
O Evangelho de Lucas (18,35-43) apresenta a cura do cego de Jericó (Bartimeu) como um poderoso ensinamento sobre a fé, o encontro e o discipulado. O grito do cego à beira da estrada – “Filho de David, tem piedade de mim!” – é o ponto de partida. Ele não apenas deseja a cura física, mas também o reconhecimento e a integração.
Ao ouvir o clamor, Jesus para. Este simples ato de parar, no meio de uma multidão apressada, é um gesto profundo de atenção à dor e à marginalidade. A pergunta de Jesus: “Que queres que eu te faça?” não é retórica; é um convite à fé e à liberdade. A resposta, “Que eu veja, Senhor”, resume a busca humana por sentido, luz e salvação. A salvação de Bartimeu é imediata: “A tua fé te salvou.” Ele não só recupera a visão física, mas ganha a visão da fé, respondendo com um discipulado ativo ao “seguir Jesus, glorificando a Deus”.
Relação com Santa Isabel da Hungria: O Olhar Ativo da Caridade
A caridade ativa de Santa Isabel da Hungria (1207-1231) surge como um espelho e um complemento prático da fé salvífica do cego de Jericó. O milagre em Bartimeu é a manifestação da graça de Jesus. A vida de Isabel é a manifestação da resposta humana a essa graça.
O texto de Lucas destaca a fé que leva ao “ver” e ao discipulado. A vida de Santa Isabel é um paradigma de como essa fé é traduzida em serviço concreto e contínuo.
1. Reflexão: Imitando o Olhar Ativo de Jesus
Se Jesus “viu” a necessidade do cego à beira da estrada e “parou para atendê-lo”, a vida de Santa Isabel é um ato contínuo de “ver” e “atender” às necessidades do próximo. Ela imitou o gesto de Jesus ao se inclinar sobre os pobres e doentes, os marginalizados da sua época, renunciando à sua vida de princesa para servir ativamente. A sua caridade era um ato de “ver” que usava os olhos da fé, procurando ativamente os necessitados e reconhecendo neles o rosto de Cristo sofredor. O seu serviço é o reflexo do olhar de Jesus.
2. Complemento: A Caridade como Equivalente Funcional da Fé
Jesus afirmou que a fé de Bartimeu o salvou, levando-o a seguir o Mestre. Santa Isabel complementa este ensinamento ao demonstrar que a fé viva se traduz numa ação que se traduz em serviço concreto aos mais vulneráveis. A sua caridade incansável é o equivalente funcional da fé salvífica de Bartimeu.
O clamor persistente do cego foi a sua oração de fé. A resposta incessante de Santa Isabel às necessidades dos pobres foi, por sua vez, a sua oração de caridade em ação. Ambas as atitudes demonstram uma fé viva que não pode ser silenciada nem inativa. A sua dedicação é a prova visível de que o Reino de Deus se manifesta através do amor e da atenção aos marginalizados.
O “ver” de Jesus é o ato de graça que oferece a salvação através da fé. A caridade de Santa Isabel é o ato de resposta humana que perpetua esse “ver” no mundo, glorificando a Deus no próximo.
Oração
Ó Deus, fonte de toda luz e de todo amor,
Vós que Parastes na estrada para ouvir o clamor do cego Bartimeu e lhe devolvestes a visão, ensinai-nos a parar e a escutar.
Pela intercessão de Santa Isabel da Hungria, que traduziu a fé em pão e serviço, concedei-nos a graça de não termos apenas olhos para ver as nossas próprias necessidades, mas olhos de fé para reconhecer o Vosso rosto nos pobres e marginalizados.
Que a nossa fé seja ativa, transformando-se em atos de caridade que glorificam o Vosso Reino na terra.
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