11 18 Terça Mt 14, 22-33 «Manda-me ir ter contigo sobre as águas»

EVANGELHO Mt 14, 22-33
«Manda-me ir ter contigo sobre as águas»

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Depois de ter saciado a fome à multidão,
Jesus obrigou os discípulos a subir para o barco
e a esperá-l’O na outra margem,
enquanto Ele despedia a multidão.
Logo que a despediu,
subiu a um monte, para orar a sós.
Ao cair da tarde, estava ali sozinho.
O barco ia já no meio do mar,
açoitado pelas ondas, pois o vento era contrário.
Na quarta vigília da noite,
Jesus foi ter com eles, caminhando sobre o mar.
Os discípulos, vendo-O a caminhar sobre o mar,
assustaram-se, pensando que fosse um fantasma.
E gritaram cheios de medo.
Mas logo Jesus lhes dirigiu a palavra, dizendo:
«Tende confiança. Sou Eu. Não temais».
Respondeu-Lhe Pedro: «Se és Tu, Senhor,
manda-me ir ter contigo sobre as águas».
«Vem!» – disse Jesus.
Então, Pedro desceu do barco e caminhou sobre as águas,
para ir ter com Jesus.
Mas, sentindo a violência do vento e começando a afundar-se,
gritou: «Salva-me, Senhor!»
Jesus estendeu-lhe logo a mão e segurou-o.
Depois disse-lhe:
«Homem de pouca fé, porque duvidaste?».
Logo que subiram para o barco, o vento amainou.
Então, os que estavam no barco prostraram-se diante de Jesus
e disseram-Lhe:
«Tu és verdadeiramente o Filho de Deus».

Palavra da salvação.

REFLEXÃO

Reflexão: Mt 14, 22-33 – «Manda-me ir ter contigo sobre as águas»

A celebração da Dedicação das Basílicas dos Santos Pedro e Paulo, neste dia 18 de novembro, convida-nos a refletir sobre a fundação e a unidade da Igreja, simbolizada na fraternidade destes dois grandes Apóstolos. É neste contexto de alicerces firmes que o Evangelho da Terça-feira (Mt 14, 22-33) se torna particularmente eloquente, focando-se na figura de Pedro e a sua jornada de fé e de dúvida.

O episódio da caminhada sobre as águas ilustra perfeitamente a condição do discípulo. Depois de Jesus ter despedido a multidão e Se ter retirado para orar, os discípulos encontram-se sozinhos no mar, açoitados por um vento contrário. Esta é a imagem da Igreja em qualquer época, enfrentando as dificuldades e as tempestades do mundo. É na “quarta vigília da noite” – momento de maior escuridão e cansaço – que Jesus Se manifesta, caminhando sobre as águas. A Sua presença, contudo, é inicialmente confundida com um fantasma, gerando medo. A primeira palavra de Jesus é sempre de conforto e autoridade: «Tende confiança. Sou Eu. Não temais».
A resposta de Pedro é um ato de fé audaciosa: «Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas». Esta frase não é apenas um teste, mas um desejo profundo de partilhar a mesma natureza, o mesmo poder de domínio sobre o caos que Jesus demonstra. O «Vem!» de Jesus é o convite à participação plena na Sua missão.

Pedro, o futuro alicerce da Igreja (como a Basílica edificada sobre o seu sepulcro), desce do barco, demonstrando que a fé verdadeira exige sair da segurança das estruturas. No entanto, a sua fé é rapidamente confrontada pela realidade sensível: «sentindo a violência do vento». É aqui que reside a fragilidade humana. O foco desvia-se de Jesus para o perigo, e Pedro começa a afundar-se. O seu grito desesperado – «Salva-me, Senhor!» – é a oração mais sincera do cristão em apuros.
A ação de Jesus é imediata: estendeu-lhe logo a mão e segurou-o. O questionamento que se segue não é de condenação, mas de pedagogia: «Homem de pouca fé, porque duvidaste?». Esta dúvida é o oposto da fé firme que deve caracterizar a Cátedra de Pedro. Contudo, é precisamente na sua fraqueza e no reconhecimento da necessidade de ser salvo que Pedro se torna um modelo.
O milagre não é apenas caminhar sobre as águas, mas sim a calma que se segue à subida de Jesus para o barco. O vento amaina, e a confissão final dos discípulos – «Tu és verdadeiramente o Filho de Deus» – torna-se a base de toda a fé e o reconhecimento da autoridade divina de Jesus.
Este Evangelho, na festa que celebra a solidez das basílicas de Pedro e Paulo, lembra-nos que a Igreja é sustentada pela presença constante de Cristo, mesmo quando os seus líderes e membros enfrentam momentos de fraqueza e medo. É na confiança absoluta em Jesus, e não na ausência de ventos contrários, que reside a nossa segurança.

Oração

Senhor Jesus Cristo,
Neste dia em que celebramos os alicerces da Vossa Igreja, a fé firme de Pedro e a zelosa missão de Paulo, reconhecemos-Vos como o único que caminha sobre as tempestades do mundo. Somos, muitas vezes, como Pedro, cheios de entusiasmo para Vos seguir, mas facilmente distraídos e assustados pelos ventos contrários da vida. Ensinai-nos a manter o olhar fixo em Vós. Quando a dúvida nos afunda e o medo nos paralisa, estendei-nos a Vossa mão poderosa, segurai-nos e guiai-nos. Fortalecei a nossa fé para que, saindo do barco das nossas seguranças, possamos caminhar convosco em Vossa Palavra, testemunhando que sois verdadeiramente o Filho de Deus. Vós que viveis e reinais para sempre. Amén.

 

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