12 16 Terça  Mt 21, 28-32  «Veio João e os pecadores acreditaram nele»

EVANGELHO«Veio João e os pecadores acreditaram nele»

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo, disse Jesus aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos do povo: «Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Foi ter com o primeiro e disse-lhe: ‘Filho, vai hoje trabalhar na vinha’. Mas ele respondeu-lhe: ‘Não quero’. Depois, porém, arrependeu-se e foi. O homem dirigiu-se ao segundo filho e falou-lhe do mesmo modo. Ele respondeu: ‘Eu vou, Senhor’. Mas de facto não foi. Qual dos dois fez a vontade ao pai?» Eles responderam-Lhe: «O primeiro». Jesus disse-lhes: «Em verdade vos digo: Os publicanos e as mulheres de má vida irão diante de vós para o reino de Deus. João Batistaveio até vós, ensinando-vos o caminho da justiça, e não acreditastes nele; mas os publicanos e as mulheres de má vida acreditaram. E vós, que bem o vistes, não vos arrependestes, acreditando nele».

Palavra da salvação.

REFLEXÃO

A Verdade do Coração a Caminho de Belém

Neste caminho de Advento, enquanto nos preparamos para o Natal, a liturgia coloca-nos diante de um espelho desconfortável mas necessário. A parábola dos dois filhos não é apenas uma história sobre obediência; é um exame de consciência sobre a coerência.

Muitas vezes, vivemos o Natal como o “segundo filho”. Somos rápidos a dizer “Sim, Senhor”. Enfeitamos as casas, preparamos as mesas, enviamos postais com mensagens de paz e até vamos à Missa. A nossa aparência é irrepreensível. Dizemos “eu vou”, mas, no fundo do coração, os nossos pés não se movem. Não vamos trabalhar para a vinha da caridade, do perdão real ou da mudança de vida. Ficamo-nos pela estética do Natal, sem a ética do Evangelho.

Por outro lado, Jesus elogia o primeiro filho. Aquele que, inicialmente, diz “não”. Talvez por cansaço, rebeldia ou fragilidade humana. Mas o que salva este filho é uma palavra chave para o Advento: arrependimento. Ele reflete, muda de ideias e vai.

A “vinha” de que Jesus fala não é um lugar distante; é a nossa própria vida, a nossa família, o nosso local de trabalho. O “trabalho” é a capacidade de amar concretamente, não apenas com palavras bonitas.

Neste tempo de preparação, Jesus avisa-nos que Deus prefere um coração sincero, que luta contra as suas próprias resistências e falhas (como os publicanos e as pecadoras do Evangelho), a uma religiosidade de fachada, polida mas estéril. Os “santos” de fachada bloqueiam a entrada de Deus; os pecadores que se reconhecem necessitados abrem-lhe a porta.

O Natal acontece verdadeiramente quando o nosso “não” inicial — o nosso egoísmo, a nossa preguiça — se transforma num “sim” através de ações concretas. Não interessa o que prometemos fazer, mas sim o amor que, de facto, entregamos.

Que nestes dias que restam até ao Natal, possamos ultrapassar a tentação das belas palavras vazias e abraçar a beleza humilde dos gestos verdadeiros.


Oração

Senhor Jesus, Diante do mistério do Teu nascimento que se aproxima, peço-Te a graça da sinceridade.

Perdoa as vezes em que o meu “sim” foi apenas ruído, e a minha fé foi apenas aparência. Livra-me da hipocrisia de honrar-Te com os lábios enquanto o meu coração permanece longe da Tua vinha.

Dá-me a coragem do arrependimento. Mesmo que eu hesite, mesmo que me custe, ajuda-me a transformar a minha vontade em passos concretos de amor e serviço.

Que o meu Natal não seja feito de promessas, mas de uma entrega real, pobre e humilde, tal como a Tua na manjedoura.

Ámen.

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