01 06 Terca – Timor –

 

 

 

 

(0:00) Bem-vindos a esta análise. Hoje temos um desafio interessante. Vamos mergular numa única (0:07) fonte, que é a letra de uma canção chamada Don Carlos de Bello, Voice of Voiceways.

A nossa (0:13) missão é tentar perceber que trata que esta canção de pinta de Don Carlos de Bello, (0:18) e claro, de timor leste de altura, usando apenas a sua lente, que é uma lente poética e (0:24) imutiva. É um ponto de partida fascinante, de facto, porque reparam. A arte não tem um…

(0:29) compromisso com a objetividade de um documento histórico, tria..

Sua função é outra. Estilar (0:37) a essência de um sentimento de uma época, numa forma que nos atingues de uma maneira completamente (0:44) diferente. O nosso trabalho aqui é quase furense.

Gosto da sua ideia, furense. Exatamente. Analisar (0:51) as escolhas das palavras, as notáforas, para perceber a narrativa que o artista quis, (0:57) bem que quis construir.

Gosto da sua abordagem, vamos dizer, então. A canção (1:02) do nosso facilito é entrada. Começa a louca o matemusfera muito, muito densa, quase (1:06) sofocante.

Pinta um quadro de timor que é incrigalmente sombrio. Fala de lágrimas escondidas (1:13) no silêncio de um país, de crianças em futuro, mais a razar. Por que que se começa como (1:18) uma imagem tão íntima, tão boorosa, em vez de um contexto político mais vasto? (1:23) Bem, eu acho que estratégia de canção é criar uma ligação nacional em diata.

Um relatório (1:29) do ONU, por exemplo, de falaria de estatísticas, de violações de direitos. Uma canção fala (1:35) de mais a razar, alfocar-se no micro, no doméstico. A letra torna o sufrimento que é (1:42) afestrato, em algo universal, compreensível para todos.

Sim, claro. E a expressão silêncio (1:48) de um país não é apenas a ausência de som, pois não. É um silêncio forçado, é (1:54) impossibilidade de partilhar essa dor com o mundo.

E a ideia de um medo que não é só (1:58) político, mas que se infiltra no dia a dia, é muito forte, a um vez que me marcou (2:03) particularmente. As casas que terminam nos couro. É uma imagem terradora.

É uma imagem (2:12) de pessoas tremem. Ao dizer que as casas tremem, o autor personifica o medo. Torna-o (2:18) num agente externo, uma força de natureza que abala os próprios alicerces da sociedade, (2:23) que é o lar, o refugio.

O terror deixa de estar na rua e passa a estar (2:27) dentro de casa. Precisamente. Dentro de casa, no escuro, a canção (2:31) estabelece isto muito bem.

O antidunista principal da história não é uma pessoa, não (2:36) é um país, é este ambiente de medo e de silêncio. E ao palco perfeito para a entrada (2:41) de um irói para se invizer. E ao que acontece, é seguir este cenário de silêncio afluta (2:47) a canção entre um de uma voz.

Mas descrevo-lhe uma firma que me parece a primeira vista (2:52) contra intuitiva. Descar uma voz suave, mas sei a d’ardor. Por que este contraste? Numa (2:59) situação tão extrema não seria separar um grito de raiva, uma voz mais dura, mais (3:03) engauda.

Essa é uma escolha fundamental, quer dizer, é uma escolha que define todo (3:07) o retrato de personagem. Uma voz raiva seria de um revolucionário, talvez de um líder (3:13) militar, certo. Uma voz suave sugera algo diferente, sugera persuasão, reviliancia, talvez (3:21) até uma autoridade moral ou espiritual.

O ardor d’alha paixão, a força, mas a sua (3:27) vida muda completamente a natureza desse poder. A letra força isto logo é seguir, ao (3:32) dizer que erguiu a verdade que ninguém pode me casse. Arma dele não é a força, é (3:37) verdade.

Isso em quadro de uma forma quase religiosa (3:40) ou filosófica, mais do política. E a canção continua nessa linha, chama a sua voz (3:46) um brito vindo da alma. É uma pessoa muito visceral.

O que é que isso é que se senta? (3:52) É que se senta uma camada de inovitabilidade. De autenticidade. Um brito vindo da alma (3:59) não é um discoscalculado, não é propaganda.

A canção está a dizer que esta voz era (4:05) uma necessidade primordial, uma expressão humana tão fundamental que não podia ser contida. (4:11) E coloca em oposição direto ao silêncio. Exatamente.

Em oposição direto ao silêncio (4:17) imposto que descreveu antes. Se o silêncio era artificial, o brito da alma é orgânico, (4:23) é naturalizar reclamar o seu espaço. E crucialmente, a letra diz que esta voz era mais (4:30) forte do que qualquer temor.

Atacando diretamente o antagonista da história. (4:34) Não está. Atacando diretamente o unido.

(4:37) Atentemos esta voz quase como uma força da natureza, mas depois a canção muda o foco. (4:42) Passa da voz, que é algo mais etérico, para as ações da pessoa. E o que está a caímpatia, (4:48) diz que ele surou com o povo sentiu cada frida.

(4:52) O que esta mudança de foco nos diz sobre o tipo de liderança que a canção quer retratar? (4:57) Diz-nos que a força daquela voz não vinha de uma convicção ideológica abstrata, mas (5:03) sim de uma ligação humana, ah, profunda. A letra faz que estão de mostrar que ele não (5:08) era um líder distante a falar de uma torre de marco. (5:11) Estava no terreno.

Estava no meio do sofrimento, a sentido. É a clássica imagem do líder (5:16) servidor, e este é crucial para a frase que vêm a seguir, e transformou o sofrimento (5:21) em esperança renaxida. Só quem senta o sofrimento pode, legitimamente transformar-lo.

(5:27) É um processo quase alquílico, o que é a canção de escreve. Ele absorva dor e devolve (5:33) sofrança, e ametáfora-se vinte para suicificar essa ideia. Descreve-o como um pastor que (5:39) protegeu o seu povo até o último momento.

Este imagem do pastor é muito liberado, não é? (5:45) Estremamente liberada. Um pastor não é o rei, não é o general. A autoridade de um pastor (5:50) não vem do poder ou da força, vem do cuidado, da responsabilidade, do sacrifício, (5:56) é uma imagem de liberadamente política, quase espiritual.

E, senti-se, senti-se, porque ele (6:02) leva a figura acima das disputas terrenas, mas por outro lado, também corre um risco (6:07) de empagar a astucia e a estratégia de política que foram certamente necessárias para navegar (6:12) uma situação daquelas. A canção está de facto construir uma imagem de um santo (6:16) não necessariamente de um político. O que foi sentido há-se que a sua força, (6:21) a segunda letra, vem de um coração gigante e não de um plano genial.

É uma força (6:26) moral. Mas esta liderança tão focada na empatia, tão interna, como é que a canção explica (6:32) que ela tenha tido o efeito fora de timor? Ela faz uma afirmação muito usada, o mundo (6:38) finalmente parou para te morre escutar. Essa é a viragem na narrativa.

A canção (6:43) aborda o problema do isolamento, que já tinha sido surgido no início. Lembra-se (6:48) daquela parte que diz, no mundo tão distante ninguém quis acreditar? (6:51) Sim, pronto. A voz dele persistente, que ergueu a verdade, é apresentada como o ferramente (6:58) que cobrou essa barreira de indiferença.

E a canção estabelece uma ligação direta entre (7:03) a atenção externa e a mudança interna. Sim, essa ligação é muito clara no verso, (7:08) o medo que dominava começou a desmoronar quando sua curagem ensinou o mundo a olhar. Para (7:14) sugerir que o medo só perde força quando há testemunhas.

Exatamente, a voz dele foi (7:20) o ponto a ponto. Precisamente, aliás, a canção usa essa palavra (7:24) mais à frente, chamando-la, a ponto entre o sofrimento do povo e o futuro melhor. A sua (7:30) função narrativa é conectar o mundo sechado e sufridor de timor com a comunidade (7:37) internacional e isso refleta um padrão que vemos na história, a opressão e a violência (7:42) prosperam no silêncio, na escuridão.

Quando uma voz consegue atreir a luz da atenção (7:47) mundial, as imánicas de poder no terreno alteram-se. (7:51) A atenção global torna-se marma, torna-se marma-se. E essa atenção global combina, claro, (7:56) no prêmio nadal da paz, é o conhecimento máximo.

Como é que a canção lida com o evento (8:02) tão monumental? Apresenta-o como uma vitória pessoal para ele. (8:06) Pelo contrário, e essa é talvez uma das escolhas víricas mais importantes. A canção em (8:11) quadro prêmio de forma muito, muito específica, diz que a luz do Nobel brilhou, não por (8:18) glória ou louvor.

Mas por sangue e lágrimas de um povo lutador. (8:23) Exato, é um ato deliberado de desdio da glória individual para a unra coletiva. (8:30) Ou seja, ele não é o irói que ganha a medalha.

Ele é o veículo através do qual, o (8:36) sufrimento do seu povo é finalmente reconhecido e honrado. (8:40) Precisamente, reforça a sua imagem de pastor, o prêmio não é pra ele, é pro Rubenho. (8:46) Isto impede que a canção se torna na síntulos hós, é um grande homem, mantendo o foco (8:51) na luta coletiva.

Ele é o megafone, mas o grito vem do povo, e isto é fundamental (8:55) para a integridade da narrativa. (8:57) Depois de todo este percurso, o silêncio, a voz, o reconhecimento mundial, a canção (9:03) chega ao presente. E traça uma linha muito direta, quase de contos de fadas, entre o passado (9:09) e o agora.

Hoje o timor respira paus, porque alguém acreditou. É apresentado de uma forma (9:15) assim tão simples, de causa e de feitos. (9:19) Sim, uma canção procura clareza narrativa e não a complexidade de interpretar a história.

(9:26) Para a canção, a paz atual é o resultado direto e inequivo com aquela criança e daquela voz. (9:32) E para garantir que não vemos isto como um evento que acabou, a letra descreva a sua voz (9:37) como eco-iterno que permanecerá para sempre com o valor. (9:41) Não é uma memória.

É uma presença continuada. (9:45) E quase no final, acontece algo inspirado. A letra que até aqui foi todo em português, (9:51) de repente muda para inglês, por um instante, para usar a frase da voz ou da voz la se (9:55) people of timor.

Por que o autor faria esta mudança de código linguístico tão perto (10:00) de fio? (10:01) Bem, eu acho que é um golpe de jane artístico. É um momento em que a canção universaliza a sua (10:06) própria história. Depois de nos contar a história na língua local, da dor local, ela adota (10:12) a língua franca global.

(10:13) Para usar o epíto, pelo qual esta figura se tornou conhecido internacionalmente. É como (10:19) se disse-se. A nossa história, contada na nossa língua, tornou-se tão importante que (10:25) o mundo reconhece por este nome, nesta língua.

(10:28) É a prova final de que a voz conseguiu mesmo quebrar o isolamento. (10:33) Sem dúvida, a prova final. (10:36) E o último verso parece acelerar isto ver.

A canção termina de forma categórica. A sua voz (10:41) é aquela voz, o mundo interrocutou. É o fecho perfeito do círculo.

(10:47) Perfeito. A narrativa começa com um silêncio de um país, um sofrimento introvertido e (10:53) ignorado, e termina como a voz ouvida pelo mundo inteiro. É ajudada completa do silêncio (11:00) ao som universal.

Daí em potência local, a revolvência global. A canção compra sua preneça. (11:07) Estraímos imenso de apenas uma letra.

É uma narrativa incrívelmente densa, começa (11:13) no sofrimento silencioso a apresentar uma voz baseada na empatia que é que era o medo. (11:19) E mostra começa a voz se torna um ponto para um mundo, resultando em reconhecimento e finalmente (11:24) em paz. (11:25) Exato.

O que esta fonte nos remostra é um arquético de liderança. Uma liderança enresada (11:32) não no poder, mas na autoridade moral e na verdade. E talvez o mais importante é uma (11:38) ode ao poder da arte e da comunicação.

Mostra como uma negativa persistente, mesmo (11:44) que suave, pode curar a indifensa global e na visão do artista claro, mudar o curso (11:50) da história de uma nação. (11:51) E para terminar uma reflexão que está analisem de essa. A canção e o proprietivo cristalizam (11:58) a luta de todo um povo na figura de um homem, a voz.

(12:02) Isso leva uma reflexão interessante sobre como quantamos das histórias. Com que frequência (12:06) é a canadativa de uma luta coletiva, do tal 100 milagremas de um povo lutador, é (12:11) personificada numa única figura. E o que que ganhamos em polariza, em inspiração, (12:17) o que é que potencialmente predemos em um lance na memória dos outros eróis anónimos (12:22) quando quantamos a história dessa forma.

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