XV Semana – Quinta-feira – Tempo Comum – Anos Pares -16/07


XV Semana – Quinta-feira – Tempo Comum – Anos Pares

5ª feira 16 de Julho
http://www.liturgia.pt/liturgiadiaria/dia.php?data=2020-7-16

(Is 26, 7-9.12.16-19) O povo humilde e fiel confessa o seu pecado e proclama a justiça
( Salmo 101 (102), 13-14ab e 15.16-18.19-21 (R. 20b))Ele se dignará olhar para o povo pecador
(Mt 11, 28-30) Ele vem dar consolação, paz e salvação a todos aqueles que aceitam a sua mensagem

QUINTA-FEIRA
Leccionário comentado Tempo Comum (páginas 740-743)Organização Giuseppe Cassarin
Primeira leitura: Isaías 26, 7-9.12.16-19

7O caminho do justo é recto; é o Senhor quem prepara o caminho do justo. 8Seguindo os caminhos dos teus desejos, Senhor, esperamos em ti. E com que ansiedade pronunciamos o teu nome e nos lembramos de ti! 9A minha alma suspira por ti de noite, e do mais profundo do meu espírito, eu te procuro pela manhã, porque quando exerces sobre a terra os teus julgamentos, os habitantes do mundo aprendem a justiça. 12Senhor, dá-nos a paz, porque és Tu que realizas todos os nossos empreendimentos. 16Senhor, na tribulação, nós recorríamos a ti, quando a força do teu castigo nos abatia.
17Como a mulher grávida, prestes a dar à luz, se torce e grita nas suas dores, assim éramos nós na tua presença, Senhor. 18Nós concebemos, sofremos dores de parto, e o que demos à luz foi vento. Não demos a salvação ao nosso país, nem nasceram novos habitantes na terra. 19Os teus mortos reviverão, os seus cadáveres ressuscitarão. Despertai e rejubilai vós que jazeis no sepulcro! Pois o teu orvalho é um orvalho de luz, que fará renascer os que não passavam de sombras

PRIMEIRA LEITURA (anos pares) Is 26,7-9.12.16-19
Despertai e cantai de alegria, vós que habitais no pó da terra.
Ler a Palavra
Este texto pertence à secção do Livro de Isaías conhecida como «Apocalipse de Isaías» (caps. 24-27), que remonta à segun¬da metade do século vi a. C. ou a um período sucessivo. O pano de fundo destes capítulos podemos procurá-lo num aconteci¬mento verosímil da época. No texto litúrgico de hoje é proposta uma meditação sobre o modo com o qual Deus actua na História, modo que se torna lição de sabedoria e razão de esperança para aqueles que confiam na ressurreição dos mortos.
Compreender a Palavra
As palavras do profeta apresentam dois temas principais: no começo o dos juízos de Deus e depois o da confiança na ressur¬reição. Serve de motivo unificador o pano de fundo sapiencial: o profeta, em nome de todo o povo, reconhece que da acção de Deus na História, dos Seus juízos, e também da tribulação e das tentativas sem sucesso, os homens aprendem a justiça e são corri-gidos. A sabedoria manifesta-se, antes de mais, na espera de um acontecimento impossível aos homens, os quais, não obstante os seus esforços e apesar dos seus sofrimentos, podem somente dar à luz vento, isto é, são apenas capazes de gerar uma vida que se esfuma e não tem consistência.
Só o Senhor com o Seu orvalho luminoso pode realmente dar de novo vida à terra e luz a quantos já estão nas trevas da mor¬te («Em Vós esperamos, Senhor: […] Os teus mortos voltarão à vida»: w. 8,19). Esta é a justiça e a paz que Deus concede aos Seus fiéis; este é o verdadeiro sucesso concedido às empresas dos homens.

SALMO RESPONSORIAL SL 101,13-21
Dois motivos se entrelaçam no salmo com o qual a liturgia nos convida a responder à leitura de Isaías agora escutada: a súplica pela cidade de Sião em ruínas e a invocação de quem indirec¬tamente se reconhece na miséria, mas a quem o Senhor dirige o Seu olhar. A esperança emerge em todo o texto e funda-se na eternidade de Deus, que vence os limites do homem e concede nova vida ao povo e à cidade.

SALMO RESPONSORIAL Salmo 101 (102), 13-14ab e 15.16-18.19-21 (R. 20b)
Refrão: Do alto do Céu, o Senhor olhou para a terra. Repete-se

Vós, Senhor, permaneceis para sempre,
o vosso nome será lembrado de geração em geração.
Levantai-Vos e compadecei-Vos de Sião,
já é tempo de serdes propício.
Os vossos servos têm amor às suas pedras
e sentem pena das suas ruínas. Refrão

Os povos temerão, Senhor, o vosso nome,
todos os reis da terra a vossa glória.
Quando o Senhor reconstruir Sião
e manifestar a sua glória,
atenderá a súplica do infeliz
e não desprezará a sua oração. Refrão

Escreva-se tudo isto para as gerações vindouras
e o povo que se há-de formar louvará o Senhor.
Debruçou-Se do alto da sua morada,
lá do Céu o Senhor olhou para a terra,
para ouvir os gemidos dos cativos,
para libertar os condenados à morte. Refrão

Evangelho: Mateus 11, 28-30

Naquele tempo, Jesus exclamou:
28«Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei-de aliviar-vos.
29Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para o vosso espírito.
30Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.»

EVANGELHO MT 11,28-30
Sou manso e humilde de coração.
Ler a Palavra
Os três versículos do Evangelho são a continuação imedia¬ta da oração de bênção que Jesus dirige ao Pai, louvando-0 por ter escolhido os pequeninos para destinatários da Sua revelação (Evangelho de ontem). Aqui os pequeninos assumem o rosto dos «cansados» e dos «oprimidos». (Cf. v. 28) A eles é que é dirigido o convite a seguirem Jesus, manso e humilde de coração, com a promessa de encontrarem a paz. A terminologia utilizada refere- -se ao contexto sapiencial tardio no qual «sabedoria» e «lei» coin¬cidem e são representadas pela imagem do jugo.
Compreender a Palavra
O convite de Jesus a segui-1’0 dirige-se aqui não apenas a al¬guns homens, como aconteceu com a vocação do Doze, mas a todos. O unico requisito para sentir-se destinatário do chama¬mento é fazer parte dos que andam «cansados e oprimidos». A expressão que fala de jugo refere-se provavelmente àqueles que sentiam o peso opressor dos Mandamentos, agravados por uma interpretação que oprimia a vida do crente, embora o significado se possa alargar a todos os que experimentam situações dolorosas e difíceis. A esses dirige Jesus a exortação «Vinde a Mim» (v. 28) e «Tomai sobre vós o meu jugo», (v. 29) Duas vezes, nestas pou¬cas linhas Ele promete que «aliviará» e dará «descanso» às almas dos oprimidos. O caminho para chegar ao descanso é «aprender d’Ele», que é «manso e humilde de coração».
Raramente encontramos expressa uma qualidade do Mestre, e neste caso é Ele mesmo que se define assim: Ele é o Senhor que não impõe nem exerce violência, mas se inclina sobre o coração do homem para lhe curar as feridas. O Seu jugo é suave e leve, porque é revestido de intenso amor e de profunda compaixão.

DA PALAVRA PARA A VIDA

Podemos imaginar dirigida a nós a exortação de Jesus a apren¬der d’Ele, manso de humilde de coração (Evangelho). Pode¬mos ouvir este chamamento como um convite a descobrir o rosto autêntico do Senhor, precisamente de quem é humilde e manso, de quem acolhe, de quem não se serve da violência, de quem se fez solidário com a nossa história, as nossas dores, a nossa fadiga, para as assumir e resgatar. Jesus é o Senhor e é o Mestre: somente na Sua sequela podemos esperar que o nosso coração se torne humilde e manso, fonte de paz e de descanso para aqueles que encontramos, e construtores de re¬lações entretecidas de compaixão e acolhimento. Perante esse rosto sentimos que o jugo que devemos tomar é suave e leve, que não pesa sobre os nossos ombros esmagando-nos, mas que é possível e simples levá-lo atrás d’Ele. Vemos como são
verdadeiras as palavras que a Igreja canta no Prefácio comum VIII, com o título «Cristo, o bom samaritano»: «Na sua vida mortal, Ele passou fazendo o bem e socorrendo todos os que eram prisioneiros do mal. Ainda hoje (…) vem ao encontro de todos os homens atribulados no corpo ou no espirito e derrama sobre as suas feridas o óleo da consolação e o vi nho da esperança.» A essa certeza leva a experiência do co nhecimento do «Nome», isto é, da identidade de Deus, cujo Povo fez ao longo da sua história, confessando que o Senhor é sempre Aquele que livremente está ao lado do homem para o libertar e amparar em todas as situações (primeira leitura, anos ímpares).
O jugo de Jesus, o caminho que Ele traçou é o percurso divi¬no e justo, a sabedoria autêntica que alimenta o nosso desejo, a nossa esperança de viver uma vida que não venha a gerar vento, isto é, que não seja inconsistente e vã, mas que tenha solidez e significado, aberta a um futuro de ressurreição e ple¬nitude (primeira leitura, anos pares).
Oração
(Colecta. Missa do domingo XXI do Tempo Comum)
Senhor Deus,
que unis os corações dos fiéis num único desejo,
fazei que o vosso Povo ame o que mandais
e espere o que prometeis, para que,
no meio da instabilidade deste mundo,
fixemos os nossos corações
onde se encontram as verdadeiras alegrias.

Primeira leitura: Isaías 26, 7-9.12.16-19

Este texto integra-se num bloco de capítulos (24-27) do livro de Isaías. São versículos extraídos de uma oração (Is 26, 7-19), que faz parte do chamado «Apocalipse de Isaías». O profeta começa com um grito de rectidão e justiça legal, que é todo um programa de vida: «O caminho do justo é recto; é o Senhor quem prepara o caminho do justo» (v. 7). A comunidade reunida em solene liturgia responde, afirmando a sua confiança na justiça de Javé. Isaías serve-se provavelmente de algum salmo popular, retocando-o e incorporando-o no cântico triunfal dos versículos anteriores. Os justos buscam o nome de Javé, isto é, o próprio Deus, na medida em que é possível à limitação humana conhecê-lo, compreendê-lo, amá-lo. Nada poderá desviá-los desse centro de gravidade. Deus realiza as suas obras no meio dos povos, para que todos possam conhecê-lo e viver de acordo com a sua vontade. Sem Deus, todo o empreendimento humano é abortivo. Só na comunhão com Deus podemos alcançar todos os bens e ter sucesso nas nossas iniciativas: «és Tu que realizas todos os nossos empreendimentos» (v. 12). A intervenção de Deus dará novamente a vida a um povo de «mortos», para uma nova e alegre existência (v. 19). O orante proclama uma esperança segura, expressão de fé n´Aquele a quem tudo pertence.

Evangelho: Mateus 11, 28-30

Depois de ter dado graças ao Pai pela revelação recebida, e de ter anunciado o conteúdo dessa revelação (Mt 11, 25-27), Jesus dirige um convite-chamamento a todos «cansados e oprimidos» (v. 28). A imagem do «jugo» (v. 29) fazia parte, primeiramente, da relação «escravo-senhor». Depois foi aplicada à relação «discípulo-mestre». As alianças humanas, também com a divindade, exprimiam-se em categorias de submissão-obediência. A lei de Moisés, tal como a aplicavam os escribas (cf Mt 23, 4), era um «jugo» particularmente duro, um «jugo insuportável» (Heb 12, 10). Cada mestre tinha que impor um «jugo» aos seus discípulos. Os discípulos de Jesus são convidados a pôr-se ao lado d´Ele, a carregar o mesmo jugo, a levar o mesmo estilo de vida: o dos mansos e humildes, dos pobres e pequenos, que compreenderam o mandamento novo da obediência a Deus e do serviço aos irmãos. O jugo, em si mesmo, é pesado. Mas, levá-lo com Jesus, é causa de doçura. O amor exige pesada renúncia aos próprios instintos egoístas. Mas abre os horizontes da verdadeira vida.
Meditatio

Isaías convida os seus ouvintes à confiança no Senhor, sempre fiel às suas promessas, atento aos pobres e oprimidos. Do mesmo modo que Deus devasta as cidades pagãs, tornando impraticáveis os seus caminhos, assim também aplana a estrada daqueles que conformam a vida aos seus preceitos. Os que esperam no Senhor, e desejam ardentemente estar em comunhão com Ele, serão saciados de todos os bens, simbolizados na paz.
O que os homens do Antigo Testamento desejavam e esperavam, foi-nos dado em Jesus Cristo: «Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos … e encontrareis descanso para o vosso espírito». Jesus experimentou os nossos cansaços. Por isso, nos compreende, como compreendeu os Apóstolos, quando, depois de um dia de missão, lhes disse: «Vinde e descansai um pouco» (Mc 6, 31). Ser compreendido já alivia o sofrimento.
Hoje muitos de nós experimentamos o cansaço e a opressão de uma vida intensa e exigente, muitas vezes marcada por duras tribulações. O Senhor permite-as para que O busquemos: «Senhor, na tribulação, nós recorríamos a ti» (v. 16). É este recurso ao Senhor que nos permite suportar os sofrimentos da vida e torná-los úteis e fecundos, para nós, para o mundo, para a Igreja. E melhor será, se soubermos escutar o convite do Senhor: «Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para o vosso espírito» (v. 29). Parece uma contradição: carregar um jugo para descansar! Mas o jugo de Jesus é um jugo de amor. Estando sós, os nossos esforços são vãos, e o sofrimento aproxima-se do desespero, porque não vemos o sentido das nossas fadigas. Mas se aceitarmos o jugo de Jesus, e caminharmos com Ele, tudo ganha sentido, tudo se torna fecundo, e temos a certeza de caminhar para a luz e para a vida.
«Aprendei de Mim que sou manso e humilde de coração e encontrareis repouso para as vossas almas. O Meu jugo é suave e a minha carga é leve» (Mt 11, 29-30). Jesus não engana ninguém, e muito menos nos engana a nós, chamados a percorrer o seu próprio caminho. As exigências do amor evangélico são um “jugo”, uma “carga”. Podem, por vezes, exigir-nos heroísmo, como no caso do amor pelos inimigos, no fazer o bem a quem nos faz mal, no rezar pelos nossos perseguidores; mas o “jugo” de Jesus é “suave”, a sua “carga leve”, porque Ele o carregou antes de nós e agora o leva connosco. Faz-se presente a nós, particularmente no dom dos sacramentos, e na efusão do Espírito Santo, para ser o nosso amparo e guia no caminho das virtudes, possibilitando-nos exercê-las até de modo heróico, irradiando os Seus saborosos frutos na vida comunitária e no apostolado. Assim, podemos transmitir alegria e paz àqueles que encontramos. Assim, como Jes
us, podemos vencer o mal praticando o bem. Assim, podemos semear esperança, e gritar aos nossos contemporâneos: «Despertai e rejubilai…! O teu orvalho é um orvalho de luz, que fará renascer os que não passavam de sombras» (v. 19).

Oratio

Senhor, venho ao teu encontro carregando o peso do meu dia, com o peso dos sofrimentos que oprimem os que me são próximos. Mas dou Contigo a carregar a tua cruz e as cruzes de todos os homens, de quem Te fizeste solidário, irmão. Obrigado Senhor! Como poderia levar sozinho a minha cruz, se nem posso comigo? Obrigado pelo teu convite: «Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei-de aliviar-vos». Apoiado por Ti, e em Ti, quero ajudar e levar alívio a tantos irmãos e irmãs, que sofrem muito mais do que eu. No amor, estou certo, todo o peso se torna leve. Amen.

Contemplatio

Adoremos Nosso Senhor contemplando no seu Coração sagrado a virtude de humildade e de doçura… Meditamos sobre a virtude de humildade e de doçura. Pode aplicar-se o mesmo método às outras virtudes do divino Coração de Jesus, à sua obediência, à sua pureza, à sua paciência, à sua misericórdia, à sua caridade.
Consideremos com atenção como Nosso Senhor praticou esta virtude no seu interior e no seu exterior, em Nazaré, na sua vida pública e na sua Paixão.
Pelo exercício desta virtude, prestou uma glória infinita ao seu Pai; – reparou plenamente as ofensas que lhe tínhamos feito pelos pecados contrários a esta mesma virtude; – libertou-nos das penas eternas que podíamos ter merecido por estes pecados; – ensinou-nos pelo seu exemplo o modo de praticar esta virtude; – finalmente mereceu-nos a graça necessária e conveniente para o fazer.
Demos-lhe graças por todos estes favores; – ofereçamo-nos a ele para efectuarmos os desejos mais ardentes que ele tem de nos ver ornados com esta virtude; – rezemos-lhe para que nos dê todas as graças de que temos necessidade para cumprirmos em nós os santos desejos do seu Coração (Leão Dehon, OSP 3, p. 535).

Actio

Repete frequentemente e vive hoje a palavra:
«Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração» (Mt 11, 29).