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12 13 Sábado Mt 17, 10-13 «Elias já veio e não o reconheceram»

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Ao descerem do monte, os discípulos perguntaram a Jesus: «Porque dizem os escribas que Elias tem de vir primeiro?» Jesus respondeu-lhes: «Certamente Elias há de vir para restaurar todas as coisas. Eu vos digo, porém, que Elias já veio; mas, em vez de o reconhecerem, fizeram-lhe tudo o que quiseram. Assim também o Filho do homem será maltratado por eles». Então os discípulos compreenderam que Jesus lhes falava de João Batista.
Palavra da salvação.

REFLEXÃO 

O Advento e a Arte de Reconhecer

Este trecho do Evangelho de São Mateus situa-nos num momento de transição: os discípulos descem do Monte Tabor, onde presenciaram a glória da Transfiguração, para regressarem à realidade do dia a dia. É precisamente neste “descer à terra” que encontramos uma das chaves mais profundas para viver o Advento: a capacidade de reconhecer Deus na simplicidade e na profecia.

A questão sobre Elias revela a ansiedade da espera. O povo de Israel sabia que Elias devia voltar para “restaurar todas as coisas” antes da chegada do Messias. Jesus, com a Sua autoridade divina, confirma que essa profecia já se cumpriu na figura de João Batista.

O Drama do Não-Reconhecimento

O ponto central e doloroso deste texto é a frase de Jesus: «Elias já veio; mas, em vez de o reconhecerem, fizeram-lhe tudo o que quiseram».

Aqui reside o grande alerta para o nosso Advento. João Batista, o Precursor, veio com um estilo de vida austero e uma mensagem radical de conversão. Ele não veio com o poder político ou o brilho que os escribas esperavam, mas com a verdade que incomoda. Porque a sua aparência e o seu apelo à mudança não coincidiam com as expectativas humanas, ele foi ignorado e, pior, eliminado.

Advento é limpar o olhar

Viver o Advento não é apenas esperar que o Natal chegue no calendário; é treinar o olhar interior para reconhecer Jesus que já vem ao nosso encontro de formas inesperadas.

  • A Cegueira das Expectativas: Tal como os contemporâneos de João não o reconheceram porque estavam presos às suas próprias ideias de como Deus deveria agir, nós corremos o risco de passar este Advento distraídos pelas luzes exteriores, falhando em ver Cristo no pobre, no doente, ou no silêncio da oração.
  • A Preparação pelo Sofrimento: Jesus liga o destino de João ao Seu próprio destino («Assim também o Filho do homem será maltratado»). O Advento recorda-nos que o Menino que nasce em Belém é o mesmo Cristo que se entrega na Cruz. A “restauração” que Deus traz não é mágica; ela passa pela humildade, pela entrega e, muitas vezes, pela incompreensão do mundo.

Conclusão

Este Evangelho convida-nos a uma vigilância ativa. João Batista preparou o caminho endireitando as veredas tortuosas do coração humano. Que neste Advento, não cometamos o erro dos escribas. Que tenhamos a humildade de reconhecer os “sinais de Elias” na nossa vida — os apelos à conversão, à justiça e à simplicidade — para que, quando o Senhor chegar, Ele encontre em nós uma casa acolhedora e não um coração fechado.