12 22 Segunda . Lucas 1, 46-56 (O Magnificat)

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S. Lucas

 

Lucas 1, 46-56

 

46 Então disse Maria:
«A minha alma glorifica o Senhor,
47 e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador,
48 porque Ele pôs os olhos na humildade da sua serva.
De facto, a partir de agora, todas as gerações me hão de proclamar bem-aventurada,
49 porque o Todo-poderoso fez em mim maravilhas.
O seu nome é santo,
50 e a sua misericórdia se estende de geração em geração
sobre aqueles que o temem.
51 Manifestou o poder do seu braço,
dispersou os homens de coração soberbo.
52 Derrubou os poderosos dos seus tronos
e elevou os humildes.
53 Encheu de bens os famintos
e despediu de mãos vazias os ricos.
54 Acolheu Israel, seu servo,
lembrado da sua misericórdia,
55 como tinha prometido a nossos pais,
a Abraão e à sua descendência, para sempre.»

56 Maria permaneceu com Isabel cerca de três meses e depois regressou a casa.

Reflexão

O Magnificat, o cântico de Maria, ressoa em nossos corações com um sabor especial à medida que nos aproximamos do Natal. Nestes versículos, a jovem Maria irrompe numa explosão de alegria e profunda teologia, não apenas por aquilo que está a acontecer com ela (a maternidade divina), mas por aquilo que este evento significa para toda a humanidade. É uma proclamação da justiça divina que inverte as expectativas do mundo.

Com sabor natalício, este cântico é a primeira canção de Natal da história! Não fala apenas de anjos ou de uma estrela, mas da promessa cumprida que está prestes a nascer. Quando Maria exalta que “o Todo-poderoso fez em mim maravilhas” (v. 49), ela está a reconhecer que o milagre do Natal não é um evento isolado, mas o ponto culminante da história de salvação. Em seu ventre, Deus está a cumprir a promessa feita a Abraão (v. 55).

Esta é uma canção revolucionária. Maria canta sobre a inversão de papéis: os humildes são elevados, os famintos são saciados, e os soberbos são dispersos. O verdadeiro espírito natalício não é apenas conforto e luzes brilhantes; é uma esperança ardente por um mundo onde a justiça de Deus prevalece. O Menino que ela carrega é o agente dessa transformação. Ele é o “Deus, meu Salvador” (v. 4que, através da sua encarnação e, eventualmente, da sua Cruz, desestabiliza o poder opressor e eleva a dignidade humana.

Ao lermos isto a poucos dias da Noite Santa, somos convidados a ser como Maria: a reconhecer a nossa própria pequenez (“humildade da sua serva”) e, paradoxalmente, a encontrar nela a força para louvar a Deus. O Natal é o tempo para lembrarmos que a maior revolução começa no lugar mais inesperado – um presépio – e que o poder de Deus é manifestado na fragilidade. O Magnificat é, assim, o hino eterno da alegria natalícia, chamando-nos a celebrar a misericórdia que se estende a todos aqueles que esperam humildemente a chegada do Salvador.

Oração

Deus de Misericórdia e Salvador,
A exemplo de Maria, a tua humilde serva, queremos glorificar-Te e alegrar-nos no Teu Espírito, especialmente nesta época em que celebramos o nascimento do Teu Filho. Dá-nos a graça de reconhecer as maravilhas que fazes em nós e no mundo. Que a esperança do Teu Natal inverta a nossa soberba e nos eleve na humildade. Enche-nos com a justiça e a alegria do Teu Reino. Ámen.

 

12 21 Domingo . Mt 1, 18-24Jesus nascerá de Maria, noiva de José, filho de David.

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

O nascimento de Jesus deu-se do seguinte modo: Maria, sua Mãe, noiva de José, antes de terem vivido em comum, encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo. Mas José, seu esposo, que era justo e não queria difamá-la, resolveu repudiá-la em segredo. Tinha ele assim pensado, quando lhe apareceu num sonho o Anjo do Senhor, que lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo. Ela dará à luz um Filho e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados». Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor anunciara por meio do Profeta, que diz: «A Virgem conceberá e dará à luz um Filho, que será chamado ‘Emanuel’, que quer dizer ‘Deus connosco’». Quando despertou do sono, José fez como o Anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu sua esposa.

Palavra da salvação.

REFLEXÃO 

**Comentário ao Evangelho (Mt 1, 18-24)**.

Às vezes, ser justo causa um profundo dilema. José, noivo de Maria, depara-se com o mistério mais desconcertante: a sua amada está grávida, e ele sabe que não é o pai. A sua justiça não é dura; é terna. Em vez de a expor, decide afastar-se em silêncio, protegendo-a da humilhação pública. No seu sofrimento silencioso, José procura fazer o que é correto, mesmo sem compreender..

É então, no meio desta angústia, que Deus intervém. Num sonho, o anjo revela-lhe a verdade que supera toda a lógica humana: a criança é obra do Espírito Santo. Este não é um filho qualquer; é o Salvador, Aquele que há de salvar o povo dos seus pecados. A José é confiada uma missão sagrada: ser o pai terreno, protetor e nomeador deste Menino. Ele não será o pai biológico, mas será a presença paterna que dá a Jesus o seu lugar na linhagem real de David, cumprindo as promessas de Deus..

A resposta de José é uma liça de fé silenciosa e imediata. “Quando despertou do sono, José fez como o Anjo do Senhor lhe ordenara”. Sem questionar, sem hesitar. O seu “sim” é feito de ação, de coragem e de confiança total no plano divino. Ele assume o risco, a incompreensão social e a responsabilidade monumental de guardar o maior mistério da História..

José ensina-nos que a justiça de Deus é sempre maior que a nossa. Mostra-nos que, por vezes, ser fiel significa acolher um plano que não compreendemos, confiar quando tudo parece obscuro e colocar-se ao serviço de um amor maior. Ele é o homem que, na sombra, sustenta a luz do mundo.

Oração

São José, homem justo e silencioso, ensina-nos a ter um coração que confia plenamente em Deus, mesmo quando o mistério nos angustia. Dá-nos a coragem de dizer o nosso “sim” através da ação pronta, acolhendo o plano divino nas nossas vidas. Sê o nosso protetor e guia no caminho da fé. Ámen.

12 15 Mensagem para o dia -Segunda

.A Estrela de Jacob

Carissimos.
Nesta Segunda-feira, dia 15 de Dezembro, a meditação diária convida-nos a refletir sobre a profunda esperança contida na profecia de “A Estrela de Jacob” (Números 24:17)

.Esta imagem, que prefigura Jesus como a estrela orientadora e o cetro de autoridade, lembra-nos que a nossa jornada profissional e pessoal tem um guia e um propósito maior. A preparação do Advento, espelhada no Salmo 24, desafia-nos a manter a integridade e a pureza de intenção no nosso trabalho diário.

O Evangelho de Mateus reforça a importância do discernimento e da aceitação da verdadeira autoridade. Que a luz desta “Estrela” ilumine as nossas  decisões e nos ajude a preparar o vosso “lugar santo” interior, garantindo que as vossas ações refletem a vossa melhor intenção….…….

Convidamos todos a reservar um momento para esta reflexão e a consultar a leitura aprofundada na obra File, como parte da nossa jornada espiritual interna

.Que este dia seja um passo firme e iluminado.

Peregrinos caminhamos para o Natal mas de um modo diferente dos que apenas pensam a parte material, Será que tem tempo para ler uma leitura da mensagem de hoje

https://liturgia.pt/liturgiadiaria/dia.php?data=2025-12-15

12 20  Sábado  Lc 1, 26-38 «Conceberás e darás à luz um Filho»

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Naquele tempo, o Anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré, a uma Virgem desposada com um homem chamado José, da descendência de David. O nome da Virgem era Maria. Tendo entrado onde ela estava, disse o Anjo: «Ave, cheia de graça, o Senhor está contigo». Ela ficou perturbada com estas palavras e pensava que saudação seria aquela. Disse-lhe o Anjo: «Não temas, Maria, porque encontraste graça diante de Deus. Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus. Ele será grande e chamar-Se-á Filho do Altíssimo. O Senhor Deus Lhe dará o trono de seu pai David; reinará eternamente sobre a casa de Jacob e o seu reinado não terá fim». Maria disse ao Anjo: «Como será isto, se eu não conheço homem?» O Anjo respondeu-lhe: «O Espírito Santo virá sobre ti e a força do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra. Por isso o Santo que vai nascer será chamado Filho de Deus. E a tua parenta Isabel concebeu também um filho na sua velhice e este é o sexto mês daquela a quem chamavam estéril; porque a Deus nada é impossível». Maria disse então: «Eis a escrava do Senhor; faça-se em mim segundo a tua palavra».
Palavra da salvação.

Reflexão: Ousar Acolher o Impossível

À medida que o Natal se aproxima e as cidades se vestem de luzes artificiais, o Evangelho de Lucas convida-nos a olhar para uma luz diferente, mais íntima e silenciosa. Somos transportados para Nazaré, uma aldeia insignificante na periferia da história. É precisamente ali, no meio da rotina e não num palácio dourado, que o extraordinário acontece. A Anunciação a Maria não é apenas um evento religioso do passado; é o arquétipo de todo o encontro entre a fragilidade humana e a grandeza do Mistério.

Para o povo cristão, este texto é o alicerce da Fé. Deus não impõe a Salvação; Ele propõe-na. O Criador faz-se dependente da criatura. Ao dizer “Eis a escrava do Senhor”, Maria não se anula; ela eleva-se à sua dignidade máxima. O seu “sim” permite que o Espírito Santo transforme a história. Ela ensina-nos que o Natal não é uma recordação nostálgica, mas um acontecimento presente: Cristo quer nascer, hoje, nas “manjedouras” das nossas vidas, por mais imperfeitas que sejam.

Para quem não partilha a fé cristã, ou busca um sentido espiritual mais amplo, esta narrativa é um poderoso poema sobre a coragem e a confiança. Todos nós enfrentamos os nossos “Anjos” — momentos de mudança súbita, intuições profundas ou desafios que nos perturbam e nos fazem perguntar: “Como será isto?”. Sentimo-nos pequenos diante da incerteza do futuro ou da dor do mundo.

A mensagem “A Deus nada é impossível” (e o exemplo da estéril Isabel que concebe) é um lembrete universal de que a vida tem uma capacidade inesgotável de se reinventar. Mesmo quando tudo parece árido, seco ou perdido, há uma semente de esperança pronta a germinar.

Neste Natal, o convite é comum a todos: deixar cair as barreiras do medo e do cinismo. Ser como Maria é ter a audácia de acreditar que o Amor pode, de facto, entrar no mundo através de nós. Quando acolhemos o próximo, quando perdoamos o imperdoável e protegemos a dignidade humana, estamos a dizer “Faça-se” e a permitir que a Terra se torne, um pouco mais, um Céu.


Oração .

Senhor da História e Mestre do Impossível, Ou Mistério de Amor que sustentas o Universo,

Nesta proximidade do Natal, paramos diante do limiar do Teu mistério. Muitas vezes, como em Nazaré, sentimo-nos pequenos e esquecidos, perturbados pelas notícias do mundo e pelas nossas próprias angústias.

Pedimos-Te a graça de escutar, no silêncio do coração, a voz que diz: “Não temas”. Que o Teu Espírito, ou a força renovadora da Vida, desça sobre as nossas fragilidades e transforme os nossos medos em confiança.

Dá-nos a coragem de Maria para dizer “Sim”. Sim à paz, num tempo de guerras. Sim à compaixão, num tempo de indiferença. Sim à esperança, num tempo de cansaço.

Que a nossa vida seja fecunda. Que, através dos nossos gestos, algo Novo e Bom nasça para os nossos irmãos, para que ninguém se sinta estéril ou abandonado nesta noite santa.

Amém.

12 19 Sexta  Lc 1, 5-25 É anunciado pelo Anjo Gabriel o nascimento de João Batista

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Nos dias de Herodes, rei da Judeia, vivia um sacerdote chamado Zacarias, da classe de Abias, cuja esposa era descendente de Aarão e se chamava Isabel. Eram ambos justos aos olhos de Deus e cumpriam irrepreensivelmente todos os mandamentos e leis do Senhor. Não tinham filhos, porque Isabel era estéril e os dois eram de idade avançada. Quando Zacarias exercia as funções sacerdotais diante de Deus, no turno da sua classe, coube-lhe em sorte, segundo o costume sacerdotal, entrar no Santuário do Senhor para oferecer o incenso. Toda a assembleia do povo, durante a oblação do incenso, estava cá fora em oração. Apareceu-lhe então o Anjo do Senhor, de pé, à direita do altar do incenso. Ao vê-lo, Zacarias ficou perturbado e encheu-se de temor. Mas o Anjo disse lhe: «Não temas, Zacarias, porque a tua súplica foi atendida. Isabel, tua esposa, dar-te-á um filho, ao qual porás o nome de João. Será para ti motivo de grande alegria e muitos hão de alegrar-se com o seu nascimento, porque será grande aos olhos do Senhor. Não beberá vinho nem bebida alcoólica; será cheio do Espírito Santo desde o seio materno e reconduzirá muitos dos filhos de Israel ao Senhor, seu Deus. Irá à frente do Senhor, com o espírito e o poder de Elias, para fazer voltar os corações dos pais a seus filhos e os rebeldes à sabedoria dos justos, a fim de preparar um povo para o Senhor». Zacarias disse ao Anjo: «Como hei de saber que é assim, se eu estou velho e a minha esposa de idade avançada?». O Anjo respondeu-lhe: «Eu sou Gabriel, que assisto na presença de Deus e fui enviado para te anunciar esta boa nova. Mas tu vais guardar silêncio, sem poder falar, até ao dia em que tudo isto aconteça, por não teres acreditado nas minhas palavras, que se cumprirão a seu tempo. Entretanto, o povo esperava por Zacarias e admirava-se por ele se demorar no Santuário. Quando ele saiu, não lhes podia falar e então compreenderam que tinha tido uma visão no Santuário. Ele fazia-lhes sinais e continuava mudo. Ao terminarem os seus dias de serviço, Zacarias voltou para casa. Algum tempo depois, Isabel, sua esposa, concebeu e permaneceu oculta durante cinco meses, dizendo: «Assim procedeu o Senhor para comigo nos dias em que Se dignou livrar-me desta desonra diante dos homens».

Palavra da salvação.

 

REFLEXAO.

.Por vezes, Deus surpreende-nos no lugar mais sagrado da nossa rotina. Foi o que aconteceu com Zacarias, um sacerdote idoso e justo, que servia no templo quando recebeu uma visita celestial: o anjo Gabriel. No momento em que oferecia o incenso, símbolo da oração que sobe a Deus, recebeu uma promessa inesperada: ele e Isabel, sua esposa estéril e também idosa, teriam um filho. Esse filho seria João Batista, a voz que prepararia o caminho para o Salvador..

No entanto, a primeira reação de Zacarias não foi de alegria, mas de dúvida: “Como hei de saber que é assim?”. A incredulidade diante do impossível fechou-lhe a boca, literalmente. Ele ficou mudo até o cumprimento da promessa. E aqui está um grande ensinamento: Deus age além das nossas lógicas e limites humanos. A Sua misericórdia prepara os caminhos da salvação onde nós só vemos impossibilidade ou fim de linha..

A história de Zacarias e Isabel recorda-nos que Deus ouve as orações persistentes, mesmo quando já perdemos a esperança. Ele escreve histórias de vida nos capítulos que julgávamos já terminados. A esterilidade, física ou espiritual, pode ser o cenário perfeito para um novo começo, um milagre que renova não apenas uma família, mas a própria história da salvação.

Oração de Reflexão – Deus da Surpresa e da Misericórdia

Senhor Deus,

Nós Te contemplamos na história de Zacarias e Isabel, e reconhecemos como a Tua graça irrompe no lugar mais sagrado e rotineiro da nossa vida. O sacerdote, no templo, no ato da sua oração diária, é confrontado com a Tua promessa, que é sempre maior do que as suas expectativas.

Perdoa-nos, Senhor, pela nossa incredulidade, que tantas vezes ecoa na dúvida de Zacarias: “Como hei de saber que é assim?”. Concedei-nos a humildade de aceitar que os Teus desígnios não se pautam pela nossa lógica humana, mas pela Tua infinita misericórdia. Diante do que consideramos impossível, ou do que julgamos ser um “fim de linha”, Tu preparas o caminho da salvação.

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https://www.eelmoh-dictof.com/2025/12/12-19-sexta-lc-1-5-25-e-anunciado-pelo-anjo-gabriel-o-nascimento-de-joao-batista/
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12 18 Quinta  Mt 1, 18-25Jesus nascerá de Maria, desposada com José, filho de David

12 18 Quinta  Mt 1, 18-25Jesus nascerá de Maria, desposada com José, filho de David

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

O nascimento de Jesus deu-se do seguinte modo: Maria, sua Mãe, noiva de José, antes de terem vivido em comum, encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo. Mas José, seu esposo, que era justo e não queria difamá-la, resolveu repudiá-la em segredo. Tinha ele assim pensado, quando lhe apareceu num sonho o Anjo do Senhor, que lhe disse: «José, filho de David, não temas receber Maria, tua esposa, pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo. Ela dará à luz um Filho e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus, porque Ele salvará o povo dos seus pecados». Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor anunciara por meio do Profeta, que diz: «A Virgem conceberá e dará à luz um Filho, que será chamado ‘Emanuel’, que quer dizer ‘Deus connosco’». Quando despertou do sono, José fez como o Anjo do Senhor lhe ordenara e recebeu sua esposa.

Palavra da salvação.

O Silêncio Fecundo da Fé

O Natal aproxima-se a passos largos. Sentimos no ar a mudança; não apenas a das luzes e decorações exteriores, mas um convite interior para redescobrir a verdadeira maravilha desta época. É um tempo de encanto, não o encanto superficial do consumo, mas o de uma alma que se detém, atónita, perante o maior mistério da história: Deus faz-se homem.

O Evangelho de hoje (Mt 1, 18-25) lança-nos diretamente no coração deste mistério, através do olhar de São José. A narrativa é de uma densidade impressionante. De um lado, a concepção virginal, a ação direta do Espírito Santo em Maria; do outro, a necessidade histórica de Jesus ser “Filho de David”, garantida pela paternidade legal de José.

Contemplemos José. Ele é descrito como um homem “justo”. Diante da gravidez inexplicável de Maria, a sua justiça não o leva à denúncia rigorosa da lei, mas a uma decisão dolorosa de a repudiar em segredo para a proteger. José está no limiar da lógica humana, onde tudo parece confuso e obscuro.

É precisamente nesta obscuridade que a luz divina irrompe. Os desígnios de Deus raramente seguem a nossa lógica cartesiana. Em sonho, o Anjo pede a José o impossível: que não tema, que aceite o que não compreende racionalmente. É-lhe confiada uma missão crucial: dar o nome à criança. Ao chamar-Lhe Jesus (“Deus salva”), José assume a sua paternidade legal e insere o Filho de Deus na história humana e na linhagem real de David.

A maravilha deste texto reside na resposta silenciosa de José. Ele não discute, não pede mais provas. “Quando despertou do sono, José fez como o Anjo do Senhor lhe ordenara”. Esta é a fé em estado puro: uma obediência confiante, mesmo no sofrimento da incerteza.

Para nós, hoje, o convite é idêntico. O verdadeiro Natal acontece quando, como José, aceitamos que Deus desarrume os nossos planos para realizar os Seus. O “Emanuel”, o Deus connosco, quer nascer nas nossas vidas, muitas vezes através de situações que não controlamos. Precisamos da coragem de José para acolher o mistério sem o tentar dominar.


Oração

Senhor, Deus de surpresas e mistérios insondáveis, Neste Natal que se aproxima, olha para as nossas dúvidas e temores. Ensina-nos a ter a fé silenciosa e justa de São José. Quando a lógica humana falhar e os Teus caminhos nos parecerem obscuros, Dá-nos a coragem de não temer, de confiar nos Teus sonhos para nós, e de acolher o Teu plano de salvação. Que o nosso coração esteja pronto para receber o Emanuel, o Deus que caminha connosco. Amén.


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12 17 Quarta  Mt 1, 1-17 Genealogia de Jesus Cristo, Filho de David.

 

EVANGELHO

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Genealogia de Jesus Cristo, Filho de David, Filho de Abraão: Abraão gerou Isaac; Isaac gerou Jacob; Jacob gerou Judá e seus irmãos. Judá gerou, de Tamar, Farés e Zara; Farés gerou Esrom; Esrom gerou Arão; Arão gerou Aminadab; Aminadab gerou Naasson; Naasson gerou Salmon; Salmon gerou, de Raab, Booz; Booz gerou, de Rute, Obed; Obed gerou Jessé; Jessé gerou o rei David. David, da mulher de Urias, gerou Salomão; Salomão gerou Roboão; Roboão gerou Abias; Abias gerou Asa; Asa gerou Josafat; Josafat gerou Jorão; Jorão gerou Ozias; Ozias gerou Joatão; Joatão gerou Acaz; Acaz gerou Ezequias; Ezequias gerou Manassés; Manassés gerou Amon; Amon gerou Josias; Josias gerou Jeconias e seus irmãos, ao tempo do desterro de Babilónia. Depois do desterro de Babilónia, Jeconias gerou Salatiel; Salatiel gerou Zorobabel; Zorobabel gerou Abiud; Abiud gerou Eliacim; Eliacim gerou Azor; Azor gerou Sadoc; Sadoc gerou Aquim; Aquim gerou Eliud; Eliud gerou Eleazar; Eleazar gerou Matã; Matã gerou Jacob; Jacob gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo. Assim, todas estas gerações são: de Abraão a David, catorze gerações; de David ao desterro de Babilónia, catorze gerações; do desterro de Babilónia até Cristo, catorze gerações.

Palavra da salvação.

REFLEXÃO

Uma Lista “Esquisita” ou o Mapa da Misericórdia de Deus?

Sejamos honestos: começar a leitura do Evangelho com uma lista interminável de nomes antigos, difíceis de pronunciar, parece uma escolha estranha e até aborrecida. À primeira vista, esta genealogia soa a um registo burocrático distante da nossa realidade espiritual. Porque é que a Igreja nos propõe isto a poucos dias do Natal?

A importância desta leitura é imensa e é a chave para entendermos o Natal. Longe de ser “esquisita”, esta lista é a prova de que Jesus não é um mito, uma lenda ou um ser etéreo que apareceu magicamente. Ele é de carne e osso, enraizado numa história humana concreta, numa família, num povo. Ele é o cumprimento das promessas feitas a Abraão e a David. Deus leva a história a sério.

Mas o significado mais belo esconde-se nos detalhes. Se olharmos com atenção, esta não é uma lista de “santos imaculados”. No meio dos grandes patriarcas e reis, encontramos pecadores notórios, idólatras, estrangeiros (como Rute) e mulheres envolvidas em situações escandalosas para a época (como Tamar ou a mulher de Urias).

O que é que isto nos diz enquanto o Natal se aproxima? Diz-nos que Deus não precisou de uma linhagem perfeita para entrar no mundo. Ele não teve medo de sujar as mãos na história humana, com todas as suas falhas, traições e exílios. A genealogia de Jesus é um mapa da misericórdia de Deus, que consegue escrever direito por linhas muito tortas.

Esta leitura é um consolo para nós. Se Deus conseguiu trabalhar através desta família complicada para trazer o Salvador, Ele também consegue trabalhar na nossa  vida, na nossa família, com todas as tuas imperfeições e o teu passado. O Natal é isto: Deus que assume a nossa história para a salvar por dentro. Ele vem para a realidade do que somos, não para a fantasia do que gostaríamos de ser.


ORAÇÃO

Senhor Deus, Pai de bondade, Obrigado por esta lista de nomes que, à primeira vista, parece árida, mas que revela a Tua fidelidade inabalável ao longo dos séculos.

Obrigado porque o Teu Filho Jesus não teve vergonha de chamar irmãos a homens e mulheres com histórias feridas e imperfeitas.

Neste Advento, peço-Te: ajuda-me a aceitar a minha própria história, com as suas luzes e sombras. Que eu não tenha medo de Te apresentar a minha “genealogia” interior, as minhas falhas e os meus “exílios”.

Vem, Senhor Jesus, nascer na realidade da minha vida, e transforma a minha história em História de Salvação.

Ámen.

12 17 Quarta  Mt 1, 1-17 Genealogia de Jesus Cristo, Filho de David.

L 1 Gn 49, 2. 8-10; Sl 71 (72), 2. 3-4ab. 7-8. 17
Ev Mt 1, 1-17

 

12 17 Quarta  Mt 1, 1-17 Genealogia de Jesus Cristo, Filho de David.

 

EVANGELHO

As promessas de Deus feitas aos antepassados atravessam as gerações, onde haverá membros do povo eleito e estrangeiros, santos e pecadores, e vêm a realizar-se finalmente em Jesus Cristo, Filho de Deus e Filho do homem, Salvador universal. Esta leitura, parecendo, à primeira vista, simples enumeração de nomes, é um testemunho eloquente da fidelidade de Deus à sua aliança com os homens. Ainda que estes O abandonem, Ele não os abandonará.

 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Genealogia de Jesus Cristo, Filho de David, Filho de Abraão: Abraão gerou Isaac; Isaac gerou Jacob; Jacob gerou Judá e seus irmãos. Judá gerou, de Tamar, Farés e Zara; Farés gerou Esrom; Esrom gerou Arão; Arão gerou Aminadab; Aminadab gerou Naasson; Naasson gerou Salmon; Salmon gerou, de Raab, Booz; Booz gerou, de Rute, Obed; Obed gerou Jessé; Jessé gerou o rei David. David, da mulher de Urias, gerou Salomão; Salomão gerou Roboão; Roboão gerou Abias; Abias gerou Asa; Asa gerou Josafat; Josafat gerou Jorão; Jorão gerou Ozias; Ozias gerou Joatão; Joatão gerou Acaz; Acaz gerou Ezequias; Ezequias gerou Manassés; Manassés gerou Amon; Amon gerou Josias; Josias gerou Jeconias e seus irmãos, ao tempo do desterro de Babilónia. Depois do desterro de Babilónia, Jeconias gerou Salatiel; Salatiel gerou Zorobabel; Zorobabel gerou Abiud; Abiud gerou Eliacim; Eliacim gerou Azor; Azor gerou Sadoc; Sadoc gerou Aquim; Aquim gerou Eliud; Eliud gerou Eleazar; Eleazar gerou Matã; Matã gerou Jacob; Jacob gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo. Assim, todas estas gerações são: de Abraão a David, catorze gerações; de David ao desterro de Babilónia, catorze gerações; do desterro de Babilónia até Cristo, catorze gerações.

Palavra da salvação.

12 16 Terça  Mt 21, 28-32  «Veio João e os pecadores acreditaram nele»

EVANGELHO«Veio João e os pecadores acreditaram nele»

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo, disse Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo: «Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Foi ter com o primeiro e disse-lhe: ‘Filho, vai hoje trabalhar na vinha’. Mas ele respondeu-lhe: ‘Não quero’. Depois, porém, arrependeu-se e foi. O homem dirigiu-se ao segundo filho e falou-lhe do mesmo modo. Ele respondeu: ‘Eu vou, Senhor’. Mas de facto não foi. Qual dos dois fez a vontade ao pai?» Eles responderam-Lhe: «O primeiro». Jesus disse-lhes: «Em verdade vos digo: Os publicanos e as mulheres de má vida irão diante de vós para o reino de Deus. João Batistaveio até vós, ensinando-vos o caminho da justiça, e não acreditastes nele; mas os publicanos e as mulheres de má vida acreditaram. E vós, que bem o vistes, não vos arrependestes, acreditando nele».

Palavra da salvação.

REFLEXÃO

A Verdade do Coração a Caminho de Belém

Neste caminho de Advento, enquanto nos preparamos para o Natal, a liturgia coloca-nos diante de um espelho desconfortável mas necessário. A parábola dos dois filhos não é apenas uma história sobre obediência; é um exame de consciência sobre a coerência.

Muitas vezes, vivemos o Natal como o “segundo filho”. Somos rápidos a dizer “Sim, Senhor”. Enfeitamos as casas, preparamos as mesas, enviamos postais com mensagens de paz e até vamos à Missa. A nossa aparência é irrepreensível. Dizemos “eu vou”, mas, no fundo do coração, os nossos pés não se movem. Não vamos trabalhar para a vinha da caridade, do perdão real ou da mudança de vida. Ficamo-nos pela estética do Natal, sem a ética do Evangelho.

Por outro lado, Jesus elogia o primeiro filho. Aquele que, inicialmente, diz “não”. Talvez por cansaço, rebeldia ou fragilidade humana. Mas o que salva este filho é uma palavra chave para o Advento: arrependimento. Ele reflete, muda de ideias e vai.

A “vinha” de que Jesus fala não é um lugar distante; é a nossa própria vida, a nossa família, o nosso local de trabalho. O “trabalho” é a capacidade de amar concretamente, não apenas com palavras bonitas.

Neste tempo de preparação, Jesus avisa-nos que Deus prefere um coração sincero, que luta contra as suas próprias resistências e falhas (como os publicanos e as pecadoras do Evangelho), a uma religiosidade de fachada, polida mas estéril. Os “santos” de fachada bloqueiam a entrada de Deus; os pecadores que se reconhecem necessitados abrem-lhe a porta.

O Natal acontece verdadeiramente quando o nosso “não” inicial — o nosso egoísmo, a nossa preguiça — se transforma num “sim” através de ações concretas. Não interessa o que prometemos fazer, mas sim o amor que, de facto, entregamos.

Que nestes dias que restam até ao Natal, possamos ultrapassar a tentação das belas palavras vazias e abraçar a beleza humilde dos gestos verdadeiros.


Oração

Senhor Jesus, Diante do mistério do Teu nascimento que se aproxima, peço-Te a graça da sinceridade.

Perdoa as vezes em que o meu “sim” foi apenas ruído, e a minha fé foi apenas aparência. Livra-me da hipocrisia de honrar-Te com os lábios enquanto o meu coração permanece longe da Tua vinha.

Dá-me a coragem do arrependimento. Mesmo que eu hesite, mesmo que me custe, ajuda-me a transformar a minha vontade em passos concretos de amor e serviço.

Que o meu Natal não seja feito de promessas, mas de uma entrega real, pobre e humilde, tal como a Tua na manjedoura.

Ámen.

12 15 Segunda  Mt 21, 23-27 «Donde era o batismo de João?»

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo, Jesus foi ao templo e, enquanto ensinava, aproximaram-se d’Ele os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo, que Lhe perguntaram: «Com que autoridade fazes tudo isto? Quem Te deu tal direito?» Jesus respondeu-lhes: «Vou fazer-vos também uma pergunta e, se Me responderdes a ela, dir-vos-ei com que autoridade faço isto. Donde era o batismo de João? Do Céu ou dos homens?» Mas eles começaram a deliberar, dizendo entre si: «Se respondermos que é do Céu, vai dizer-nos: ‘Porque não lhe destes crédito?’ E se respondermos que é dos homens, ficamos com receio da multidão, pois todos consideram João como profeta». E responderam a Jesus: «Não sabemos». Ele por sua vez disse-lhes: «Então não vos digo com que autoridade faço isto».

Palavra da salvação.

REFLEXÃO 

A Autoridade da Luz e a Verdade do Coração

No Evangelho de Mateus (21, 23-27), os sumos sacerdotes e os anciãos aproximam-se de Jesus com uma pergunta armadilhada: “Com que autoridade fazes estas coisas?”. Eles não buscavam a verdade; buscavam apenas uma forma de manter o seu poder e o seu status. Jesus, conhecendo o íntimo de cada um, devolve a pergunta com o exemplo de João Batista. E aí, o texto revela algo trágico: os líderes religiosos começam a calcular a resposta em vez de buscar a verdade. “Se dissermos isto, acontece aquilo; se dissermos aquilo, o povo revolta-se.”

O drama destes homens é que eles viviam no escuro, mesmo estando dentro do Templo. Eles preferiram o “não sabemos” diplomático à coragem de assumir uma posição de fé.

Neste caminho rumo ao Natal, a vela acesa sobre o altar convida-nos a fazer o oposto. A luz de Cristo não brilha para quem vive de cálculos políticos ou de aparências espirituais. O Natal é o mistério da Verdade que se faz carne. Para acolher o Menino, precisamos de descer do pedestal da nossa arrogância intelectual e do nosso medo de nos comprometermos.

Muitas vezes, Deus envia-nos “Joões Batistas” — sinais, pessoas, acontecimentos — para nos preparar. Se recusamos reconhecer a autoridade de Deus nas pequenas coisas do dia-a-dia, como poderemos reconhecê-Lo quando Ele vier na humildade de uma manjedoura?

Não sejamos como os anciãos que respondem “não sabemos” por conveniência. Que a nossa preparação para o Natal seja marcada pela coragem da fé. Diante da Bíblia aberta e da luz que tremula, perguntemos a nós mesmos: Estou disposto a aceitar a autoridade de Jesus na minha vida, mesmo que isso mude os meus planos?

O Natal acontece quando paramos de discutir a autoridade de Deus e passamos a adorar a Sua presença.


Oração

Senhor Jesus, Luz do mundo e Verdade eterna,

Diante do Teu altar e da Tua Palavra, coloco o meu coração. Afasta de mim o espírito calculista dos que têm medo de perder o controlo. Dá-me a humildade para reconhecer os sinais da Tua presença na minha vida, tal como João Batista os apontou.

Não permitas que eu me esconda atrás de dúvidas convenientes ou de silêncios cobardes. Que neste Natal, a Tua autoridade não seja um peso, mas o alicerce da minha paz. Que eu Te acolha não apenas como um mestre, mas como o meu Senhor e Salvador.

 

 

12 14 Domingo Mt 11, 2-11 «És tu Aquele que há de vir ou devemos esperar outro?»

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S. Mateus

Naquele tempo, João Batista ouviu falar, na prisão, das obras de Cristo e mandou-Lhe dizer pelos discípulos: «És Tu Aquele que há de vir, ou devemos esperar outro?». Jesus respondeu-lhes: «Ide contar a João o que vedes e ouvis: os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e a Boa Nova é anunciada aos pobres. E bem-aventurado aquele que não encontrar em Mim motivo de escândalo». Quando os mensageiros partiram, Jesus começou a falar de João às multidões: «Que fostes ver ao deserto? Uma cana agitada pelo vento? Então que fostes ver? Um homem vestido com roupas delicadas? Mas aqueles que usam roupas delicadas encontram-se nos palácios dos reis. Que fostes ver então? Um profeta? Sim – Eu vo-lo digo – e mais que profeta. É dele que está escrito: ‘Vou enviar à tua frente o meu mensageiro, para te preparar o caminho’. Em verdade vos digo: Entre os filhos de mulher, não apareceu ninguém maior do que João Batista. Mas o menor no reino dos Céus é maior do que ele».

Palavra da salvação.

REFLEXÃO

REFLEXÃO

João Batista, no cárcere e em dúvida, manda perguntar a Jesus: «És Tu Aquele que há de vir, ou devemos esperar outro?» É a pergunta que muitos fazem nos momentos de escuridão, quando a fé vacila.

A resposta de Jesus não é um «sim» teórico, mas um convite a olhar para os sinais concretos: os cegos veem, os coxos andam, os surdos ouvem e os pobres recebem a Boa Nova. Ele não apresenta credenciais, mas transformações. O Reino não chega com discursos, mas com gestos que libertam e dignificam a vida humana.

Depois, Jesus faz um elogio surpreendente a João: «Entre os nascidos de mulher, não apareceu ninguém maior». Mas acrescenta: «O menor no Reino dos Céus é maior do que ele». Porquê? Porque João era o Precursor, a voz que anunciava a chegada. Nós, batizados, já estamos dentro do mistério pascal de Cristo. Participamos não como anunciadores à distância, mas como membros do seu Corpo.

Este Evangelho interpela-nos: onde vemos hoje os sinais do Reino? Nas pequenas conversões, nas reconciliações, no serviço aos mais frágeis. Convida-nos a não esperar passivamente, mas a tornarmo-nos, nós mesmos, sinais vivos d’Aquele que veio, vem e virá.


Oração

Senhor, nos momentos de dúvida, ajuda-nos a ver o Teu Reino nas transformações concretas: na cura, na dignidade e na Boa Nova aos pobres.Pela graça do Batismo, faz de nós membros ativos do Teu Corpo. Que a nossa vida seja um sinal vivo de Ti, que vieste, vens e virás. Amém.

12 13 Sábado Mt 17, 10-13 «Elias já veio e não o reconheceram»

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Ao descerem do monte, os discípulos perguntaram a Jesus: «Porque dizem os escribas que Elias tem de vir primeiro?» Jesus respondeu-lhes: «Certamente Elias há de vir para restaurar todas as coisas. Eu vos digo, porém, que Elias já veio; mas, em vez de o reconhecerem, fizeram-lhe tudo o que quiseram. Assim também o Filho do homem será maltratado por eles». Então os discípulos compreenderam que Jesus lhes falava de João Batista.
Palavra da salvação.

REFLEXÃO 

O Advento e a Arte de Reconhecer

Este trecho do Evangelho de São Mateus situa-nos num momento de transição: os discípulos descem do Monte Tabor, onde presenciaram a glória da Transfiguração, para regressarem à realidade do dia a dia. É precisamente neste “descer à terra” que encontramos uma das chaves mais profundas para viver o Advento: a capacidade de reconhecer Deus na simplicidade e na profecia.

A questão sobre Elias revela a ansiedade da espera. O povo de Israel sabia que Elias devia voltar para “restaurar todas as coisas” antes da chegada do Messias. Jesus, com a Sua autoridade divina, confirma que essa profecia já se cumpriu na figura de João Batista.

O Drama do Não-Reconhecimento

O ponto central e doloroso deste texto é a frase de Jesus: «Elias já veio; mas, em vez de o reconhecerem, fizeram-lhe tudo o que quiseram».

Aqui reside o grande alerta para o nosso Advento. João Batista, o Precursor, veio com um estilo de vida austero e uma mensagem radical de conversão. Ele não veio com o poder político ou o brilho que os escribas esperavam, mas com a verdade que incomoda. Porque a sua aparência e o seu apelo à mudança não coincidiam com as expectativas humanas, ele foi ignorado e, pior, eliminado.

Advento é limpar o olhar

Viver o Advento não é apenas esperar que o Natal chegue no calendário; é treinar o olhar interior para reconhecer Jesus que já vem ao nosso encontro de formas inesperadas.

  • A Cegueira das Expectativas: Tal como os contemporâneos de João não o reconheceram porque estavam presos às suas próprias ideias de como Deus deveria agir, nós corremos o risco de passar este Advento distraídos pelas luzes exteriores, falhando em ver Cristo no pobre, no doente, ou no silêncio da oração.
  • A Preparação pelo Sofrimento: Jesus liga o destino de João ao Seu próprio destino («Assim também o Filho do homem será maltratado»). O Advento recorda-nos que o Menino que nasce em Belém é o mesmo Cristo que se entrega na Cruz. A “restauração” que Deus traz não é mágica; ela passa pela humildade, pela entrega e, muitas vezes, pela incompreensão do mundo.

Conclusão

Este Evangelho convida-nos a uma vigilância ativa. João Batista preparou o caminho endireitando as veredas tortuosas do coração humano. Que neste Advento, não cometamos o erro dos escribas. Que tenhamos a humildade de reconhecer os “sinais de Elias” na nossa vida — os apelos à conversão, à justiça e à simplicidade — para que, quando o Senhor chegar, Ele encontre em nós uma casa acolhedora e não um coração fechado.

12 12 Sexta Mt 11, 16-19 Não ouvem João nem o Filho do homem

 

 

 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «A quem poderei comparar esta geração? É como os meninos sentados nas praças, que se interpelam uns aos outros, dizendo: ‘Tocámos flauta e não dançastes; entoámos lamentações e não chorastes’. Veio João Batista, que não comia nem bebia, e dizem que tinha o demónio com ele. Veio o Filho do homem, que come e bebe, e dizem: ‘É um glutão e um ébrio, amigo de publicanos e pecadores’. Mas a sabedoria foi justificada pelas suas obras».

Palavra da salvação.

REFLEXÃO 

Reflexão em Estilo Lectio Divina – A Sabedoria e o Discernimento

EVANGELHO: Mateus 11, 16-19 – «Mas a sabedoria foi justificada pelas suas obras»—–I. Lectio (Leitura e Escuta)

Jesus coloca-nos diante de um espelho, questionando a atitude de «esta geração». A imagem que usa é a de crianças sentadas nas praças, a recusarem-se a participar em qualquer jogo, seja ele de alegria (tocámos flauta e não dançastes) ou de dor (entoámos lamentações e não chorastes). A indiferença, o não-compromisso, é a queixa central.

Esta recusa reflete-se na receção dos dois grandes mensageiros de Deus. João Batista, o asceta, o austero, é rejeitado por ser demasiado radical: «dizem que tinha o demónio com ele». O Filho do Homem, Jesus, que encarna a misericórdia e a proximidade, partilhando a mesa com todos, é rejeitado por ser demasiado mundano: «É um glutão e um ébrio, amigo de publicanos e pecadores». A geração não aceita a salvação em nenhuma das suas formas.

A conclusão de Jesus é um raio de luz: «Mas a sabedoria foi justificada pelas suas obras». A verdade da mensagem de Deus não se baseia na aceitação ou crítica humana, mas na sua intrínseca bondade e no fruto que produz.Meditatio (Meditação e Ligação ao Natal)

O Advento é um tempo de discernimento para a nossa própria geração. Somos, muitas vezes, como as crianças da praça: recusamo-nos a dançar quando Deus nos convida à alegria simples (o nascimento do Menino), e recusamo-nos a chorar quando Ele nos chama à conversão e à solidariedade (a austeridade de João Batista). Queremos um Deus moldado à nossa imagem, um Messias que confirme os nossos preconceitos e não o que nos desafia.

A meditação convida-nos a examinar a nossa resistência. Qual é o estilo de Jesus que mais nos incomoda? A Sua proximidade aos pecadores? A Sua exigência de radicalidade? A Sua capacidade de quebrar os nossos esquemas? Se o Natal for apenas uma festa de emoções, e não um encontro com o Verbo que Se fez carne — que come e bebe, que trabalha e sofre —, estaremos a rejeitá-l’O.

O Pastor que vem ao nosso encontro (o Advento) traz consigo tanto a flauta do Evangelho (a Boa-Nova) quanto a lamentação do arrependimento. Estaremos dispostos a acolher as duas? O nosso coração, frequentemente endurecido pela crítica e pela rigidez, deve converter-se à flexibilidade da fé. A Sabedoria de Deus é sempre a Verdade, e essa Verdade é revelada nas Suas obras de amor, quebram barreiras e condenam a hipocrisia.

III. Oratio (Oração)

Senhor Jesus Cristo, Sabedoria de Deus encarnada,
liberta-nos do espírito de crítica e da dureza de coração.
Reconhecemos que muitas vezes só Te queremos segundo o modelo que nos agrada:recusamos a simplicidade e a pobreza da Manjedoura
porque preferimos a pompa e o conforto.

Concede-nos a graça do discernimento e da humildade
para acolhermos o Teu Reino em todas as suas manifestações:
no chamamento austero à conversão e na festa alegre da Tua misericórdia.

Que a Tua Vinda encontre em nós um coração flexível,
pronto para dançar à flauta da Tua alegria e chorar à lamentação do nosso pecado. Ámen.

12 11 Quinta Mt 11, 11-15 «Não apareceu ninguém maior do que João Batista»

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo, disse Jesus à multidão: «Em verdade vos digo que, entre os nascidos de mulher, não apareceu ninguém maior do que João Batista. Mas o mais pequeno no reino dos Céus é maior do que ele. Desde os dias de João Batistaaté agora, o reino dos Céus sofre violência e são os violentos que se apoderam dele. Porque todos os profetas e a Lei profetizaram até João. É ele, se quiserdes compreender, o Elias que estava para vir. Quem tem ouvidos oiça»..

Palavra da salvação.

.REFLEXÃO ..

Jesus apresenta-nos um dos elogios mais radicais do Evangelho. Afirma em verdade: «em verdade vos digo que, entre os nascidos de mulher, não apareceu ninguém maior do que João Batista». João, o profeta da austeridade e da voz no deserto, é o culminar de toda a Lei e dos Profetas, o ponto de viragem da história da salvação. O seu papel é o de Elias que estava para vir, o mensageiro que prepara o caminho..

Contudo, esta grandeza humana, firmada na missão profética, é imediatamente relativizada pelo paradoxo do Reino: «Mas o mais pequeno no reino dos Céus é maior do que ele». O Reino não se mede pela missão terrena ou pelo heroísmo ascético, mas pela pertença a Cristo e a vivência da Sua graça..

Em seguida, Jesus introduz uma imagem perturbadora, que é a chave da nossa resposta: «Desde os dias de João Batista até agora, o reino dos Céus sofre violência e são os violentos que se apoderam dele». Esta violência não é física, mas espiritual; é a determinação, a urgência, a radicalidade de quem rompe com a inércia e as convenções para agarrar o dom do Reino. O Senhor fecha a passagem com uma exortação solene: «Quem tem ouvidos oiça», chamando-nos ao discernimento da Sua Palavra…

O Advento é o tempo de reavaliarmos a nossa própria “violência” e “grandeza” à luz da Palavra..

A grandeza de João reside em ter sabido desaparecer para que Cristo crescesse. Na nossa preparação para o Natal, somos desafiados a praticar esta mesma humildade: esvaziar-nos do nosso eu, dos nossos planos e certezas, para que Jesus possa nascer e estar no centro das nossas vidas. O louvor a João recorda-nos o valor da fidelidade radical no nosso próprio chamamento..

O paradoxo do menor que é maior é a lógica da Encarnação. O menor no Reino dos Céus tem o privilégio de viver a partir do dentro da Nova Aliança, após a Vinda e o Mistério Pascal de Cristo. A nossa pertença ao Reino, que celebramos no Natal, é um dom de graça que supera qualquer mérito ou grandeza humana. Somos chamados a ser o “mais pequeno” para nos tornarmos “maiores” em Cristo..

A violência do Reino é o chamamento à urgência. Não é permitido adiar a conversão. O Reino não é para os indecisos, mas para aqueles que, com o fervor de João Batista, rompem com o comodismo, o pecado e a tibieza para tomar posse da alegria e da justiça que Cristo traz. Esta violência é a força do amor contra o pecado, o esforço determinado da oração contra a distração. O Messias do Natal virá para aqueles cujos corações não se contentam com a mediocridade, mas O buscam com um zelo ardente, prontos a fazer o esforço para endireitar o caminho…

Oração

Senhor Jesus Cristo, Verbo de Deus,
Tu que louvaste a grandeza e a radicalidade de João Batista,.
e nos revelaste o mistério do Reino que se apodera dos corações ardentes,.
Dá-nos a humildade para reconhecermos que a nossa verdadeira grandeza.reside na pertença ao Teu Reino e não nos nossos feitos.

12 Mt 11, 11-15 «Não apareceu ninguém maior do que João Batista»