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Cada elemento da imagem tem um significado profundo, tanto em seu contexto original quanto na sua relação com a fé cristã:

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
Memória
A memória da Virgem santa Maria das Dores, na continuação da festa da Exaltação da Santa Cruz, associa a Virgem Maria à paixão salvífica do seu Filho e apresenta-a como a nova Eva. Assim como a desobediência da primeira mulher conduziu à morte, assim a admirável obediência da Virgem Maria, de pé junto à cruz de Jesus, trouxe a vida a toda a humanidade.
Antífona de entrada Cf. Lc 2, 34-35
Simeão disse a Maria:
Este Menino será sinal de contradição
para ruína e salvação de muitos em Israel,
e uma espada trespassará a tua alma.
Oração coleta
Senhor nosso Deus, que, na vossa admirável providência,
quisestes que, junto do vosso Filho, elevado sobre a cruz,
estivesse sua Mãe, participando nos seus sofrimentos,
concedei à vossa Igreja
que, associada com Maria à paixão de Cristo,
mereça tomar parte na sua ressurreição.
Ele que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo,
por todos os séculos dos séculos.
LEITURA I Hebr 5, 7-9
«Aprendeu a obediência e tornou-se causa de salvação eterna»
Leitura da Epístola aos Hebreus
Nos dias da sua vida mortal,
Cristo dirigiu preces e súplicas,
com grandes clamores e lágrimas,
Àquele que O podia livrar da morte
e foi atendido por causa da sua piedade.
Apesar de ser Filho,
aprendeu a obediência no sofrimento
e, tendo atingido a sua plenitude,
tornou-Se para todos os que Lhe obedecem
causa de salvação eterna.
Palavra do Senhor.
SALMO RESPONSORIAL Salmo 30 (31), 2-3ab.3cd-4.5-6.15-16ab.20 (R. 17b)
Refrão: Salvai-me, Senhor, pela vossa bondade.
Em Vós, Senhor, me refugio, jamais serei confundido,
pela vossa justiça, salvai-me.
Inclinai para mim os vossos ouvidos,
apressai-vos em me libertar.
Sede a rocha do meu refúgio
e a fortaleza da minha salvação;
porque Vós sois a minha força e o meu refúgio,
por amor do vosso nome, guiai-me e conduzi-me.
Livrai-me da armadilha que me prepararam,
porque Vós sois o meu refúgio.
Em vossas mãos entrego o meu espírito,
Senhor, Deus fiel, salvai-me.
Eu, porém, confio no Senhor:
Disse: «Vós sois o meu Deus,
nas vossas mãos está o meu destino».
Livrai-me das mãos dos meus inimigos.
Como é grande, Senhor, a vossa bondade
que tendes reservada para os que Vos temem:
à vista da vossa face, Vós a concedeis
àqueles que em Vós confiam.
SEQUÊNCIA
A sequência é facultativa e pode cantar-se ou recitar-se por inteiro ou em forma
breve: a partir da estrofe *Maria, fonte de amor.
Estava a Mãe dolorosa,
Junto da cruz lacrimosa,
Enquanto Jesus sofria.
Uma longa e fria espada,
Nessa hora atribulada,
O seu coração feria.
Oh quão triste e tão aflita
Padecia a Mãe bendita,
Entre blasfémias e pragas,
Ao olhar o Filho amado,
De pés e braços pregado,
Sangrando das Cinco Chagas!
Quem é que não choraria,
Ao ver a Virgem Maria,
Rasgada em seu coração,
Sem poder em tal momento,
Conter as fúrias do vento
E os ódios da multidão!
Firme e heróica no seu posto,
Viu Jesus pendendo o rosto,
Soltar o alento final.
Ó Cristo, por vossa Mãe,
Que é nossa Mãe também,
Dai-nos a palma imortal.
* Maria, fonte de amor,
Fazei que na vossa dor
Convosco eu chore também.
Fazei que o meu coração
Seja todo gratidão
A Cristo de quem sois Mãe.
Do vosso olhar vem a luz
Que me leva a ver Jesus
Na sua imensa agonia.
Convosco, ó Virgem, partilho
Das penas do vosso Filho,
Em quem minha alma confia.
Mãos postas, à vossa beira,
Saiba eu, a vida inteira,
Guiar por Vós os meus passos.
E quando a noite vier,
Eu me sinta adormecer
No calor dos vossos braços.
Virgem das Virgens, Rainha,
Mãe de Deus, Senhora minha,
Chorar convosco é rezar.
Cada lágrima chorada
Lembra uma estrela tombada
Do fundo do vosso olhar.
No Calvário, entre martírios,
Fostes o Lírio dos lírios,
Todo orvalhado de pranto.
Sobre o ódio que O matava,
Fostes o amor que adorava
O Filho três vezes santo.
A cruz do Senhor me guarde,
De manhã até à tarde,
A minha alma contrita.
E quando a morte chegar,
Que eu possa ir repousar
À sua sombra bendita.
ALELUIA
Refrão: Aleluia. Repete-se
Bendita seja a Virgem Maria,
que, sem passar pela morte,
mereceu a palma do martírio,
ao pé da cruz do Senhor. Refrão
Em vez deste Evangelho, pode ler-se o que se lhe segue.
EVANGELHO Jo 19, 25-27
«Eis o teu filho…Eis a tua Mãe»
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
Naquele tempo,
estavam junto à cruz de Jesus
sua Mãe, a irmã de sua Mãe,
Maria, mulher de Cléofas, e Maria Madalena.
Ao ver sua Mãe e o discípulo predileto,
Jesus disse a sua Mãe:
«Mulher, eis o teu filho».
Depois disse ao discípulo:
«Eis a tua Mãe».
E a partir daquela hora,
o discípulo recebeu-a em sua casa.
Palavra da salvação.
Em vez do Evangelho precedente, pode ler-se o seguinte:
EVANGELHO Lc 2, 33-35
«Uma espada trespassará a tua alma»
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S. Lucas
Naquele tempo,
o pai e a mãe do Menino Jesus estavam admirados
com o que se dizia d’Ele.
Simeão abençoou-os
e disse a Maria, sua Mãe:
«Este Menino foi estabelecido
para que muitos caiam ou se levantem em Israel
e para ser sinal de contradição;
– e uma espada trespassará a tua alma –
assim se revelarão os pensamentos de todos os corações».
Palavra da salvação.
Oração sobre as oblatas
Aceitai, Deus de misericórdia, para glória do vosso nome,
as nossas orações e as nossas ofertas,
na veneração da Virgem santa Maria,
a quem nos entregastes generosamente, como Mãe piedosa,
quando estava de pé junto da cruz de Jesus.
Ele que vive e reina pelos séculos dos séculos.
Prefácio I ou II da Virgem santa Maria.
Antífona da comunhão Cf. 1Pd 4, 13
Alegrai-vos, se participardes nos sofrimentos de Cristo,
porque será plena a vossa alegria, quando se manifestar a sua glória.
Oração depois da comunhão
Alimentados com os sacramentos da redenção eterna
na celebração das dores da Virgem santa Maria,
ajudai-nos, Senhor, a completar em nós, em benefício da Igreja,
o que falta à paixão de Cristo.
Ele que vive e reina pelos séculos dos séculos.
Dos Sermões de São Bernardo, abade
(Sermo in dom. infra oct. Assumptionis, 14-15:
Opera omnia, ed. Cisterc. 5 [1968], 273-274) (Sec. XII)
A Mãe de Cristo estava junto à cruz
O martírio da Virgem é recordado tanto na profecia de Simeão como na história da paixão do Senhor. Diz o santo ancião acerca do Menino Jesus: Este foi predestinado para ser sinal de contradição; e, referindo se a Maria, acrescenta: E uma espada trespassará a tua alma.
Na verdade, ó santa Mãe, uma espada trespassou a vossa alma. Porque nunca ela podia atingir a carne do Filho sem atravessar a alma da Mãe. Depois que aquele Jesus – que é de todos, mas especialmente vosso – expirou, a cruel lança que Lhe abriu o lado, sem respeitar sequer um morto a quem já não podia causar dor alguma, não feriu a sua alma mas atravessou a vossa. A alma de Jesus já não estava ali, mas a vossa não podia ser arrancada daquele lugar. Por isso a violência da dor trespassou a vossa alma, e assim, com razão Vos proclamamos mais que mártir, porque os vossos sentimentos de compaixão superaram os sofrimentos corporais do martírio.
Não foi, porventura, para Vós mais que uma espada aquela palavra que verdadeiramente trespassa a alma e penetra até à divisão da alma e do espírito: Mulher, eis o teu Filho? Oh que permuta! Entregam Vos João em vez de Jesus, o servo em vez do Senhor, o discípulo em vez do Mestre, o filho de Zebedeu em vez do Filho de Deus, um simples homem em vez do verdadeiro Deus. Como não havia de ser trespassada a vossa afectuosíssima alma ao ouvirdes estas palavras, quando a sua simples lembrança despedaça o nosso coração, apesar de ser tão duro como a pedra e o ferro?
Não vos admireis, irmãos, de que Maria seja chamada mártir na sua alma. Admire se quem não se recorda de ter ouvido Paulo mencionar entre as maiores culpas dos pagãos o facto de não terem afecto. Como isso estava longe do coração de Maria! Longe esteja também dos seus servos.
Mas talvez alguém possa dizer: «Porventura não sabia Ela que Jesus havia de morrer?». Sem dúvida. Não esperava Ela que Jesus havia de ressuscitar?». Com toda a certeza. «E apesar disso sofreu tanto ao vê l’O crucificado?». Sim, com terrível veemência. Afinal, que espécie de homem és tu, irmão, e que estranha sabedoria é a tua, se te surpreende mais a compaixão de Maria do que a paixão do Filho de Maria? Ele pôde morrer corporalmente e Ela não pôde morrer com Ele em seu coração? A morte de Jesus foi por amor, aquele amor que nenhum homem pode superar; o martírio de Maria teve a sua origem também no amor, ao qual depois do de Cristo, nenhum outro amor se pode comparar.


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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
Naquele tempo, disse Jesus a Nicodemos: …«Ninguém zsubiu ao Céu senão Aquele que desceu do Céu: o Filho do homem…Assim como Moisés elevou a serpente no deserto,também o Filho do homem será elevado,para que todo aquele que acredita
tenha n’Ele a vida eterna.Deus amou tanto o mundoque entregou o seu Filho Unigénito,para que todo o homem que acredita n’Elenão pereça para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele»…
REFLEXÃO
…
I – Lectio Divina sobre João 3, 13-17
Ler a Palavra
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O Evangelho de João 3, 13-17 apresenta-nos um diálogo entre Jesus e Nicodemos, onde Jesus revela o profundo significado da sua missão. Ele declara: “Ninguém subiu ao Céu, a não ser Aquele que desceu do Céu, o Filho do Homem. Assim como Moisés elevou a serpente no deserto, também o Filho do Homem deve ser elevado, para que todo aquele que acredita tenha n’Ele a vida eterna.” Jesus culmina com a afirmação mais conhecida da Escritura: “Deus amou tanto o mundo que entregou o seu Filho Unigénito, para que todo o que n’Ele acredita não se perca, mas tenha a vida eterna. Porque Deus não enviou o seu Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por Ele.”
Compreender a Palavra
..
Este texto é um dos pilares da teologia cristã. Jesus estabelece um paralelo entre o seu próprio levantamento na Cruz e a serpente de bronze elevada por Moisés no deserto (referência à Primeira Leitura). A serpente era um antídoto contra o veneno da serpente; da mesma forma, **Cristo na Cruz torna-se o antídoto contra o veneno do pecado e da morte**. A Cruz não é um acidente trágico, mas uma **”exaltação”** – é o momento da glorificação de Jesus e da revelação máxima do amor de Deus. O verbo “elevar” (*hypsóō*) em João tem um duplo sentido: elevação física na Cruz e elevação gloriosa na Ressurreição e Ascensão. O versículo 16 é o resumo de todo o Evangelho: a iniciativa do amor divino, gratuito e universal, que tem como único objetivo a **salvação** e a **vida eterna**, e não a condenação.
Passar da Palavra à Vida
Este mistério interpela-nos profundamente:
1. **Onde coloco a minha esperança?** Como os israelitas no deserto, sou tentado a murmurar contra Deus nas dificuldades. Este texto convida-me a olhar para a Cruz, a reconhecer nela o remédio oferecido por Deus para a minha salvação, e a confiar.
2. **Compreendo o verdadeiro amor de Deus?** Muitas vezes reduzimos Deus a um juiz severo. Este Evangelho força-nos a redefinir o nosso conceito de amor: o amor de Deus é um acto de doação radical, sem condições, que se entrega para nos salvar.
3. **Sou um canal de salvação ou de condenação?** Se Deus não quis condenar, mas salvar, a minha vida e as minhas palavras devem reflectir esta mesma misericórdia para com os outros.
Oração
Pai de amor infinito, que nos destes o vosso Filho como sinal de salvação, fazei que, exaltando a Santa Cruz, reconheçamos o poder da vossa redenção. Que a contemplação deste mistério de amor nos encha de esperança e nos torne testemunhas da vossa misericórdia para com todos. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Mensagem Apelativa
A Cruz não é um fim, mas o caminho para a vida. Nela, Deus diz ao mundo: “Eu amo-te até ao fim.” Olha para ela e vive!
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Não há árvore boa que dê mau fruto, nem árvore má que dê bom fruto. Cada árvore conhece-se pelo seu fruto: não se colhem figos dos espinheiros, nem se apanham uvas das sarças. O homem bom, do bom tesouro do seu coração tira o bem; e o homem mau, da sua maldade tira o mal; pois a boca fala do que transborda do coração. Porque Me chamais ‘Senhor! Senhor!’, mas não fazeis o que vos digo? Vou mostrar-vos a quem se assemelha todo aquele que vem ter comigo, ouve as minhas palavras e as põe em prática. É semelhante a um homem, que, para construir a casa, escavou, aprofundou e assentou os alicerces sobre a rocha. Quando veio uma cheia, a torrente irrompeu contra aquela casa, mas não a pôde abalar, porque estava bem construída. Mas aquele que ouve as minhas palavras e não as põe em prática é semelhante a um homem que construiu a casa sobre a terra, sem alicerces. A torrente irrompeu contra aquela casa, que imediatamente desabou; e foi grande a sua ruína»…
REFLEXÃO .
I – Lectio Divina sobre Lucas 6, 43-49.
Ler a Palavra
O Evangelho de Lucas 6, 43-49 encerra o Sermão da Planície com duas metáforas poderosas sobre a autenticidade e a solidez da vida discipular. Primeiro, Jesus declara: “Não há árvore boa que dê mau fruto, nem árvore má que dê bom fruto. Cada árvore se reconhece pelo seu fruto.” Ilustra que não se colhem figos dos espinheiros, nem uvas das silvas, afirmando que “a boca fala do que está cheio o coração”. Em seguida, apresenta a parábola dos dois homens construtores: um que cavou fundo e alicerçou a casa na rocha, e outro que a construiu sobre a terra, sem alicerce. Quando a inundação veio, a casa na rocha permaneceu de pé, enquanto a outra ruiu completamente..
Compreender a Palavra
Jesus convida os discípulos a uma **verificação da qualidade espiritual** baseada nos resultados. A metáfora da **árvore e dos frutos** não é sobre salvação por obras, mas sobre **evidência visível de uma realidade interior**. O “fruto” são as ações, as palavras e as atitudes que brotam do “coração”, o centro das decisões e dos afetos. Uma vida transformada por Cristo produzirá naturalmente frutos de amor, alegria e paz (cf. Gal 5,22). A segunda metáfora, da **casa sobre a rocha**, fala da **obediência prática** como fundamento de uma vida que resiste às crises. Não basta ouvir as palavras de Jesus; é preciso “pô-las em prática”. A rocha é a própria pessoa de Cristo e a solidez da sua doutrina. As “inundações” representam as tribulações, tentações e julgamentos que todos enfrentam.
Da Palavra à Vida.
Este texto interpela-nos de forma directa e prática:
1. **Que frutos dou?** As minhas ações, o meu modo de falar e as minhas reações sob pressão revelam um coração cheio de que? De irritação, julgamento e medo, ou de paciência, bondade e confiança em Deus?
2. **Onde está o meu alicerce?** Onde estou a construir a minha segurança? No sucesso profissional, na opinião dos outros, na conta bancária? Ou estou a cavar fundo, a alicerçar a minha existência na Palavra de Jesus, mesmo quando é desafiante colocá-la em prática?
3. **Prática vs. Teoria:** Avalio a minha vida espiritual não pelo que sei, mas pelo que vivo. A minha fé sobrevive ao primeiro vento contrário, ou desaba ao primeiro sinal de crise?.
Oração
Senhor Jesus, vós sois a árvore da vida e a rocha firme. Purificai o nosso coração para que possamos produzir frutos que permaneçam. Dai-nos a sabedoria de ouvir a vossa Palavra e a coragem de a pôr em prática, para que a nossa casa se mantenha de pé em todo o tempo de provação. Amém..
Mensagem Apelativa
A tua vida é o fruto do que guardas no coração. Constrói-a sobre a rocha da Palavra de Deus, e nenhuma tempestade a derrubará.
09 12 Sexta Lc 6, 39-42 Lc 6, 39-42 «Poderá um cego guiar outro cego?»
Ler a Palavra
Compreender a Palavra
Passar da Palavra à Vida
Oração
Ler a PalavraO Evangelho de Lucas 6, 27-38 contém um dos ensinamentos mais radicais de Jesus: o mandamento do amor aos inimigos. Ele dirige-Se aos seus discípulos dizendo: “Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, bendizei os que vos maldizem, orai pelos que vos caluniam.” Jesus ilustra este princípio com exemplos concretos: oferecer a outra face a quem nos bate, dar a túnica a quem nos tira o manto, dar a quem nos pede e não reclamar de quem nos tira o que é nosso. A regra de ouro é resumida: “Como quereis que os homens vos façam, fazei-lho vós também.” Jesus questiona qual é o mérito em amar apenas quem nos ama, convidando os seus seguidores a terem um amor que exceda o dos pecadores. A exortação culmina com o convite à misericórdia imitando a do Pai, que é “bondoso até para com os ingratos e maus”. A conclusão é uma promessa: “Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis perdoados. Dai e ser-vos-á dado.”
Compreender a Palavra
Este texto é o coração da ética cristã e representa uma ruptura completa com a lógica do mundo. A lei de Talião (“olho por olho, dente por dente”) é substituída pela **lógica do dom e do perdão**. Jesus não pede uma resignação passiva à violência, mas uma **resistência ativa através do amor** que quebra a corrente da vingança. O convite a “oferecer a outra face” não é um convite ao masoquismo, mas um acto de coragem que desarma o agressor ao recusar responder com a mesma moeda. O fundamento teológico deste mandamento é a **imitação de Deus** (“Sede misericordiosos, como também o vosso Pai é misericordioso”). O agir do cristão é motivado pela própria natureza de Deus, cujo amor é universal e indiscriminado. A medida do nosso dar e perdoar determinará a medida da graça que receberemos.
Passar da Palavra à Vida
Este ensinamento desafia-nos no mais íntimo do nosso ser:
1. **Quem é o meu “inimigo”?** Pode ser um colega de trabalho, um familiar, alguém que me feriu. Este texto obriga-me a identificá-lo e a olhar para ele não com ódio, mas com a perspectiva do amor de Deus.
2. **Quebrar o ciclo do mal:** A resposta natural à ofensa é a vingança. Jesus propõe um caminho revolucionário: responder ao mal com um bem inesperado, quebrando assim a espiral de violência.
3. **A medida do coração:** “Com a medida com que medirdes, sereis medidos.” Esta frase questiona a minha generosidade e a minha capacidade de perdoar. Sou mesquinho ou abundante em dar amor, perdão e ajuda?
Oração
Pai misericordioso, que perdoais sem medida e amais até os ingratos, dai-nos um coração grande à imagem do Vosso. Ajudai-nos a amar o que é difícil, a perdoar o que magoa e a dar sem esperar recompensa. Que a nossa vida seja um reflexo da vossa bondade radical para com todos. Por Jesus Cristo, nosso Senhor. Amém.
Mensagem Apelativa
A verdadeira força não está em revidar, mas em amar. Quebra hoje o ciclo do mal com um gesto de bondade inesperada. É a revolução do amor de Cristo.
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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Naquele tempo, Jesus, erguendo os olhos para os discípulos, disse: «Bem-aventurados vós, os pobres, porque é vosso o reino de Deus. Bem-aventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis saciados. Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque haveis de rir. Bem-aventurados sereis, quando os homens vos odiarem, quando vos rejeitarem e insultarem e proscreverem o vosso nome como infame, por causa do Filho do homem. Alegrai-vos e exultai nesse dia, porque é grande no Céu a vossa recompensa. Era assim que os seus antepassados tratavam os profetas. Mas ai de vós, os ricos, porque já recebestes a vossa consolação! Ai de vós, que agora estais saciados, porque haveis de ter fome! Ai de vós, que rides agora, porque haveis de entristecer-vos e chorar! Ai de vós, quando todos os homens vos elogiarem! Era assim que os seus antepassados tratavam os falsos profetas»..
Palavra da salvação.
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REFLEXÃO .
I – Lectio Divina sobre Lucas 6, 20-26.
Ler a Palavra
O Evangelho de Lucas 6, 20-26 apresenta o cerne do Sermão da Planície, onde Jesus dirige-Se aos seus discípulos e à grande multidão proclamando as bem-aventuranças e os “ais”. Ele declara felizes os pobres, os que agora têm fome, os que agora choram e os que são odiados, excluídos e insultados por causa do Filho do Homem. A estes, promete o Reino de Deus, a saciedade, o riso e uma grande recompensa no céu. Em contrapartida, dirige “ai” aos ricos, aos saciados, aos que agora riem e aos que são elogiados por todos. A estes, adverte que já receberam a sua consolação, que terão fome e fome e luto, e que estão a seguir o mesmo caminho dos falsos profetas.
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Compreender a Palavra
Este texto é revolucionário e desconcertante. Jesus não está a fazer uma simples exortação moral, mas a proclamar uma **inversão de valores** escatológica. As bem-aventuranças não glorificam a pobreza ou o sofrimento em si mesmos, mas revelam que Deus está de forma especial do lado dos que não têm segurança a não ser n’Ele. Os “pobres” são os *anawim* do Antigo Testamento: os humildes, os que dependem absolutamente de Deus. Os “ais” não são maldições, mas **advertências graves** dirigidas aos autossuficientes, aos que colocam a sua confiança nas riquezas, no prazer e na aprovação social, fechando-se assim ao Reino de Deus. Jesus estabelece um novo critério de felicidade (*makarios*) que é contracultural e que encontra a sua plenitude não no presente, mas no futuro escatológico de Deus.
Passar da Palavra à Vida
Este Evangelho desafia-nos a um exame de consciência profundo:
1. **Onde está a minha segurança?** Confio no meu salário, nas minhas posses e no meu estatuto, ou confio radicalmente em Deus, como os pobres de espírito?
2. **Qual é a minha fonte de felicidade?** Busco a saciedade imediata no consumo, o riso fácil do entretenimento vazio e o elogio dos outros, ou encontro alegria em Deus, mesmo nas dificuldades inerentes à fidelidade ao Evangelho?
3. **De que lado estou?** Jesus desenha uma linha clara. A sua mensagem não permite neutralidade. Identifico-me mais com a atitude de dependência dos pobres ou com a autossuficiência dos ricos? A minha vida provoca o “ai” da advertência ou a “bem-aventurança” da promessa?.
Oração
Senhor Jesus, que anunciastes felizes os pobres e os que choram, destrói em nós a idolatria da riqueza, do poder e da vaidade. Dá-nos um coração de pobre, que sabe que tudo recebe de Vós. Que a nossa única herança seja o Vosso Reino, a nossa única fome seja a Vossa justiça, e a nossa única alegria seja sermos injuriados por Vosso amor. Amém..
Mensagem Apelativa
Jesus inverte a lógica do mundo: a verdadeira felicidade não se encontra no ter, no poder ou no prazer, mas em Deus. Ousa ser feliz segundo o coração de Deus. .

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Naqueles dias, Jesus subiu ao monte para rezar e passou a noite em oração a Deus. Quando amanheceu, chamou os discípulos e escolheu doze entre eles, a quem deu o nome de apóstolos: Simão, a quem deu também o nome de Pedro, e seu irmão André; Tiago e João; Filipe e Bartolomeu, Mateus e Tomé; Tiago, filho de Alfeu, e Simão, chamado o Zelota; Judas, irmão de Tiago, e Judas Iscariotes, que veio a ser o traidor. Depois desceu com eles do monte e deteve-Se num sítio plano, com numerosos discípulos e uma grande multidão de pessoas de toda a Judeia, de Jerusalém e do litoral de Tiro e de Sidónia. Tinham vindo para ouvir Jesus e serem curados das suas doenças. Os que eram atormentados por espíritos impuros também ficavam curados. Toda a multidão procurava tocar Jesus, porque saía d’Ele uma força que a todos sarava.
Palavra da salvação..
REFLEXÃO ..
I – Lectio Divina sobre Lucas 6, 12-19.
Ler a Palavra
O Evangelho de Lucas 6, 12-19 descreve um momento importante no ministério de Jesus. Ele sobe à montanha para orar e passa toda a noite em comunhão com Deus. Ao amanhecer, chama os seus discípulos e escolhe doze entre eles, aos quais dá o nome de apóstolos: Simão (Pedro), André, Tiago, João, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago de Alfeu, Simão Zelota, Judas de Tiago e Judas Iscariotes. Jesus desce então com eles para um planalto, onde uma numerosa multidão de Judeia, Jerusalém, Tiro e Sidónia O aguarda para O ouvir e ser curada das suas doenças. Todos procuravam tocá-Lo, porque d’Ele emanava uma força que a todos curava..
Compreender a Palavra
Este texto é profundamente rico em significado. Em primeiro lugar, revela a **primazia da oração** na vida de Jesus. A decisão crucial de escolher os Doze é precedida por uma noite de intimidade com o Pai, mostrando que a ação verdadeiramente fecunda brota da escuta. Em segundo lugar, a **escolha dos Doze** é um ato de fundação da nova Israel. A lista inclui homens de origens e temperamentos diversos – pescadores, um cobrador de impostos (publicano) e um nacionalista radical (zelota) – simbolizando que o Reino é para todos e que Cristo veio unir o que estava dividido. Por fim, a **cura das multidões** manifesta a natureza compassiva do Messias. O poder (dýnamis) que d’Ele saía não era um poder político ou de dominação, mas um poder que restaura a vida, que liberta do sofrimento e que responde ao clamor mais profundo da humanidade.
Passar da Palavra à Vida
Este Evangelho convida-nos a uma conversão pessoal e comunitária:
1. **Discernimento na Oração:** Quantas vezes agimos por impulso ou confiamos apenas na nossa razão? Jesus ensina-nos a levar as nossas decisões, grandes e pequenas, para a quietude da oração, confiando que Deus nos guiará.
2. **Abrace a Diversidade:** A comunidade dos apóstolos era heterogénea. A Igreja de hoje é chamada a ser este mesmo espaço de unidade na diversidade, onde não há lugar para divisões baseadas em origem, classe ou opinião. Somos todos um em Cristo.
3. **Ser Canal de Cura:** A multidão buscava tocar em Jesus. Nós, como Seu corpo, somos agora os seus braços no mundo. Através de um sorriso, de um gesto de ajuda, de um tempo de escuta, podemos ser os canais através dos quais a força curadora de Cristo chega aos que sofrem ao nosso lado.
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Oração
Pai misericordioso, que inspiraste o Vosso Filho a buscar a Vossa vontade em noites de oração, dai-nos um coração sedento de silêncio e escuta. Fazei de nós, escolhidos e amados por Vós, instrumentos da Vossa paz e compaixão. Que a força do Espírito Santo nos cure das nossas enfermidades e nos envie para ser testemunhas do Vosso Reino de amor. Por Cristo Nosso Senhor. Amém.
Mensagem Apelativa
A força que cura o mundo não vem do poder, mas da oração e do amor. Para hoje. Ora. Escuta. E deixa que a compaixão de Cristo te use para curar alguém. .
“`

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Genealogia de Jesus Cristo,
Filho de David, Filho de Abraão:
Abraão gerou Isaac; Isaac gerou Jacob;
Jacob gerou Judá e seus irmãos.
Judá gerou, de Tamar, Farés e Zara;
Farés gerou Esrom; Esrom gerou Arão;
Arão gerou Aminadab; Aminadab gerou Naasson;
Naasson gerou Salmon; Salmon gerou, de Raab, Booz;
Booz gerou, de Rute, Obed; Obed gerou Jessé;
Jessé gerou o rei David.
David, da mulher de Urias, gerou Salomão;
Salomão gerou Roboão; Roboão gerou Abias;
Abias gerou Asa; Asa gerou Josafat;
Josafat gerou Jorão; Jorão gerou Ozias;
Ozias gerou Joatão; Joatão gerou Acaz;
Acaz gerou Ezequias; Ezequias gerou Manassés;
Manassés gerou Amon; Amon gerou Josias;
Josias gerou Jeconias e seus irmãos,
ao tempo do desterro de Babilónia.
Depois do desterro de Babilónia,
Jeconias gerou Salatiel;
Salatiel gerou Zorobabel; Zorobabel gerou Abiud;
Abiud gerou Eliacim; Eliacim gerou Azor;
Azor gerou Sadoc; Sadoc gerou Aquim;
Aquim gerou Eliud; Eliud gerou Eleazar;
Eleazar gerou Matã; Matã gerou Jacob;
Jacob gerou José, esposo de Maria,
da qual nasceu Jesus, chamado Cristo.
O nascimento de Jesus deu-se do seguinte modo:
Maria, sua Mãe, noiva de José,
antes de terem vivido em comum,
encontrara-se grávida por virtude do Espírito Santo.
Mas José, seu esposo,
que era justo e não queria difamá-la,
resolveu repudiá-la em segredo.
Tinha ele assim pensado,
quando lhe apareceu num sonho o Anjo do Senhor,
que lhe disse:
«José, filho de David,
não temas receber Maria, tua esposa,
pois o que nela se gerou é fruto do Espírito Santo.
Ela dará à luz um filho
e tu pôr-Lhe-ás o nome de Jesus,
porque Ele salvará o povo dos seus pecados».
Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor anunciara por meio do profeta, que diz:«A Virgem conceberá e dará à luz um Filho,
que será chamado ‘Emanuel’,
que quer dizer ‘Deus connosco’».
Palavra da salvação.
REFLEXÃO
# I – Lectio Divina sobre Mateus 1, 1-16. 18-23
Ler a Palavra
O texto de Mateus 1, 1-16 apresenta a genealogia de Jesus Cristo, traçando sua linhagem desde Abraão até José, destacando a realização das promessas divinas através das gerações. Os versículos 18-23 narram o anúncio do nascimento de Jesus através do Espírito Santo, enfatizando o cumprimento da profecia de Isaías: “Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel, que significa Deus conosco” .
Compreender a Palavra
A genealogia não é apenas uma lista de nomes, mas um testemunho da fidelidade de Deus ao longo da história. Mateus estrutura a genealogia em três grupos de catorze gerações (Mt 1,17), mostrando um plano divino que se desenha através de personagens imperfeitas, incluindo mulheres estrangeiras como Raab e Rute, e reais com histórias complicadas como David. Isso ilustra que a salvação não é reservada a uma elite, mas é oferecida a todos, inclusive aos marginalizados. O anúncio a José revela um Deus que age de formas surpreendentes, desafiando expectativas humanas. José, “homem justo” (Mt 1,19), exemplifica uma justiça que vai além da lei, centrada na misericórdia e na escuta de Deus. A profecia de Isaías 7,14, citada por Mateus, confirma Jesus como o Emanuel, a presença tangível de Deus entre os homens, que vem para salvar o seu povo dos seus pecados (Mt 1,21) .
Passar da Palavra à Vida
A genealogia de Jesus convida-nos a refletir sobre a nossa própria história e a reconhecer a ação de Deus mesmo nas gerações passadas e nos eventos aparentemente insignificantes. José, ao aceitar a missão confiada por Deus, demonstra uma fé corajosa e disponível. Hoje, somos interpelados a acolher a presença de Emanuel nas nossas vidas, especialmente nos momentos de incerteza ou escuridão. A justiça de José, que integra misericórdia e obediência a Deus, desafia-nos a revisitar os nossos critérios de julgamento e a agir com compaixão. Podemos perguntar-nos: Como acolho as surpresas de Deus? Estou disposto a confiar mesmo quando não compreendo totalmente o seu plano?
Oração
Deus de misericórdia, que escolhestes José para guardar o mistério da encarnação, dai-nos um coração justo e disponível para acolher a vossa vontade. Ajudai-nos a reconhecer a vossa presença de Emanuel no quotidiano, especialmente nos rostos dos necessitados. Que a vossa Palavra nos guie e nos conceda a coragem para sermos testemunhas da vossa amorosa fidelidade. Amém.
Mensagem Apelativa
Não tenhas medo de acolher a surpresa de Deus na tua vida! Como José, confia mesmo quando o caminho parecer incerto. Deus cumpre as suas promessas de formas inesperadas e está sempre contigo –

Irmãos, o mundo diz-nos: “Acumula para seres feliz”. Jesus diz-nos: “Renuncia para seres livre”.
Ser discipulo não é um caminho fácil, mas é o único que leva à vida em abundância. Não tenhamos medo das exigências de Jesus, pois nelas não há um peso, mas uma libertação. Ele não nos quer vazios, mas repletos de Deus. Que cada um de nós possa, com coragem e confiança, avaliar a sua vida e decidir, todos os dias, construir a sua torre sobre o único alicerce que não desilude: Jesus Cristo, nosso Senhor.

Passava Jesus através das searas num dia de sábado e os discípulos apanhavam e comiam as espigas, debulhando-as com as mãos. Alguns fariseus disseram «Porque fazeis o que não é permitido ao sábado?». Respondeu-lhes Jesus: «Não lestes o que fez David, quando ele e os seus companheiros sentiram fome? Entrou na casa de Deus, tomou e comeu os pães da proposição, que só aos sacerdotes era permitido comer, e também os deu aos companheiros». E acrescentou; «O Filho do homem é senhor do sábado».
Palavra da salvação..
“Passava Jesus através das searas num dia de sábado e os discípulos apanhavam e comiam as espigas…” (Lc 6,1)..
O cenário é simples e quotidiano: um caminho no sábado, discípulos com fome, fariseus atentos às regras. Jesus responde recordando o exemplo de David e conclui com firmeza: “O Filho do Homem é Senhor do sábado” (Lc 6,5).
O sábado era sinal sagrado da Aliança: descanso, adoração, vida entregue a Deus (Ex 20,8-11). Porém, os fariseus transformaram-no em carga pesada. O gesto dos discípulos, tão humano e natural, foi lido como transgressão.
Jesus não despreza a Lei, mas vai à sua raiz: a vida e a dignidade da pessoa estão acima de qualquer norma. Ao citar David, mostra que a história de Israel já testemunhava a primazia da necessidade humana sobre o ritual. Aqui revela-se a identidade de Jesus: Ele é Senhor do sábado, isto é, da Lei, do tempo, da vida. Ele não anula, mas cumpre. O sábado deixa de ser limite para se tornar espaço de libertação.
A Palavra convida-nos a perguntar: que “sábados” construímos hoje? Muitas vezes, absolutizamos normas, tradições, rotinas ou até a nossa imagem, esquecendo o essencial: o amor de Deus e o cuidado com os irmãos.
Exemplo prático: numa paróquia, um homem em situação de pobreza pediu ajuda durante a missa. Alguns acharam “inadequado” interromper a liturgia. Mas uma comunidade que compreende Jesus sabe que a caridade é sempre prioridade. Como diz São Tiago: “A religião pura é visitar órfãos e viúvas nas suas tribulações” (Tg 1,27).
Hoje, o convite é claro:
O sábado de Jesus é o descanso que nasce do amor e da misericórdia.
Senhor Jesus,
Tu que és Senhor do sábado, ensina-nos a viver o tempo como dom e não como peso.
Liberta-nos de rituais vazios, para que cada gesto seja expressão do amor.
Dá-nos olhos para ver a fome dos irmãos e mãos para repartir o pão da vida.
Ámen.
O Evangelho não é uma regra fria, mas um caminho de vida. Jesus convida-nos a olhar para além das aparências e a fazer da fé um espaço de liberdade e misericórdia. Onde estiver um coração em necessidade, ali está o verdadeiro altar.