Daily Archives: October 20, 2025

10 24 Lc 12, 54-59 «Shttps://www.eelmoh-dictof.com/2025/10/10-24-lc-12-54-59-se-sabeis-discernir-o-aspecto-da-terra-e-do-ceu-porque-nao-sabeis-discernir-o-tempo-presente/e sabeis discernir o aspecto da terra e do céu, porque não sabeis discernir o tempo presente?»

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas.

Naquele tempo, dizia Jesus à multidão: «Quando vedes levantar-se uma nuvem no poente, logo dizeis: ‘Vem chuva’; e assim acontece. E quando sopra o vento sul, dizeis: ‘Vai fazer muito calor’; e assim sucede. Hipócritas, se sabeis discernir o aspecto da terra e do céu, porque não sabeis discernir o tempo presente? Porque não julgais por vós mesmos o que é justo?». E acrescentou: «Quando fores com o teu adversário ao magistrado, esforça-te por te entenderes com ele no caminho, para que ele não te arraste ao juiz e o juiz te entregue ao oficial de justiça e o oficial de justiça te meta na prisão. Eu te digo: Não sairás de lá, enquanto não pagares o último centavo».

Palavra da salvação.

REFLEXÃO

A palavra “hipócritas” usada por Jesus é forte e revela a gravidade da situação. Não se trata de uma ignorância simples, mas de uma recusa em ver o que é evidente. Eles tinham a capacidade de julgar e interpretar o mundo natural, mas escolhiam não aplicar essa mesma perspicácia às questões espirituais e morais. Jesus os desafia a “julgar por si mesmos o que é justo”, o que implica uma responsabilidade pessoal e intransferível no discernimento ético e espiritual. A fé, neste contexto, não é uma adesão cega, mas um ato de discernimento inteligente e corajoso..

A segunda parte do Evangelho apresenta uma parábola sobre a reconciliação. Jesus aconselha a multidão a “entender-se com o adversário no caminho” antes de chegar ao magistrado. Esta passagem pode ser interpretada em vários níveis. Em um sentido prático, é um conselho prudente para evitar litígios custosos e dolorosos. Mas, em um sentido mais profundo, é um apelo à reconciliação com Deus e com o próximo enquanto há tempo. O “adversário” pode ser a nossa própria consciência ou as consequências das nossas ações. O “caminho” é a vida presente, o “tempo presente” que deve ser discernido. A prisão e o pagamento do “último centavo” simbolizam as consequências inevitáveis da recusa em buscar a justiça e a reconciliação..

Este Evangelho é um convite perene ao autêntico discernimento. Em um mundo onde somos bombardeados por informações e sinais de todas as direções, a capacidade de interpretar o que realmente importa – a vontade de Deus, a necessidade de justiça e reconciliação – torna-se crucial. Não basta apenas ver; é preciso discernir o significado, agir com base nesse discernimento e buscar a paz antes que seja tarde demais.

Oração  

Ó Senhor, que nos deste a capacidade de discernir os sinais do céu e da terra, abre os nossos olhos para que possamos discernir também o tempo presente. Ajuda-nos a reconhecer a Tua voz nos acontecimentos da nossa vida e do mundo, e a agir com justiça e amor. Concede-nos a graça da reconciliação, para que, antes de nos apresentarmos diante de Ti, possamos fazer as pazes com os nossos irmãos e irmãs. Amém.

 

 

 

10 23 Quinta Feira .Lc 12, 49-53 “Não vim trazer a paz, mas a divisão”

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Eu vim trazer o fogo à terra e que quero Eu senão que ele se acenda? Tenho de receber um batismo e estou ansioso até que ele se realize. Pensais que Eu vim estabelecer a paz na terra? Não. Eu vos digo que vim trazer a divisão. A partir de agora, estarão cinco divididos numa casa: três contra dois e dois contra três. Estarão divididos o pai contra o filho e o filho contra o pai, a mãe contra a filha e a filha contra a mãe, a sogra contra a nora e a nora contra a sogra».

Palavra da salvação..

Reflexão 

 

O Evangelho de hoje, em Lucas 12, 49-53, apresenta-nos uma declaração de Jesus que pode parecer, à primeira vista, contraditória com a Sua essência de “Príncipe da Paz” que celebramos. Ele afirma: “Eu vim trazer o fogo à terra e que quero Eu senão que ele se acenda? […] Pensais que Eu vim estabelecer a paz na terra? Não. Eu vos digo que vim trazer a divisão.” Esta passagem, com a sua linguagem forte e imagética impactante, convida-nos a uma reflexão profunda sobre a natureza da paz que Jesus realmente oferece e o impacto transformador da Sua mensagem..

Quando Jesus fala de “fogo”, Ele não se refere a um fogo destrutivo no sentido negativo, mas sim a um fogo purificador, um fogo de paixão e zelo pela verdade divina. É o fogo do Espírito Santo que ilumina as consciências, abrasa os corações e nos impulsiona à conversão. Este fogo, ao ser acendido, inevitavelmente revela as trevas e as resistências dentro de nós e na sociedade..

A “divisão” que Jesus menciona não é um objetivo em si, mas uma consequência dolorosa e, por vezes, inevitável, da adesão radical à Sua proposta de vida. A verdade e os valores do Reino de Deus confrontam as estruturas e os valores do mundo, e esta confrontação pode gerar desavenças até mesmo no seio das famílias. A fidelidade a Cristo pode exigir escolhas que nos separem daqueles que não partilham da mesma fé ou que não estão dispostos a seguir o caminho exigente do Evangelho. Não se trata de uma divisão promovida por Jesus para oprimir, mas uma divisão que emerge da liberdade de cada um em acolher ou rejeitar a Sua palavra. A paz de Cristo não é a ausência de conflito, mas a serenidade interior que nasce da conformidade com a vontade de Deus, mesmo no meio das provações e oposições.

Oração

Senhor Jesus, fogo que acende e ilumina, pedimos-Te que o Teu Espírito arda em nós. Que a Tua Palavra nos purifique e nos transforme, mesmo que isso signifique confrontar as nossas próprias sombras e as divisões do mundo. Dá-nos a coragem de ser fiéis à Tua verdade, buscando a paz que só Tu podes oferecer, uma paz que transcende a mera ausência de conflitos e se enraíza na obediência e no amor ao Pai. Ámen.