02 28 03 07 Peregrino onde vais…?

02 28  Segunda Feira da semana VIII 

EVANGELHO Mc 10, 17-27

«Vende o que tens e segue-Me»

A fé que nos leva a seguir Jesus pode ser mais ou menos profunda, e daí, para nós, mais ou menos exigente. Cada um há-de escutar a palavra de Jesus com a exigência que o Senhor lhe inspirar; mas, em qualquer caso, os interesses desregrados desta vida, especialmente o amor às riquezas, podem ser grande entrave para entrar na vida eterna!

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos

Naquele tempo, ia Jesus pôr-Se a caminho, quando um homem se aproximou correndo, ajoelhou diante d’Ele e Lhe perguntou: «Bom Mestre, que hei-de fazer para alcançar a vida eterna?». Jesus respondeu: «Porque Me chamas bom? Ninguém é bom senão Deus. Tu sabes os mandamentos: ‘Não mates; não cometas adultério; não roubes; não levantes falso testemunho; não cometas fraudes; honra pai e mãe’». O homem disse a Jesus: «Mestre, tudo isso tenho eu cumprido desde a juventude». Jesus olhou para ele com simpatia e respondeu: «Falta-te uma coisa: vai vender o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no Céu. Depois, vem e segue-Me». Ao ouvir estas palavras, o homem ficou abatido e retirou-se pesaroso, porque era muito rico. Então Jesus, olhando à sua volta, disse aos discípulos: «Como será difícil para os que têm riquezas entrar no reino de Deus!». Os discípulos ficaram admirados com estas palavras. Mas Jesus afirmou-lhes de novo: «Meus filhos, como é difícil entrar no reino de Deus! É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus». Eles admiraram-se ainda mais e diziam uns aos outros: «Quem pode então salvar-se?». Fitando neles os olhos, Jesus respondeu: «Aos homens é impossível, mas não a Deus, porque a Deus tudo é possível».

Palavra da salvação.

Reflexão

Hoje S. Marcos conta-nos que um homem rico pergunta a Jesus: «Bom Mestre, que hei-de fazer para alcançar a vida eterna?». Jesus responde enumerando os mandamentos da lei de Deus. O rico diz que os cumpre desde pequeno. Então Jesus, carinhosamente, sugere-lhe que ainda falta cumprir uma coisa: «Vai vender o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no reino dos Céus. Depois, vem e segue-Me. Ouvindo estas palavras, anuviou-se-lhe o semblante e retirou-se pesaroso, porque era muito rico».

Este episódio levou Jesus a instruir os seus discípulos sobre a necessidade de desprendimento dos bens terrenos para alcançar o reino de Deus. O apego aos bens endurece o coração – foi o que aconteceu ao jovem rico do evangelho de hoje, dificulta as relações com os outros, esfria a fraternidade humana, torna impossível o seguimento de Cristo.

O ensinamento de Cristo patrocina o desprendimento de quem sabe conformar-se com o necessário e partilhar com os outros o que tem não considerando o dinheiro como bem supremo. Se assim procedermos estamos aptos para a procura prioritária do Reino.

Cristo sendo rico, fez-Se pobre para nos enriquecer com a sua pobreza. A celebração do seu amor na Eucaristia tem de avivar em nós o sentido da pobreza cristã e da solidariedade para com os irmãos mais pobres.

ORAÇÃO

Senhor Jesus, vós convidais-nos a seguir-vos em pobreza voluntária no serviço do reino de Deus.

Ajuda-nos, Senhor, a romper com todas as nossas seguranças calculistas, tendo fé, arriscando e seguindo-Te, com a dignidade e a alegria do desprendimento.

VIDEO DE MEDITAÇÃO

O Senhor convida-nos a subir a montanha da felicidade. Diz-nos continuamente: Vem e Segue-me …Qual a nossa resposta?

Pe. Abílio Nunes, SDB

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03 01  Mc 10, 28-31  Terça  Feira da semana VIII 

VANGELHO Mc 10, 28-31

«Recebereis cem vezes mais, já neste mundo, juntamente com perseguições, e, no mundo futuro, a vida eterna»

Numa linguagem hiperbólica, isto é, aparentemente exagerada, se atendermos apenas às palavras em si mesmas, Jesus pretende fazer compreender a superioridade indiscutível do valor da vida de quem O seguir, em comparação com os valores deste mundo, em si mesmos considerados. A linguagem intencionalmente forte já por si manifesta como não é fácil de compreender o sentido da vida de quem mais de perto seguir o Senhor.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos

Naquele tempo, Pedro começou a dizer a Jesus: «Vê como nós deixámos tudo para Te seguir». Jesus respondeu: «Em verdade vos digo: Todo aquele que tiver deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos ou terras, por minha causa e por causa do Evangelho, receberá cem vezes mais, já neste mundo, em casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e terras, juntamente com perseguições, e, no mundo futuro, a vida eterna. Muitos dos primeiros serão os últimos e muitos dos últimos serão os primeiros».

Palavra da salvação.

— Reflexão 

Em nome dos seus companheiros, o apóstolo Pedro desejava saber qual a vantagem em seguir Jesus: “Já vês que nós deixámos tudo e seguimos-te”. Jesus promete para o presente uma recompensa centuplicada e para o futuro a vida eterna.

Após a renúncia aos afetos familiares e aos seus bens materiais, o discípulo encontrará, na comunidade dos irmãos na fé, apoio mais gratificante que as pequenas pertenças a que renunciou. 

Mas pelo seguimento de Cristo, o discípulo está longe de ter todos os problemas resolvidos. Embarcar com ele na aventura do Reino supõe estar disposto a enfrentar as tempestades que acompanham toda a travessia durante a vida.

Deste modo ser cristão não é caminho obscuro para a morte, mas ganho presente e futuro. Os discípulos, que agora estão na categoria dos últimos, passarão um dia a ser os primeiros.

O seguidor de Cristo sabe em quem confia, e a sua total dependência de Deus ver-se-á cumulada abundantemente pela sua generosidade que ultrapassa toda a medida. 

Tal sensação de plenitude pessoal não pode adquirir-se nem comprar-se com todo o ouro do mundo. Pois bem, Jesus ensinou isso há dois mil anos ao falar do desprendimento como condição para o seguir, alcançando assim a vida pela entrada no reino de Deus: Não necessitam de seguro contra todos os riscos; e encontram-se mais disponíveis para servir a Deus e abrir-se aos irmãos.

O desprendimento é a condição para seguir Jesus, alcançar a entrada no reino de Deus e comprometer-se a trabalhar para um mundo mais justo e mais humano, com atenção especial às necessidades dos mais pobres.

— Oração 

Obrigado, Senhor Jesus, pela recompensa que prometes aos que vos seguirem em pobreza generosa. Dá-nos um coração de pobres, despojados de tudo, para receber centuplicada a riqueza do vosso Reino, do teu amor, da tua graça e da vida eterna.

—- Canto de Meditação 

O reino de Deus é Paz e Justiça https://www.dominicus.pt/…/05/Ave-Maria-Mae-da-Igreja.m4v

Pe. Abílio Nunes, SDB

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Ev Mc 10, 17-27 

03 02 Mt6, 1-6. 16-18  Quarta Feia de Cinzas 

EVANGELHO Mt 6, 1-6.16-18

«Teu Pai, que vê no segredo, te dará a recompensa»

O tempo da Quaresma deve ser tempo de prática mais intensa das boas obras, particularmente das chamadas “obras de misericórdia”, sob a forma mais adequada às circunstâncias de cada um; mas, em qualquer caso, tudo há-de sair do coração sincero e penitente e conduzir à renovação, cada ano mais profunda desse mesmo coração, sob o único olhar de Deus. “A discrição é o perfume de todas as virtudes”, diz um Santo.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «Tende cuidado em não praticar as vossas boas obras diante dos homens, para serdes vistos por eles. Aliás, não tereis nenhuma recompensa do vosso Pai que está nos Céus. Assim, quando deres esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. Quando deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita, para que a tua esmola fique em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa. Quando rezardes, não sejais como os hipócritas, porque eles gostam de orar de pé, nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. Tu, porém, quando rezares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora a teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a ecompensa. Quando jejuardes, não tomeis um ar sombrio, como os hipócritas, que desfiguram o rosto, para mostrarem aos homens que jejuam. Em verdade vos digo: já receberam a sua recompensa. Tu, porém, quando jejuares, perfuma a cabeça e lava o rosto, para que os homens não percebam que jejuas, mas apenas o teu Pai, que está presente em segredo; e teu Pai, que vê o que está oculto, te dará a recompensa».

Palavra da salvação.

— Reflexão

O homem reto esforça-se por viver segundo a vontade de Deus cuidando constantemente do seu interior sem se preocupar com os aplausos dos outros . As leis humanas normalmente atingem o homem no seu comportamento exterior, a de Cristo desce ao mais intimo do próprio coração donde nasce o bem e o mal.

Jesus, novo Moisés veio ao mundo apresentar uma nova justiça : agradar a Deus através da esmola, a oração e o jejum abolindo a conduta publicitária dos hipócritas, e acreditar na recompensa do Senhor : Ele “vê no segredo”

Na nova religiosidade proposta por Cristo a intenção tem a primazia sobre a obra externa; o valor da nossa prática cristã é a rectidão, a sinceridade diante de Deus e a abertura ao próximo. Assim seremos testemunhas do evangelho e do seu reino e do verdadeiro culto a Deus em espírito e verdade.

A semente do Reino atua silenciosamente, mas a longo prazo mostra a sua eficácia transformando as estruturas e o coração do homem.

Somos hoje convidados a procurar a Deus sem aparências reluzentes, mas dando sempre atenção interior e entregando-se de alma e coração a buscar cumprir a sua vontade.

Ao receitarmos o Pai Nosso e dissermos com os lábios e com o coração: “Faça-se a vossa vontade”, estamos a seguir o seu exemplo. Porque “todo o que cumpre a vontade de meu Pai esse é meu irmão e minha irmã” (Mt 12,50).

Peçamos ao Senhor a graça de sermos cumpridores incondicionais da sua vontade servidores alegres do seu plano de salvação

— ORAÇÃO

Deus nosso Pai, purificaI-nos com o vosso olhar de santidade infinita.

Infundi em nós o vosso Espírito, vos procurar com sinceridade.

Transformai-nos por dentro para sermos transparentes à vossa luz.

— CANTO DE MEDITAÇÃO

Somos um povo que caminha … 

Pe. Abílio Nunes, SDB

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Liturgia: conhecer para amar.

O que é a Missa das Cinzas? Nesta 4º-feira, dia 6 Março, começa o Tempo Litúrgico da Quaresma. O Tempo da Quaresma ocorre nos quarenta dias antes da Páscoa (não se contam os Domingos). No primeiro dia deste vigoroso Tempo do Ano Litúrgico, a Igreja, cobre-se de cinzas na liturgia, dizendo a todos os fiéis com este austero rito da imposição das cinzas – somos pó e ao pó havemos de voltar!. Este imperativo é proposto à mente dos fiéis mediante as palavras “Convertei-vos e crede no Evangelho”. As cinzas recordam-nos a fragilidade e a transitoriedade da vida humana, elas são para nós, Católicos, um símbolo sobre o necessário e indispensável dever da “metanóia”, da conversão, da mudança de vida. Na Missa das Cinzas, o cristão recebe do Sacerdote, uma cruz na fronte com as cinzas obtidas da queima das palmas usadas no Domingo de Ramos do ano anterior. Esta marca deve ser deixada até ao pôr do sol. Este simbolismo relembra a antiga tradição bíblica de pôr cinzas sobre a cabeça em sinal de arrependimento perante Deus. Para nós, Católicos, é um dia de jejum e abstinência, não sendo por isso um acaso o facto desse dia ser precedido pelo carnaval, palavra que vem do latim caro vale e que significa “adeus à carne”. Esta primeira penitência quaresmal ajuda-nos a ganhar consciência do facto de que estamos de passagem neste fadigoso itinerário sobre a terra. Recorda a nossa fragilidade, a finitude da vida presente, a nossa morte. Se não tivermos na nossa vida Aquele que é raiz da Vida, Deus Excelso, o que nos resta é apodrecer num caixão. E repare-se que a morte física, não é mais do que uma pálida imagem de uma morte ainda mais terrível: a condenação eterna daqueles que partem deste mundo privados da graça divina. Por isso, o facto da nossa vida aqui na terra ser uma passagem, marcada por um fim, deve ser motivo para aproveitarmos todo o tempo de que ainda dispomos para combater o nosso egoísmo e prepararmo-nos para o dia em que vamos comparecer diante de Deus limpos de toda culpa e ornados de graça e santidade. Contrariamente ao que dizem os foliões desenfreados, a vida não são dois dias, a vida da alma é eterna e isso deve estimular-nos a trabalhar até ao fim. 

O que é Tempo Liturgico? O ano liturgico é o período de 12 meses, divididos em tempos litúrgicos, onde se celebram os mistérios de Cristo, assim como os Santos. Para organizar as comemorações religiosoas a Igreja estabeleceu um calendário de datas a serem seguidas, que se chama“Calendário Litúrgico”. O Ano Litúrgico começa no 1º Domingo do Advento e termina no sábado anterior a ele. O Ano Litúrgico está dividido em “Tempos Litúrgicos” e compreende dois tempos fortes, o Tempo da Páscoa, que é precedido pela Quaresma e o Tempo do Natal, que é precedido pelo Advento; nos restantes dias estamos no Tempo Comum.

Tempo do Advento – são quatro semanas antes do Natal, terminando no dia 24 de Dezembro. É um tempo de preparação para as solenidades do Natal. 

Tempo do Natal – começa na véspera do Natal de Nosso Senhor e vai até à Festa do Baptismo do Senhor. 

Tempo da Quaresma – dura quarenta dias, inicia-se na Quarta-feira de Cinzas e termina na Quinta-Feira Santa antes da Missa da Ceia do Senhor. É um tempo de conversão e penitência, jejum, caridade e oração em preparação para a Páscoa do Senhor. Neste período, na Missa, não se diz o Aleluia, nem se usam flores na Igreja, as imagens podem ser veladas com tecidos roxos, com exceção da cruz, que só é velada na Semana Santa, não devem ser usados muitos instrumentos e não se canta o Glória a Deus nas alturas, para que as manifestações de alegria sejam expressadas de forma mais intensa no tempo que se segue, a Páscoa. 

Tempo da Páscoa – período entre o Domingo de Páscoa e o Domingo de Pentecostes, são cinquenta dias. Com o Domingo de Ramos aproximamo-nos do intenso Tríduo Pascal. Na Quinta-feira Santa temos a Missa da Santa Ceia do Senhor, nela celebramos a Instituição da Eucaristia e do Sacerdócio, e comemoramos o gesto de humildade de Jesus ao lavar os pés dos discípulos. Na Sexta-Feira Santa celebra-se a Paixão e Morte de Jesus Cristo, por isso acontece apenas uma Celebração da Palavra, com Adoração da Cruz e a Comunhão. Durante o dia de sábado, Sábado Santo, a Igreja não exerce a Santíssima Eucaristia, pois permanece em contemplação de Jesus morto e sepultado. Mas chegada a noite desse sábado, o tempo já pertence ao Domingo de Páscoa e acontece a tão esperada Vigília pascal, o ponto máximo da Páscoa: o Domingo da Ressurreição. 

Tempo Comum – restam no ciclo anual 33 ou 34 semanas. É um período sem grandes acontecimentos, mas que nos mostra que Deus se faz presente também nas coisas mais simples.

Estes Tempos Liturgicos são só para a Missa? A liturgia ajuda-nos nos pequenos actos da igreja doméstica a caminhar rumo à santidade. É por isso muito aconselhável que as famílias transportem estes tempos litúrgicos, as festas, as vigílias, para o dia-a-dia em casa, criando ou desenvolvendo costumes piedosos relacionados com a liturgia. Tratam-se de devoções pessoais ou tradições pessoais (de enfeites da casa, culinária, orações, leituras, penitências, etc) que derivam das tradições da Igreja. Assim podemos viver melhor o ritmo cristão da nossa existência, andando no compasso do calendário da Igreja, e tornando a liturgia mais “nossa”. Desta forma é mais fácil participar da Missa já que nos associarmos ao que a Igreja Universal faz, e fazemos a nossa família realmente uma igreja doméstica. Na nossa cultura há uma série de costumes familiares, gastronómicos, devocionais, que estão intimamente relacionados com a liturgia, ao manter estas tradições piedosas em casa estamos a passar às gerações vindouras um conhecimento e um amor a Deus tão subtil quanto genuíno. 

Um Feliz e Santo Domingo Gordo!

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03 03 Lc 9, 22-25  Quinta feira depois das  Cinzas 

EVANGELHO Lc 9, 22-25 «Quem perder a vida por minha causa, salvá-la-á»

Desde o princípio da Quaresma nos é também proposto o Mistério Pascal de Cristo morto e ressuscitado, mistério que vamos celebrar no Tríduo Pascal. Mas o que a Igreja celebra na liturgia, ela o vive na vida de cada dia, seguindo o Senhor Jesus Cristo, o qual deu a vida por nós para nos levar à glória.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: «O Filho do homem tem de sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos príncipes dos sacerdotes e pelos escribas; tem de ser morto e ressuscitar ao terceiro dia». E, dirigindo-Se a todos, disse: «Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz todos os dias e siga-Me. Pois quem quiser salvar a sua vida, tem de perdê-la; mas quem perder a vida por minha causa salvá-la-á. Na verdade, que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se vier a perder-se ou arruinar-se a si próprio?».

Palavra da salvação.

– Reflexão

Nesta quinta-feira, entramos na dinâmica do seguimento de Jesus em direção ao Calvário. No trecho do evangelho de hoje, Jesus anuncia aos seus discípulos o preço a pagar pela salvação da humanidade: perseguição, rejeição, condenação à morte e ressurreição.

Como o discípulo não é mais do que o Mestre, Jesus fala das exigências do seguimento: um caminho tortuoso repleto de incompreensões, perseguições, e em alguns casos o martírio e a morte… 

Perguntemos a nós próprios: Vale a pena aceitar um Mestre que não propõe um sucesso humano mas uma derrota? 

Sim, se confiarmos na sua Palavra Divina e eficaz: Quem perder a sua vida por minha causa, achá-la-á (Mt 16,25) 

Vale a pena apostar em Cristo! Começar e acabar todas as atividades n’Ele. Perder por Cristo implica confiança absoluta na recompensa e opção decisiva entre morte e vida. Feliz o homem que pôs a sua esperança no Senhor. (do salmo 1) 

Assumir o sofrimento a exemplo de Cristo é dar um sabor novo à nossa vida. Fugir da Cruz, centrar-se no nosso egoísmo é acabar completamente estéril…

Neste início da quaresma levantemos o nosso olhar para a Cruz e celebremos o grande mistério da morte e ressurreição de Cristo. Vivamos por Cristo, com Cristo e em Cristo. Se deixarmos que Ele entre no nosso coração, sentiremos dentro de nós um fogo ardente a penetrar todo o nosso corpo: “A minh’alma tem sede de vós como a terra sedenta, ó meu Deus!” (Sl 62,2).

— Oração 

Senhor Jesus, inflamai os nossos corações para sermos desapegados em favor do anúncio da Boa Nova, para que tenhamos sempre a consciência de que a vossa graça nos basta, para que sejamos impelidos a escolher sempre a melhor parte: a liberdade, o Céu.

03 04  Mt 9  14-15  Sexta  Feira depois das Cinzas 

EVANGELHO Mt 9, 14-15

«Quando o esposo lhes for tirado, jejuarão»

Os dias em que o esposo será tirado é uma alusão à morte de Jesus. Hoje, esses dias – os dois primeiros do Tríduo Pascal – serão os dias de jejum por excelência da comunidade cristã. Ora, a Quaresma prepara para a celebração do Tríduo Pascal. É neste espírito de participação na paixão do Senhor que jejuamos na Quaresma, na forma e na medida em que o acharmos oportuno e a generosidade do nosso coração o inspirar, para morrermos com Ele e com Ele ressuscitarmos.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Mateus

Naquele tempo, os discípulos de João Baptista foram ter com Jesus e perguntaram-Lhe: «Por que motivo nós e os fariseus jejuamos e os teus discípulos não jejuam?» Jesus respondeu-lhes: «Podem os companheiros do esposo ficar de luto, en¬quanto o esposo estiver com eles? Dias virão em que o esposo lhes será tirado e nessa altura hão-de jejuar».

Palavra da salvação.

— Reflexão 

O tema de hoje em Mt 19,14-15 convida-nos a refletir no sentido e importância do jejum entre os Judeus. Compreende-se facilmente o confronto entre os dois grupos de discípulos: os de João Baptista e os de Jesus, os observantes do Jejum ritual e os não observantes.

Jesus responde que Ele é o “noivo da comunidade”, e enquanto está presente não há motivo para jejuar. No dia em que Ele for tirado da comunidade, haverá motivos para jejuar. O tempo da sua presença na vida terrena é uma festa de bodas, e não convém o jejum.

Assim Jesus não se manifesta contra o jejum feito em ocasiões especiais, quando queremos servir melhor a Deus, quando nos arrependemos dos nossos pecados quando queremos criar em nós uma verdadeira «caridade operosa», para nos libertar dos fermentos do pecado…

Tendo em linha de conta a advertência de S. Paulo;  “Portanto, quer comais quer bebais, ou façais, qualquer outra coisa, fazei tudo para glória de Deus(1 Cor 10,31)”. perguntemos a nós mesmos com sinceridade: 

Meus jejuns são autênticos compromissos com Deus ou faço-os por protocolo? Meus jejuns surgem do fundo do meu coração, da minha vontade? Qual o meu real compromisso cada vez que escuto a palavra de Deus?

Mais do que preocuparmo-nos com o jejum ritual, é importante viver a dimensão festiva da presença do Senhor que nos leva a colaborar com entusiasmo no seu Reino de amor!…

— Oração —

Pela Vossa bondade, Senhor, mostrai-Vos favorável às nossas obras de penitência, a fim de podermos realizar com espírito sincero a observância quaresmal que nos impomos.

Pe. Abílio Nunes

03 05  Lc  5, 27-32   Sábado depois das Cinzas 

EVANGELHO Lc 5, 27-32

«Eu não vim chamar os justos,

vim chamar os pecadores, para que se arrependam»

A história do chamamento de Levi lê-se no início da Quaresma para nos inculcar o sentido último deste tempo litúrgico e nos ajudar a descobrir a intenção profunda do apelo que o Senhor dirige neste tempo à sua Igreja, e, por ela, a todos os homens. O Senhor olha para nós hoje como olhou outrora para Levi, com olhar de misericórdia; e chama-nos como a ele o chamou. A Quaresma é tempo favorável para escutar o seu apelo. E a resposta de Levi é modelo para a nossa resposta.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, Jesus viu um publicano chamado Levi, sentado no posto de cobrança, e disse-lhe: «Segue-Me». Ele, dei¬xando tudo, levantou-se e seguiu Jesus. Levi ofereceu-lhe um grande banquete em sua casa. Havia grande número de publicanos e de outras pessoas com eles à mesa. Os fariseus e os escribas murmuravam, dizendo aos discípulos: «Porque comeis e bebeis com os publicanos e os pecadores?» Então Jesus, tomando a palavra, disse-lhes: «Não são os que têm saúde que precisam de médico, mas sim os doentes. Eu não vim chamar os justos, vim chamar os pecadores, para que se arrependam».

Palavra da salvação.

Reflexão de S. Marcos 

REFLEXÃO

«Não vim chamar os justos, mas os pecadores» Mc 2, 13-17

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos

Naquele tempo, Jesus saiu de novo para a beira-mar. A multidão veio ao seu encontro, e Ele começou a ensinar a todos. Ao passar, viu Levi, filho de Alfeu, sentado no posto de cobrança, e disse-lhe: «Segue-me». Ele levantou-se e seguiu Jesus. Encontrando-Se Jesus à mesa em casa de Levi, muitos publicanos e pecadores estavam também a mesa com Jesus e os seus discípulos, pois eram muitos os que O seguiam. Os escribas do partido dos fariseus, ao verem-n’O comer com os pecadores e os publicanos, diziam aos discipulos: «Por que motivo é que Ele come com publicanos e pecadores?». Jesus ouviu e respondeu-lhes: «Não são os que têm saúde que precisam do médico, mas os que estão doentes. Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores».

Palavra da salvação.

Os líderes religiosos criticaram Jesus por se relacionar com pecadores e cobradores de impostos como Levi. Os ortodoxos judeus evitavam escrupulosamente sua companhia, recusavam-se a fazer negócios com eles, recusavam-se a dar ou receber qualquer coisa deles, e evitavam qualquer forma de entretenimento com eles, incluindo comunhão à mesa.  A relação de Jesus com pecadores chocou a sensibilidade desses judeus… Ao chamar Levi, que também era chamado de Mateus (ver Mateus 9: 9) para ser um de seus discípulos, Jesus escolheu um dos homens mais suspeitos – um cobrador  de impostos.

Quando os fariseus criticaram o seu comportamento pouco ortodoxo ao comer com pecadores públicos, a defesa de Jesus foi bastante simples: Um médico não precisa visitar pessoas saudáveis; em vez disso, ele vai visitar os que estão doentes.

Jesus declarou sua missão em termos inequívocos: Não vim chamar os justos, mas sim os pecadores. Ironicamente, os ortodoxos eram tão necessitados quanto aqueles que desprezavam. Todos pecaram e carecem da glória de Deus (Romanos 3:23). 

Agradeçamos ao Senhor a grande bondade e misericórdia que ele tem demonstrado para connosco Assim como foi à casa de Mateus e comeu com os pecadores, seus amigos, Ele também se dispõe a entrar na nossa casa e quer salvar a nossa família, mesmo aqueles(as) a quem nós mesmos consideramos “perdidos”. Ele hoje quer entrar na nossa casa pelo nosso testemunho de vida, dos nossos gestos concretos de amor quando assumimos a Sua Palavra, vivenciando o perdão, a misericórdia, a compreensão, a concórdia, a paz e a união…

ORAÇÃO

Senhor Jesus, nosso Salvador, recorremos a Vós: Aquece nossos   corações frios , purifica-os com o vosso  sangue precioso. Fortalece o nosso coração   com Espírito alegre. Preenche nossos corações vazios   com vossa   presença divina. 

VIDEO DE MEDITAÇÃO 

De cobrador de impostos a Apóstolo de Jesus

Jesus veio para os pecadores… Um médico não precisa visitar pessoas saudáveis; em vez disso, ele vai visitar os que estão doentes.

Nós também precisamos de cura…«Esteve no deserto, conduzido pelo Espírito, e foi tentado»

03 06   Lc4, 1-13     Domingo depois das Cinzas 

EVANGELHO Lc 4, 1-13

«Esteve no deserto, conduzido pelo Espírito, e foi tentado»

A tentação no Deserto não foi um acontecimento isolado. Foi o começo duma luta contra o «príncipe deste mundo», que se prolongará por toda a vida, atingindo o auge com a Morte em Jerusalém.

Como a de Jesus, a vida do cristão conhece também a prova da tentação. O Baptismo, que nos faz filhos de Deus, não nos introduz num estado de segurança. É antes o começo de dura caminhada, no decorrer da qual a nossa fidelidade a Deus é, muitas vezes, posta à prova.

Em todas as circunstâncias, porém, o cristão poderá ser invencível. Cristo Ressuscitado, que venceu, definitivamente, o mal, ficou na Eucaristia, para nos comunicar esse poder.

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas

Naquele tempo, Jesus, cheio do Espírito Santo, retirou-Se das margens do Jordão. Durante quarenta dias, esteve no deserto, conduzido pelo Espírito, e foi tentado pelo Diabo. Nesses dias não comeu nada e, passado esse tempo, sentiu fome. O Diabo disse-lhe: «Se és Filho de Deus, manda a esta pedra que se transforme em pão». Jesus respondeu-lhe: «Está escrito: ‘Nem só de pão vive o homem’». O Diabo levou-O a um lugar alto e mostrou-Lhe num instante todos os reinos da terra e disse-Lhe: «Eu Te darei todo este poder e a glória destes reinos, porque me foram confiados e os dou a quem eu quiser. Se Te prostrares diante de mim, tudo será teu». Jesus respondeu-lhe: «Está escrito: ‘Ao Senhor teu Deus adorarás, só a Ele prestarás culto’». Então o Diabo levou-O a Jerusalém, colocou-O sobre o pináculo do templo e disse-Lhe: «Se és Filho de Deus, atira-Te daqui abaixo, porque está escrito: ‘Ele dará ordens aos seus Anjos a teu respeito, para que Te guardem’; e ainda: ‘Na palma das mãos te levarão, para que não tropeces em alguma pedra’». Jesus respondeu-lhe: «Está mandado: ‘Não tentarás o Senhor teu Deus’». Então o Diabo, tendo terminado toda a espécie de tentação, retirou-se da presença de Jesus, até certo tempo.

Palavra da salvação.

Evangelho de S. Marcos

Domingo I da Quaresma 

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Marcos (Mc 1, 12-15)

Naquele tempo, o Espírito Santo impeliu Jesus para o deserto. Jesus esteve no deserto quarenta dias e era tentado por Satanás. Vivia com os animais selvagens e os Anjos serviam- n’O. Depois de João ter sido preso, Jesus partiu para a Galileia e começou a pregar o Evangelho, dizendo: «Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho».

— Reflexão

“O Espírito Santo impeliu Jesus para o deserto. Jesus esteve no deserto quarenta dias e era tentado por Satanás.” Com o simbolismo das palavras quarenta – a vida da pessoa na sua totalidade e a palavra deserto – o mundo, lugar das forças inimigas (Satanás) (as autoridades, o povo e até os discípulos (Mt 16,23) o Evangelista mostra como Jesus superou todas as provas na fidelidade à sua Missão iniciada após o batismo no rio Jordão…

Como continuadores da missão de Cristo, recebemos no dia do nosso batismo a força do Espírito Santo para superar todas as provas a exemplo de Jesus que foi tentado em tudo como nós (Hb 4,15;2,18).

“vivia entre as feras e os anjos serviam- nO” Evangelista alude simbolicamente ao renascimento de uma nova lei, nova aliança, com a sua vinda. Com o pecado de Adão os animais revoltaram-se contra ele e os Anjos expulsaram-nos do Paraíso; Com o novo Adão (Jesus Cristo) surge o homem novo construtor da Paz universal. Se a desobediência do primeiro homem originou sofrimento, escravidão e morte, a obediência de Jesus deu início a um novo paraíso.

“«Cumpriu-se o tempo e está próximo o reino de Deus. Arrependei-vos e acreditai no Evangelho».” Estes versículos constituem a síntese da pregação de Jesus.  Um convite a todo o crente no início da Quaresma: Passar do “homo homini lupus” (o homem lobo para outro homem” ou do “homo homini socius “ o homem companheiro para o outro homem) para o “homo homini frater” (homem irmão para outro irmão)…

— Oração —

Deus paciente e misericordioso, disponde os nossos corações à escuta da vossa Palavra, para que neste tempo que nos ofereceis se cumpra em nós a verdadeira conversão.

Pe. Abílio Nunes, Salesiano