Author Archives: Luz Divina

10  28 EVANGELHO Lc 6, 12-19 «Escolheu doze, a quem chamou apóstolos»
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EVANGELHO Lc 6, 12-19

«Escolheu doze, a quem chamou apóstolos»

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Naqueles dias,
Jesus subiu ao monte para rezar
e passou a noite em oração a Deus.
Quando amanheceu, chamou os discípulos
e escolheu doze entre eles, a quem deu o nome de apóstolos:
Simão, a quem deu também o nome de Pedro,
e seu irmão André;
Tiago e João; Filipe e Bartolomeu, Mateus e Tomé;
Tiago, filho de Alfeu, e Simão, chamado o Zelota;
Judas, irmão de Tiago, e Judas Iscariotes,
que veio a ser o traidor.
Depois desceu com eles do monte
e deteve-Se num sítio plano,
com numerosos discípulos e uma grande multidão de pessoas
de toda a Judeia, de Jerusalém e do litoral de Tiro e de Sidónia.
Tinham vindo para ouvir Jesus
e serem curados das suas doenças.
Os que eram atormentados por espíritos impuros
também ficavam curados.
Toda a multidão procurava tocar Jesus,
porque saía d’Ele uma força que a todos sarava..

Palavra da salvação.

REFLEXÃO **. 

A eleição dos Doze Apóstolos, que celebramos na festa de São Simão e São Judas, revela o coração da Igreja nascente e ilumina a nossa identidade eclesial. Jesus, antes desta escolha fundamental, passa a noite em oração. Este detalhe é fundacional: a Igreja não nasce de um projeto humano, mas da vontade do Pai, discernida na oração perseverante do Filho. Cada apóstolo, incluindo Simão (o Zelota, provavelmente um nacionalista radical) e Judas Tadeu, foi chamado pessoalmente por Jesus, formando um colégio diverso – pescadores, um cobrador de impostos, um zelota – unificado não pelas suas afinidades naturais, mas pela missão comum.

São Simão e São Judas, cujos nomes aparecem entre os Doze, representam todos os santos “sem história” conhecida. A tradição atribui-lhes a evangelização em lugares difíceis e o martírio. A sua festa recorda-nos que a santidade não é para uma elite de protagonistas, mas para todos os baptizados que, no seu anonimato, são colunas vivas da Igreja. Eles eram homens comuns, com as suas fraquezas e histórias, mas a sua resposta ao chamamento de Cristo transformou-os em fundamentos do seu Corpo místico.

Este Evangelho fala diretamente a nós, que pertencemos a esta Igreja. Primeiro, lembra-nos que a nossa identidade mais profunda é uma vocação. Não somos meros membros de uma organização, mas chamados pessoalmente por Cristo, tal como os Doze, para uma missão específica no mundo. Em segundo lugar, a descida do monte para curar a multidão mostra que a Igreja não existe para si mesma. A sua estrutura hierárquica e apostólica tem um único objetivo: descer ao “sítio plano” da humanidade sofredora para levar a cura de Cristo. A “força que a todos sarava” que saía de Jesus é a mesma graça que flui através dos sacramentos e da caridade da Igreja hoje.

Nós somos a continuação dessa multidão que procura tocar em Jesus, mas também somos, pelo Baptismo, chamados a ser canais dessa força sanadora para os outros. A festa de hoje convida-nos a renovar a nossa resposta ao chamamento, confiando que, como Simão e Judas, a nossa fidelidade quotidiana, por mais obscura que seja, constrói o Reino.

**Oração**

Ó Deus, que pela vossa infinita misericórdia nos chamastes à vossa Igreja, tal como chamastes os apóstolos Simão e Judas, concedei-nos a graça de responder com a mesma generosidade e fidelidade. Fazei que, fortalecidos pela oração e unidos no mesmo Espírito, sejamos no mundo testemunhas do vosso amor e instrumentos da vossa cura. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina na unidade do Espírito Santo. Ámen.

10 27 Segunda  Lc 13, 10-17 «Esta filha de Abraão não devia libertar-se desse jugo no dia de sábado?»

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas.

Naquele tempo, estava Jesus a ensinar ao sábado numa sinagoga. Apareceu lá uma mulher com um espírito que a tornava enferma havia dezóito anos; andava curvada e não podia de modo algum endireitar-se. Ao vê-la, Jesus chamou-a e disse-lhe: «Mulher, estás livre da tua enfermidade»; e impôs-lhe as mãos. Ela endireitou-se logo e começou a dar glória a Deus. Mas o chefe da sinagoga, indignado por Jesus ter feito uma cura ao sábado, tomou a palavra e disse à multidão: «Há seis dias para trabalhar. Portanto, vinde curar-vos nesses dias e não no dia de sábado». O Senhor respondeu: «Hipócritas! Não solta cada um de vós do estábulo o seu boi ou o seu jumento ao sábado, para o levar a beber? E esta mulher, filha de Abraão, que Satanás prendeu há dezóito anos, não devia libertar-se desse jugo no dia de sábado?». Enquanto Jesus assim falava, todos os seus adversários ficaram envergonhados e a multidão alegrava-se com todas as maravilhas que Ele realizava..

Palavra da salvação…

REFLEXÃO ..

O episódio da cura da mulher curvada revela o coração da missão de Jesus: libertar o ser humano de tudo que o oprime. A cena é profundamente comovente – uma mulher que há 18 anos não conseguia olhar para o horizonte, simbolicamente incapaz de ver o céu, de encontrar dignidade na sua vida. Jesus não espera que ela peça ajuda. Ele vê a  chama-a e declara a livre antes mesmo de tocá-la….

A reação do chefe da sinagoga representa a religião desumanizada, onde as regras importam mais que as pessoas. Sua fala é dirigida à multidão, nem sequer olha para a mulher curada. Jesus, porém, responde com um argumento irrefutável: no sábado, soltam os animais para matar a sede. **”Quanto mais esta filha de Abraão!”** – eis o grito revolucionário. Jesus declara o valor incomparável desta mulher, restituindo-lhe a dignidade de filha da promessa…

**Aplicações Pastorais:**..

**A prioridade da pessoa:** Nossas comunidades devem ser lugares onde as pessoas vêm antes das estruturas. Quantos em nossas paróquias chegam “curvados” por sofrimentos, dúvidas ou culpas? Precisamos do olhar de Jesus que os vê primeiro… Nossas celebrações devem libertar, alegrar, restaurar a dignidade…

**A mulher na comunidade:** Jesus valoriza publicamente uma mulher numa sociedade patriarcal. Nossas comunidades devem reconhecer e promover o papel indispensável das mulheres…

**A verdadeira religião:** A religião do Deus de Jesus sempre se pergunta: “Esta norma ou tradição serve à vida e à dignidade dos filhos de Deus?”…

Esta passagem convida nos a examinar quais são os “jugos” que ainda mantemos – preconceitos, indiferenças, rigidez pastoral – que impedem as pessoas de se erguerem e glorificarem a Deus.

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10 26 DOMINGO .Lc 18, 9-14 “Quem se exalta será humilhado”

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas.

Naquele tempo, Jesus disse a seguinte parábola para alguns que se consideravam justos e desprezavam os outros: «Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro publicano. O fariseu, de pé, orava assim: ‘Meu Deus, dou-Vos graças por não ser como os outros homens, que são ladrões, injustos e adúlteros, nem como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e pago o dízimo de todos os meus rendimentos’. O publicano ficou a distância e nem sequer se atrevia a erguer os olhos ao Céu; mas batia no peito e dizia: ‘Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador’. Eu vos digo que este desceu justificado para sua casa e o outro não. Porque todo aquele que se exalta será humilhado e quem se humilha será exaltado».
Palavra da salvação.

Reflexão .

O Evangelho de hoje, através da parábola do fariseu e do publicano, é um espelho implacável que nos convida à introspeção e ao arrependimento. Jesus dirige esta narrativa àqueles que “se consideravam justos e desprezavam os outros,” uma atitude perigosa que corrompe a própria essência da fé.

O Fariseu representa a religiosidade exterior e a autossuficiência. Em sua oração, não louva verdadeiramente a Deus, mas a si mesmo. Seus louvores são uma lista de méritos e um comparativo orgulhoso (“dou-Vos graças por não ser como os outros”), transformando o templo – lugar de encontro com a misericórdia – em palco para a sua vaidade. Ele vê a lei como um meio de se elevar acima dos outros, perdendo de vista que a justiça de Deus é um dom, não um prémio por desempenho. O seu coração, cheio de justiça própria, não deixa espaço para a graça.

Em contraste, o Publicano (um cobrador de impostos, socialmente desprezado e considerado pecador) é a imagem da humildade radical. Ele não se aproxima, não ergue os olhos e bate no peito. A sua oração é a mais curta e a mais profunda do Evangelho: “Meu Deus, tende compaixão de mim, que sou pecador.” Não enumera méritos; reconhece a sua total dependência da misericórdia divina. É o vazio de si que se enche da graça de Deus.

A conclusão de Jesus é chocante para a mentalidade da época: “Eu vos digo que este desceu justificado para sua casa e o outro não.” A justificação não foi dada a quem cumpria a lei de forma exemplar, mas a quem reconheceu a sua falha. Esta parábola ensina que a porta de acesso ao coração de Deus é a humildade. A verdadeira oração e a verdadeira justiça nascem não do que fazemos para Deus, mas do reconhecimento do que Ele faz por nós. Quem se exalta (o fariseu) será humilhado pelo seu próprio orgulho; quem se humilha (o publicano) será exaltado pela misericórdia de Deus.

Oração..

“Meu Deus, fonte de toda a misericórdia e perdão, À semelhança do publicano, venho a Vós com o coração contrito e humilhado. Longe de Vós o orgulho que me faz julgar o meu próximo e exaltar os meus méritos. Reconheço que sou pecador e dependente da Vossa graça em cada momento da minha vida. Não pelos meus feitos, mas pela Vossa imensa compaixão, concedei-me o dom da humildade sincera, para que, esvaziando-me de mim mesmo, possa ser preenchido pela Vossa justificação e pelo Vosso amor. Amén.”

 

10 23 Quinta-feira da semana XXIX

Agenda litúrgica

2025-10-23

Quinta-feira da semana XXIX

S. João de Capistrano, presbítero – MF
Verde ou br. – Ofício da féria ou da memória.
Missa à escolha (cf. p. 19, n. 18).

L 1 Rm 6, 19-23;

Transição da Escravidão do Pecado para a Liberdade em Cristo

Em Romanos 6, 19-23, São Paulo nos lembra da transição da escravidão do pecado para a liberdade em Cristo. Antes, nossos membros serviam à impureza, resultando em morte. Agora, libertos, somos chamados a colocar nossos membros a serviço da justiça, que conduz à santificação e, finalmente, à vida eterna. É um convite a uma mudança radical de vida, onde o fruto de nossas ações reflete nossa nova identidade em Deus.

Somos chamados a colocar nossos membros a serviço da justiça, que conduz à santificação e, finalmente, à vida eterna. É um convite a uma mudança radical de vida, onde o fruto de nossas ações reflete nossa nova identidade em Deus.

Sl 1, 1-2. 3. 4 e 6

Ev Lc 12, 49-53

 

As passagens bíblicas apresentadas nos convidam a uma profunda reflexão sobre a liberdade, a santidade e as escolhas que moldam nosso destino.

Em Romanos 6, 19-23, São Paulo nos lembra da transição da escravidão do pecado para a liberdade em Cristo. Antes, nossos membros serviam à impureza, resultando em morte. Agora, libertos, somos chamados a colocar nossos membros a serviço da justiça, que conduz à santificação e, finalmente, à vida eterna. É um convite a uma mudança radical de vida, onde o fruto de nossas ações reflete nossa nova identidade em Deus.

O Salmo 1, 1-2, 3, 4 e 6, por sua vez, traça um contraste marcante entre o justo e o ímpio. O homem feliz é aquele que se deleita na lei do Senhor, meditando nela dia e noite. Ele é como uma árvore plantada junto a águas correntes, que dá fruto no tempo certo e cuja folhagem não murcha. Em contrapartida, os ímpios são como palha levada pelo vento, cujo caminho leva à perdição. O Salmo nos assegura que o Senhor vela pelo caminho dos justos, enquanto o dos pecadores se desvanecerá.

Finalmente, Lucas 12, 49-53, nos apresenta uma fala desafiadora de Jesus. Ele afirma ter vindo trazer fogo à terra e não a paz, mas a divisão. Esta passagem, embora possa parecer paradoxal à primeira vista, revela a natureza transformadora e, por vezes, disruptiva do Evangelho. A adesão a Cristo e aos seus ensinamentos pode gerar divisões, até mesmo dentro das famílias, pois a verdade do Reino de Deus exige uma escolha radical que nem todos estão dispostos a fazer. Jesus não veio para uma paz superficial, mas para uma transformação profunda que pode confrontar as estruturas e relações existentes.

* Dia do Ordinariato Castrense.
* Na Ordem Agostiniana – S. Guilherme, eremita e B. João Bom, religioso – MF
* Na Ordem Franciscana e na Ordem dos Franciscanos Capuchinhos – S. João de Capistrano, presbítero, da I Ordem – MO
* Na Congregação dos Irmãos das Escolas Cristãs (Lassalistas/La Salle) – B. Arnoldo Reche, religioso – MF
* Na Diocese de Beja (Beja) – I Vésp. de S. Sisenando.
* Na Congregação dos Missionários do Coração de Maria – I Vésp. de S. António Maria Claret.

Missa

Antífona de entrada Cf. Sl 16, 6.8
Respondei-me, Senhor, quando Vos invoco,
ouvi a minha voz, escutai as minhas palavras.
Guardai-me dos meus inimigos, Senhor.
Protegei-me à sombra das vossas asas.

Oração coleta
Deus todo-poderoso e eterno,
dai-nos a graça de consagrarmos sempre ao vosso serviço
a dedicação da nossa vontade e a sinceridade do nosso coração.
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus
e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo,
por todos os séculos dos séculos.

LEITURA I (anos ímpares) Rm 6, 19-23
«Agora, libertos do pecado e tornados servos de Deus»

“Escravo” e “liberto” eram palavras bem conhecidas dos Romanos a quem S. Paulo escreve: Escravos eram homens ao serviço de outros, mas de tal maneira que não eram considerados “pessoas”; compravam-se e vendiam-se, como se fossem “coisas”. “Libertos” chamavam-se os que, depois de terem sido escravos, recebiam a liberdade. Assim, o cristão, outrora escravo antes da conversão a Cristo, é agora um liberto por Deus em Cristo Jesus. Há-de, portanto, viver agora a liberdade da santidade, e não voltar à escravidão da vida de que foi libertado.

Leitura da Epístola do apóstolo São Paulo aos Romanos

Irmãos: Falo com linguagem humana, por causa da vossa fraqueza: Assim como entregastes os vossos membros como escravos ao serviço da impureza e da desordem, que conduz à revolta contra Deus, colocai agora os vossos membros ao serviço da justiça, que conduz à santidade. Na verdade, quando éreis escravos do pecado, éreis livres em relação à justiça. Mas que fruto colhestes então dessas obras de que atualmente vos envergonhais? De facto, o seu fim é a morte. Mas agora, libertos do pecado e tornados servos de Deus, produzis o fruto que conduz à santificação, cujo fim é a vida eterna. Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, em Jesus Cristo, nosso Senhor.
Palavra do Senhor.

SALMO RESPONSORIAL Salmo 1, 1-2.3.4 e 6 (R. Salmo 39, 5a)
Refrão: Feliz o homem que pôs a sua esperança no Senhor. Repete-se

Feliz o homem que não segue o conselho dos ímpios,
nem se detém no caminho dos pecadores,
mas antes se compraz na lei do Senhor,
e nela medita dia e noite. Refrão

É como árvore plantada à beira das águas:
dá fruto a seu tempo e sua folhagem não murcha.
Tudo quanto fizer será bem sucedido. Refrão

Bem diferente é a sorte dos ímpios:
são como palha que o vento leva.
O Senhor vela pelo caminho dos justos,
mas o caminho dos pecadores leva à perdição. Refrão

ALELUIA Filip 3, 8-9
Refrão: Aleluia. Repete-se
Considero todas as coisas como prejuízo,
para ganhar a Cristo e n’Ele me encontrar. Refrão

EVANGELHO Lc 12, 49-53
«Não vim trazer a paz, mas a divisão»

Há dias, S. Paulo dava a Jesus o nome de Paz. Hoje, é o próprio Senhor que diz que não veio estabelecer a paz. É preciso que entendamos a maneira forte, muito ao gosto dos Evangelhos, de apresentar certas ideias fundamentais da doutrina de Jesus. Ele veio como fogo para iluminar e abrasar; mas, entre aqueles que O acolhem e aqueles que recusam recebê-l’O, Jesus será ocasião de divisão e desavença.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Eu vim trazer o fogo à terra e que quero Eu senão que ele se acenda? Tenho de receber um batismo e estou ansioso até que ele se realize. Pensais que Eu vim estabelecer a paz na terra? Não. Eu vos digo que vim trazer a divisão. A partir de agora, estarão cinco divididos numa casa: três contra dois e dois contra três. Estarão divididos o pai contra o filho e o filho contra o pai, a mãe contra a filha e a filha contra a mãe, a sogra contra a nora e a nora contra a sogra».
Palavra da salvação.

10 25 Reflexão : Liberdade, Fé e Serviço à Luz de João Paulo II

 

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A reflexáo inspirada em São João Paulo II, articula três pilares da vida cristã: liberdade, fé e serviço..

O Senhor vem até nós convidando-nos a receber a nossa liberdade. A verdadeira liberdade, como descrita em Romanos 6, 12-18, não é simples autonomia, mas a libertação do pecado para ser instrumento de justiça..

João Paulo II, que enfrentou regimes totalitários, encarnou este ideal, ensinando que a liberdade autêntica é escolher o bem e viver em Cristo, lutando incansavelmente pela dignidade humana..

Libertos, invoquemo-Lo com muita fé e confiança. A fé inabalável é o segundo pilar, ilustrado pelo Salmo 123 (124), 1-3. 4-6. 7-8.

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Diante de perigos e . atentados, o Papa demonstrou total confiança na proteção divina, resumida em seu lema “Totus Tuus” (“Todo Teu”). Sua vida é um testemunho de que Deus é nosso refúgio seguro em todas as adversidades…

E servindo-O nos outros com o criado fiel. Por fim, a fé e a liberdade culminam no serviço. Como exorta Lucas 12, 39-48, somos chamados a ser “criados fiéis”.

Diante de perigos e. atentados, o Papa demonstrou total confiança na proteção divina, resumida em seu lema “Totus Tuus” (“Todo Teu”). Sua vida é um testemunho de que Deus é nosso refúgio seguro em todas as adversidades…

E servindo-O nos outros com o criado fiel. Por fim, a fé e a liberdade culminam no serviço. Como exorta Lucas 12, 39-48, somos chamados a ser “criados fiéis”.

O pontificado de João Paulo II foi marcado por um serviço abnegado à Igreja e à humanidade, especialmente aos pobres e marginalizados, mostrando que o amor ao próximo é a expressão máxima da liberdade em Cristo..

Que seu exemplo nos inspire a viver essa trilha: livres em  Cristo, firmes na fé e dedicados ao serviço dos irmãos.

Cartaz: Liberdade, Fé e Serviço à Luz de João Paulo II

 

“Não tenhais medo!”, “A verdadeira paz vem do coração”, “A fé e a razão são como duas asas pelas quais o espírito humano se eleva para a contemplação da verdade” e “A liberdade não consiste em fazer o que gostamos, mas em ter o direito de fazer o que devemos”

10 25 Sabado Lc 13, 1-9 «Se não vos arrependerdes, morrereis do mesmo modo»

 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas.

Naquele tempo, vieram contar a Jesus que Pilatos mandara derramar o sangue de certos galileus, juntamente com o das vítimas que imolavam. Jesus respondeu-lhes: «Julgais que, por terem sofrido tal castigo, esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus? Eu digo-vos que não. E se não vos arrependerdes, morrereis todos do mesmo modo. E aqueles dezoito homens, que a torre de Siloé, ao cair, atingiu e matou? Julgais que eram mais culpados do que todos os outros habitantes de Jerusalém? Eu digo-vos que não. E se não vos arrependerdes, morrereis todos de modo semelhante. Jesus disse então a seguinte parábola: «Certo homem tinha uma figueira plantada na sua vinha. Foi procurar os frutos que nela houvesse, mas não os encontrou. Disse então ao vinhateiro: ‘Há três anos que venho procurar frutos nesta figueira e não os encontro. Deves cortá-la. Porque há de estar ela a ocupar inutilmente a terra?’ Mas o vinhateiro respondeu-lhe: ‘Senhor, deixa-a ficar ainda este ano, que eu, entretanto, vou cavar-lhe em volta e deitar-lhe adubo. Talvez venha a dar frutos. Se não der, mandarás cortá-la».

Palavra da salvação.

Reflexão .

O Evangelho de hoje apresenta-nos uma profunda reflexão sobre o sofrimento, a culpa e a misericórdia de Deus. Quando informam Jesus sobre a crueldade de Pilatos e sobre um acidente fatal, a expectativa comum seria que Ele explicasse o “porquê” daquele sofrimento. No entanto, Jesus subverte essa lógica. Ele desfaz a ideia, tão arraigada em nós, de que a desgraça é um castigo direto pelo pecado. “Julgais que eram mais culpados?”, pergunta Ele. A resposta é um claro “não”.

A lição não é sobre a causa do sofrimento dos outros, mas sobre o significado que ele tem para as nossas próprias vidas. Jesus usa essas tragédias como um alerta urgente: “E se não vos arrependerdes, morrereis todos do mesmo modo”. Não se trata de uma ameaça, mas de uma realidade espiritual. A morte inesperada serve de espelho para a nossa própria fragilidade e para a urgência de converter o coração.

É então que a narrativa se torna esperançosa com a parábola da figueira estéril. Esta representa cada um de nós e a própria humanidade. O proprietário, símbolo da justiça, vê uma árvore que não cumpre a sua função e decide cortá-la. Mas o vinhateiro, figura da misericórdia e intercessão (como o próprio Cristo), implora por uma última chance: “Deixa-a ficar ainda este ano… Talvez venha a dar frutos”.

Esta é a síntese da mensagem: Deus é justo, mas a sua misericórdia precede e sustenta a justiça. Ele nos concede um “tempo de graça”, um “ano” extra para crescer, converter-nos e produzir frutos de amor, perdão e caridade. A paciência de Deus é o espaço da nossa conversão. No entanto, esse tempo não é infinito. O convite é para que não o desperdicemos, mas que, conscientes da nossa fragilidade, nos deixemos cavar e adubar pela graça, transformando a nossa esterilidade em vida plena.

### **Oração**

Senhor Jesus, que na vossa misericórdia nos concedeis tempo para a conversão, nós Vos agradecemos pela vossa paciência que não cansa de acreditar em nós.

Diante das fragilidades do mundo e das nossas próprias misérias, ajudai-nos a não julgar os outros, mas a examinar o nosso próprio coração. Dai-nos a graça do verdadeiro arrependimento, para que não adiemos a vossa chamada.

Assim como o vinhateiro cuidou da figueira, cavai o solo endurecido do nosso egoísmo e alimentai a nossa alma com a Vossa Palavra e com a Vossa Eucaristia. Que este tempo de graça que nos dais não passe em vão, mas seja fecundo, para que possamos produzir os frutos de bondade, justiça e amor que esperais de nós.

Convertei-nos, Senhor, e fazei de nós uma nova criatura. Amém.

 

 

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10 22 O Convite à Liberdade em Cristo: Caminho para a Verdadeira Vida

  1. O Convite à Liberdade em Cristo: Caminho para a Verdadeira Vida

O Senhor vem até nós com um convite profundo e transformador: o de recebermos a nossa liberdade. Esta liberdade não é meramente a ausência de restrições externas, mas uma libertação do domínio do pecado, conforme nos é revelado em Romanos 6, 12-18. A Palavra de Deus nos exorta: “Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, para que não obedeçais às suas concupiscências; nem apresenteis os vossos membros ao pecado, como instrumentos de iniquidade; mas apresentai-vos a Deus, como vivos dentre os mortos, e os vossos membros a Deus, como instrumentos de justiça.”

Legenda: Romanos 6, 12-18: Representa a libertação das amarras do pecado e a entrega a Deus como instrumentos de justiça.

Essa passagem poderosa nos lembra que não estamos mais debaixo da lei, mas debaixo da graça, e que o pecado não terá domínio sobre nós. A questão que surge é: “Pecaremos, porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça?” A resposta é um categórico “De modo nenhum!”. Nossa liberdade em Cristo nos chama a uma entrega total a Deus, escolhendo a justiça em vez do pecado, e assim vivendo a verdadeira liberdade que Ele nos oferece. Fomos libertados do pecado para sermos feitos servos da justiça, um chamado para uma vida de propósito e retidão.

  1. Invocando o Senhor com Fé e Confiança: O Nosso Refúgio Seguro

Libertos do jugo do pecado, somos chamados a invocar o Senhor com uma fé inabalável e uma confiança plena. O Salmo 123 (124), 1-3. 4-6. 7-8 expressa vividamente essa confiança e gratidão na proteção divina: “Se não fosse o Senhor, que esteve ao nosso lado, diga-o, pois, Israel; se não fosse o Senhor, que esteve ao nosso lado, quando os homens se levantaram contra nós, eles então nos teriam engolido vivos, quando a sua ira se acendeu contra nós.”

Legenda: Salmo 123 (124), 1-3. 4-6. 7-8: Ilustra a proteção divina e a libertação de perigos, com a alma escapando como um pássaro da armadilha.

Este salmo é um hino de louvor e reconhecimento da intervenção divina em momentos de perigo, reforçando a certeza de que a nossa segurança e libertação provêm do Senhor. A imagem do pássaro escapando do laço do passarinheiro é uma metáfora poderosa da nossa alma que escapa, pois “o nosso socorro está no nome do Senhor, que fez o céu e a terra”. Em meio às adversidades da vida, somos convidados a lançar todas as nossas preocupações sobre Ele, sabendo que Ele cuida de nós e nos guarda sob Suas asas.

III. Servindo ao Senhor nos Outros como o Servo Fiel: Vigilância e Amor

Uma vez libertos e fortalecidos pela fé, somos desafiados a servir ao Senhor através do serviço aos outros, seguindo o exemplo do criado fiel, conforme narrado no Evangelho de Lucas 12, 39-48. Jesus nos exorta à vigilância: “Vós também estai apercebidos; porque virá o Filho do homem à hora que não imaginais.” Ele nos alerta sobre a responsabilidade do despenseiro fiel e prudente, que cuida da casa do seu senhor.

Legenda: Lucas 12, 39-48: Mostra a importância da vigilância, responsabilidade e serviço diligente ao próximo, aguardando o retorno do Senhor.

Esta parábola salienta a importância da vigilância, da responsabilidade e do serviço diligente enquanto aguardamos o retorno do Senhor. A nossa liberdade em Cristo deve manifestar-se no amor e no serviço ao próximo, sendo instrumentos de justiça e bondade no mundo. O Senhor enfatiza que “a qualquer que muito for dado, muito se lhe pedirá; e a quem muito se confiou, mais se lhe pedirá.” A liberdade que recebemos de Deus exige de nós uma resposta de fidelidade e serviço, demonstrando nosso amor por Ele através do cuidado com o próximo

Resumo Geral

Esta homilia explora o convite divino à liberdade e ao serviço fiel, fundamentado em passagens bíblicas chave. Em primeiro lugar, Romanos 6, 12-18 nos exorta a uma libertação do domínio do pecado, onde a graça supera a lei e nos capacita a sermos instrumentos de justiça. A liberdade em Cristo é uma escolha ativa de entregar-se a Deus, vivendo com propósito e retidão. Em segundo lugar, o Salmo 123 (124) nos convida a invocar o Senhor com fé inabalável, reconhecendo-O como nosso refúgio seguro em meio às adversidades. A imagem do pássaro escapando do laço simboliza a proteção divina e a intervenção de Deus em momentos de perigo. Por fim, Lucas 12, 39-48 nos desafia a servir ao Senhor através do serviço aos outros, exemplificando o criado fiel. A vigilância, responsabilidade e diligência são essenciais, pois a liberdade que recebemos exige fidelidade e amor ao próximo, cumprindo assim o chamado de Deus em nossas vidas. Em suma, a verdadeira liberdade em Cristo nos impulsiona a uma vida de justiça, confiança em Deus e serviço abnegado aos nossos irmãos, preparando-nos para o encontro final com o Senhor.

Legenda: Três aspectos da vida cristã: Liberdade do pecado, Proteção divina e Serviço ao próximo. Estas imagens resumem os temas centrais da homilia. A primeira imagem, uma pessoa quebrando correntes, representa a liberdade do pecado (Romanos 6, 12-18), onde somos libertos do domínio do mal para viver em justiça. A imagem central, um pássaro escapando de uma armadilha, simboliza a proteção e a confiança em Deus (Salmo 123), nosso refúgio seguro nas adversidades. Por fim, a terceira imagem, uma pessoa prestando ajuda ao próximo, ilustra o chamado ao serviço fiel (Lucas 12, 39-48), onde a liberdade em Cristo se manifesta no amor e cuidado com os outros. Juntas, essas imagens encapsulam a jornada de liberdade, fé e serviço que o Senhor nos convida a viver.

10 24 Lc 12, 54-59 «Shttps://www.eelmoh-dictof.com/2025/10/10-24-lc-12-54-59-se-sabeis-discernir-o-aspecto-da-terra-e-do-ceu-porque-nao-sabeis-discernir-o-tempo-presente/e sabeis discernir o aspecto da terra e do céu, porque não sabeis discernir o tempo presente?»

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas.

Naquele tempo, dizia Jesus à multidão: «Quando vedes levantar-se uma nuvem no poente, logo dizeis: ‘Vem chuva’; e assim acontece. E quando sopra o vento sul, dizeis: ‘Vai fazer muito calor’; e assim sucede. Hipócritas, se sabeis discernir o aspecto da terra e do céu, porque não sabeis discernir o tempo presente? Porque não julgais por vós mesmos o que é justo?». E acrescentou: «Quando fores com o teu adversário ao magistrado, esforça-te por te entenderes com ele no caminho, para que ele não te arraste ao juiz e o juiz te entregue ao oficial de justiça e o oficial de justiça te meta na prisão. Eu te digo: Não sairás de lá, enquanto não pagares o último centavo».

Palavra da salvação.

REFLEXÃO

A palavra “hipócritas” usada por Jesus é forte e revela a gravidade da situação. Não se trata de uma ignorância simples, mas de uma recusa em ver o que é evidente. Eles tinham a capacidade de julgar e interpretar o mundo natural, mas escolhiam não aplicar essa mesma perspicácia às questões espirituais e morais. Jesus os desafia a “julgar por si mesmos o que é justo”, o que implica uma responsabilidade pessoal e intransferível no discernimento ético e espiritual. A fé, neste contexto, não é uma adesão cega, mas um ato de discernimento inteligente e corajoso..

A segunda parte do Evangelho apresenta uma parábola sobre a reconciliação. Jesus aconselha a multidão a “entender-se com o adversário no caminho” antes de chegar ao magistrado. Esta passagem pode ser interpretada em vários níveis. Em um sentido prático, é um conselho prudente para evitar litígios custosos e dolorosos. Mas, em um sentido mais profundo, é um apelo à reconciliação com Deus e com o próximo enquanto há tempo. O “adversário” pode ser a nossa própria consciência ou as consequências das nossas ações. O “caminho” é a vida presente, o “tempo presente” que deve ser discernido. A prisão e o pagamento do “último centavo” simbolizam as consequências inevitáveis da recusa em buscar a justiça e a reconciliação..

Este Evangelho é um convite perene ao autêntico discernimento. Em um mundo onde somos bombardeados por informações e sinais de todas as direções, a capacidade de interpretar o que realmente importa – a vontade de Deus, a necessidade de justiça e reconciliação – torna-se crucial. Não basta apenas ver; é preciso discernir o significado, agir com base nesse discernimento e buscar a paz antes que seja tarde demais.

Oração  

Ó Senhor, que nos deste a capacidade de discernir os sinais do céu e da terra, abre os nossos olhos para que possamos discernir também o tempo presente. Ajuda-nos a reconhecer a Tua voz nos acontecimentos da nossa vida e do mundo, e a agir com justiça e amor. Concede-nos a graça da reconciliação, para que, antes de nos apresentarmos diante de Ti, possamos fazer as pazes com os nossos irmãos e irmãs. Amém.

 

 

 

10 23 Quinta Feira .Lc 12, 49-53 “Não vim trazer a paz, mas a divisão”

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Eu vim trazer o fogo à terra e que quero Eu senão que ele se acenda? Tenho de receber um batismo e estou ansioso até que ele se realize. Pensais que Eu vim estabelecer a paz na terra? Não. Eu vos digo que vim trazer a divisão. A partir de agora, estarão cinco divididos numa casa: três contra dois e dois contra três. Estarão divididos o pai contra o filho e o filho contra o pai, a mãe contra a filha e a filha contra a mãe, a sogra contra a nora e a nora contra a sogra».

Palavra da salvação..

Reflexão 

 

O Evangelho de hoje, em Lucas 12, 49-53, apresenta-nos uma declaração de Jesus que pode parecer, à primeira vista, contraditória com a Sua essência de “Príncipe da Paz” que celebramos. Ele afirma: “Eu vim trazer o fogo à terra e que quero Eu senão que ele se acenda? […] Pensais que Eu vim estabelecer a paz na terra? Não. Eu vos digo que vim trazer a divisão.” Esta passagem, com a sua linguagem forte e imagética impactante, convida-nos a uma reflexão profunda sobre a natureza da paz que Jesus realmente oferece e o impacto transformador da Sua mensagem..

Quando Jesus fala de “fogo”, Ele não se refere a um fogo destrutivo no sentido negativo, mas sim a um fogo purificador, um fogo de paixão e zelo pela verdade divina. É o fogo do Espírito Santo que ilumina as consciências, abrasa os corações e nos impulsiona à conversão. Este fogo, ao ser acendido, inevitavelmente revela as trevas e as resistências dentro de nós e na sociedade..

A “divisão” que Jesus menciona não é um objetivo em si, mas uma consequência dolorosa e, por vezes, inevitável, da adesão radical à Sua proposta de vida. A verdade e os valores do Reino de Deus confrontam as estruturas e os valores do mundo, e esta confrontação pode gerar desavenças até mesmo no seio das famílias. A fidelidade a Cristo pode exigir escolhas que nos separem daqueles que não partilham da mesma fé ou que não estão dispostos a seguir o caminho exigente do Evangelho. Não se trata de uma divisão promovida por Jesus para oprimir, mas uma divisão que emerge da liberdade de cada um em acolher ou rejeitar a Sua palavra. A paz de Cristo não é a ausência de conflito, mas a serenidade interior que nasce da conformidade com a vontade de Deus, mesmo no meio das provações e oposições.

Oração

Senhor Jesus, fogo que acende e ilumina, pedimos-Te que o Teu Espírito arda em nós. Que a Tua Palavra nos purifique e nos transforme, mesmo que isso signifique confrontar as nossas próprias sombras e as divisões do mundo. Dá-nos a coragem de ser fiéis à Tua verdade, buscando a paz que só Tu podes oferecer, uma paz que transcende a mera ausência de conflitos e se enraíza na obediência e no amor ao Pai. Ámen.

10 22 Quarta EVANGELHO Lc 12, 39-48 «A quem muito foi dado, muito será exigido»

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Compreendei isto: se o dono da casa soubesse a que hora viria o ladrão, não o deixaria arrombar a sua casa. Estai vós também preparados, porque na hora em que não pensais virá o Filho do homem». Disse Pedro a Jesus: «Senhor, é para nós que dizes esta parábola, ou também para todos os outros?». O Senhor respondeu: «Quem é o administrador fiel e prudente que o senhor estabelecerá à frente da sua casa, para dar devidamente a cada um a sua ração de trigo? Feliz o servo a quem o senhor, ao chegar, encontrar assim ocupado. Em verdade vos digo que o porá à frente de todos os seus bens. Mas se aquele servo disser consigo mesmo: ‘O meu senhor tarda em vir’; e começar a bater em servos e servas, a comer, a beber e a embriagar-se, o senhor daquele servo chegará no dia em que menos espera e a horas que ele não sabe; ele o expulsará e fará que tenha a sorte dos infiéis. O servo que, conhecendo a vontade do seu senhor, não se preparou ou não cumpriu a sua vontade, levará muitas vergastadas. Aquele, porém, que, sem a conhecer, tenha feito ações que mereçam vergastadas, levará apenas algumas. A quem muito foi dado, muito será exigido; a quem muito foi confiado, mais se lhe pedirá»..

Palavra da salvação..

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Reflexão : Vigilância e Fidelidade na Missão**

O Evangelho de Lucas convida-nos a uma vigilância ativa e a uma administração fiel dos dons recebidos. A imagem do senhor que regressa a qualquer hora exige de nós uma permanente prontidão, não um temor paralisante, mas uma entrega constante à vontade de Deus. A pergunta de Pedro—”é para nós ou para todos?”—encontra resposta na responsabilidade universal: a todos foi confiada uma missão, mas com particular exigência para aqueles a quem foi dada maior autoridade.

Esta passagem ilumina de modo singular a vida e o pontificado de São João Paulo II. A ele, como a Pedro, foi confiado o cuidado da casa de Deus, a Igreja. A sua vida foi um testemunho eloquente do “administrador fiel e prudente”. Ele compreendeu que o Senhor o havia colocado à frente dos seus servos para lhes dar “a sua ração de trigo” no tempo certo: o trigo da Verdade, através do seu magistério incansável; o trigo da Esperança, com o seu lema “Não tenhais medo!”; e o trigo da Misericórdia, promovendo a devoção à Divina Misericórdia.

João Paulo II viveu intensamente a máxima “a quem muito foi dado, muito será exigido”. Aos seus vastos talentos intelectuais, espirituais e pastorais, correspondeu uma entrega sem reservas, uma “vigilância missionária” que o levou aos quatro cantos do mundo. Ele nunca agiu como o servo infiel que, pensando que o senhor tardava, se acomodava ou oprimia os outros. Pelo contrário, acelerou o passo, sabendo que o tempo é precioso. A sua existência foi uma longa e fértil vigília, uma resposta generosa ao chamamento de Cristo até ao último suspiro, incarnando a bem-aventurança do servo a quem o Senhor encontra ocupado na sua vinha.

### . Oração**

Senhor Jesus, Mestre e Pastor,
que chamastes São João Paulo II a uma grande missão
e o encontrastes sempre vigilante na vossa vinha,
concedei-nos, por sua intercessão,
um coração de servos fiéis e prudentes.
Que, na incerteza da hora do vosso regresso,
nós vivamos cada dia com a intensidade de quem espera o Senhor,
amando a Vossa vontade e servindo os nossos irmãos
com a coragem e a paixão do vosso servo João Paulo.

Amém.

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10 21  Terça Lc 12, 35-38 «Felizes os servos, que o senhor, ao chegar, encontrar vigilantes

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas.

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Tende os rins cingidos e as lâmpadas acesas. Sede como homens que esperam o seu senhor voltar do casamento, para lhe abrirem logo a porta, quando chegar e bater. Felizes esses servos, que o senhor, ao chegar, encontrar vigilantes. Em verdade vos digo: cingir-se-á e mandará que se sentem à mesa e, passando diante deles, os servirá. Se vier à meia-noite ou de madrugada felizes serão se assim os encontrar».

Palavra da salvação..

REFLEXÃO .

O Evangelho de Lucas convida-nos a uma vigilância ativa, comparando a vida cristã à atitude dos hebreus na noite do êxito: de pé, com o cajado na mão, prontos para partir quando o Senhor chamar. Esta imagem rompe com a nossa tendência natural para o comodismo espiritual. Na vida prática, “ter os rins cingidos” significa desprender-nos dos pesos desnecessários – o excesso de preocupações materiais, os apegos que nos paralisam, a procrastinação no bem. “Manter as lâmpadas acesas” exige um abastecimento constante de óleo através da oração, dos sacramentos e da caridade.

O maior desafio moderno à vigilância é a distração. Vivemos numa era de estímulos constantes que nos adormecem para o essencial: as notificações do telemóvel abafam o sussurro de Deus; o acumular de posses materiais tolda a saudade do Céu; o activismo vazio substitui a espera consciente. A parábola revela que a vigilância não é passiva – é uma preparação activa que transforma até as noites mais escuras (as “meias-noites” das crises e sofrimentos) em oportunidades de graça.

A recompensa da vigilância é profundamente comovente: o Senhor “passando diante deles, os servirá”. Deus não só recompensa como Se inverte nos papéis – o Mestre serve os discípulos. Isto reflecte a lógica do Reino, onde a fidelidade na espera é transformada em intimidade eterna. Na prática, isto significa:
1. **Revisão diária das prioridades** – Começar o dia perguntando: “Estou mais preparado para encontrar Cristo hoje?”
2. **Conversão do ordinário** – Transformar tarefas rotineiras em actos de amor vigilante
3. **Discernimento comunitário** – Ajudarmo-nos uns aos outros a manter as lâmpadas da fé acesas

A vigilância cristã não é ansiosa, mas cheia de esperança – é a atitude de quem sabe que a Noite Pascal já começou e aguarda a aurora definitiva.

**Oração**.

Senhor Jesus, que na vigília da Páscoa nos chamais à liberdade,
cingi nossa alma com o cinto da vossa verdade
e mantende acesa em nós a lâmpada da esperança.
Quando a noite do mundo nos quiser adormecer,
despertai nosso coração com a vossa vinda silenciosa.
Fazei de nossa vida não um adiar, mas um constante “estar prontos”,
até que, finda a vigília, nos sirvais à mesa do Reino eterno.
Amém.

10 20 Segunda  Lc 12, 13-21 «O que preparaste, para quem será?»

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, alguém, do meio da multidão, disse a Jesus: «Mestre, diz a meu irmão que reparta a herança comigo». Jesus respondeu-lhe: «Amigo, quem Me fez juiz ou árbitro das vossas partilhas?». Depois disse aos presentes: «Vede bem, guardai-vos de toda a avareza: a vida de uma pessoa não depende da abundância dos seus bens». E disse-lhes esta parábola: «O campo dum homem rico tinha produzido excelente colheita. Ele pensou consigo: ‘Que hei de fazer, pois não tenho onde guardar a minha colheita? Vou fazer assim: Deitarei abaixo os meus celeiros para construir outros maiores, onde guardarei todo o meu trigo e os meus bens. Então poderei dizer a mim mesmo: Minha alma, tens muitos bens em depósito para longos anos. Descansa, come, bebe, regala-te’. Mas Deus respondeu-lhe: ‘Insensato! Esta noite terás de entregar a tua alma. O que preparaste, para quem será?’ Assim acontece a quem acumula para si, em vez de se tornar rico aos olhos de Deus».

Palavra da salvação.

Reflexão .

O Evangelho de Lucas 12,13-21 apresenta-nos uma das advertências mais contundentes de Jesus sobre o perigo de colocarmos a nossa segurança nos bens materiais. O pedido do homem – “Mestre, diz a meu irmão que reparta a herança comigo” – revela um coração já corrompido pela cobiça, mais preocupado com a parte da herança do que com o próprio irmão. Jesus, recusando-se a ser um mero árbitro de disputas materiais, vai à raiz do problema: a avareza.

A parábola do homem rico é um retrato atemporal da ilusão humana. O homem não é condenado por ser trabalhador ou bem-sucedido, mas pela sua profunda miopia espiritual. O seu erro reside em três atitudes: o diálogo é apenas “consigo mesmo”, excluindo Deus e o próximo; ele repete obsessivamente “os meus celeiros, a minha colheita, os meus bens”, num egocentrismo possessivo; e o seu projeto de vida se reduz a “descansar, comer, beber e regalar-se”, uma visão redutiva e hedonista da existência.

A voz de Deus soa como um alerta solene: “Insensato! Esta noite terás de entregar a tua alma. O que preparaste, para quem será?”. A verdadeira insensatez é construir a vida sobre o que é perecível, ignorando a realidade da morte e do juízo. A pergunta final ecoa através dos séculos, desafiando toda a nossa lógica de acumulação.

Para o cristão de hoje, imerso numa sociedade de consumo que glorifica o ter sobre o ser, este texto é um antídoto urgente. Aplica-se a toda a tentação de medir o sucesso pela conta bancária, de adiar a caridade para um “futuro mais folgado”, ou de buscar nos bens um refúgio para a ansiedade. Ser “rico para Deus”, como Jesus propõe, é investir em realidades eternas: a prática da justiça, a misericórdia, o amor fraterno e a partilha. Significa usar os bens como instrumentos para o bem, e não como fins em si mesmos. A vida é um dom que vale mais do que todas as coisas; vivê-la como se o ter fosse a sua essência é o maior dos enganos.

**Oração**

Senhor Jesus, libertai o meu coração do engano das riquezas.
Ensinai-me a sabedoria de partilhar hoje,
e não a insensatez de acumular para um amanhã incerto.
Que os bens que possuo não me possuam a mim,
e que eu seja rico em gestos de amor e obras de misericórdia,
acumulando, assim, um tesouro eterno no Céu.
Amém.

10 19 Domingo  Lc 18, 1-8 «Deus fará justiça aos seus eleitos, que por Ele clamam»

10 19 Domingo  Lc 18, 1-8 «Deus fará justiça aos seus eleitos, que por Ele clamam»

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Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, Jesus disse aos seus discípulos uma parábola sobre a necessidade de orar sempre sem desanimar: «Em certa cidade vivia um juiz que não temia a Deus nem respeitava os homens. Havia naquela cidade uma viúva que vinha ter com ele e lhe dizia: ‘Faz-me justiça contra o meu adversário’. Durante muito tempo ele não quis atendê-la. Mas depois disse consigo: ‘É certo que eu não temo a Deus nem respeito os homens; mas, porque esta viúva me importuna, vou fazer-lhe justiça, para que não venha incomodar-me indefinidamente’». E o Senhor acrescentou: «Escutai o que diz o juiz iníquo!… E Deus não havia de fazer justiça aos seus eleitos, que por Ele clamam dia e noite, e iria fazê-los esperar muito tempo? Eu vos digo que lhes fará justiça bem depressa. Mas quando voltar o Filho do homem, encontrará fé sobre a terra?».

Palavra da salvação.

Reflexão 

.– A necessidade de pedir (Lc 18, 1-8)

A parábola da viúva insistente é uma das mais belas lições de perseverança na oração. Jesus conta-a para nos ensinar “a necessidade de orar sempre, sem desanimar”. A imagem é simples: uma viúva, frágil e sem poder, enfrenta um juiz corrupto e insensível. Não tem recursos, mas tem uma força interior — a insistência. Essa força nasce da necessidade. O seu pedido repete-se até se tornar impossível ignorá-lo.

Jesus quer que reconheçamos nesta viúva o retrato do crente: fraco aos olhos do mundo, mas poderoso quando confia em Deus. A oração constante não é um acto de teimosia humana, mas um exercício de fé. Quem reza perseverantemente reconhece que precisa de Deus e espera d’Ele o que o mundo não pode dar. O contrário da oração é a autossuficiência, a ilusão de bastar-se a si mesmo.

O juiz iníquo acaba por ceder, não por compaixão, mas por cansaço. E Jesus pergunta: se até um juiz injusto acaba por atender a um pedido insistente, quanto mais Deus, que é justo e misericordioso, escutará os seus filhos! A demora de Deus não é indiferença, é pedagogia: ensina-nos a confiar, amadurecer e purificar o desejo.

No fim, Jesus lança uma pergunta que nos toca profundamente: “Quando voltar o Filho do Homem, encontrará fé sobre a terra?” A fé e a oração estão intimamente ligadas — quem deixa de rezar, enfraquece na fé; quem persevera na oração, mantém viva a chama da confiança.

Orar sempre é permanecer diante de Deus com o coração aberto, mesmo quando parece que Ele se cala. A fé autêntica não desiste. A necessidade de pedir não é sinal de fraqueza, mas de amor — é reconhecer que só Deus pode dar sentido e justiça à nossa vida.


 

Oração

Senhor, ensina-me a rezar com confiança e perseverança.
Dá-me a humildade de reconhecer que preciso de Ti em tudo.
Fortalece a minha fé quando o silêncio parece longo
e faz-me esperar com esperança, certo de que a tua justiça não falha.
Amém.

10 17 Jo 12, 24-26 «Se o grão de trigo, lançado à terra, morrer, dará muito fruto»

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“‘Sou trigo de Cristo.’ Como Santo Inácio, sejamos grãos lançados à terra pela fé, confiantes de que na doação total nos tornamos pão limpo para o mundo.”

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Em verdade, em verdade vos digo: Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só; mas se morrer, dará muito fruto. Quem ama a sua vida, perdê-la-á, e quem despreza a sua vida neste mundo conservá-la-á para a vida eterna. Se alguém Me quiser servir, que Me siga, e onde Eu estiver, ali estará também o meu servo. E se alguém Me servir, meu Pai o honrará».
Palavra da salvação.
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REFLEXÃO 

Eis uma reflexão sobre o Evangelho de João 12, 24-26, relacionada com a mensagem de ser “trigo de Deus” e com a figura de Santo Inácio de Antioquia.

### **Reflexão: O Trigo de Deus.

O Evangelho de hoje apresenta-nos uma das verdades mais fundamentais e desafiadoras da vida cristã: a lei divina do morrer para dar vida. Jesus, ao declarar “Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só; mas se morrer, dará muito fruto”, não propõe uma simples metáfora agrícola, mas revela o próprio mistério da sua missão redentora e o padrão de existência de todo aquele que O deseja seguir.

Cristo é o grão de trigo original, cuja morte na cruz e ressurreição gerou a multidão incontável de filhos de Deus, a Igreja. Ele é o primeiro a cumprir perfeitamente o princípio que ensina: “Quem ama a sua vida, perdê-la-á, e quem despreza a sua vida neste mundo conservá-la-á para a vida eterna”. Amar a vida aqui significa apegar-se ao ego, ao conforto, ao próprio projeto, fechando-se à vontade do Pai. Desprezá-la, no sentido evangélico, é ter a coragem de a entregar, de a gastar, de a “perder” por amor, na confiança de que só assim se alcança a Vida plena.

Santo Inácio de Antioquia é a encarnação vibrante deste grão de trigo. No seu ardente desejo de martírio, a caminho de Roma, ele não buscava a morte por si mesma, mas a união plena com Cristo. As suas palavras são célebres: “Sou trigo de Cristo, serei moído pelos dentes das feras para me tornar pão limpo”. Ele compreendeu que a sua vida só teria sentido completo se fosse imolada, como o grão, para se tornar puro pão eucarístico, oferta agradável a Deus. O seu “seguir” Jesus até ao local do suplício foi o cumprimento radical do “que Me siga” do Evangelho.

Para nós, hoje, ser “trigo de Deus” significa aceitar morrer diariamente para o nosso egoísmo, comodidade e orgulho. É na pequena mortificação, no serviço humilde, no perdão concedido, na aceitação das cruzes do dia a dia, que o grão da nossa vida se abre para a graça. A promessa de Jesus é clara: este caminho de entrega, que parece uma perda, é o único que conduz ao fruto abundante e à honra do Pai: “E se alguém Me servir, meu Pai o honrará”..

### **Oração .**

Senhor Jesus, grão de trigo bendito, que morrestes para dar-nos a vida eterna, concedei-nos a graça de morrer cada dia para o nosso eu. Que, seguindo-Vos com generosidade, como Santo Inácio, nos deixemos moer pelas provações da vida, para nos tornarmos pão bom e limpo na vossa mão, em alimento para os nossos irmãos. Onde Vós estiverdes, lá desejamos estar também, para sempre. Amen.

### **Sugestão de Imagem**

**Uma espiga de trigo que cresce de um cálice, com hóstias a brilhar no lugar dos grãos.** Esta imagem simboliza perfeitamente a união do sacrifício (o grão que morre) com a Eucaristia (o fruto que alimenta), ligando a oferta de Cristo e dos mártires como Santo Inácio ao alimento que sustenta a Igreja.

10 15 Quarta Lc 11 42-46 “Ai de vós fariseus, Ai de vós doutores da lei Quarta-feira da semana XXVIII S. Teresa de Jesus, virgem e doutora da Igreja – MO

 

 

 

EVANGELHO Lc 11, 42-46
«Ai de vós, fariseus! Ai de vós, doutores da lei!»

Esta passagem, na continuação da leitura de ontem, apresenta uma série de maldições, dirigidas contra os fariseus, por meio das quais o Senhor quer fazer compreender o espírito da sua nova doutrina. Jesus não condena as formas de vida anteriores à sua pregação, mas pretende levar os seus ouvintes a descobrir que, por detrás do cumprimento material da lei, está a justiça e o amor, a pobreza de espírito e a humildade de coração, coisas que os seus ouvintes ainda não tinham chegado a descobrir.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas
Naquele tempo, disse o Senhor: «Ai de vós, fariseus, porque pagais o dízimo da hortelã, da arruda e de todas as hortaliças, mas desprezais a justiça e o amor de Deus! Devíeis praticar estas coisas, sem omitir aquelas. Ai de vós, fariseus, porque gostais do primeiro lugar nas sinagogas e das saudações na praça pública! Ai de vós, porque sois como sepulcros disfarçados, sobre os quais passamos sem o saber!». Então um dos doutores da lei tomou a palavra e disse a Jesus: «Mestre, ao dizeres essas palavras também nos insultas a nós». Jesus respondeu: «Ai de vós também, doutores da lei, porque impondes aos homens fardos insuportáveis e vós próprios nem com um só dedo tocais nesses fardos!».
Palavra da salvação.

REFLEXÃO

Celebrando Santa Teresa de Jesus, Virgem e Doutora da Igreja, no dia 15 de Outubro, a liturgia . apresenta  o desafiador Evangelho de Lucas 11, 42-46. ..

Neste trecho, Jesus profere os seus “Ais” aos fariseus e doutores da Lei, atacando a sua profunda hipocrisia e legalismo. O primeiro “Ai” (v. 42) condena a inversão de prioridades: eles são meticulosos na observância de preceitos externos e secundários, como pagar o dízimo de ervas minúsculas como a hortelã e a arruda, mas “deixais de lado a justiça e o amor de Deus”. A sua religiosidade é uma casca vazia, onde a lei é aplicada sem a misericórdia e a essência da relação com Deus e com o próximo.

Jesus é claro: “Vós deveríeis praticar isso, sem contudo deixar de fazer aquelas outras coisas”. A prática externa da fé deve ser um reflexo e não um substituto da justiça e do amor — os pilares do Reino. A crítica se estende ao desejo de honras (v. 43) e à vaidade de serem vistos como justos, agindo como “túmulos que não se veem” (v. 44), belos por fora, mas portadores de morte por dentro.

A repreensão final (v. 46) é dirigida aos doutores da Lei, que impõem aos outros “cargas insuportáveis” com suas interpretações rígidas da Lei, enquanto eles próprios se recusam a carregar qualquer peso. Este Evangelho é um eterno convite à coerência e à retidão de intenção, chamando-nos a não transformar a nossa fé num fardo pesado ou num espetáculo de exterioridades, mas sim num caminho de amor e serviço. A verdadeira religião está no coração e se manifesta na caridade..

Sobre Santa Teresa de Jesus (D’Ávila).

Santa Teresa de Jesus (1515-1582), Virgem e Doutora da Igreja, é uma das figuras mais grandiosas da mística católica. Nascida em Ávila, na Espanha, seu nome de batismo era Teresa de Cepeda y Ahumada. Ela foi a grande reformadora da Ordem do Carmo, fundando os Carmelitas Descalços (juntamente com São João da Cruz), um movimento que visava retornar à regra original, mais austera, enfatizando a oração e a contemplação.

Teresa é conhecida como a “Doutora da Oração”. A sua definição de oração é simples e profunda: “Não é, a meu ver, a oração mental senão tratar de amizade, estando muitas vezes a sós com Quem sabemos que nos ama”. As suas obras, como “O Castelo Interior” (ou “As Moradas”) e “Caminho de Perfeição”, são clássicos da literatura espiritual, descrevendo a jornada da alma até a união com Deus. Foi uma mulher de profunda experiência mística, mas também de enorme determinação, praticidade e bom humor. Ela soube unir perfeitamente a mais elevada contemplação com uma intensa ação apostólica e reformadora, vivendo a justiça e o amor de Deus que Jesus tanto exigia..

Oração.

Ó Santa Teresa de Jesus, Mestra da oração e Doutora do amor, ensinai-nos a entrar no Castelo Interior do nosso coração para encontrar a amizade íntima com Jesus. Que a nossa fé não se prenda a exterioridades vãs, mas floresça na justiça e na caridade, para que a nossa vida seja, como a vossa, um caminho de verdade e de coerência. Amém.