10 23 Quinta Feira .Lc 12, 49-53 “Não vim trazer a paz, mas a divisão”

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Eu vim trazer o fogo à terra e que quero Eu senão que ele se acenda? Tenho de receber um batismo e estou ansioso até que ele se realize. Pensais que Eu vim estabelecer a paz na terra? Não. Eu vos digo que vim trazer a divisão. A partir de agora, estarão cinco divididos numa casa: três contra dois e dois contra três. Estarão divididos o pai contra o filho e o filho contra o pai, a mãe contra a filha e a filha contra a mãe, a sogra contra a nora e a nora contra a sogra».

Palavra da salvação..

Reflexão 

 

O Evangelho de hoje, em Lucas 12, 49-53, apresenta-nos uma declaração de Jesus que pode parecer, à primeira vista, contraditória com a Sua essência de “Príncipe da Paz” que celebramos. Ele afirma: “Eu vim trazer o fogo à terra e que quero Eu senão que ele se acenda? […] Pensais que Eu vim estabelecer a paz na terra? Não. Eu vos digo que vim trazer a divisão.” Esta passagem, com a sua linguagem forte e imagética impactante, convida-nos a uma reflexão profunda sobre a natureza da paz que Jesus realmente oferece e o impacto transformador da Sua mensagem..

Quando Jesus fala de “fogo”, Ele não se refere a um fogo destrutivo no sentido negativo, mas sim a um fogo purificador, um fogo de paixão e zelo pela verdade divina. É o fogo do Espírito Santo que ilumina as consciências, abrasa os corações e nos impulsiona à conversão. Este fogo, ao ser acendido, inevitavelmente revela as trevas e as resistências dentro de nós e na sociedade..

A “divisão” que Jesus menciona não é um objetivo em si, mas uma consequência dolorosa e, por vezes, inevitável, da adesão radical à Sua proposta de vida. A verdade e os valores do Reino de Deus confrontam as estruturas e os valores do mundo, e esta confrontação pode gerar desavenças até mesmo no seio das famílias. A fidelidade a Cristo pode exigir escolhas que nos separem daqueles que não partilham da mesma fé ou que não estão dispostos a seguir o caminho exigente do Evangelho. Não se trata de uma divisão promovida por Jesus para oprimir, mas uma divisão que emerge da liberdade de cada um em acolher ou rejeitar a Sua palavra. A paz de Cristo não é a ausência de conflito, mas a serenidade interior que nasce da conformidade com a vontade de Deus, mesmo no meio das provações e oposições.

Oração

Senhor Jesus, fogo que acende e ilumina, pedimos-Te que o Teu Espírito arda em nós. Que a Tua Palavra nos purifique e nos transforme, mesmo que isso signifique confrontar as nossas próprias sombras e as divisões do mundo. Dá-nos a coragem de ser fiéis à Tua verdade, buscando a paz que só Tu podes oferecer, uma paz que transcende a mera ausência de conflitos e se enraíza na obediência e no amor ao Pai. Ámen.

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