11 14 Sexta-feira: Lc 17, 26-37 «Lembrai-vos da mulher de Lot»​

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo S. Lucas

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Assim como aconteceu nos dias de Noé, assim acontecerá também nos dias do Filho do homem.Comiam, bebiam, casavam-se e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca e veio o dilúvio, que fez perecer todos.E o mesmo aconteceu nos dias de Lot: comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e edificavam;mas no dia em que Lot saiu de Sodoma, choveu fogo e enxofre do céu, que fez perecer todos.Assim acontecerá no dia em que o Filho do homem Se manifestar.Quem estiver nesse dia no terraço e tiver os seus bens em casa, não desça para os levar; e quem estiver no campo não volte atrás.Lembrai-vos da mulher de Lot.

 

Quem procurar salvar a vida há de perdê-la; e quem a perder há de conservá-la.Eu vos digo: nessa noite, estarão dois numa cama; um será levado e o outro deixado.Duas mulheres estarão a moer juntas; uma será levada e a outra deixada».Os discípulos perguntaram-Lhe: «Onde será isso, Senhor?».

Jesus respondeu: «Onde estiver o corpo, aí se juntarão os abutres».

Reflexão 

O Evangelho de sexta-feira lança-nos um desafio de vigilância e desapego, utilizando os exemplos de Noé e Lot para ilustrar a repentina e decisiva manifestação do Filho do Homem. O cerne da mensagem não é o juízo em si, mas a prontidão e a atitude do coração no momento da vinda do Senhor. As pessoas nos dias de Noé e Lot estavam absorvidas nas atividades quotidianas (“comiam, bebiam, compravam, vendiam”), mas viviam sem atenção à realidade espiritual iminente. Jesus adverte-nos contra a mesma distração.

O mandamento central é “Lembrai-vos da mulher de Lot”. Ela hesitou, olhou para trás, apegada ao que perdia em Sodoma, e transformou-se numa coluna de sal. O seu olhar para trás simboliza o perigo do apego ao que é passageiro, a incapacidade de se despojar das seguranças e confortos terrenos em face do chamado de Deus. A salvação exige um olhar fixo em frente, um desprendimento radical dos bens e das preocupações que nos prendem ao “velho” modo de vida.

Esta exortação ganha ainda mais força com a afirmação: “Quem procurar salvar a vida há de perdê-la; e quem a perder há de conservá-la”. É uma paradoxo fundamental do Evangelho. O verdadeiro significado da vida (a “salvação” eterna) encontra-se na doação e no desapego. A necessidade de estar pronto é imediata e pessoal, como ilustram os exemplos das pessoas na cama e as mulheres a moer: a separação final será súbita e fará distinção entre aqueles que se tornaram livres em Cristo e aqueles que ficaram presos às cadeias terrenas. Ser levado ou deixado não é um acaso, mas o resultado da nossa fidelidade ou do nosso apego.

Oração

Senhor Jesus Cristo,
Tu nos advertes com a urgência da Tua vinda.
Perdoa-nos pelo nosso apego ao que é passageiro
e pela distração do nosso quotidiano.
Dá-nos a graça de nos lembrarmos da mulher de Lot,
para que nunca olhemos para trás com saudade
do que nos afasta de Ti.
Que a nossa vida seja um constante desprendimento,
para que, perdendo-a por Ti, possamos conservá-la para a eternidade.
Mantém o nosso olhar fixo no Reino que está para vir. Amén.

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