
12 09 Mt 18, 12-14 Deus não quer que se percam os humildes.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus
Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Que vos parece? Se um homem tiver cem ovelhas e uma delas se tresmalhar, não deixará as noventa e nove nos montes para ir procurar a que anda tresmalhada? E se chegar a encontrá-la, em verdade vos digo que se alegra mais por causa dela do que pelas noventa e nove que não se tresmalharam. Assim também, não é da vontade de meu Pai que está nos Céus que se perca um só destes pequeninos».
Palavra da salvação.
REFLEXÃO
..A Palavra de Jesus, neste trecho de Mateus, é uma parábola de urgência e predileção. O cenário é simples: um homem, um rebanho de cem, e a perda de apenas uma. A reação do Pastor desafia a lógica humana: em vez de se contentar com as noventa e nove seguras, Ele deixa os montes e parte em busca da única que se tresmalhou. A missão não tem fim até ao reencontro. A alegria desta recuperação supera a satisfação pela segurança das que não se perderam..
Jesus conclui com uma declaração teológica profunda, que é a certeza de todo o Advento: «Assim também, não é da vontade de meu Pai que está nos Céus que se perca um só destes pequeninos». Esta frase é a justificação do Natal: Deus não é um contabilista, mas um Pastor cujo amor é focado e radicalmente pessoal. Ele não descansa enquanto o perdido não for encontrado….
O Advento é o tempo em que o Pastor decide deixar o Seu lugar seguro, o esplendor da Sua Divindade, para se fazer um de nós e procurar-nos na escuridão dos nossos “montes”. O nascimento de Jesus em Belém, na humildade da manjedoura, é o cumprimento desta parábola. Ele, o Verbo Eterno, desce à nossa “terra tresmalhada” para nos resgatar.
Esta meditação convida-nos a identificarmo-nos com a ovelha perdida. Em que “montes” da minha vida me sinto tresmalhado? É no excesso de trabalho, na ansiedade, na mágoa não resolvida, na superficialidade da rotina? A Palavra garante que, precisamente aí, Jesus, o Bom Pastor, está em busca..
O ponto fulcral desta passagem é a alegria do Pastor. Ele não nos encontra com recriminação, mas com alegria. A nossa conversão, o nosso regresso à vida, é a Sua maior felicidade. O Natal não é apenas a celebração de um nascimento histórico; é a celebração do reencontro: Deus que Se alegra por nos ter encontrado de novo. O nosso dever de Advento é simplificar o nosso coração para sermos reconhecidos como um desses pequeninos aos quais o Pai dedica a Sua Vontade inabalável de salvação..
III. Oratio (Oração).
Senhor Jesus Cristo, Bom Pastor que nos chamas pelo nome,.agradecemos-Te porque não Te conformas com a nossa perda,.e porque a Tua Vontade, manifestada em Belém, é a nossa salvação..
Desperta em nós o sentido de sermos o pequenino que precisa de ser encontrado.
Concede-nos a humildade de reconhecer os “montes” onde nos tresmalhámos,…e a coragem de responder ao Teu clamor que nos chama de volta.Que a Tua alegria por nos encontrar seja a luz do nosso Advento,e que a nossa vida, reencontrada, Te glorifique. Ámen.