento com os devedores, criando uma rede de favores que o acolherá quando for despedido. É um plano sagaz, ainda que eticamente questionável.

Jesus então faz o contraste crucial: “os filhos deste mundo são mais espertos do que os filhos da luz”. Os que vivem apenas para os bens materiais demonstram uma habilidade impressionante para planejar, negociar e assegurar o seu bem-estar terreno. E nós, “os filhos da luz”, que dizemos ter como tesouro o Reino de Deus, mostramos a mesma ousadia, a mesma criatividade e a mesma prontidão para garantir o que é eterno?

A lição não é sermos desonestos, mas sermos igualmente sábios e determinados na nossa busca pelo Céu. Deus deu-nos “bens” para administrar: o nosso tempo, os nossos talentos, a nossa caridade, a nossa fé. Estamos a usá-los com a mesma astúcia para construir tesouros no Céu? Estamos a “fazer amigos” com as nossas esmolas e atos de bondade, para que eles nos recebam “nas moradas eternas”?

A exortação é para que sejamos tão hábeis no bem quanto os mundanos o são nos seus negócios. Que a nossa esperteza se manifeste no perdão, na generosidade e no amor, usando os bens passageiros deste mundo para alcançar um fim que nunca passará.

Oração 

Senhor Jesus, Mestre e Divino Administrador,
Vós que nos confiastes os bens passageiros deste mundo,
dai-nos a sabedoria do administrador astuto,
não para a desonestidade, mas para a prudência do espírito.

06 Quinta  Lc 15, 1-10 «Haverá alegria entre os Anjos de Deus por um só pecador que se arrependa»

 

EVANGELHO Lc 15, 1-10
«Haverá alegria entre os Anjos de Deus
por um só pecador que se arrependa»

 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, os publicanos e os pecadores aproximavam-se todos de Jesus, para O ouvirem. Mas os fariseus e os escribas murmuravam entre si, dizendo: «Este homem acolhe os pecadores e come com eles». Jesus disse-lhes então a seguinte parábola: «Quem de vós, que possua cem ovelhas e tenha perdido uma delas, não deixa as outras noventa e nove no deserto, para ir à procura da que anda perdida, até a encontrar? Quando a encontra, põe-na alegremente aos ombros e, ao chegar a casa, chama os amigos e vizinhos e diz-lhes: ‘Alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha perdida’. Eu vos digo: Assim haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se arrependa, do que por noventa e nove justos, que não precisam de arrependimento. Ou então, qual é a mulher que, possuindo dez dracmas e tendo perdido uma, não acende uma lâmpada, varre a casa e procura cuidadosamente a moeda até a encontrar? Quando a encontra, chama as amigas e vizinhas e diz-lhes: ‘Alegrai-vos comigo, porque encontrei a dracma perdida’. Eu vos digo: Assim haverá alegria entre os Anjos de Deus por um só pecador que se arrependa».
Palavra da salvação.

Reflexão 

O episódio de Lucas 15 revela o coração compassivo de Deus diante da fragilidade humana. Jesus conta duas parábolas—a ovelha perdida e a dracma desaparecida—em resposta aos fariseus, que criticavam o acolhimento aos pecadores. Ambas as histórias destacam um mesmo movimento: a busca insistente pelo que se perdeu e a alegria transbordante ao reencontrá-lo.  

A ovelha desgarrada representa o ser humano que se afasta de Deus. O pastor abandona as noventa e nove no deserto para resgatar uma única. Seu gesto de carregá-la nos ombros revela não apenas perdão, mas restauração digna. A mulher que varre a casa para achar a moeda (equivalente a um dia de salário) mostra que nada, por menor que pareça, é insignificante aos olhos divinos.  

A crítica de Jesus aos fariseus é contundente: eles agiam como “donos do rebanho”, excluindo quem julgavam indigno. Mas Deus não é um contador de méritos; é Pai que corre ao encontro. A alegria no Céu pelo “pecador que se arrepende” subverte a lógica humana: não há condenação, só festa. Lucas enfatiza essa misericórdia como núcleo do Evangelho—um convite a abandonar a rigidez e celebrar a graça que resgata os perdidos.  

Para nós hoje, o texto questiona: agimos como fariseus, criando barreiras, ou como Cristo, que transforma mesas em lugares de comunhão? A verdadeira conversão começa quando reconhecemos que todos somos, em algum momento, a ovelha perdida—e também instrumentos do abraço de Deus para outros.  

### **Oração:**  
*Senhor Jesus, Pastor das ovelhas perdidas,  
que saístes ao nosso encontro nos desertos da vida,  
ensinai-nos a vossa misericórdia sem limites.  
Fazei que nossos olhos vejam o irmão afastado  
com o mesmo amor com que nos buscais,  
e que nossas mãos sejam instrumentos  
do vosso abraço restaurador.  
Que a alegria do Céu, por cada pecador que volta,  
eco em nossos corações e comunidades.  
Amém.*

 

 

11 05 Lc 14 25-33 Quem quiser meu discípulo de Jesus, tem de se desprender da familia e dos seus haveres

Evangelho de Jesus segundo São Lucas

Naquele tempo, seguia Jesus uma grande multidão. Jesus voltou-Se e disse-lhes: «Se alguém vem ter comigo, e não Me preferir ao pai, à mãe, à esposa, aos filhos, aos irmãos, às irmãs e até à própria vida, não pode ser meu discípulo. Quem não toma a sua cruz para Me seguir, não pode ser meu discípulo. Quem de vós, desejando construir uma torre, não se senta primeiro a calcular a despesa, para ver se tem com que terminá-la? Não suceda que, depois de assentar os alicerces, se mostre incapaz de a concluir e todos os que olharem comecem a fazer troça, dizendo: ‘Esse homem começou a edificar, mas não foi capaz de concluir’. E qual é o rei que parte para a guerra contra outro rei e não se senta primeiro a considerar se é capaz de se opor, com dez mil soldados, àquele que vem contra ele com vinte mil? Aliás, enquanto o outro ainda está longe, manda-lhe uma delegação a pedir as condições de paz. Assim, quem de entre vós não renunciar a todos os seus bens, não pode ser meu discípulo».

Reflexão 

Este ensinamento de Jesus, proferido a uma grande multidão, é um dos mais desafiadores do Evangelho. Jesus não suaviza as exigências para seguir o Seu caminho; pelo contrário, Ele as eleva ao máximo. A preferência por Cristo deve ser absoluta, superando até os laços familiares mais profundos – pai, mãe, esposa, filhos, irmãos, irmãs – e a própria vida. Esta não é uma negação do amor humano, mas uma reordenação radical das prioridades. O amor a Cristo deve ser o fundamento e a medida de todos os outros amores, o coração que pulsa em todas as relações. Se o amor a Deus não for o centro, os outros amores podem tornar-se ídolos ou desvios.

A exigência de “tomar a sua cruz” e “renunciar a todos os seus bens” aponta para uma entrega total e um desapego radical. A cruz simboliza o sofrimento, a renúncia e a identificação com Cristo no Seu sacrifício. Renunciar aos bens não significa necessariamente uma pobreza material literal para todos, mas sim um desapego interior que impede que as posses se tornem um obstáculo para seguir a Deus. É um convite a não permitir que nada, nem mesmo o que é legítimo e bom, ocupe o lugar de Deus no coração.

As parábolas do construtor da torre e do rei que vai à guerra ilustram a necessidade de um discernimento cuidadoso e de uma determinação firme. Seguir a Cristo não é uma decisão impulsiva, mas um compromisso consciente e calculado, que implica estar preparado para os custos e sacrifícios. A fé exige um realismo que avalie as implicações e uma vontade que persista até o fim. A mensagem final é clara: a discipulado exige tudo, mas oferece a única plenitude onde o amor total pode residir.

Oração

Senhor Jesus, Tu que nos chamas a uma entrega radical e a um amor sem reservas,arranca do nosso coração tudo o que nos impede de Te seguir com total liberdade.Dá-nos a graça de Te preferir acima de todas as coisas e de todos os afetos.Ajuda-nos a carregar a nossa cruz com coragem e a renunciar aos bens que nos prendem,para que possamos ser verdadeiramente Teus discípulos.Que a nossa vida seja um cálculo bem feito, uma torre edificada sobre a rocha da Tua vontade,e uma batalha travada com a certeza da Tua vitória.Que o nosso amor por Ti purifique todos os nossos sentimentos,e que em Ti encontremos a única exigência onde cabe o amor total.Ámen.

11 04 Lc 14, 15-24 «Vai pelos caminhos e azinhagas e obriga toda a gente a entrar, para que a minha casa fique cheia»

 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, disse a Jesus um dos que estavam com Ele à mesa: «Feliz de quem tomar parte no banquete do reino de Deus». Respondeu-lhe Jesus: «Certo homem preparou um grande banquete e convidou muita gente. À hora do festim, enviou um servo para dizer aos convidados: ‘Vinde, que está tudo pronto’. Mas todos eles se foram desculpando. O primeiro disse: ‘Comprei um campo e preciso de ir vê-lo. Peço-te que me dispenses’. Outro disse: ‘Comprei cinco juntas de bois e vou experimentá-las. Peço-te que me dispenses’. E outro disse: ‘Casei-me e por isso não posso ir’. Ao voltar, o servo contou tudo isso ao seu senhor. Então o dono da casa indignou-se e disse ao servo: ‘Vai depressa pelas praças e ruas da cidade e traz para aqui os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos’. No fim, o servo disse: ‘Senhor, as tuas ordens foram cumpridas, mas ainda há lugar’. O dono da casa disse então ao servo: ‘Vai pelos caminhos e azinhagas e obriga toda a gente a entrar, para que a minha casa fique cheia. Porque eu vos digo que nenhum daqueles que foram convidados provará do meu banquete’».

Palavra da salvação.

O que se fala na parábola é o banquete messiânico, a comunhão dos homens com Deus em Cristo, frequentemente comparada a um banquete. Para este banquete todos são convidados, porque por todos Cristo morreu e para todos ressuscitou. Os primeiros convidados escusaram-se. É uma referência ao povo de Israel. Talvez que os outros, por sua origem menos preparados, venham a escutar o convite. Desses outros fazemos nós parte! A Eucaristia, que celebra precisamente a Aliança entre Deus e os homens em Cristo, tem a forma de um banquete e nela somos convidados para “a Ceia das núpcias do Cordeiro”.
A parábola do grande banquete. Deus prepara a mesa, e os convidados respondem com desculpas. Um campo para ver, bois para experimentar, casamento para celebrar. Todos tão ocupados com a vida que não têm tempo para a Vida. Então o anfitrião abre portas e janelas, chama os pobres, os coxos, os perdidos dos caminhos. O Reino não é para quem se julga importante, mas para quem aceita ser amado. Esta parábola reflete a vida de S. Carlos 
bispo no século XVI, homem de reforma viva, acreditava no corpo da Igreja como Paulo descreve:O Reino acolhe não os que se consideram importantes, mas aqueles que se permitem ser amados.Isto alinha-se perfeitamente com São Carlos Borromeu, bispo do século XVI e figura proeminente na reforma da Igreja, que via o corpo da Igreja tal como descrito por Paulo. unido, simples, ardente na caridade. Enquanto muitos procuravam vantagens, ele oferecia serviço. Enquanto outros se sentavam em banquetes de poder, ele ia às ruas, cuidava dos doentes na peste, formava seminaristas, alimentava famintos. Um pastor com as mãos gastas e o coração firme, como o salmista no colo do Senhor. Ele ouviu o convite do Banquete e respondeu com a vida inteira. Não ficou preso às suas “boas desculpas”; deixou que Deus o encontrasse e o enviasse.
Hoje, como no tempo de Paulo e de Borromeu, o Senhor ainda chama:  “Vem. Há lugar para ti.”

Oração 

Senhor Jesus,
Tu que preparas a mesa do Reino com amor sem fim, desperta o meu coração para o teu convite.
Livra-me das desculpas que me afastam de Ti e ensina-me a alegria simples de quem se sabe amado.
Que eu viva a Eucaristia como festa de comunhão, como Ceia do Cordeiro onde todos têm lugar.
Faz-me, como São Carlos Borromeu, servidor dos irmãos e anunciador da tua hospitalidade divina.
Contigo, quero dizer: “Eis-me aqui. Reserva-me um lugar no teu Banquete.”
Amen.

11 04 Lc 14, 15-24 «Vai pelos caminhos e azinhagas e obriga toda a gente a entrar, para que a minha casa fique cheia»


 

11 03  Segunda  Lc 14, 12-14 . «Não convides os teus amigos, mas os pobres e os doentes»

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas.

Naquele tempo, disse Jesus a um dos principais fariseus, que O tinha convidado para uma refeição: «Quando ofereceres um almoço ou um jantar, não convides os teus amigos nem os teus irmãos, nem os teus parentes nem os teus vizinhos ricos, não seja que eles por sua vez te convidem e assim serás retribuído. Mas quando ofereceres um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos; e serás feliz por eles não terem com que retribuir-te: ser-te-á retribuído na ressurreição dos justos»..

Palavra da salvação..

REFLEXÃO ..

Este ensinamento de Jesus, proferido justamente num banquete farisaico, é uma revolução que atinge o cerne das nossas relações sociais. A nossa tendência natural é a de cultivar uma rede de contactos baseada na reciprocidade e no benefício próprio. Convidamos quem nos pode retribuir, criando um ciclo de favores e dívadas que fortalece o nosso status e conforto. É uma justiça humana, mas é uma justiça fechada sobre si mesma..

Jesus propõe uma lógica radicalmente oposta: a da gratuidade. Ao instruir que se convidem os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos, Ele não está apenas a promover um ato de caridade. Está a desmantelar a economia do mérito e a instaurar a economia da Graça. Estes convidados, marginalizados pela sociedade, não têm qualquer possibilidade de retribuição. O ato de os acolher torna-se, portanto, puro. Já não é um investimento social, mas um gesto de amor desinteressado..

A felicidade prometida por Jesus não vem do reconhecimento alheio ou de um futuro benefício terreno. Surge da libertação interior de quem age sem esperar nada em troca. É a alegria de participar da própria natureza de Deus, que é Amor gratuito. A “retribuição na ressurreição dos justos” não é um pagamento por uma obra, mas a consumação final deste gesto de amor. É a garantia de que um ato verdadeiramente gratuito, porque reflete o coração de Deus, tem uma ressonância eterna. Ele nos conforma a Cristo, que se ofereceu por nós quando ainda éramos incapazes de Lhe retribuir coisa alguma..

**Oração**.

Senhor Jesus, arranca do nosso coração a tentação de calcular benefícios. Ensina-nos a gratuidade e dá-nos olhos para ver os que nada têm para retribuir. Faze-nos corajosos para lhes oferecer amizade e acolhimento, tornando a nossa mesa um sinal do Teu Reino. Que, servindo os Teus pequeninos, possamos um dia participar do festim eterno da Tua ressurreição. Ámen.