12 04 quinta Mt 7, 21. 24-27  «Aquele que faz a vontade de meu Pai entrará no reino dos Céus»…

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Nem todo aquele que Me diz ‘Senhor, Senhor’ entrará no reino dos Céus, mas só aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos Céus. Todo aquele que ouve as minhas palavras e as põe em prática é como o homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha. Caiu a chuva, vieram as torrentes e sopraram os ventos contra aquela casa; mas ela não caiu, porque estava fundada sobre a rocha. Mas todo aquele que ouve as minhas palavras e não as põe em prática é como o homem insensato que edificou a sua casa sobre a areia. Caiu a chuva, vieram as torrentes e sopraram os ventos contra aquela casa; ela desmoronou-se e foi grande a sua ruína»..

Palavra da salvação..

REFLEXÃO .

  1. Lectio (Leitura e Escuta)

A Palavra de Jesus ressoa em nós: «Todo aquele que ouve as minhas palavras e as põe em prática é como o homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha.» Neste tempo de Advento, que nos encaminha para a Natividade, esta passagem não é uma mera lição de ética, mas um profundo ensinamento sobre a nossa capacidade de acolher o Emanuel, o Deus connosco. O Evangelho de hoje convida-nos a inspecionar o nosso coração para saber que tipo de “hospedaria” estamos a preparar para o Menino Jesus..

  1. Meditatio (Meditação e o Nascimento do Senhor)

A “rocha” de que Jesus fala é, em última análise, Ele próprio, o Messias esperado. É na sua Palavra e na prática da Vontade do Pai que encontramos a estabilidade para a nossa vida. O nosso Advento e Natal não se limitam a enfeites exteriores; são, sobretudo, um exercício de arquitetura espiritual..

O homem prudente não é aquele que constrói a casa mais vistosa ou que mais vezes repete “Senhor, Senhor” em voz alta. O Evangelho alerta para a futilidade de uma religiosidade de fachada. A prudência está na discrição da obediência, na paciência de cavar fundo até assentar o alicerce na Rocha. O Natal convida-nos a ser prudentes, a reconhecer que a verdadeira morada do Senhor não é um palácio faustoso (a “casa na areia”), mas a casa humilde do coração que se esvazia de si para fazer a Vontade de Deus (a “casa na rocha”)..

As “chuvas, torrentes e ventos” não são apenas os desafios da vida, mas as crises que se abatem sobre a fé: a tentação do desânimo, a dúvida, a dureza do coração. Se a nossa “casa” (a nossa vida, a nossa família, o nosso projeto) não estiver alicerçada na prática da Palavra, na caridade concreta e na oração perseverante, ela ruirá. O presépio, com a sua fragilidade e simplicidade, torna-se a imagem suprema da casa construída sobre a Rocha da Humildade e da Obediência de Maria e José..

  1. Oratio e Contemplatio.

Ao olharmos para Belém, vemos que a Rocha não é apenas uma fundação, mas um refúgio. O Deus que vem é o nosso abrigo. A nossa preparação para o Natal deve ser a de um artesão que, em silêncio, trabalha para que a sua vida se torne um pequeno e seguro estábulo. O verdadeiro fruto é encontrar a alegria e a paz na coerência de vida: ouvir a Palavra e, simplesmente, pô-la em prática, fazendo a Vontade do Pai.-.


Oração..

Senhor Jesus Cristo, Rocha Eterna.
Teu Evangelho exige fé ativa.
Desperta-nos para praticar Tua Palavra, além do mero falar.
Dá-nos a humildade de edificar a vida sobre Tua presença firme, abandonando a superficialidade.
Que Teu nascimento encontre nossa alma simples e inabalável, preparada como a Rocha que Tu és.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Ámen.—–Sugestão de Imagem (Imagem)

 

Título: “O Presépio Ancorado na Rocha”

 

Descrição:

Uma imagem que não mostre o presépio sobre a palha ou areia, mas sim num nicho ou gruta escavada na pedra. O foco visual deve estar na rocha escura e firme que serve de base ao estábulo humilde.

  • Elementos: O Menino Jesus, Nossa Senhora e São José estão no centro, mas as suas figuras são emolduradas pela solidez da pedra em volta.

Significado: A rocha simboliza a fidelidade de Deus e a solidez da fé baseada na obediência (a casa que não cai). O Menino repousa na firmeza da Vontade do Pai, manifestada na humildade do presépio. A imagem sugere que a fragilidade do Natal (o bebé) assenta na maior das seguranças (a Rocha Eterna).

 

12 03 .Quarta Mc 16, 15-20 «Foi elevado ao Céu e sentou-Se à direita de Deus»

 

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos

Naquele tempo, Jesus apareceu aos onze Apóstolos e disse-lhes: «Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura. Quem acreditar e for baptizado será salvo; mas quem não acreditar será condenado. Eis os milagres que acompanharão os que acreditarem: expulsarão os demónios em meu nome; falarão novas línguas; se pegarem em serpentes ou beberem veneno, não sofrerão nenhum mal; e quando impuserem as mãos sobre os doentes, eles ficarão curados». E assim o Senhor Jesus, depois de ter falado com eles, foi elevado ao Céu e sentou-Se à direita de Deus. Eles partiram a pregar por toda a parte e o Senhor cooperava com eles, confirmando a sua palavra com os milagres que a acompanhavam.

Palavra da salvação.

REFLEXÃO .

O Evangelho de Marcos 16, 15-20 apresenta-nos a solene despedida de Jesus e a missão confiada aos discípulos: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura”. É a expansão universal da salvação, a urgência de levar a Boa Nova aos confins da terra. O texto culmina com a Ascensão, não como um abandono, mas como o início de uma nova presença cooperante: “o Senhor cooperava com eles”. O sinal dessa presença são os milagres, sinais que rompem as barreiras da incredulidade e do sofrimento. A citação sobre São Francisco Xavier, “angustiado por não poder realizar o seu sonho”, coloca-nos diante de um coração que fez desta passagem o programa da sua vida. A angústia do Apóstolo nasce de um amor tão grande pela Palavra que não suporta vê-la enclausurada. O Advento, tempo de espera e de anúncio, ilumina-se com esta dupla chama: a do mandato de Cristo e a do ardor do missionário.

**2. MEDITATIO (Meditação)**

Medito sobre este “ide” que ecoa no silêncio do Advento. A Igreja espera o Senhor que vem, mas não numa espera passiva. É uma espera missionária, impaciente, como a de Xavier. A sua “carta patética” é um grito que atravessa os séculos e interpela a nossa comodidade. Quantas “multidões incontáveis” hoje ignoram, não por falta de meios, mas por falta de anunciadores? O Advento convida-nos a escutar este apelo no nosso coração: onde está a minha “Índia” pessoal? Onde posso levar, com as minhas palavras e gestos, a notícia alegre de que o Salvador está próximo? Francisco Xavier entendeu que a fé não é um tesouro para guardar, mas um fogo para espalhar. A sua angústia é santa; é a dor de quem vê a Palavra como semente urgente, incapaz de ficar parada. Medito também na promessa final: “o Senhor cooperava com eles”. Não estamos sozinhos na missão. A força do Alto, prometida no Advento e dada no Pentecostes, acompanha-nos.

**3. ORATIO (Oração)**

Senhor Jesus, que no mistério do Advento nos preparais para a vossa vinda, e que na vossa Ascensão nos confiastes a missão de ir a todos os povos:
Inflamai em nós o mesmo fogo sagrado que consumiu o coração de São Francisco Xavier.
Tirai-nos da letargia confortável e da glória passageira.
Que a vossa Palavra, semente de eternidade, nos cause uma santa angústia diante de quem ainda não Vos conhece.
Fazei dos nossos lábios anunciadores da vossa salvação, das nossas mãos instrumentos de cura e das nossas vidas um sinal credível do vosso amor.
E como prometestes, sede Vós mesmo a nossa força. Cooperai connosco, confirmai a nossa frágil palavra, para que, guiados pelo exemplo do Apóstolo das Índias, possamos também nós ser construtores do vosso Reino, que vem. Nós Vos pedimos, ó Cristo, que viveis e reinais com o Pador e o Espírito Santo, para sempre. Amém.

**4. CONTEMPLATIO (Contemplação)**

Contemplo, em silêncio, a figura de São Francisco Xavier. Vejo-o numa praia da Ásia, de olhar perdido no horizonte, angustiado pelas terras ainda por alcançar, mas com o crucifixo apertado ao peito. Contemplo a mão de Deus, invisível mas presente, que o guiava e confirmava a sua pregação. Deixo que este ícone de zelo apostólico me interrogue e me mobilize no meu quotidiano. O Advento é este horizonte aberto à esperança e à missão.

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12 02 Terça Lc 10, 21-24 Jesus exulta de alegria pela ação do Espírito Santo

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.Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, Jesus exultou de alegria pela ação do Espírito Santo e disse: «Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas verdades aos sábios e aos inteligentes e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque isto foi do teu agrado. Tudo Me foi entregue por meu Pai; e ninguém sabe o que é o Filho senão o Pai, nem o que é o Pai senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar». Voltando-Se depois para os discípulos, disse-lhes: «Felizes os olhos que veem o que estais a ver, porque Eu vos digo que muitos profetas e reis quiseram ver o que vós vedes e não o viram e ouvir o que vós ouvis e não o ouviram».

Palavra da salvação..

REFLEXÃO

**Meditação: A Alegria do Segredo Revelado**.

No silêncio expectante do Advento, este evangelho é uma centelha de luz jubilosa. Jesus, o Esperado das nações, irrompe em alegria. A sua não é uma felicidade comum, mas um *exultar* no Espírito Santo. É a primeira vez no Evangelho que O vemos assim, transbordante de uma alegria que vem do mais íntimo do seu ser. E qual é a fonte desta alegria? O *mistério da eleição divina*. O Pai, no seu desígnio de amor, revela os segredos do Reino não aos auto-suficientes, mas aos “pequeninos”..

**1. O Esconderijo e a Revelação (vv. 21-22)**

Deus “esconde” dos sábios e inteligentes. Não por capricho, mas porque a sua sabedoria, frequentemente, é barulho que abafa a voz de Deus. É uma armadura de auto-suficiência que impede de receber. O Advento chama-nos a este despojamento: a reconhecer que não sabemos, que não temos, que esperamos. É na pobreza de espírito que Deus se revela. E o conteúdo dessa revelação é o próprio coração de Deus: a relação única, íntima e eterna entre o Pai e o Filho. Ninguém conhece o Filho senão o Pai, e ninguém conhece o Pai senão o Filho. E nós? Nós podemos conhecê-L’O porque o Filho no-L’O *quer revelar*. Este é o dom incalculável..

**2. A Bem-aventurança do Advento (vv. 23-24)**

Jesus dirige-Se então aos discípulos e declara-os “felizes”. Porquê? Porque os seus olhos veem e os seus ouvidos ouvem. Eles estão a ver a Promessa cumprida, a Palavra feita Carne. No contexto do Advento, esta é uma chamada de atenção profunda. Nós, que caminhamos na penumbra da espera, somos convidados a abrir os olhos para o que já nos foi dado. Muitos profetas e reis – um Abraão, um Moisés, um David – ansiaram por este dia. Eles viram de longe, pela fé. Nós, pelo mistério da Igreja, estamos no interior da gruta de Belém, vemos o Menino e ouvimos o seu choro. A felicidade não está num futuro distante, mas no reconhecimento humilde do Dom que já habita no meio de nós..

O Advento é, assim, um tempo para nos fazermos “pequeninos”. Para calar os nossos ruídos interiores e deixar que o Espírito Santo, que fez Jesus exultar de alegria, nos revele a doce intimidade do Pai com o Filho, uma intimidade na qual, maravilhosamente, fomos convidados a entrar..

### **Oração**.

Ó Pai, Senhor do Céu e da terra,

que no silêncio da noite do mundo.

revelais os vossos segredos aos corações simples,

fazei-nos pequeninos neste Advento..

Despojai-nos da pretensão do saber

e enchei-nos da sábia ignorância da fé,

que se abre à vossa revelação como a terra seca à chuva..

Obrigado, Pai, pelo dom inefável do vosso Filho,..

que nos quis revelar o rosto do vosso Amor.

Fazei que, no meio da nossa espera,

os nossos olhos saibam ver a luz que já brilha

e os nossos ouvidos escutar a melodia do Verbo que se fez Menino..

Que o mesmo Espírito que fez exultar Jesus de alegria

nos conduza, com passos leves e coração jubiloso,

ao encontro d’Aquele que é a Luz da manhã sem fim.

Ele que vive e reina convosco, na unidade do Espírito Santo,

por todos os séculos dos séculos. Ámen.

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12 01 Segunda  Mt 8, 5-11 «Do Oriente e do Ocidente virão muitos para o reino dos Céus»

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo, ao entrar Jesus em Cafarnaum, aproximou-se d’Ele um centurião, que Lhe suplicou, dizendo: «Senhor, o meu servo jaz em casa paralítico e sofre horrivelmente». Disse-lhe­ Jesus: «Eu irei curá-lo». Mas o centurião res­­pon­­­­deu-Lhe: «Senhor, eu não sou digno de que entres em minha casa; mas diz uma só palavra e o meu servo ficará curado. Porque eu, que não passo dum subalterno, tenho soldados sob as minhas ordens: digo a um ‘Vai’ e ele vai; a outro ‘Vem’ e ele vem; e ao meu servo ‘Faz isto’ e ele faz». Ao ouvi-lo, Jesus ficou admirado e disse àqueles que O seguiam: «Em verdade vos digo: Não encontrei ninguém em Israel com tão grande fé. Por isso vos digo: Do Oriente e do Ocidente virão muitos sentar-se à mesa, com Abraão, Isaac e Jacob, no reino dos Céus»..

Palavra da salvação……

REFLEXÃO 

Entramos no Advento com uma página do Evangelho que ilumina, desde o primeiro instante, o horizonte amplo e surpreendente do coração de Deus. A fé do centurião — homem estrangeiro, pagão, alheio às promessas feitas a Israel — torna-se sinal luminoso do universalismo do Reino. O Advento não é apenas a memória da primeira vinda de Cristo, mas preparação vigilante para a Sua vinda gloriosa, quando todos os povos, “do Oriente e do Ocidente”, se sentarão à mesa do banquete eterno. O centurião abre-nos essa porta: quem acolhe Jesus com fé humilde torna-se já participante da promessa…

Lectio — A Palavra apresenta-nos Jesus a entrar em Cafarnaum. Antes de qualquer gesto, é a dor alheia que O procura: a súplica de um homem que sofre pelo seu servo. O centurião não pede por si; intercede por outro. No Advento, somos chamados a este movimento: aproximar-nos de Cristo carregando aqueles que nos estão confiados, apresentando-Lhe a fragilidade humana. A fé começa frequentemente na compaixão..

Meditatio — A resposta de Jesus é imediata: “Eu irei curá-lo.” O Senhor toma sempre a iniciativa, ultrapassa barreiras culturais e religiosas, revela um Deus que vem ao encontro. Mas é o coração do centurião que se torna o verdadeiro cenário do Advento: “Senhor, eu não sou digno… mas diz uma só palavra.” Aqui está a fé que surpreende Jesus, fé que nasce da humildade e da confiança plena na autoridade da Palavra divina. O Advento pede-nos precisamente isto: diminuir o ruído interior para escutar a Palavra que salva; preparar lugar, não por mérito nosso, mas por confiança no poder de Cristo que age..

Oratio — O que dizer diante desta fé? Talvez apenas repetir as palavras que aprendemos a pronunciar antes de comungar. Cada Eucaristia é Advento: aguardamos Aquele que vem e reconhecemos que só a Sua Palavra pode sarar as feridas profundas da nossa vida e da vida do mundo…

Contemplatio — A admiração de Jesus diante da fé do centurião convida-nos a contemplar a vastidão do Reino. O banquete anunciado é um dom para todos os povos. Advento é tempo para alargar o coração, ultrapassar fronteiras, acolher com esperança a promessa de um Deus que reúne, cura e reconcilia. Sentar-nos-emos um dia à mesa com Abraão, Isaac e Jacob, se deixarmos que a Palavra transforme a nossa vida hoje..

Oração

Senhor Jesus, que entras nas nossas cidades e nas nossas casas com misericórdia, acolhe a nossa pobre fé. Não somos dignos, mas confiamos na força da tua Palavra. Cura as nossas feridas, fortalece a nossa esperança e prepara em nós um coração capaz de Te acolher na tua vinda. Que o Advento dilate o nosso olhar, para reconhecermos irmãos “do Oriente e do Ocidente” que caminham para o teu Reino. Amen.

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12 01 Segunda  Mt 8, 5-11 «Do Oriente e do Ocidente virão muitos para o reino dos Céus»

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11 30 24 , 37-44 Estai vós preparados porque à hora em que menos pensardes virá o filho do homem

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Como aconteceu nos dias de Noé, assim sucederá na vinda do Filho do homem. Nos dias que precederam o dilúvio, comiam e bebiam, casavam e davam em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca; e não deram por nada, até que veio o dilúvio, que a todos levou. Assim será também na vinda do Filho do homem. Então, de dois que estiverem no campo, um será tomado e outro deixado; de duas mulheres que estiverem a moer com a mó, uma será tomada e outra deixada. Portanto, vigiai, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor. Compreendei isto: se o dono da casa soubesse a que horas da noite viria o ladrão, estaria vigilante e não deixaria arrombar a sua casa. Por isso, estai vós também preparados, porque na hora em que menos pensais, virá o Filho do homem.

Palavra da salvação.

 

REFLEXÃO 

Evangelho de S. Mateus (Mt 24, 37-44): A Urgência da Vigilância

O Advento, iniciado com Mateus, prepara a memória do nascimento de Jesus e, principalmente, desperta para a Sua segunda Vinda. Mateus (24, 37-44) foca na vigilância ativa.

Mateus sublinha que Jesus é o Messias em quem se cumprem todas as promessas. A prontidão é a atitude fundamental para O acolher. Jesus compara a Sua vinda aos dias de Noé: a vida era normal (“comiam e bebiam, casavam e davam em casamento”), mas o perigo residia na distração, não nos atos em si.

A inconsciência pré-diluviana, focada no terreno, cegou para a eternidade. Jesus condena a dissipação, que impede ver a Deus. O Advento é o antídoto, chamando à fé. A Vinda do Filho do Homem será súbita e imprevisível, irrompendo na rotina (“um será tomado e outro deixado”).

A separação final não é arbitrária, mas a manifestação de divisões interiores preexistentes. Mesmo que partilhem o mesmo trabalho, a preparação é individual. A salvação exige vigilância e intencionalidade pessoal, e a atitude de reavaliar constantemente as prioridades.

A exortação central de Jesus é: “vigiai”, “compreendei isto” e “estai vós também preparados”.

 

A parábola do dono da casa e do ladrão (v. 43) elimina qualquer possibilidade de adiar a preparação. Se o dono da casa soubesse a hora exata da chegada do ladrão, estaria vigilante apenas nesse momento. Como não sabe, precisa de estar sempre preparado. O ladrão simboliza a surpresa do fim.

No Advento, “vigiar” para o cristão significa: arrumar a alma, afastando preocupações e superficialidade; estar atento a Cristo nos pobres e marginalizados (Sua Vinda silenciosa); e viver cada dia intensamente. Mateus exorta nos a endireitar o caminho, preparando-nos para a Vinda gloriosa do Messias.

Oração

Senhor Jesus, Filho do Homem, desperta nossa vigilância. Livra-nos da inconsciência e da dissipação das rotinas e preocupações. Concede-nos a graça de estarmos sempre preparados, com a alma limpa e a vida em ordem, para reconhecer que nossa redenção está próxima. Vinde, Senhor Jesus. Ámen.

11 29 Sábado .Lucas 21, 34-36.«Vigiai, para que possais livrar-vos de tudo isto que está para acontecer»

 

 

 

 

 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Tende cuidado convosco, não suceda que os vossos corações se tornem pesados com a intemperança, a embriaguês e as preocupações da vida e esse dia não vos surpreenda subitamente como uma armadilha; porque ele atingirá todos os que habitam sobre a face da terra. Portanto, vigiai e orai em todo o tempo, para que possais livrar-vos de tudo isto que está para acontecer e comparecer sem temor diante do Filho do homem».

 

Palavra da salvação.

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REFLEXÃO

O Evangelho de Lucas 21, 34-36 serve como um solene convite à vigilância e um alerta para a prontidão espiritual, marcando a transição do Tempo Comum para o Advento, o tempo de espera. Após descrever os sinais cósmicos e a ruína histórica (dias anteriores), Jesus dirige-se agora ao interior do discípulo: «Tende cuidado convosco». O verdadeiro perigo não está apenas nas calamidades externas, mas na forma como permitimos que o nosso coração seja pesado e distraído.

 

Jesus identifica três pesos que nos podem aprisionar: a intemperança e a embriaguês (os excessos que embotam a clareza do espírito) e, de forma mais sutil e universal, as preocupações da vida. Estas últimas são as ansiedades e os fardos quotidianos que, quando desmesurados, nos enredam na matéria e no temporal, tornando-nos incapazes de levantar a cabeça para o eterno. O coração pesado pela terra não consegue aperceber-se da vinda do Senhor.

 

A Vinda de Cristo, o “Dia” do juízo e da libertação, é descrita como uma “armadilha” que atingirá todos. Esta imagem não sugere um Deus cruel, mas sim a certeza e a súbita irrupção do fim, que apanha desprevenido aquele que se deixou adormecer nos prazeres ou afogar nas ansiedades. A urgência da parábola é clara: é preciso que a nossa vida não seja apenas um viver, mas um esperar.

 

O antídoto para a armadilha é duplo e inseparável: «vigiai e orai em todo o tempo». A vigilância não é um medo neurótico, mas uma intencionalidade do espírito, que recusa a moleza e a distração. A oração é a força que mantém o coração leve e unido a Deus, permitindo-nos caminhar na “longa Vigília Pascal” de que fala o texto. Somente com o coração liberto dos excessos e das preocupações é que o discípulo poderá “comparecer sem temor diante do Filho do homem”. Esta é a nossa meta: que o Dia da Vinda do Senhor não seja um pavor, mas o cumprimento jubilante da nossa esperança. O grito do Advento – «Veni! Vinde!» – é a resposta do coração vigilante ao apelo de Cristo.

 

Oração.

.

Senhor Jesus Cristo tu que nos alertasse para o perigo de um coração pesado, livra-nos da intemperança que nos cega e das preocupações da vida que nos afogam na terra. Concede-nos a graça de vigiar e orar em todo o tempo, para que o Teu Dia não nos encontre como uma armadilha, mas como o Sol que esperamos ao fim da longa noite Que o nosso coração permaneça leve, firme na esperança e desapegado do que passa, para que possamos comparecer sem temor diante de Ti, o Filho do Homem entrar na glória do Teu Reino que não tem ocaso.11 29 Sábado .Lucas 21, 34-36.«Vigiai, para que possais livrar-vos de tudo isto que está para acontecer»

 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

 

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Tende cuidado convosco, não suceda que os vossos corações se tornem pesados com a intemperança, a embriaguês e as preocupações da vida e esse dia não vos surpreenda subitamente como uma armadilha; porque ele atingirá todos os que habitam sobre a face da terra. Portanto, vigiai e orai em todo o tempo, para que possais livrar-vos de tudo isto que está para acontecer e comparecer sem temor diante do Filho do homem».

 

Palavra da salvação.

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REFLEXÃO

O Evangelho de Lucas 21, 34-36 serve como um solene convite à vigilância e um alerta para a prontidão espiritual, marcando a transição do Tempo Comum para o Advento, o tempo de espera. Após descrever os sinais cósmicos e a ruína histórica (dias anteriores), Jesus dirige-se agora ao interior do discípulo: «Tende cuidado convosco». O verdadeiro perigo não está apenas nas calamidades externas, mas na forma como permitimos que o nosso coração seja pesado e distraído.

 

Jesus identifica três pesos que nos podem aprisionar: a intemperança e a embriaguês (os excessos que embotam a clareza do espírito) e, de forma mais sutil e universal, as preocupações da vida. Estas últimas são as ansiedades e os fardos quotidianos que, quando desmesurados, nos enredam na matéria e no temporal, tornando-nos incapazes de levantar a cabeça para o eterno. O coração pesado pela terra não consegue aperceber-se da vinda do Senhor.

 

A Vinda de Cristo, o “Dia” do juízo e da libertação, é descrita como uma “armadilha” que atingirá todos. Esta imagem não sugere um Deus cruel, mas sim a certeza e a súbita irrupção do fim, que apanha desprevenido aquele que se deixou adormecer nos prazeres ou afogar nas ansiedades. A urgência da parábola é clara: é preciso que a nossa vida não seja apenas um viver, mas um esperar.

 

O antídoto para a armadilha é duplo e inseparável: «vigiai e orai em todo o tempo». A vigilância não é um medo neurótico, mas uma intencionalidade do espírito, que recusa a moleza e a distração. A oração é a força que mantém o coração leve e unido a Deus, permitindo-nos caminhar na “longa Vigília Pascal” de que fala o texto. Somente com o coração liberto dos excessos e das preocupações é que o discípulo poderá “comparecer sem temor diante do Filho do homem”. Esta é a nossa meta: que o Dia da Vinda do Senhor não seja um pavor, mas o cumprimento jubilante da nossa esperança. O grito do Advento – «Veni! Vinde!» – é a resposta do coração vigilante ao apelo de Cristo.

 

Oração.

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Senhor Jesus Cristo tu que nos alertasse para o perigo de um coração pesado, livra-nos da intemperança que nos cega e das preocupações da vida que nos afogam na terra. Concede-nos a graça de vigiar e orar em todo o tempo, para que o Teu Dia não nos encontre como uma armadilha, mas como o Sol que esperamos ao fim da longa noite Que o nosso coração permaneça leve, firme na esperança e desapegado do que passa, para que possamos comparecer sem temor diante de Ti, o Filho do Homem entrar na glória do Teu Reino que não tem ocaso.

11 26 Wednesday The very reality of what discipleship can look like

 

(0:00) Today, we’re going to dive into a really powerful and, let’s be honest, challenging (0:04) passage from the Gospel of Luke. (0:06) It speaks directly to what it means to face tough times with faith, and it might just (0:10) change how you think about suffering itself. (0:13) Right out of the gate, the passage hits us with this incredibly direct and sobering prophecy (0:18) from Jesus.

(0:19) There’s really no ambiguity here, is there? (0:22) It immediately sets a serious tone for what’s to come, getting us ready for a message that (0:27) absolutely does not shy away from hardship. (0:30) So that brings us right to our first section, really understanding this prophecy of trial. (0:35) And this isn’t just about something that might happen way off in the future.

(0:38) It’s about the very reality of what discipleship can look like. (0:41) What’s so fascinating here is how the text completely reframes the whole idea of persecution. (0:47) It’s basically saying that these trials, they’re not a sign that you failed or that something (0:51) has gone wrong.

(0:52) Actually, it’s the opposite. (0:54) They’re presented as a sign of belonging to Christ, a direct consequence of following in (0:59) his name. (1:00) And the text gets very specific about what this persecution actually looks like.

(1:04) We’re not talking about just a minor disagreement. (1:07) This is public. (1:08) It’s institutional.

(1:09) It’s being handed over to both religious and civil authorities, being dragged before kings (1:13) and governors. (1:14) The text describes this all-encompassing rejection from being hated by all to literally being (1:19) put on trial in the highest courts. (1:22) But, you know, the prophecy goes even deeper than that.

(1:25) It touches on something that is maybe the most painful part of all of this. (1:30) The suffering that comes from the people who are supposed to be closest to us. (1:33) Wow.

(1:34) I mean, this is a really tough line to read. (1:38) It suggests that your faith can create a massive rift in the most sacred human relationships, (1:43) family, friendship. (1:44) The very people you count on for support could become the source of your betrayal.

(1:49) It just goes to show the kind of radical choice discipleship can sometimes demand. (1:54) So, of course, this leads to a huge question. (1:57) If this suffering is inevitable, and it’s this deeply personal and painful, then what’s (2:01) the point? (2:02) Is it all for nothing? (2:03) Well, the text gives us a pretty surprising answer.

(2:06) And here it is. (2:07) This is the crucial pivot point in the whole passage. (2:10) Jesus doesn’t promise a way to escape the suffering.

(2:13) Nope. (2:14) Instead, he completely transforms what it means. (2:17) The courtroom, the prison, that whole stage of suffering, it becomes something else entirely.

(2:23) An opportunity to bear witness. (2:25) This really gets to the heart of the passage’s logic. (2:28) It’s all about how that moment when you feel you’re at your weakest can actually become (2:33) a platform for a strength that doesn’t even come from you.

(2:37) And you can see this incredible paradox laid out so clearly here. (2:41) What looks, from the outside, like a stage of suffering is actually an occasion for witness. (2:47) What feels like the end of the road is really just a means to something greater.

(2:52) And – this is the big one – what seems like a moment of total human weakness is repurposed (2:57) into a display of divine power. (2:59) It’s a complete flip of how the world usually sees things. (3:02) So if that’s what’s coming, how on earth is anyone supposed to face a trial that overwhelming? (3:09) Well, this is where the text offers a powerful antidote to all that fear.

(3:13) A three-part promise of divine help. (3:16) This promise is laid out in three amazing steps. (3:20) First, a command.

(3:21) Do not prepare your defence. (3:23) It’s a call to let go of that human anxiety, that need to control everything. (3:28) Second, the provision.

(3:29) I will give you a mouth and wisdom, a kind of divine eloquence that your opponents just (3:34) won’t be able to argue with. (3:36) And third, the ultimate assurance. (3:38) Not a hair of your head will be lost.

(3:41) Now, you might be thinking, wait a minute, that third promise sounds a little contradictory, (3:45) especially since the text also mentions that some will be put to death. (3:49) The key here is understanding the difference between the physical and the spiritual. (3:53) This is the great guarantee.

(3:55) While the body is definitely fragile and our life on earth can be lost, the soul, your (3:59) true self, is ultimately safe, protected by God. (4:03) Okay, so God provides the wisdom, God provides the ultimate protection, but the passage finishes (4:08) by highlighting one crucial thing that’s required from us to actually claim this victory. (4:13) This is the final instruction.

(4:15) And really, it’s the key that unlocks everything else. (4:19) Salvation isn’t just a passive thing. (4:21) It’s one through perseverance.

(4:23) The victory comes from standing firm, right in the middle of the storm. (4:27) And to really get what this means, we have to look at the original Greek word, hypomone. (4:32) It literally means to remain under.

(4:35) It’s not about just being tough or emotionless. (4:37) It’s an active virtue of staying put and holding firm under the pressure of the trial. (4:42) It’s this constant patient endurance right in the heart of tribulation.

(4:47) And that right there sums up the entire message. (4:51) The goal isn’t to become invulnerable, you know, to build up walls so that nothing can (4:55) hurt you. (4:55) The goal is to be perseverant, to endure, to remain under, all the while trusting that (5:01) your real security isn’t in your circumstances, but in the unconditional faithfulness of God.

(5:07) So we’re left with this final question to really think about. (5:10) This passage makes it crystal clear that everything we tend to rely on for security in this world, (5:15) our status, our relationships, even our own physical lives, it’s all fragile. (5:20) So the question it leaves us with is this.

(5:22)  If all of that can be shaken, where does our true unshakeable strength actually lie?

 

11 26 -Quarta Lc 21 12-19 De todos sereis odiados por causa do meu nome

 

(0:00) Olá e bem-vindos. (0:01) Nesta análise, vamos mergulhar numa passagem fascinante do Evangelho de Lucas. (0:06) É uma passagem que nos dá uma perspectiva, diria até surpreendente, sobre como podemos (0:10) encarar a adversidade.

(0:12) Vamos descobrir como um momento de provação se pode se transformar não em derrota, mas (0:16) sim em força e em testemunho. (0:19) Bem, a passagem arranca logo com uma previsão que não deixa mesmo margem para dúvidas. (0:24) Isto não é um aviso vago sobre, vá lá, possíveis dificuldades, pelo contrário, (0:28) é uma declaração muito direta, até mesmo dura, daquilo que os seguidores devem esperar.

(0:33) Ou seja, a perseguição aqui não é apresentada como uma simples possibilidade, mas como uma (0:37) consequência quase inevitável da sua fé. (0:40) E este leva-nos diretamente ao cerne de conflito que o texto nos apresenta, a perseguição. (0:45) A mensagem é claríssima.

(0:47) Ser seguidor implica enfrentar oposição frontal, tanto por parte das autoridades religiosas (0:52) como das civis. (0:54) O texto vai mais longe e detalha a natureza desta provação de uma forma francamente (0:59) surpreendente. (1:00) Não se trata apenas de um conflito público, de ser levado perante reis e governadores.

(1:04) A provação entra no círculo mais íntimo e sagrado, a traição por parte de pais, (1:08) irmãos, parentes e amigos. (1:10) A fé, segundo esta passagem, pode abrir uma brecha nos laços humanos mais profundos. (1:15) É uma realidade muito dura que o texto não tenta de todo suavizar.

(1:18) Mas é precisamente aqui que a narrativa dá uma volta de 180 graus, uma volta absolutamente (1:23) inesperada. (1:24) Em vez de se focar apenas no sofrimento, o texto redefine por completo o seu propósito. (1:29) Aquilo que à primeira vista parece uma derrota, torna-se, na verdade, numa oportunidade.

(1:35) E esta é a frase que muda tudo. (1:36) Assim traz a ocasião de dar testemunho. (1:39) A perseguição, o julgamento, a humilhação, tudo isto é transformado.

(1:43) Deixa de ser um palco de sofrimento para se tornar num palco para testemunhar uma fé (1:47) inabalável. (1:48) O ponto crucial é este, a provação não é o fim da história, é um meio para um (1:52) fim muito maior. (1:54) E esta comparação ilustra de forma brilhante o paradoxo central da passagem, onde o mundo (1:58) vê fraqueza, humilhação e derrota, o texto revela uma oportunidade para a manifestação (2:03) da graça divina.

11 28 Sexta Lc 21, 29-3 «Quando virdes acontecer estas coisas, sabei que está próximo o reino de Deus»

 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos a seguinte parábola: «Olhai a figueira e as outras árvores: Quando vedes que já têm rebentos, sabeis que o Verão está próximo. Assim também, quando virdes acontecer estas coisas, sabei que está próximo o reino de Deus. Em verdade vos digo: Não passará esta geração sem que tudo aconteça. Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão»..

.REFLEXÃO .

O Evangelho de Lucas 21, 29-33, utiliza a simples e acessível imagem da figueira e das outras árvores para ensinar a vigilância e a esperança. Assim como o aparecimento dos rebentos é um sinal inconfundível da chegada iminente do Verão, as grandes tribulações e a ruína de Jerusalém, anunciadas anteriormente por Jesus, não são sinais de um fim absoluto, mas sim de que o “reino de Deus está próximo.”.

A parábola da figueira serve como um convite à leitura da história. O discípulo não deve olhar para os sinais de destruição com desespero ou medo paralisante, mas sim como “dores de parto” que anunciam uma nova realidade. Jesus está a dizer: aprendam a interpretar os eventos do mundo com os olhos da fé, pois até mesmo o caos e a calamidade estão a trabalhar para um propósito divino maior – o desenvolvimento do Seu Reino..

A passagem atinge o seu clímax com duas afirmações de peso. A primeira, “Não passará esta geração sem que tudo aconteça,” tem sido interpretada de várias maneiras: como referindo-se à geração que viu a queda de Jerusalém (70 d.C.), ou à “geração” dos fiéis que vivem na expectação da Vinda do Senhor. Independentemente da interpretação histórica, a urgência é clara: o cumprimento das profecias e a manifestação do Reino são certos e iminentes no horizonte da fé..

A segunda afirmação é a garantia inabalável: “Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não passarão.” Esta é a chave da confiança cristã. Tudo o que é material, visível e temporal, até mesmo o firmamento, tem o seu fim. Mas a Palavra de Jesus, que é Espírito e Vida, é eterna e inalterável. É sobre esta rocha que o discípulo deve construir a sua esperança. O fim dos tempos não é o fim de Deus, mas a plena revelação do Seu Reino que não passará jamais. A nossa segurança não reside na estabilidade do mundo, mas na fidelidade da Palavra de Cristo..

Oração ..

Senhor Jesus Cristo.
Tu que nos ensinas a ler os sinais da história.
olhando para a figueira que rebrota e anuncia o Verão,
dá-nos a luz do Espírito Santo…
Que o nosso coração não se perturbe com a destruição das coisas que passam,
mas se alegre com a certeza de que a ruína do mundo velho é o sinal da proximidade do Teu Reino..
Concede-nos a graça de fixar a nossa vida.
.não no céu e na terra que passarão,
mas na Tua Palavra que é eterna e inabalável.
Que a nossa vigilância seja feita de esperança e não de pavor

.

11 25 S. Mateus – A radicalidade da mudança

11 09 templo ld Reflexão sobre a Purificação do Templo

POCAST

..

(0:00) Alguma vez pensaram em como é que um homem desprezado pela própria comunidade (0:03) e visto como um traidor, se pode tornar numa das figuras mais influentes da história? (0:08) Bem, hoje vamos mergulhar na incrível transformação de Levi, o cobrador de impostos, (0:13) em São Mateus, o evangelista. (0:15) Ora bem, para percebermos bem esta jornada, vamos olhar para ela em quatro momentos-chave. (0:20) Primeiro, quem era este Levi antes de tudo? (0:24) Depois, vamos ver o momento exato em que a vida dele mudou para sempre.

(0:27) A seguir, como é que ele usou o seu passado para uma missão completamente nova. (0:32) E por fim, claro, o legado que ele deixou. (0:34) Então, vamos lá começar pelo início.

(0:37) Quem era este homem antes de o mundo o conhecer como Mateus, o apóstolo? (0:41) Aqui a resposta está na sua antiga vida. (0:43) E acreditem, é aqui que está a chave para percebermos a verdadeira dimensão desta transformação. (0:48) O ponto central aqui é a profissão dele.

(0:51) Ele era um publicano. (0:53) E atenção, isto não era só um trabalho, era uma identidade. (0:56) Para os outros judeus, os publicanos eram colaboradores do opcessor, o Império Romano.

(1:02) Eram vistos como traidores e pecadores públicos. (1:05) E, claro, muitas vezes acusados de serem corruptos e de exturquirem dinheiro. (1:09) Pois bem, antes de ser Mateus, o nome dele era Levi, e trabalhava na sua coletoria de (1:14) impostos, em plena cidade de Cafarnaum, que na altura era um centro de comércio super (1:19) importante na Galileia.

(1:21) E é aqui que a história se torna fascinante, porque temos aqui uma contradição enorme. (1:24) Por um lado, a sociedade olhava para ele e via um páreo, um marginalizado. (1:28) Mas, por outro, e aqui está a ironia, o seu trabalho exigia competências que pouca (1:32) gente tinha.

(1:33) Ele era culto, sabia ler e escrever e era super organizado. (1:37) Essas mesmas competências, que eram usadas para um trabalho tão odiado, iam ser absolutamente (1:42) cruciais para o seu futuro. (1:44) E agora chegamos ao ponto de viragem, o momento decisivo, uma decisão tomada num instante (1:49) que mudou absolutamente tudo na vida de Levi.

(1:52) Imaginem só a cena. (1:53) Levi está no seu posto, a trabalhar, rodeado de dinheiro, de registos, e de repente Jesus (1:59) passa por ele e diz apenas duas palavras. (2:02) Segue-me.

(2:03) Não foi bem um convite, foi quase uma ordem, não é? (2:06) Simples, direta, mas com um peso, uau, um peso que ia mudar o rumo da história. (2:12) E a resposta dele é o que torna esta história tão poderosa, é que ele não hesitou, não (2:16) fez uma única pergunta. (2:17) Simplesmente levantou-se, deixou tudo para trás, o dinheiro, a segurança, o poder que (2:22) conhecia e seguiu-o.

(2:23) Uma entrega total, imediata. (2:26) E qual foi a primeira coisa que ele fez para celebrar? (2:28) Deu uma festa. (2:29) Mas atenção, não foi uma festa qualquer, foi, de certa forma, um ato de desafio.

(2:35) Ele juntou a sua vida antiga com a nova, convidando Jesus para jantar com os seus colegas, outros (2:40) cobradores de impostos e todos aqueles que a elite religiosa chamava de pecadores. (2:44) Imaginem só o escândalo que isto não foi para a sociedade da época. (2:48) E quando o criticaram por andar com aquela gente, a resposta de Jesus tornou-se uma das (2:53) frases que melhor definem a sua missão.

(2:55) Ele não estava ali para os que já se achavam perfeitos, mas sim para aqueles que a sociedade (2:59) tinha posto de lado. (3:01) E é aqui que a história fica ainda mais interessante, porque vemos que nada se perdeu. (3:05) Aquelas competências, a organização, a escrita, que antes serviam ao Império Romano, (3:10) bem, foram completamente redirecionadas.

(3:13) O homem que antes registava dívidas passou a registar a história que iria mudar o mundo. (3:18) Ora, Mateus, como escritor, tinha um propósito muito, muito claro. (3:22) Ele estava a escrever para um público específico, os judeus que se tinham convertido.

(3:26) E o objetivo? (3:27) Era só um, provar-lhes que Jesus era, sem sombra de dúvida, o Messias que eles esperavam (3:32) há tanto tempo. (3:34) Para fazer isto, ele usa uma estratégia de escrita brilhante. (3:37) Primeiro, ele faz uma coisa incrível, vai buscar as profecias antigas e vai ligando os (3:42) pontos, um a um, à vida de Jesus, quase como um tetive.

(3:46) Depois, apresenta Jesus como um novo Moisés, o que para o seu público fazia todo o sentido. (3:52) E finalmente, uma coisa muito subtil, ele usa a expressão Reino dos Céus, uma linguagem (3:57) que ressoaria profundamente com qualquer judeu da altura. (4:01) E tudo isto leva-nos a uma pergunta curiosa que muita gente faz quando vê arte sacra.

(4:06) Porquê que o símbolo de Mateus é quase sempre um homem, às vezes com asas, como um anjo? (4:12) A resposta, curiosamente, está mesmo no início do seu Evangelho. (4:16) É que ele começa logo com a genealogia humana de Jesus, ligando as suas raízes a toda a (4:21) história do povo judeu. (4:23) Este foco na humanidade de Cristo é daí que vem o seu símbolo.

(4:27) Ok, vamos então para o capítulo final da sua vida e perceber como é que o seu legado (4:32) perdura até hoje. (4:33) A tradição conta que a missão dele não ficou pela Judeia. (4:36) Aquele chamado, Segm, levou-o a viajar pelo mundo conhecido, a pregarem sítios tão longínquos (4:42) como a Etiópia e a Pérsia.

(4:44) E a sua jornada terminou da forma mais radical, dando-o a própria vida pela fé que tinha (4:48) virado o seu mundo do avesso. (4:50) E olhem, esta tabela resume na perfeição esta transformação incrível. (4:55) De Levi ao cobrador de impostos, a Mateus, o evangelista.

(4:58) Uma jornada de transformação total que a Igreja, aliás, celebra todos os anos a 21 de Setembro. (5:04) E terminamos com esta reflexão. (5:07) A história de Mateus mostra-nos que uma única decisão, um sim, dito num só instante, pode (5:12) não só redefinir uma vida inteira, mas ter ecos por toda a história.

(5:17) Isto faz-nos pensar, não é? (5:18) Qual é, afinal, o verdadeiro poder de um único momento de mudança?

Podcast

A Incrível Transformação de Levi Mateus Apóstolo

24/11/2025, 22:28

(0:00) Olá e bem-vindos. (0:01) Hoje vamos mergulhar numa das transformações mais improváveis e radicais que se possa imaginar. (0:09) Sem dúvida.

(0:10) Pensemos nisso. (0:11) Um homem cuja profissão o torna, bem, um traidor aos olhos do seu próprio povo. (0:17) Um pária.

(0:18) Exatamente. (0:20) E de repente ele torna-se a voz que vai definir a história desse mesmo povo para as gerações (0:26) futuras. (0:27) É uma reviravolta incrível.

(0:28) E há uma reviravolta que está mesmo no coração do Novo Testamento. (0:32) Estamos a falar, claro, de São Mateus. (0:35) Claro.

(0:35) Para percebemos o impacto do Evangelho dele, que é a porta de entrada para toda a narrativa (0:40) cristã, temos mesmo de perceber o homem. (0:43) Quem era ele? (0:44) O que que levou a uma mudança tão drástica? (0:48) Exatamente. (0:49) E essa é a nossa missão hoje.

(0:51) Vamos analisar essa jornada em três grandes momentos. (0:54) Primeiro, quem era Levi, o cobrador de impostos? (0:57) Certo. (0:57) O que que isso significava na prática, em Cafarnaum, no século I? (1:01) Depois, o momento da viragem, o encontro com Jesus.

(1:05) E por fim, o legado. (1:07) Como é que este homem se tornou o arquiteto de um texto tão influente? (1:12) Pois. (1:13) E as fontes que temos, tanto o texto dele como os outros Evangelhos, permitem-nos traçar (1:17) este perfil.

(1:18) E vamos analisar não só os factos, mas a psicologia por trás deles. (1:22) A tensão de ser culto, mas desprezado? (1:25) Exatamente. (1:26) Essa tensão.

(1:26) E a audácia da sua resposta a Jesus. (1:29) E depois, a genialidade com que ele usou as suas competências antigas para uma missão (1:34) completamente nova. (1:35) Certo.

(1:36) Então vamos ao ponto de partida. (1:38) Antes de ser o apóstolo Mateus, ele era Levi, filho de Alfeu. (1:41) E a sua profissão? (1:43) Publicano.

(1:44) Cobrador de impostos. (1:45) Hoje, se calhar, um funcionário das finanças não nos causa grande emoção. (1:49) Mas naquela altura, este rótulo era carregado de ódio.

(1:53) Por que que esta profissão era tão explosiva? (1:55) Era explosiva porque tocava em todos os pontos sensíveis da sociedade judaica sobre a ocupação (2:02) romana. (2:03) Política, religião, identidade. (2:05) Tudo ao mesmo tempo? (2:06) Tudo.

(2:07) Os publicanos não eram apenas funcionários. (2:09) Eram agentes locais a trabalhar para a potência opressora, para Roma. (2:13) Eles recolhiam os impostos que financiavam o exército que os subjugavam.

(2:17) Portanto, eram vistos como colaboradores. (2:19) Traidores. (2:19) No nível mais básico, sim.

(2:21) Traidores da sua própria nação. (2:22) E a isso juntava-se a corrupção, certo? (2:24) A imagem que temos é que não se limitavam a cobrar o imposto devido. (2:28) Havia uma margem para a extorsão.

(2:30) E era sistémica. (2:31) O sistema romano quase que incentivava isso. (2:34) Um publicano como Levi comprava o direito de cobrar impostos numa área.

(2:37) Ah, então ele pagava à Roma primeiro. (2:40) Ivato! (2:40) E tudo o que ele conseguisse cobrar acima desse valor era o seu lucro. (2:45) Isto criava um conflito de interesses gigante.

(2:48) Para o povo, ele não era só um traidor. (2:51) Era um ladrão legalizado. (2:53) O que me impressiona aqui é a dualidade desta figura.

(2:56) Por um lado, é um par e é completo. (2:59) Os fariseus consideravam-nos impuros. (3:01) Sim, não se sentavam à mesa com eles.

(3:03) De todo. (3:04) Mas, por outro lado, para fazer este trabalho, Levi não podia ser um ignorante. (3:09) É um ponto fundamental para o entendermos.

(3:11) Levi era necessariamente um homem com um alto nível de literacia. (3:16) Tinha de dominar o aramaico, a língua local, e quase de certeza o grego, a língua da administração. (3:22) Tinha de ser organizado, metódico.

(3:24) Exatamente. (3:25) Talvez até implacável. (3:27) Portanto, temos aqui um homem que tem as ferramentas da elite, mas que é completamente excluídos (3:32) a vida social e religiosa do seu povo.

(3:34) É uma posição de grande poder e, ao mesmo tempo, de uma profunda solidão. (3:38) Uma espécie de exílio dentro da sua própria casa. (3:42) Tem dinheiro, competências, mas não tem comunidade.

(3:46) É fácil imaginar um vazio a crescer numa pessoa assim. (3:49) Pois. (3:50) E é neste cenário que acontece o momento seguinte.

(3:53) Um dos mais dramáticos de toda a narrativa. (3:57) Jesus passa pela alfândega, o seu posto de cobrança, vê Levi sentado e diz apenas duas (4:01) palavras. (4:03) Segue-me.

(4:03) E a reação é o que desafia a lógica. (4:06) Levi levanta-se, deixa tudo e segue-o. (4:10) Fim da cena.

(4:12) Parece uma decisão incrivelmente impulsiva. (4:16) Parece, sim. (4:16) Há alguma interpretação que surgira que Mateus já conhecia Jesus? (4:20) Ou que estava num ponto de rotura que tornasse isto menos abrupto? (4:24) Essa é a grande questão.

(4:25) As narrativas são muito económicas nos detalhes, o que nos força a interpretar. (4:30) Uma leitura puramente miraculosa, diria que foi o poder divino do chamamento. (4:34) Certo.

(4:35) Outra, mais psicológica. (4:36) Diria que o que falámos antes, o vazio, a insatisfação, o peso de ser um páreo rico, (4:41) o preparou para este momento. (4:43) Ele já estava à espera de algo.

(4:45) Talvez. (4:46) Talvez já tivesse ouvido falar deste rabi, o convite de Jesus não era para mais riqueza (4:50) ou poder, mas para algo que ele não tinha. (4:53) Pertença, propósito, redenção.

(4:56) A resposta imediata pode ter sido o resultado de um longo processo de descontentamento silencioso. (5:01) Faz todo o sentido. (5:03) A semente já lá estava.

(5:05) E o que acontece a seguir é quase tão revelador. (5:08) Mateus não se esconde. (5:09) Pelo contrário, dá um grande banquete.

(5:12) E não é um banquete qualquer. (5:13) Ele não está a tentar integrar-se num novo grupo, deixando o antigo para trás. (5:17) Ele faz o oposto.

(5:18) Ele leva Jesus para o mundo dele. (5:20) Exatamente. (5:21) Os convidados são os amigos e colegas dele, outros cobradores de impostos e pecadores, (5:26) a escória da sociedade, segunda elite religiosa.

(5:29) Espera um pouco. (5:30) Então, o primeiro ato dele é basicamente forçar um encontro entre o seu novo mestre (5:36) e o seu antigo círculo de páreas. (5:39) Isso é de uma audácia tremenda.

(5:40) É um ato socialmente explosivo. (5:43) Imagine a cena. (5:45) Os fariseus, ao olhar de fora, a ver este mestre assentar-se, a comer e beber com traidores.

(5:51) Comer juntos era um ato de aceitação profunda naquela cultura. (5:55) Era. (5:55) Para eles era um escândalo absoluto, a prova de que Jesus não podia ser um homem de Deus.

(6:00) E a crítica deles é imediata. (6:02) Por que o vosso mestre come com essa gente? (6:04) E é aqui que temos uma daquelas frases que ecoam através dos séculos e que o próprio (6:09) Mateus faz questão de registrar no seu evangelho. (6:12) Sim.

(6:13) Jesus responde, não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. (6:19) Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores. (6:22) É uma frase que já ouvimos mil vezes, mas no contexto daquele banquete, na casa daquele (6:28) homem, ganha uma força quase física.

(6:32) Jesus usa o banquete de Mateus como uma parábola viva. (6:36) Ele está a demonstrar a sua mensagem. (6:38) Exatamente.

(6:39) Ele não está apenas a dizer, está a fazer. (6:42) O chamamento de Mateus não é a exceção à regra, é a própria regra. (6:47) E o facto de Mateus registrar isto no seu próprio evangelho é fascinante.

(6:51) É como se ele dissesse, esta é a minha história, eu sou o doente que o médico vai curar. (6:57) E é por isso que a minha perspetiva é importante. (7:00) Sim.

(7:01) Essa frase de Jesus no banquete, registrada pelo próprio Mateus, é quase a tese do seu (7:06) evangelho. (7:07) A história de vida dele torna-se o ponto de partida para a grande história que ele precisava (7:12) de contar. (7:12) É precisamente isso.

(7:14) E aqui entramos no legado monumental dele. (7:17) O que me impressiona no evangelho de Mateus é que parece quase um documento legal. (7:22) Ele está a construir um caso, ponto por ponto, como provas do Antigo Testamento.

(7:26) É uma abordagem muito metódica. (7:29) Quase como a de alguém habituado a lidar com registros e contas. (7:32) É uma ótima observação.

(7:34) Ele está a usar as suas competências de organização, não para a burocracia romana, (7:39) mas para a teologia. (7:40) Então qual era o caso que ele estava a tentar provar? (7:44) E para quem? (7:45) O público-alvo principal eram os judeus que acreditavam em Jesus. (7:49) A grande questão para essa comunidade era, como é que este Jesus de Nazaré se encaixa (7:53) em tudo o que aprendemos? (7:55) Ele é um Messias prometido ou não? (7:57) E o objetivo de Mateus é responder a essa pergunta com um sim retumbante.

(8:01) E prová-lo de forma irrefutável. (8:03) Usando as próprias escrituras hebraicas como a sua principal testemunha. (8:07) E a sua técnica mais visível é essa repetição quase rítmica da fórmula.

(8:12) Tudo isto aconteceu para se cumprir o que o Senhor falou pelo profeta. (8:16) É uma estratégia retórica poderosíssima para o público dele. (8:19) Ele está a dizer, vejam, nada disto é acidental.

(8:23) Cada passo da vida de Jesus foi pré-anunciado. (8:26) Mas é mais do que isso, não é? (8:27) E sim. (8:28) Ao fazer estas ligações, Mateus está, na verdade, a fazer uma jogada de marketing genial.

(8:32) Ele está a usar a linguagem da velha marca, o judaísmo, para validar um produto novo. (8:38) Ele não está a romper com o passado, está a afirmar que a sua história é a conclusão (8:42) lógica desse passado. (8:44) De ele não se fica pelas citações diretas.

(8:46) As fontes falam da ideia de Jesus como o novo Moisés. (8:50) Como é que ele constrói essa imagem? (8:51) Ele fala-o através de paralismos estruturais que um leitor judeu reconheceria logo. (8:56) Moisés, a figura central, subiu ao monte Sinai para receber a lei.

(9:00) Mateus mostra Jesus a subir a um monte para dar a nova lei, o sermão da montanha. (9:06) Exatamente. (9:07) Que não anula a antiga, mas a aprofunda.

(9:11) Moisés libertou o povo do Egito. (9:13) Mateus relata a fuga para o Egito e o regresso, apresentando Jesus como alguém que recapitula (9:19) e supera a história de Israel. (9:21) E aos cinco discursos de Jesus.

(9:23) Que muitos estudiosos veem como um eco deliberado dos cinco livros de Moisés, a Torá. (9:29) É uma obra de arquitetura literária, sem dúvida. (9:32) E há pequenos detalhes que reforçam esta ideia? (9:35) O exemplo do Reino dos Céus é perfeito? (9:37) Sim, é um detalhe subtil, mas muito revelador.

(9:41) Enquanto os outros evangelistas falam do Reino de Deus, Mateus usa consistentemente Reino (9:46) dos Céus. (9:47) Que era uma forma de evitar pronunciar o nome sagrado de Deus. (9:51) Exato.

(9:52) Era um circunlóquio comum no judaísmo. (9:54) Ao fazer isto, Mateus está a sinalizar ao seu público, eu sou um de vós, eu entendo (10:00) e respeito as nossas tradições. (10:02) É um piscar de ouro cultural que cria confiança.

(10:06) E essa identidade cultural também explica o símbolo que a tradição artística lhe (10:10) deu o homem ou, por vezes, o anjo. (10:13) Qual é a lógica? (10:14) A lógica está na primeira página do Evangelho dele. (10:17) Ele começa com a genealogia de Jesus, filho de Dravid, filho de Abrão.

(10:22) Para um público não judeu, isto podia ser aborrecido. (10:25) Uma lista de nomes. (10:26) Mas para o público dele era a prova documental.

(10:29) Era o passo número um, absolutamente essencial para legitimar a sua pretensão messiânica. (10:35) O símbolo do homem destaca este foco na sua ancestralidade humana e na sua inserção (10:40) na história de Israel. (10:41) A história, claro, não acaba com a escrita do Evangelho.

(10:45) A tradição diz-nos que a sua missão continuou. (10:47) Para onde é que ele levou esta mensagem? (10:49) As tradições mais antigas dizem que, depois de pregar na Judeia, Mateus viajou bastante. (10:55) Os relatos variam, mas mencionam-se frequentemente a Etiópia, a Pérsia, Terras Aleste.

(11:01) O homem que antes estava confinado a uma pequena banca de impostos tornou-se um mensageiro (11:05) global. (11:06) E a sua vida terminou como a sua nova vida começou, com um ato de entrega total. (11:12) A tradição é unânime em dizer que ele morreu como mártir.

(11:15) Sim, o consenso é que ele selou o seu testemunho com a vida. (11:18) Os pormenores variam, uns dizem que foi morto a espada, outros com uma lança, enquanto (11:23) celebrava a missa, mas a essência é a mesma. (11:26) O homem que um dia deixou tudo para trás, com base em duas palavras.

(11:30) Acabou por dar tudo, incluindo a própria vida, por essa mesma causa. (11:34) A transformação dele foi absoluta, da primeira à última consequência. (11:38) É uma jornada impressionante.

(11:40) Badei o pariaculto, a Mateus o apóstolo, o evangelista meticuloso e finalmente o mártir. (11:48) A vida dele é, se calhar, o melhor comentário ao seu próprio evangelho. (11:52) Sem dúvida.

(11:54) A existência dele personifica a mensagem central de que a redenção não é para os (11:59) que já se julgam perfeitos, mas para os que reconhecem a sua necessidade de mudança. (12:04) E ilusou aquela mente lógica e organizada. (12:08) Antes, ao serviço de um império opressor, para estruturar o argumento mais importante (12:13) da sua vida, provar ao seu próprio povo que o Messias que eles esperavam tinha chegado (12:19) e que tinha vindo precisamente para pessoas como ele.

(12:22) Ele não só construiu uma ponte entre o Antigo e o Novo Testamento, a sua própria vida foi (12:26) essa ponte. (12:27) O que nos deixa com uma reflexão final. (12:30) A história de Mateus levanta uma questão fascinante sobre a natureza da mudança.

(12:34) A sua resposta imediata a Jesus foi um ato de fé pura, repentina ou foi o culminar de (12:40) uma profunda e silenciosa insatisfação com a vida que levava? (12:45) Por outras palavras, o que é mais poderoso, a força do convite que ele recebeu ou o peso (12:50) do vazio que ele deixou para trás na sua banca de impostos? (12:54) A resposta talvez nos diga muito sobre as nossas próprias transformações.

 

 

11 27 quinta Lc 21, 20-28 «Jerusalém será calcada pelos pagãos,até que aos pagãos chegue a sua hora.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Quando virdes Jerusalém cercada por exércitos, sabei que está próxima a sua devastação. Então, os que estiverem na Judeia fujam para os montes, os que estiverem dentro da cidade saiam para fora e os que estiverem nos campos não entrem na cidade. Porque serão dias de castigo, nos quais deverá cumprir-se tudo o que está escrito. Ai daquelas que estiverem para ser mães e das que andarem a amamentar nesses dias, porque haverá grande angústia na terra e indignação contra este povo. Cairão ao fio da espada, irão cativos para todas as nações, e Jerusalém será calcada pelos pagãos, até que aos pagãos chegue a sua hora. Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas e, na terra, angústia entre as nações, aterradas com o rugido e a agitação do mar. Os homens morrerão de pavor, na expectativa do que vai suceder ao universo, pois as forças celestes serão abaladas. Então hão de ver o Filho do homem vir numa nuvem, com grande poder e glória. Quando estas coisas começarem a acontecer, erguei-vos e levantai a cabeça, porque a vossa libertação está próxima».

Palavra da salvação..

REFLEXÃO

Esta passagem profética de Jesus é a culminação do discurso escatológico de Lucas, onde a destruição de Jerusalém (dimensão histórica) se entrelaça com os sinais do fim dos tempos (dimensão cósmica e escatológica). A primeira parte, sobre a cidade “cercada por exércitos,” e a recomendação de fugir para os montes, refere-se claramente à queda de Jerusalém em 70 d.C. O evento não é apenas uma calamidade, mas um “dia de castigo” em que tudo o que está escrito (nas profecias) deve cumprir-se. A cidade santa será “calcada pelos pagãos,” sublinhando que até a história de um povo eleito está sujeita ao desígnio soberano de Deus..

O versículo crucial é o limite imposto a este domínio: “até que aos pagãos chegue a sua hora.” Esta frase oferece um horizonte de esperança e propósito, sugerindo que o tempo da desolação tem um prazo e um objetivo, talvez a plena entrada dos gentios na Igreja. A desolação não é eterna, mas uma fase controlada pela providência divina..

A profecia de Jesus expande-se depois para o domínio cósmico: “sinais no sol, na lua e nas estrelas,” e a “agitação do mar” que causam pavor nos homens. Estas imagens não visam apenas aterrorizar, mas servem de prelúdio dramático para a revelação maior: a vinda do “Filho do homem vir numa nuvem, com grande poder e glória.” O caos do universo é o ruído de fundo que antecede a epifania do Senhor vitorioso...

O mandamento final é o antídoto para o pavor: “Quando estas coisas começarem a acontecer, erguei-vos e levantai a cabeça, porque a vossa libertação está próxima.” A reação do discípulo não é o medo ou a fuga desesperada, mas sim a expectativa confiante. A opressão e os sinais cósmicos não são a chegada do juízo, mas sim a prova de que a salvação está próxima. O cristão é chamado a viver a história com a cabeça erguida, pois sabe que as provações são os sinais de parto do mundo novo e que o Senhor da História está prestes a manifestar a Sua glória. A libertação final não será dada pela força humana, mas pela intervenção gloriosa de Deus..

 

Oração da Esperança Vigilante.

Senhor Jesus Cristo,.

no meio dos sinais no céu e na terra,

na angústia das nações e no rugido do mar,

Tu nos ordenas: “Levantai a cabeça!”

 

Dá-nos a graça de não morrermos de pavor,

mas de vivermos na Tua Palavra,

reconhecendo que as provações não são o nosso fim,

mas o sinal da Tua vinda..

Fortalece a nossa fé para que,

mesmo quando a nossa cidade for cercada,

possamos fugir para o monte inabalável da Tua Presença.

 

Que a nossa libertação, prometida e próxima,

seja a luz que orienta o nosso olhar e a força que sustenta a nossa perseverança.

Vem, Senhor Jesus, com grande poder e glória!

 

Ámen.—–Sugestão de Imagem

 

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11 26 Quarta Lc 21, 12-19 « Todos vos odiarão por causa do meu nome; mas nenhum cabelo da vossa cabeça se perderá»

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Deitar-vos-ão as mãos e hão de perseguir-vos, entregando-vos às sinagogas e às prisões, conduzindo-vos à presença de reis e governadores, por causa do meu nome. Assim tereis ocasião de dar testemunho. Tende presente em vossos corações que não deveis preparar a vossa defesa. Eu vos darei língua e sabedoria a que nenhum dos vossos adversários poderá resistir ou contradizer. Sereis entregues até pelos vossos pais, irmãos, parentes e amigos. Causarão a morte a alguns de vós e todos vos odiarão por causa do meu nome; mas nenhum cabelo da vossa cabeça se perderá. Pela vossa perseverança salvareis as vossas almas».

Palavra da salvação..

REFLEXÃO 

O Evangelho de Lucas 21, 12-19 move-se do anúncio das calamidades cósmicas e históricas para o cenário mais íntimo e pessoal da perseguição. Jesus não está apenas a prever um futuro distante; Ele está a descrever a realidade da vida de um discípulo que escolhe o Seu Nome. A perseguição não é um acidente na fé, mas uma consequência direta e um sinal de pertença a Cristo. Serão “entregues às sinagogas e às prisões,” conduzidos “à presença de reis e governadores.” A fé será levada ao mais alto tribunal da sociedade humana..

Contudo, Jesus transforma este palco de sofrimento numa “ocasião de dar testemunho.” A tribulação não é um fim, mas um meio. É no coração da provação que o discípulo tem a oportunidade de mostrar ao mundo o poder de uma fé inabalável. O paradoxo é profundo: o momento em que o discípulo se sente mais fraco é aquele em que a graça de Deus se manifesta com maior força…

O Senhor oferece uma promessa tripla de assistência divina que anula o medo:

  1. Não deveis preparar a vossa defesa: A preocupação humana com a retórica e a argumentação é posta de lado.
  2. Eu vos darei língua e sabedoria: É o Espírito Santo, o Paráclito, que falará por eles. A sabedoria não será humana, mas divina, capaz de resistir e contradizer qualquer adversário.
  3. Mas nenhum cabelo da vossa cabeça se perderá: Esta é a grande garantia da Providência. A perseguição pode levar à perda da vida temporal (“Causarão a morte a alguns de vós”), mas nunca à perda da alma. A integridade física é frágil, mas a alma está sob o selo protetor de Deus.

A prova de fogo, no entanto, é o sofrimento mais íntimo: a traição dos entes queridos—pais, irmãos, parentes e amigos. A fé em Cristo pode abrir uma fenda no círculo mais sagrado da vida humana, exigindo do discípulo uma escolha radical. O ódio “por causa do meu nome” torna-se a marca da identidade cristã…

A passagem conclui com a chave para a vitória: “Pela vossa perseverança salvareis as vossas almas.” A salvação não é automática, mas é o fruto de uma resistência firme, constante e paciente no meio da tribulação. A perseverança (a palavra grega hypomonē significa “permanecer firme sob”) é a virtude que transforma o sofrimento em mérito e o martírio (o testemunho extremo) em glória pascal. Em suma, o discípulo não é chamado a ser invulnerável, mas a ser perseverante, confiando plenamente que a sua segurança não está nas circunstâncias do mundo, mas na fidelidade incondicional do Senhor.—–Oração

 

Oração pela Sabedoria e a Perseverança.

Senhor Jesus Cristo,

Tu que conheces a fragilidade da nossa carne e a força da perseguição,

nós Te pedimos a graça de não nos deixarmos levar pelo medo

quando o mundo nos afronta por causa do Teu Nome.

 

No momento da prova, quando a língua hesitar e o coração vacilar,

dá-nos a língua e a sabedoria que prometeste.

Que as nossas palavras não sejam as nossas, mas o eco límpido e corajoso do Teu Espírito,

dando um testemunho que nenhuma adversidade ou contradição consiga silenciar.

 

Em meio à traição ou à solidão, quando os laços mais sagrados se rompem pela fé,

recorda-nos que Tu és o nosso refúgio e o garante da nossa alma.

 

Ensina-nos a perseverar, Mestre.

Que a nossa hypomonē — a nossa firmeza sob a provação — seja a pedra angular da nossa salvação.

Não nos importamos com o que se perderá do nosso corpo e das nossas posses,

contanto que nenhum cabelo da nossa alma se perca do Teu amor.

 

Que em tudo demos testemunho da Tua vitória.

 

Ámen.—–Sugestão de Imagem

 

Sugestão de Prompt para Imagem:

11 25 Terca Lc 21, 5-11 «Não ficará pedra sobre pedra»


Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas.

Naquele tempo, comentavam alguns que o templo estava ornado com belas pedras e piedosas ofertas. Jesus disse-lhes: «Dias virão em que, de tudo o que estais a ver, não ficará pedra sobre pedra: tudo será destruído». Eles perguntaram-Lhe: «Mestre, quando sucederá isto? Que sinal haverá de que está para acontecer?». Jesus respondeu: «Tende cuidado; não vos deixeis enganar, pois muitos virão em meu nome e dirão: ‘Sou eu’; e ainda: ‘O tempo está próximo’. Não os sigais. Quando ouvirdes falar de guerras e revoltas, não vos alarmeis: é preciso que estas coisas aconteçam primeiro, mas não será logo o fim». Disse-lhes ainda: «Há-de erguer-se povo contra povo e reino contra reino. Haverá grandes terramotos e, em diversos lugares, fomes e epidemias. Haverá fenómenos espantosos e grandes sinais no céu».
Palavra da salvação.

REFLEXÃO 

O texto do Evangelho de São Lucas situa-nos num momento de admiração humana perante a grandeza do Templo de Jerusalém, um símbolo tangível de fé, identidade e estabilidade. É precisamente neste contexto de segurança e beleza que Jesus profere uma das suas palavras mais desestabilizadoras: “Não ficará pedra sobre pedra”. Esta declaração não é apenas uma previsão da destruição histórica do Templo (que ocorreria no ano 70 d.C.), mas uma profunda desconstrução de toda a tentação de alicerçar a fé em realidades temporais, por mais sagradas que pareçam..

A pergunta dos discípulos – “Quando sucederá isto? Que sinal haverá?” – revela uma curiosidade humana que ainda hoje nos é tão familiar: o desejo de controlar o futuro, de decifrar os sinais de Deus para nos sentirmos seguros. A resposta de Jesus, no entanto, é um antídoto contra toda a forma de alarmismo e falsa espiritualidade. Ele não fornece um calendário, mas sim um caminho de discernimento e serenidade interior…

Em primeiro lugar, adverte contra os enganadores, aqueles que, apropriando-se do Seu nome, prometem soluções fáceis e proclamam o fim iminente. Estas vozes exploram o medo e a insegurança, afastando os fiéis da essência da mensagem cristã. Em segundo lugar, Jesus desdramatiza os acontecimentos catastróficos. Guerras, revoltas, terramotos, fomes e epidemias são parte da condição humana caída. Ele afirma: “É preciso que estas coisas aconteçam primeiro, mas não será logo o fim”. Esta frase é crucial. Ela liberta-nos da ideia de que cada tragédia é um sinal inequívoco do apocalipse, convidando-nos, em vez disso, a uma leitura serena da história, sem pânico e sem sensacionalismo..

A mensagem central é um convite à vigilância ativa, que não é um estado de ansiosa espera pelo fim do mundo, mas uma postura de fé madura e confiante. A verdadeira segurança não reside em edifícios imponentes, nem na ausência de conflitos, mas na adesão inabalável a Cristo, a Rocha que permanece quando tudo o mais desmorona. Num mundo ainda hoje assolado por guerras, crises e falsos messias, este Evangelho ressoa com atualidade pungente: a nossa esperança não está na estabilidade das instituições humanas ou na previsão de catástrofes, mas naquele que é o Senhor da História, mesmo quando a história parece mergulhar no caos..

**Oração :**

Senhor Jesus, diante da instabilidade do mundo e das estruturas que desmoronam, guardai o nosso coração no Vosso amor. Que a Vossa Palavra seja a rocha da nossa vida, para que, livres de todo o medo e falsa segurança, Vos sirvamos com fé serena e esperança inquebrantável. Amém..

 

 

11 23  O Paradoxo do Rei na Cruz

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(0:00) Bem, chegámos àquela altura do ano litúrgico (0:03) em que se celebra uma figura, no mínimo, paradoxal. (0:06) Cristo Rei. (0:08) Vamos pensar nisto por um momento.

(0:10) Como é que um rei pode ser definido não por um trono de ouro, (0:13) mas por uma cruz de madeira? (0:15) É uma contradição, não é? (0:17) Vamos tentar mergulhar neste mistério. (0:19) Ora, este slide mostra bem o problema. (0:22) De um lado, temos tudo o que nós associamos a um rei do mundo, certo? (0:25) Um trono de ouro, poder que domina, exércitos.

(0:27) E do outro, bem, é o completo oposto. (0:30) Cristo Rei. (0:31) Um trono de madeira, fraqueza, sofrimento, (0:34) um amor que não se impõe, mas que se entrega.

(0:36) A grande questão é mesmo essa. (0:38) Como é que estas duas realidades tão diferentes (0:40) podem ser chamadas de realeza? (0:43) E a resposta, ou pelo menos a chave para a resposta, (0:45) está precisamente nisto. (0:46) A soberania de Cristo, para a fé cristã, (0:48) não se revela num palácio faustoso, (0:50) mas no sítio mais improvável e vulnerável de todos, a cruz.

(0:54) É um trono completamente inesperado, (0:57) onde o poder não é força, mas sim entrega total. (1:00) Ok, mas esta ideia de um rei, assim, tão diferente, (1:04) de onde é que ela vem? (1:05) Para isso, temos de recuar um pouco, (1:08) ir às raízes bíblicas (1:09) e olhar para uma figura absolutamente central, (1:12) o rei David. (1:13) É David que vai criar este modelo do rei pastor.

(1:16) Reparem, o papel dele não era o de um conquistador (1:19) que esmaga os inimigos. (1:20) Não. A sua missão era outra.

(1:23) Era ser como um pastor para o seu povo. (1:24) Era unir, guiar, cuidar. (1:27) A sua grande tarefa era, de facto, pastorear Israel.

(1:30) E esta ideia vai ser crucial para tudo o que vem a seguir. (1:34) E olhem para esta citação. (1:36) É fascinante.

(1:37) O povo diz a David, (1:39) nós somos dos teus ossos e da tua carne. (1:42) Isto é muito mais do que um juramento de lealdade, não acham? (1:45) É quase uma declaração de família. (1:47) É um laço de sangue, (1:49) um reconhecimento de que ele é um deles.

(1:52) E isto? (1:53) Isto já aponta para a forma como Cristo se vai ligar à humanidade, (1:56) tornando-se, de facto, um de nós. (1:58) Então, passamos de um rei pastor de um povo (2:01) para algo muito, muito maior. (2:04) A realeza de Cristo não fica confinada a um país ou a uma fronteira.

(2:08) Não. Ela ganha uma dimensão cósmica, universal. (2:11) Uma realeza que abrange, bem, tudo o que existe.

(2:15) A carta aos Colossenses é, uau, de uma escala impressionante a este respeito. (2:19) Cristo é apresentado como o centro de tudo, literalmente. (2:23) Ele é a imagem de Deus invisível, o primogénito de toda a criatura.

(2:27) É nele que tudo subsiste. (2:29) Isto significa que o seu reino não é só o que vemos, (2:32) mas também o que não vemos. (2:33) Ele é a cola que une todo o universo.

(2:36) E esta realeza cósmica tem um objetivo muito claro. (2:40) A redenção. (2:42) A ideia que, através de Cristo, as pessoas são, e cito, (2:46) libertas do poder das trevas (2:47) e transferidas para o reino do seu filho.

(2:51) É quase como mudar de país, (2:52) de um reino de escuridão para um reino de luz. (2:55) Uma libertação. (2:57) E é isto que nos leva, inevitavelmente, ao momento-chave, (3:00) ao clímax de toda esta história, a crucificação.

(3:03) É ali, no Calvário, que todas estas peças do puzzle, (3:06) o rei pastor, o rei criador, o salvador, se juntam. (3:10) É ali que o paradoxo explode em todo o seu significado. (3:13) A ironia da cena é cortante.

(3:16) Os líderes, os soldados, todos gozam com ele. (3:20) Dizem-lhe que salvou os outros, agora salve-se a si mesmo, (3:22) se é mesmo o Messias. (3:24) Estão a exigir que ele prove que é rei da única maneira que eles entendem, (3:27) com uma demonstração de poder, salvando-se a si próprio.

(3:30) Mas a questão é que é precisamente por ele não o fazer (3:33) que a sua realeza se manifesta. (3:35) Então, no meio de todo aquele caos, daquele gozo, daquela dor, (3:39) quando parece que ninguém está a perceber nada do que se passa, (3:41) há alguém que vê, (3:43) alguém que consegue ver para além das aparências. (3:46) Quem é que reconhece este rei no seu momento de maior fraqueza? (3:49) A resposta vem do sítio mais improvável de todos, (3:52) um dos ladrões que está a ser crucificado ao lado dele.

(3:55) Imaginem a cena. (3:56) Este homem, no meio da sua própria agonia, (3:59) olha para o lado e vê um rei. (4:02) É um acto de fé absolutamente extraordinário.

(4:04) Ele vê um rei a ser executado e mesmo assim pede. (4:07) Jesus, lembra-te de mim quando chegares ao teu reino. (4:11) E a resposta de Jesus é aqui que tudo faz sentido.

(4:14) O seu primeiro ato como rei, ali na cruz, (4:17) não é um decreto para se salvar a si mesmo. (4:19) É uma promessa para salvar outra pessoa. (4:22) Ele diz, hoje mesmo estarás comigo no paraíso.

(4:25) O seu poder real não é o poder de dominar, (4:28) mas o poder de perdoar e de abrir as portas do seu reino. (4:31) Muito bem, depois de vermos tudo isto, (4:33) a pergunta lógica é, e então, (4:35) o que é que isto significa para a vida todos os dias? (4:38) Como é que se vive num reino com um rei destes? (4:40) Ok, então podemos resumir tudo em três grandes ideias, (4:43) três faces deste rei. (4:45) Primeiro, o rei pastor, aquele que une e guia, como o David.

(4:49) Depois, o rei criador, (4:51) aquele que é o centro do universo e que sustenta tudo. (4:53) E por fim, o rei misericordioso, (4:55) aquele que no seu momento mais fraco abre as portas do paraíso. (4:59) Isto, por sua vez, (5:01) leva-nos a três formas muito práticas de viver neste reino.

(5:04) Se o rei serve, então os súbditos também devem servir, (5:07) em vez de dominar. (5:09) Se a realeza do rei brilha no sofrimento, (5:11) então é preciso ter fé, mesmo nesses momentos difíceis. (5:15) E se ele é um rei pastor, que une, (5:17) então a missão é promover a unidade, (5:19) lutar contra as divisões.

(5:21) E, para terminar, fica uma pergunta para pensarmos. (5:23) Se o maior poder de um rei não está num trono de ouro, (5:26) mas sim numa cruz de madeira, (5:28) de que maneira é que isso pode ou deve mudar a nossa própria ideia (5:32) do que é a força, o poder e a influência?