05 30 Sabado  Mc 11, 27-33 — «Com que autoridade fazes isto?»

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos

Naquele tempo, Jesus e os discípulos foram de novo a Jerusalém. Quando Ele andava no templo, aproximaram-se os príncipes dos sacerdotes, os escribas e os anciãos, que Lhe perguntaram: «Com que autoridade fazes isto? Quem Te deu autoridade para o fazeres?». Jesus respondeu: «Vou fazer-vos só uma pergunta. Respondei-Me e Eu vos direi com que autoridade faço isto. O batismo de João era do Céu ou dos homens? Respondei-Me». Eles começaram a discorrer, dizendo entre si: «Se dissermos: ‘É do Céu’, Ele dirá: ‘Então porque não acreditastes nele?’ Vamos dizer-Lhe que é dos homens?». Mas eles temiam a multidão, pois todos pensavam que João era realmente um profeta. Então responderam: «Não sabemos». Disse-lhes Jesus: «Também Eu não vos digo com que autoridade faço isto».

Palavra da salvação.

REFLEXÃO 

Irmãos e irmãs, hoje o Evangelho de São Marcos coloca-nos diante de uma cena que nos faz pensar. Jesus está no templo, em Jerusalém. Enquanto caminha e ensina, aproximam-se os príncipes dos sacerdotes, os escribas e os anciãos. São os grandes líderes religiosos da época. Eles olham para Jesus e fazem-Lhe uma pergunta que, na verdade, não é um verdadeiro questionamento. É um ataque disfarçado de pergunta: «Com que autoridade fazes isto? Quem Te deu autoridade para o fazeres?».

Eles não querem saber a verdade. Querem apanhar Jesus em falha. Querem questionar a missão d’Ele, pôr-Mo em dúvida, diminuir a sua autoridade. Mas Jesus, com a sabedoria que só d’Ele vem, não responde directamente. Em vez disso, faz-Lhes uma pergunta: «Vou fazer-vos só uma pergunta. Respondei-Me e Eu vos direi com que autoridade faço isto. O batismo de João era do Céu ou dos homens? Respondei-Me».

E começa ali o dilema deles. Eles começam a discorrer entre si: «Se dissermos que é do Céu, Ele vai perguntar-nos: então porque não acreditastes nele? Se dissermos que é dos homens, o povo vai ficar contra nós, porque todos consideravam João realmente um profeta». No fim, magoados, receosos, encurralados, respondem: «Não sabemos». E Jesus diz-Lhes: «Também Eu não vos digo com que autoridade faço isto».

Irmãos, esta passagem fala-nos directamente. Quantas vezes, na nossa vida de fé, no nosso compromisso cristão, somos também nós questionados? «Porque é que te importas? Porque é que vais à missa? Porque é que te dedicas à pastoral? Quem te mandou?». As perguntas podem ser directas ou subtilmente ironicas. Mas o fundo é o mesmo: querem pôr em causa a nossa autoridade espiritual, o nosso compromisso.

O que nos ensina Jesus? Ensina-nos que a verdadeira autoridade não vem dos homens, nem do reconhecimento dos outros. A verdadeira autoridade vem de Deus. Quando nós vivemos o Evangelho com coerência, com sinceridade, com verdade, o nosso modo de ser, de falar, de agir, já responde mais do que muitas palavras. Não precisamos de estar sempre a justificar a nossa fé. Precisamos de viver a nossa fé.

Os líderes religiosos do tempo de Jesus ficaram encurralados porque não queriam verdadeiramente saber a resposta. Queriam apenas encontrar uma desculpa para não crer. E nós? Quantas vezes também nós, no fundo, não queremos verdadeiro encontro com Deus, apenas achar desculpas para não mudar, para não nos comprometermos de verdade?

A orientação para nós, povo comprometido, é clara: não tenhas medo de ser questionado na tua fé e no teu compromisso. Vive com coerência. As tuas acções falam mais do que as tuas explicações. Lembra-te: a autoridade vem de Deus, não do reconhecimento dos homens. Quando o teu viver não fizer sentido para os outros, continua a fazer sentido para Deus. Porque no fim, não é a opinião dos outros que nos salva, é a fidelidade a Deus.

Que a palavras de hoje nos ajudem a viver com mais coragem, com mais coerência, com mais confiança na autoridade que vem do Céu.

Oração 

Senhor Jesus,quando nos questionam na nossa fé,
dá-nos coragem para viver com coerência.
Que a nossa autoridade venha de Ti,
não dos homens.
E que sejamos fiéis,
mesmo quando ninguém entender.

Amém.

 

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