Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Naquele tempo, os fariseus perguntaram a Jesus quando viria o reino de Deus e Ele respondeu-lhes, dizendo: «O reino de Deus não vem de maneira visível, nem se dirá: ‘Está aqui ou ali’; porque o reino de Deus está no meio de vós». Depois disse aos seus discípulos: «Dias virão em que desejareis ver um dia do Filho do homem e não o vereis. Hão de dizer-vos: ‘Está ali’, ou ‘Está aqui’. Não queirais ir nem os sigais. Pois assim como o relâmpago, que faísca dum lado do horizonte e brilha até ao lado oposto, assim será o Filho do homem no seu dia. Mas primeiro tem de sofrer muito e ser rejeitado por esta geração».
Palavra da salvação.
REFLEXÃO
O Evangelho de hoje apresenta-nos uma mudança radical de perspectiva. Os fariseus procuram um reino de Deus visível, mensurável, um evento espetacular no tempo e no espaço. A sua pergunta “quando?” revela uma expectativa de um fenómeno externo, político e dramático. Jesus, porém, desloca completamente o foco: “O reino de Deus está no meio de vós”.
Esta afirmação é revolucionária. O reino não é um lugar para onde se viaja nem um evento que se espera no calendário. É uma realidade presente, uma presença activa. A palavra grega “entos hymon” pode significar “no meio de vós” ou “dentro de vós”. Ambas as interpretações são válidas e complementares. O reino está presente no meio da comunidade na pessoa do próprio Jesus. Onde Ele está, aí está o Reino. Simultaneamente, esse reino opera no interior do coração daqueles que O acolhem pela fé.
É precisamente a fé, e não um sinal visível, a chave para perceber e entrar neste reino. A ausência de sinais espectaculares é, em si mesma, um sinal: o da humildade de um Deus que não Se impõe com estrondo, mas que Se oferece numa presença discreta, exigindo a resposta livre da fé.
Contudo, Jesus não fica por aqui. Sabendo que os discípulos, face à futura provação da Paixão, ansiarão por uma manifestação triunfante e libertadora d’Ele, adverte-os. Surgirão falsos messias e vozes a apontar para “aqui” ou “ali”. A vinda definitiva do Filho do Homem, no fim dos tempos, será inconfundível como um relâmpago que rasga todo o céu. Mas antes desse dia de glória, é necessário o dia da humilhação. A cruz não é um acidente de percurso; é o caminho obrigatório. A rejeição e o sofrimento são a porta através da qual a glória do Reino, já presente mas ainda não plena, se manifestará ao mundo.
A mensagem é clara: não procuremos o Reino em fenómenos sensacionais ou em promessas fáceis. Ele está presente onde os corações acolhem Jesus na fé, mesmo—e sobretudo—quando o seu rosto é o do Servo Sofredor.
### **Oração**
Senhor Jesus, que nos revelais que o Vosso Reino não vem com aparência exterior, mas que já está no meio de nós, dai-nos a graça de uma fé pura e vigilante.