Daily Archives: August 23, 2020

Ana Eduardo Ribeiro
Psicóloga Clínica – Psicanalista

Onde mora a felicidade?

A felicidade mora num lugar precioso dentro de nós, competindo-nos saber onde está a chave que abre essa porta, para aí entrar e ficar, nem que seja por uns instantes.

 

A felicidade não é assim tão fácil de reduzir ao seu significado. Cada pessoa sabe o que a faz sentir-se feliz de acordo com as suas próprias fontes de satisfação. É um sentimento de plenitude e sensação de equilíbrio total, sendo a alegria o ingrediente principal que anima esse afeto de vivacidade.

É o desejo mais aspirado por todos, fazendo parte de todos os pedidos íntimos; no sopro das velas do bolo de aniversário, na entrada do novo ano, nas mudanças de etapa de vida, todos esperam alcançar esse estado. Ao mesmo tempo, há uma consciência coletiva de que é difícil mantermo-nos permanentemente felizes, devido às coisas mais pesarosas da vida que atrapalham e pregam rasteiras.

Aristóteles reconheceu como elementos básicos da felicidade, a boa saúde, a liberdade e uma boa situação económica. Algo tão atual nos discursos generalistas sobre o que ajuda a ser feliz: ter saúde, amor, um bom trabalho e dinheiro. Passados séculos e séculos, as principais aspirações não mudaram.

Bertrand Russel, no seu livro A Conquista da Felicidade, concluiu que para atingir a felicidade é necessário alimentar uma multiplicidade de interesses e de relações com os outros Homens. Para manter o gosto de viver, deve eliminar-se uma posição egocêntrica e ultrapassar o perigo/infelicidade que o cansaço gera. Ou seja, a pessoa que é capaz de descentrar-se e olhar para os outros, sendo altruísta e fazendo os outros felizes, ganha com o reflexo da felicidade que causa à sua volta.

 

Freud elucidou-nos que todos os Homens procuram a felicidade através da regência do Princípio do Prazer, mas explica-nos igualmente que, como não é possível viver apenas segundo o Princípio do Prazer porque existe outro Princípio, que é o Princípio da Realidade, o máximo a que conseguimos aceder é a um estado de felicidade parcial. No balanço entre prazer e realidade, vivemos mais ou menos felizes quanto melhor conseguirmos encaixar e equilibrar os dois princípios no nosso modo de vida. Devemos aceitar o imperativo da realidade e usufruir dos nossos sonhos tornados realidade, das conquistas conseguidas, da capacidade de sonharmos acordados.

Se a felicidade é, sobretudo, um estado mental que se traduz na serenidade sentida na psique e num estado de relaxamento sentido no corpo,  todos os sinais de ansiedade que nos podem assaltar devem ser identificados para serem suspensos. Quando invadidos por tais ânsias, podemos tentar pausar o nosso pensamento, adotar uma atitude compreensiva sobre o que nos está a deixar ansiosos, de modo a não perder o pé e continuarmos a nadar sobre as várias marés da vida.  Afinal, inevitavelmente, temos de nos defrontar com momentos infelizes e temos de ser capazes de não nos afundarmos na amargura. Ultrapassar esses momentos contribui para o sentimento de feliz alívio. Suplantar as adversidades permite reencontrar a segurança e manter a noção que tudo se compõe. Na maioria das vezes, mesmo vivendo situações muito difíceis,  os aspetos da nossa vida que alimentam a sensação de bem-estar geral não são afetados. A frase feita que diz que “a vida continua” é senão esse conforto e embalo para continuarmos a andar para a frente.

É importante termos a noção que a prevalência de mais ou menos estados de felicidade depende da nossa interpretação do mundo, de como pensamos e sentimos, de como nos colocamos nas nossas relações e da nossa vivência interior.  Aproveitarmos a nossa vitalidade, irmos auscultando como mantemos o que gostamos, apreciarmos os nossos e o que é nosso, rirmos com genuína vontade e alegria, reconhecermo-nos no caminho que escolhemos seguir ao longo da vida, deixarmo-nos surpreender pelo que o mundo nos traz de novo e sentirmos a calma são ingredientes para conservar os pedaços de felicidade. Há que guardar bem os momentos doces, que ajudam a combater aqueles ocasionais amargos. Sabemos bem que não é possível termos todas as esferas da nossa vida irradiadas pela luz cor-de-rosa. Aliás, nem nós aguentaríamos estar sempre a suspirar de êxtase. Há que intercalar tranquilidade e estados de paz. Aceitar as intempéries. Ora bem, a felicidade mora num lugar precioso dentro de nós, competindo-nos saber onde está a chave que abre essa porta, para aí entrar e ficar, nem que seja por uns instantes.

 

Day after day

hora 10/ago 11/ago 12/ago/        13/ago 14/ago 15/ago 16/ago 17/ago
                 
Hora Segunda   Terça Quarta  Quinta Sexta Sabado Domingo Segunda
                 
06:30   279   216       139
07:00                
07:30     205     60 190  
08:34         228 84   60
09:00:00   290   230        
00:00:00   256           114
11:30:00   169 221          
12:32:00   254            
13:00:00   249 154 210 210   99 111
14:00:00     206     88    
                 
14:20:00     210          
17:00:00   94 169          
                 
                 
                 
16:28:00 106 60 180          
17:03:00     174         254
19:25:00     146          
17:42:00   111            
18:37:00 243              
19:25:00 255 168   230 103 253 134 314
21:09:00     92          
22:00:00 100 202 133     48    
23:00:00       142       224

Domingo XXII do Tempo Comum

XXII DOMINGO DO TEMPO COMUM Ano A
PRIMEIRA LEITURA JR 20,7 9
A Palavra do Senhor tornou-se para mim ocasião de insultos.
Ler a Palavra
Os capítulos 11-20 do Livro de Jeremias contêm as «cinco confissões» (cf. 11,18 12,6; 15,10,21; 17,14-18; 18,18 23; 20,7-18): precisamente desta última é que foi extraído o texto que a liturgia hoje nos propõe. A narração é a continuação dos acontecimentos da saída do cárcere do profeta, preso devido a um oráculo ende¬reçado contra o reino de Judá (cf. JR 19,14-20,6).
Compreender a Palavra
Oferecer a vida como sacrifício espiritual (cf. segunda leitu¬ra) é o que Deus deseja de cada um de nós. Jeremias está cho¬cado com a experiência da prisão, quereria fugir à missão que Deus lhe confiara, mas não consegue. No texto, aparentemen¬te semelhante a uma oração, sobressai a sequência «sedução- -dominação-violência» (w. 7-8), com a qual Deus atrai a Si o profeta, tornando-o capaz de pregar aquilo que ele não desejaria e suportar o escárnio dos adversários. O Senhor é mais forte do que ele e do que a sua rebelião (cf. JR 20,14-18), por isso Jeremias deverá obedecer-Lhe.
O profeta, provado até ao extremo, mas definitivamente ven¬cido por Deus, é símbolo de todo o cristão chamado a reconhecer em si mesmo o sinal da vocação ao amor e ao testemunho. Quem
XXII DOMINGO 1)0 TEMPO COMUM I 229
se deixa seduzir pelo Senhor, porque descobre que é objecto do Seu amor, encontra em si mesmo a força e não se furta à ofer¬ta contínua de todas as provas que lhe vêm do seu testemunho. Olhemos para Jeremias, mas sobretudo para Cristo que cumpre a figura d’Ele: Ele é o verdadeiro servo, que sofre e oferece a vida em sacrifício. A Sua obediência nos conforte e coloque entusias¬mo no nosso testemunho.
SALMO RESPONSORIAL SL 62,2-6.8-9
Expressão de um orante ou de uma comunidade, o salmo can¬ta como não devemos desencorajar perante a aridez espiritual se confiarmos no Senhor, implorando-O incessantemente e conce-dendo espaços à oração. Então faremos a experiência do poder divino e vivê-lo-emos como uma «força» que nos «ampara» (v. 9).
SEGUNDA LEITURA RM 12,1-2
Oferecei-vos como vítima viva.
Ler a Palavra
Tendo em vista um verdadeiro «culto espiritual» (v. 1) que se há-de viver como força a opor ao espírito do «mundo», Paulo aconselha uma renovação total do pensamento (cf. RM 12,2-16) e da acção (12,17). O motivo por que exorta os cristãos a um novo modo de relação com o Senhor deve certamente ser visto na von¬tade de ultrapassar práticas religiosas somente exteriores, como as do Judaísmo que se viam no seu tempo.
Compreender a Palavra
O Apóstolo coloca no centro da questão a qualidade de uma relação com Deus que se esforce por «discernir» e cumprir a «Sua vontade» (v. 2), uma atitude de procura que deve permanecer du¬rante toda a vida. Esta é a atitude que ele define por «culto espi¬ritual» (v. 1), ou seja, não ligado a lugares ou a regras, mas sim unicamente preocupado com a autêntica adoração de Deus.
Não é uma novidade admitir que a prática do culto exterior não corresponde sempre à bondade da nossa vida concreta, já que esta é qualitativamente inferior aos recursos que recebe da celebração dos mistérios de Cristo. Com muito maior razão de-vemos sentir como urgente a exortação de Paulo, para que faça¬mos da nossa vida o espelho daquilo que celebramos. Trata-se de viver radicalmente os recursos do Baptismo, da Confirmação e da Eucaristia, empenhando-nos numa caminhada constante de conversão que nos leve a uma conformidade gradual a Cristo.
Entreguemos a nossa vida ao Senhor, para que, iluminada por Ele, saiba crescer e cumprir constantemente a Sua vontade
EVANGELHO MT 16,21-27
Se alguém quiser seguir-Me, renuncie a si mesmo.
Ler a Palavra
É particularmente intensa a afirmação segundo a qual Jesus «tinha» de sofrer a Sua Páscoa (v. 21). A recusa de Pedro exprime bem a dificuldade em admitir a perspectiva salvífica de Cristo, marcada pela Sua morte (w. 22-23). Os versículos 24-27 demons¬tram maior abertura eclesial, porquanto mediante a imagem «to¬mar a sua cruz e seguir» Jesus, o destino dos discípulos fica estrei¬tamente ligado ao do seu Senhor.
Compreender a Palavra
A confissão de Pedro (cf. Mt 16,16, Evangelho do domingo passado) confere uma tonalidade nova ao ministério de Jesus: a partir daquele momento torna-se evidente a decisão de che¬gar a Jerusalém e o ensinamento explícito acerca da necessidade da Cruz, que jamais deixará de escandalizar e ser declarada ex¬pressão de loucura, desafia os discípulos de todos os tempos a amadurecerem uma fé profunda e vital no Senhor morto e ressuscitado. Quem não a acolhe torna-se para Jesus um «obstá-culo» – scandalum, na língua grega, isto é, «pedra de escândalo» (v. 23) – impedindo-O de continuar a Sua caminhada, que tem como objectivo conseguir a salvação para toda a Humanidade.
Somos mais uma vez apanhados de surpresa por Jesus nesta perturbadora página evangélica. Não se trata de rejeitar Cristo por causa do sofrimento e da prova; trata-se antes de levar ambos aos pés do crucifixo, para que eles nos restituam mais vigorosa¬mente a Cristo. Tentar escapar a esta perspectiva significa perder as feições originais da nossa identidade cristã.
DA PALAVRA PARA A VIDA-
Como nos sentimos mal quando sofremosl Não conhecemos os porquês, faltam-nos as forças, a própria fé vacila. Onde podemos ir buscar a razão de tudo isto? De que modo pode¬mos agir para que a Palavra de Deus actue em nós, a qual nos diz que não há sequela autêntica se não houver aceitação da Cruz? (MT 16,24)
Segundo afirma o testemunho de Jeremias (primeira leitura), parece que um dos motivos devemos procurá-lo numa cons¬ciência não muito convicta de sermos amados por Deus: «Tu me seduziste, Senhor, e eu deixei-me seduzir.» (Jr 20,7) Seduz somente quem ama, e somente o amado se deixa seduzir. De igual modo é apenas na experiência vital do amor de Deus que amadurece a coragem de poder partilhar perspectivas tão duras, como as da livre aceitação da prova ou de suportar com fé o sofrimento e a dor. Isto significa estarmos apaixonados por Cristo, no verdadeiro sentido da palavra: isto é, no signi¬ficado etimológico de poder «sofrer», de poder passar através do Gólgota, oferecendo a nossa vida ao Pai, juntamente com Cristo e na forma de oração mais verdadeira que se possa pensar.
Que devemos fazer então para crescermos na consciência de que somos amados? Certamente olhando para Cristo, o qual não sem sofrimento, acolhe a vontade do Pai e Se dei¬xa imolar por cada um de nós: juntamente com Jesus temos de encontrar forças para vivermos frutuosamente a vontade do Pai, vontade que por vezes nos alquebra, chamando-nos
à conversão. Não se trata então de fugir do sofrimento, tan to mais que antes ou depois ele nos atinge; não se trata de o viver como um obstáculo no caminho para a felicidade que desejamos. Pelo contrário, deveremos começar a considerar o sofrimento como um meio através do qual chegaremos à alegria, a alegria que não passa. Toda a nossa vida, em todas as suas manifestações, inclusive a amargura e a tristeza, está orientada para Cristo e deve ser envolvida na caminhada em direcção ao grande dia do Senhor que esperamos. Seria um grande problema se acreditássemos eliminar alguma coisa da nossa vida, julgando-a pouco significativa para Deus: com maior razào ainda, se excluíssemos a Cruz e tudo o que ela comporta.
Oração
Espírito Santo, iluminai o nosso coração
para que possamos colocar todos os sofrimentos,
nossos e alheios, à luz esplêndida da Cruz do Senhor Jesus.
Fazei que não desprezemos as cruzes da vida, tornando-nos nós próprios “obstáculo” para a propagação do Reino de Deus e “escândalo” para os nossos irmãos.
Reavivai em nós a consciência de sermos filhos, filhos amados e socorridos sempre pela ternura e pelo amor do Pai.

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                                                         (Segunda) – 24 de Agosto

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Sábado da XXI semana do tempo comum

Em construção

SÁBADO

PRIMEIRA LEITURA (anos pares) ICOR 1,26-31
Deus escolheu o que é fraco aos olhos do mundo.
Ler a Palavra
Depois de ter sublinhado, na introdução da Carta, a riqueza espiritual dos Coríntios, Paulo declara agora a gratuidade abso¬luta dos dons de Deus, desqualificando qualquer pretensão de mérito da parte dos fiéis. Sublinha três vezes e com insistência (w. 27,28) a actuação livre de Deus em escolher aquilo que a Ele mais apraz e que pode parecer menos lógico aos olhos humanos.
A citação de JR 9,22 fecha qualquer possibilidade de mérito humano, fora da livre iniciativa de Deus.
Compreender a Palavra
Diante das pretensões de privilégio cultural ou social mos¬tradas por alguns Coríntios, Paulo funda a sua argumentação no plano de Deus, atribuindo a Ele a soberana liberdade de escolher quem acha mais oportuno. O horizonte de referência é vocacio¬nal: ser crente não é conquista pessoal ou prémio de uma ascese particular, antes é um dom de Deus, livre e gratuito. Ele chama em primeiro lugar as pessoas livres e gratuitas, precisamente aquelas que não têm a presunção de competências ou direitos, e são definidas como «fracas, vis e desprezíveis, que nada valem» (cf. w. 27-28).
Portanto, se existe algum mérito ou dom particular é por ini¬ciativa do próprio Deus, que tornou o seu Filho Jesus Cristo, por um lado, sede da «sabedoria» e da «justiça» (que são atributos de Deus), e por outro, «santidade» e «redenção» (que são os efeitos da Sua obra sobre a Humanidade). Como para os hebreus de en¬tão, o motivo do mérito para o cristão só pode estar no Senhor, que olhou para a humildade dos Seus filhos.
SALMO RESPONSORIAL SL 32,12-13.18-21
O salmo especifica a finalidade para a qual Deus escolhe agir, com um estilo livre e pouco calculado: para encher de bens os Seus fiéis, isto é, quem espera na Sua graça e não confia nas pró¬prias forças, quem espera o Seu auxílio e sabe que, seja qual for o modo como Deus age, é sempre fonte de alegria e de felicidade.
EVANGELHO MT 25,14-30
Foste fiel em coisas pequenas:
vem tomar parte na alegria do teu Senhor.
Ler a Palavra
O sentido da narração evangélica de hoje é a nível paradig¬mático e está claramente enunciado pela frase do versículo 29, na qual se declara a intenção da parábola: no Reino de Deus não existe a justiça distributiva, mas cada um é chamado a retribuir, segundo as suas capacidades, tudo o que recebeu como dádiva. A confiança do Senhor não pode ser atraiçoada pelo medo de uma imagem Sua que não corresponde à realidade. Quem dá quer que a sua dádiva seja dádiva para todos e não seja escondida pelo engano acerca de Deus.
Compreender a Palavra
Parece que para falar do Reino de Deus, a parábola louva mais a ousadia teimosa do que a preguiça inerme. Antes de mais, note- se que o Reino de Deus não é somente obra de Deus, mas é tam-bém tarefa do homem, que recebeu parte dessa administração e da qual é responsável. O Reino não cresce sozinho: é necessário que cada um continue a ter prosperidade em sua casa. Qualquer atitude remissiva, de renúncia ou medrosa não é aceitável, an¬tes obtém como resultado ver-se privado daquilo que recebeu (cf. v. 28). O coração da colaboração do homem no projecto de Deus é a confiança riEle, que teve a coragem de confiar os Seus bens aos servos, mas também a confiança na própria capacidade de serem servos, antes de serem chamados «servos bons e fiéis» (cf. w. 21,23), não porque se incomode alguém, mas porque não se da hipóteses aos seus medos e fantasias por detrás de imagens distorcidas de Deus.
DA PALAVRA PARA A VIDA
A parábola evangélica dos talentos, inserida no último gran¬de discurso sobre os «últimos acontecimentos» do Evangelho de Mateus, assume uma importância particular ao procurar compreender a fundo e a acolher com disponibilidade o ensi¬namento de Jesus. A narração não diz só que cada um possui os seus talentos na medida das suas capacidades, nem afir¬ma somente que Deus pedirá contas quer dos talentos quer dos frutos dos talentos. Somos, pelo contrário, levados pelo Evangelho a interrogarmo-nos sobre qual é a atitude interior mais autêntica para viver os dons de Deus. Perante o dom da vida ou o dom da fé, que nos foram dados gratuitamente, são diversas as disposições interiores possíveis: a indiferença, de quem finge que não tem um dom, mas um peso a suportar; a superficialidade, que desperdiça até as coisas mais preciosas, pensando que há outras mais importantes; a reflexão estéril daquele que pensa sempre em coisas mais profundas, sem sa¬borear nunca as que lhe são concedidas. A atitude mais autên-
tica, porém, é a de Jesus de Nazaré, que recebe o dom da vida com sentido de gratidão e sabe colocá lo à disposição com igual gratuidade.
As dimensões receptivo-passiva e depois propositivo-activa da vida nascem da relação filial e fiducial que Jesus vive com o seu Pai. Não há imagens divinas ofuscadas na Sua mente, não há temor de ser desfrutado ou usado por Deus, mas a certeza no afecto de ser amado sempre e de qualquer modo. Esta pu¬reza da fé do Filho, que nasce do amor, é por sua vez o funda¬mento do amor fraterno (primeira leitura, anos ímpares), que é precisamente a tradução visível e concreta de tudo o que se vive na relação com o Pai. O amor fraterno torna se por isso, na vida da comunhão cristã, um talento que se deve guardar e exercer, pois foi confiado nas nossas mãos. O amor de uns para com os outros, gratuito e desinteressado, é a visibilidade da nossa fé, porque depende estreitamente não so daquilo que dizemos acreditar, mas daquilo em que sentimos acreditar verdadeiramente. Por isso, tudo o que ameaça o afecto frater¬no e o clima de comunhão dentro de uma comunidade cristã deve ser enfrentado com grande coragem, interrogando-nos sempre e sem parar acerca do que é o verdadeiro rosto de Deus, no qual dizemos acreditar.
O medo de Deus e a desconfiança em nós mesmos não dão bons frutos, levarão à esterilidade da vida. A confiança e o amor, ao invés, permitirão, dia após dia, reviver em nós os mesmos sentimentos de Cristo Jesus, que nos amou e Se en¬tregou por nós.
Oração
Ó Pai, que entregais nas mãos do homem todos os bens da Criação e da graça, fazei que a nossa boa vontade multiplique os frutos da vossa Providência; tornai-nos sempre laboriosos e vigilantes na expectativa da Vossa vinda,
com a esperança de nos sentirmos chamar servos bons e fiéis, e assim entrarmos na alegria do vosso Reino.

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onstrução 

Sexta feira da XXI semana do tempo comum.docx

SEXTA-FEIRA

PRIMEIRA LEITURA (anos pares) ICOR 1,17-25
Nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus, mas sabedoria de Deus para aqueles que são chamados.
Ler a Palavra
Paulo une estreitamente o conteúdo do seu anúncio ao estilo do evangelizador, que tem como tarefa principal fazer conhecer a Cruz de Cristo, conteúdo imprescindível de toda a missão apos-tólica. A Cruz determina o estilo modesto e humilde do anúncio, que não é feito procurando sabedorias humanas ou efeitos espe¬ciais particulares. A citação profética de Is 29,14 fundamenta o discurso do Apóstolo, que defende a sua actividade realizada em conformidade com o estilo humilde do Evangelho.
Compreender a Palavra
Este texto é uma síntese admirável do pensamento do Apósto¬lo Paulo, que quando hebreu foi escolhido por Deus para se tor¬nar evangelizador dos gentios. Embora tenha sido antes um de-fensor acérrimo do Judaísmo e, posteriormente, do Cristianismo aberto a todos (depois do encontro do caminho de Damasco), mantém se humilde perante o plano de Deus que se manifestou na Cruz de Cristo, incapaz quase de o poder classificar entre as muitas ideias do tempo.
A citação de Is 29,14 confirma o modo de agir de Deus, que não procede segundo competências adquiridas pela sabedoria dos homens, mas quer surpreender a inteligência humana com aquilo
220 1 I Cl ION.MUOC.OMI \ 1ADO 
que parece estulto. A pobreza do instrumento da pregação e o escândalo do seu conteúdo – Cristo Crucificado – não concede espaço a sofismas elaborados ou a tentativas de sistemas lógicos vigentes. Também a inteligência humana, com as suas não pou cas conquistas, deve permanecer humilde e aberta perante aquilo que Deus faz, pois é Ele que dá significado a todas as coisas e lhes indica a lógica correcta.
SALMO RESPONSORIAL SL 32,1-2.4-5.10 11
À maneira de comentário à primeira leitura, o Salmo 32 subli nha a rectidão da Palavra de Deus que não cai no vazio porque e expressão da justiça e do amor do Senhor. Os Seus projectos, porém, permanecem desconhecidos, sobretudo para aqueles que arquitectam a sua vida ou a do próximo com estilos e entendi¬mentos diversos.
EVANGELHO MT 25,1-13
Aí vem o Esposo: ide ao seu encontro.
Ler a Palavra
A primeira das três parábolas, que em MT 25 descrevem a es¬pera cristã do regresso do Senhor, é caracterizada pelo ambiente de núpcias de dez virgens que esperam o esposo. Mas a espera deve ser vigilante e prudente. Assim as comunidades cristãs não devem permitir-se distracções ou superficialidades, mas são cha madas a alimentar a fé com o azeite da esperança e da paciência, que jamais podem abrandar em quem espera a sabedoria verda deira e fecunda.
Compreender a Palavra
O tema geral da vigilância é explicado mediante a antítese insensatez/prudência, personificada nestas virgens que espe¬ram todas o esposo, mas nem todas estão preparadas do mesmo modo. Prudência, portanto, é saber esperar, saber ter paciência
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sem apressar o momento do encontro, fazendo tudo para que, quando chegar, nos encontre preparados. O código dessa paciên¬cia é o azeite, que permitirá manter acesa a chama da lâmpada. A insensatez, pelo contrário, é aquela espécie de superficialidade de vida que não sabe avaliar com suficiente ponderação a realida¬de das coisas e pressupõe poder resolver tudo de qualquer manei¬ra. O convite da parábola é o de trabalharmos sempre e de qual-quer maneira, sem pensar que tudo está adquirido, mesmo aquela fé que o homem bem preparado pode sempre receber como dom daquele Deus que jamais se cansa de usar misericórdia.
DA PALAVRA PARA A VIDA
Das leituras propostas para este dia podemos escolher alguns temas para reflexão pessoal.
Em primeiro lugar, do Evangelho deduz-se que a espera do esposo requer condições de preparação em graus diversos e, tudo o que se julga possuir, não deve ser julgado adquirido. Poder-se-ia dizer que saber que se é convidado para as bodas com o esposo não é condição suficiente para poder casar, tal como assumir comportamentos corteses e correctos não é ga¬rantia de credibilidade do próprio amor ao esposo. Tanto o conhecer como o comportamento moral não ajudam por si só a compreender a natureza esponsal e afectiva da vida cris¬tã. O esposo pede para ser amado com todas as forças, com todo o coração, com toda a alma e, precisamente por isso, as lâmpadas da fé devem ser mantidas acesas, porquanto elas são a disposição interior que nos permite permanecer sempre abertos ao mistério, mesmo quando o conhecimento e a ética parecem já funcionar bem. Existe um nível mais profundo, afectivo e contemplativo para cultivar e guardar, para que o espírito humano se mantenha sempre disponível à interven¬ção de Deus.
Um segundo tema, extraído da primeira leitura, anos ímpares, está unido ao Evangelho através da realidade do corpo, que é chamado a participar da santidade divina. Se a santidade consiste em sermos permeáveis à acção do Espírito, que nos
torna familiares à vida de Deus, eis que o corpo, que é a nossa capacidade de relação com os outros, é o objecto privilegiado dessa acção e não deve subtrair-se como se a fé fosse só um problema de ideias ou de bons sentimentos. A sabedoria de Deus então (primeira leitura, anos pares) diz respeito àquilo que aos nossos olhos é débil e frágil. Mas Deus escolhe as coi¬sas pequenas e débeis para poder valorizá-las, revesti-las da Sua misericórdia, e transformá-las com a força do Seu amor.
A força da Cruz continua a manifestar-se nos sinais débeis e frágeis dos santos sacramentos, sobretudo no da Eucaris¬tia, revelando mais uma vez que tudo o que foi criado é ama¬do por Deus e é por Ele assumido para lhe manifestar a Sua glória.
Oração
Senhor Deus,
a Vossa sabedoria vai em busca
de todos os que escutam a Vossa voz;
tornai-nos dignos de participar no Vosso banquete
e fazei que acrescentemos o azeite das nossas lâmpadas,
para que não se apaguem na espera,
mas quando Vós vierdes
estejamos prontos a ir ao Vosso encontro
para entrarmos Convosco na festa nupcial.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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onstrução 

Quinta feira da XXI semana do tempo comum

QUINTA-FEIRA

 

 

PRIMEIRA LEITURA (anos pares)               ICOR 1J-9

Por Ele fostes enriquecidos em tudo.

Ler a Palavra

O começo da Primeira Carta aos Coríntios segue o esquema típico da forma epistolar com a apresentação dos remetentes e dos destinatários, a saudação e depois a acção de graças a Deus, pelos dons que concedeu à comunidade dos fiéis. A solenidade da introdução familiariza o ouvinte com a riqueza dos temas e dos assuntos que serão tratados em seguida. No versículo 5, Paulo declara a riqueza espiritual dos Coríntios, aos quais não falta ne nhum dos dons da fé, mas ao mesmo tempo exorta-os a perma necerem firmes em Deus, que ele define como «fiel» (v. 9).

Compreender a Palavra

Na saudação inicial à comunidade de Corinto, o Apóstolo chama a atenção para o contexto de uma Igreja maior, composta por todos aqueles que invocam o Nome do Senhor, porque são chamados a ser santos (v. 2). O relevo sobre a universalidade da fé constitui uma das argumentações mais fortes de Paulo perante as divisões internas na comunidade, devido aos diversos personalis- mos que provocavam rivalidades e divisões.

Depois, quase com ironia, no versículo 5, o Apóstolo louva os Coríntios, porque não lhes falta nenhum dom, sendo já peri¬tos na «palavra» e no «conhecimento». Mas há um crescimento

a fazer na linha da «irrepreensibilidade» (v. 8) da «comunhão» (v. 9), dons que vêm directamente de Deus e que Ele está sempre disposto a conceder a quem permanece fiel na procura sincera da santidade.

O adjectivo «fiel», atribuído a Deus, é a nota dominante da teologia desta Carta, já que no centro da fidelidade estão a ca¬ridade e a misericórdia utilizadas pelo Senhor para connosco (cf. ICOR 13).

SALMO RESPONSORLAL Sl            144,2-7

Narrar as obras maravilhosas de Deus é o dever de cada ge¬ração, chamada a recordar o passado, mas também a manter os olhos abertos sobre a obra que Deus vai realizando com bondade e justiça, para que Ele continue a ser proclamado grande e digno de louvor para sempre.

EVANGELHO      MT         24,42-51

Estai preparados.

Ler a Palavra

A leitura semicontínua do Evangelho de Mateus omite a sec¬ção dedicada a Jerusalém e ao fim dos tempos (cf. MT 23,37-41) e transporta-nos para a última parte do capitulo 24.

O texto de hoje é dedicado ao tema da vigilância na expec¬tativa do regresso do Senhor, comparada à vinda de um ladrão ou do senhor da casa. As duas imagens descrevem a surpresa e a liberdade quer do ladrão, quer do senhor da casa de chegarem quando julgarem mais oportuno. Jesus sublinha também a atitu¬de daquele que espera, deixando-se encontrar preparado e não se deixando perder no ócio e na violência.

Compreender a Palavra

O tema da vigilância caracteriza os últimos discursos públicos de Jesus e antecipa a reflexão sobre o Juízo universal, no qual o

216 I I CCIONÁRIOCOMl N1ADO

Senhor pedirá contas a cada um pelas obras realizadas, não só pelas palavras pronunciadas.

As duas imagens que pretendem fazer-nos entrar na atitude da expectativa dizem ambas respeito à casa: arrombada por um lado, na primeira; e mal administrada pelo servo, que recebeu a confiança do senhor, na segunda. A vigilância cabe portanto a quem, embora não sabendo bem o que vai acontecer fora de casa, é chamado a ser guarda atento do ambiente onde vive.

Se a casa não é vigiada, alguém se preocupara em roubá-la ou em arrombá-la; se não for bem administrada, torna-se um antro de vícios e já não um lugar onde todos podem viver no respeito mútuo. Quando o fiel perde este mesmo sentido de cuidado pela sua própria vida, lugar que deve ser habitado pela paz, terá muito que chorar pelas suas imperdoáveis distracções.

DA PALAVRA PARA A VIDA         

Em todas as celebrações eucarísticas, como conclusão da narração da instituição, proclamamos o «mistério da fé» es-perando a vinda do Senhor Jesus, crucificado e ressuscitado. Embora confessando-O realmente presente na Eucaristia, esperamo-fO com energia, para que Ele venha reunir-nos com todos os Seus santos.

Estarmos vigilantes e acordados não é uma atitude opcional para o cristão, o qual, ao invés, é chamado a rezar, a traba¬lhar, a fazer o bem, mantendo viva a tensão para o Senhor que vem. Se todavia esperar alguém na nossa experiência, em geral provoca sempre agitação e frustração, a vigilância cristã é estável e frutuosa. O cristão sabe que a sua identidade de filho amado não depende só de si próprio, mas está em rela¬ção directa com a actuação de Deus que age sempre em nosso favor.

Procurar e viver a fidelidade aos compromissos recebidos no Baptismo ou na escolha de vida empreendida ao serviço do Evangelho, é o modo mais autêntico de confessar com a vida tudo o que dizemos com palavras, em cada Missa. A fi-

WIMMANAIK) II MFOlOMUM ‘ 217

delidade, depois, não é uma simples execução de tarefas para demonstrar a nós próprios que somos capazes de fazer uma coisa, mas é o cuidado contínuo do sentimento de assombro para com o Senhor presente e actuante na nossa vida. Fide¬lidade não é imutabilidade, nem preocupação obsessiva de colocar tudo no seu lugar, mas pesquisa contínua e dinâmica de permanecer diante de Deus (cf. lTs 3,13, primeira leitura, anos pares), para que Ele, que é fiel, possa tornar-nos estáveis e sólidos no Seu amor manifestado em Jesus (cf. ICor 1,6, primeira leitura, anos ímpares).

Então, vigiar, como nos sugere o Evangelho (cf. Mt 24,42), poderia ser traduzido por esforço interior de nos mantermos sempre na presença de Deus, a fim de que os nossos pensa¬mentos, afectos, intenções e obras possam ser purificados por Aquele que é o Santo por excelência, e que é capaz de tornar os Seus filhos fiéis ao bem recebido, em condições de traba-lhar e de amar na espera d’Aquele que é o único que merece ser esperado.

Oração

O Vosso auxílio, ó Pai,

nos torne perseverantes no bem,

esperando a Cristo vosso Filho:

quando Ele vier e bater à porta,

que nos encontre vigilantes na oração,

praticando a caridade fraterna e exultantes na fé.

Quarta feira da XXI semana do tempo comum (26 de Agosto)

QUARTA-FEIRA


PRIMEIRA LEITURA (anos pares) 2Ts 3,6-10.16-18
Quem não quer trabalhar, também não deve comer.
Ler a Palavra
A conclusão da Carta expõe as últimas recomendações acerca do estilo de vida que os fiéis devem levar no meio do mundo: esforçarem se com o próprio trabalho, procurarem não ser de peso para ninguém, imitarem os Apóstolos no serviço infatigável pelo Evangelho de Deus. A aceitação do Evangelho não admite passividade de espécie alguma, antes impele o discípulo, que se torna apóstolo, a considerar-se sempre devedor perante o dom recebido e não destinatário de presumíveis direitos ou privilégios.
Compreender a Palavra
Paulo, escrevendo aos Tessalonicenses para lhes fortalecer a fé, preocupa-se também em adverti-los sobre o modo como con¬servar o doin recebido, sabendo bem que o entusiasmo inicial da resposta ao Evangelho não é suficiente para perseverar na fé e no agir conforme a caridade. O convívio com pessoas sem princípios firmes, pode influenciar negativamente quem vive uma regra de vida que o leva a desempenhar os deveres das responsabilidades assumidas (cf. v. 6). Por isso, Paulo, bom conhecedor do espírito humano, convida os fiéis a permanecerem concentrados nos seus
210 I 1 CUONÁUIO COMENTADO
trabalhos, não se deixando distrair por um estilo de vida aparen¬temente melhor, mas na realidade estéril e parasitário em relação aos outros.
Quem assume a lógica do serviço, vivida em primeiro lugar por Jesus e depois prosseguida pelo exemplo dos Apóstolos, não mede as vantagens pessoais que pode tirar das circunstâncias, mas permanece num estado contínuo de disponibilidade aos ir¬mãos, fazendo, antes de mais, bem o seu trabalho e cumprindo o melhor que pode com as suas responsabilidades
SALMO RESPONSORIAL SL 127,1-2.4-5
O salmo descreve o temor do Senhor enquanto fundamento do trabalho que todo o crente é chamado a cumprir. À imitação do próprio Criador, o temente a Deus gozará do trabalho que lhe foi concedido realizar, considerando uma bênção poder gozar do fruto das suas fadigas.
EVANGELHO MT 23,27-32
Sois os filhos daqueles que mataram os profetas
Ler a Palavra
A sucessão dos «ai de vós!», proferidos por Jesus em MT 23, atinge o ápice no texto de hoje: o Mestre não se limita àquilo que os fariseus dizem ou fazem, mas descreve os como hipócritas, gente falsa que faz ver as coisas ao contrário daquilo que são. Apresentam-se como monumentos para admirar, mas isso é ape¬nas uma aparência que não tem substância alguma no seu inte¬rior (w 27-28). Aos profetas que dizem a verdade e os desmasca¬ram, eles infligem-lhes não só a morte como ainda o silêncio, que torna impossível qualquer réplica (w. 29-32).
Compreender a Palavra
Os dois últimos «ai de vós!», que Jesus lança contra os escribas e os fariseus, são ligados entre si pela palavra «sepulcro».
No primeiro caso (w. 27-28), o sepulcro é utilizado como me¬táfora para definir a hipocrisia dos escribas e dos fariseus, que declaram uma coisa, mas vivem outra. Uma coisa é o que alguém mostra de si, e outra é o que tem dentro, realidade que pode ser vista só por quem, como Jesus, cultiva um olhar puro e verda¬deiro. O Mestre acusa os Seus interlocutores de quererem fazer crer que são bons, mas na realidade de não serem guiados por um espírito bondoso e compassivo para com a Humanidade. Pelo contrário, quanto mais aumenta o desprezo pelos outros, tanto mais se mostram gentis.
No segundo caso (w. 29-32) o sepulcro é associado à obra por excelência que os escribas e os fariseus são capazes de construir. São hábeis em levantar grandes monumentos para as pessoas que encontram incómodas, por exemplo, para os profetas que sempre denunciaram as falsidades e iniquidades como atitudes que afas¬tam de Deus.
DA PALAVRA PARA A VIDA
O tema do sepulcro é muito significativo para a vida cristã, embora frequentemente seja deixado fora da reflexão. Jesus no Evangelho (MT 23,27-32) indica o como símbolo dos Seus adversários, monumentos de conhecimento e de sabedoria humana que se devem contemplar, mas interiormente frágeis e fracos, pois estão cheios de morte. No mesmo texto, cons¬truir monumentos aos mortos é obra típica de quem quer como que reparar o mal cometido ou, pior ainda, silenciar com falsas honras quantos são eliminados como elementos de perturbação. Já esta consideração do Senhor Jesus mere¬ce uma atenção e uma reflexão atenta, porque indica nesses sepulcros a essência do agir malfazejo do homem: por mais belas que sejam as obras humanas realizadas sem Deus, no
212 111 rioN \uio t oMi n i \i)0
fim de contas estão cheias de morte e, em última análise, va-zias. Depois, a tentativa de cobrir as obras más com pedras preciosas exprime a perversidade das próprias acções, que continuam a não ser reconhecidas como erradas.
O lugar do sepulcro vazio é, todavia, também o lugar onde Jesus foi colocado, em coerência com a longa tradição dos profetas assassinados por terem dito a verdade sobre Deus e sobre o homem. O sepulcro de Jesus, porém, dura bem pou¬co, logo fica vazio e se torna sinal de uma vida nova, de uma ressurreição iniciada que deixa espaço à iniciativa poderosa de Deus. O Senhor Jesus, depois de ter nascido numa man¬jedoura morreu numa Cruz, e foi acabar onde sepultamos os restos do nosso corpo e as obras más da nossa existência. Mas desse lugar Deus quis declarar, ressuscitando-O dos mortos, que não há espaço onde a vida não possa entrar e levar luz e calor. Isso significa que toda a situação humana é recuperável aos olhos de Deus.
O exemplo que vem do Apóstolo (primeira leitura, anos pares – anos impares) exorta o cristão a trabalhar com as próprias mãos (cf. lTs 2,9; 2Ts 3,10), a fim de que as suas fadigas se tornem portadoras de vida para todos, sem procurar vanta¬gens em prejuízo dos outros.
Compreender a importância de ser portador de vida, mesmo aonde tudo parece ser mortífero, alimenta a esperança cristã de poder continuar a tornar eficaz aquela ressurreição que es¬cancara todos os sepulcros de hipocrisia e de iniquidade.
Oração
Ó Deus,
que na ressurreição do vosso Filho
abristes à Humanidade a passagem da morte para a vida, concedei-nos experimentar no nosso dia-a-dia o poder da Sua ressurreição.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Terça feira da XXI semana do tempo comum – 25 de Agosto

PRIMEIRA LEITURA (anos pares) 2Ts 2,l-3a.l4 17
Guardai firmemente as tradições que vos ensinámos

Ler a Palavra

Este trecho une duas passagens que se completam, ao apresentar a advertência do autor sagrado aos irmãos, para que vigiem contra todas as tentativas enganosas, promovidas por quem não e animado pela verdadeira fé. Convida os a permanecerem firmes naquilo que receberam como dom e que não pode ser manipu lado por novidades que são fruto de fantasias ou de interesses pessoais. A raiz desta perseverança é dada pela convicção de que Deus, em primeiro lugar, e fiel às Suas promessas e ampara aqueles que escolheu para Seus discípulos.


Compreender a Palavra

Julgar iminente a vinda do Senhor tinha criado na comunida de cristã de Tessalónica anseios e expectativas enormes, expressões mais de agitação interior do que de acolhimento das revelações de Deus. O facto de andarem confusos e perturbados, sem motivos validos, é fruto da falta de equilíbrio espiritual, que os impede de saberem ser fiéis às tradições aprendidas e de espera rem o momento estabelecido. A expectativa pode cansar e irritar, mas não deve fazer perder a paz de consciência, própria daquele que se abandona à vontade de Deus.
A solidez das tradições recebidas sustenta esta fidelidade paciente que continua a crer nas promessas do Senhor, mesmo
quando não se vislumbra a realização plena. As disposições in¬teriores de confiança e de esperança tornam o fiel primícias de salvação, as quais são dom só de Deus, contra qualquer pretensão de saber já, desde agora, como correrão as coisas.
SALMO RESPONSORIAL SL 95,10-13
A proclamação cósmica do salmista coloca na boca da Cria¬ção o louvor do Senhor, reconhecido como presença que vai ao encontro de todas as Suas criaturas, para que não vacilem e não permaneçam na injustiça. O juízo de Deus exprime a eficácia da Sua vinda, para que nada se perca.


EVANGELHO MT 23,23-26
Deveis praticar estas coisas sem omitir as outras.

Ler a Palavra
Continua a censura de Jesus aos escribas e aos fariseus, que perderam de vista as coisas essenciais, para se apegarem a ritos que dão a impressão de pôr em ordem a consciência, mas na realidade são práticas que não assentam na justiça e na miseri¬córdia de Deus. Conforme o estilo típico das antíteses de Ma¬teus (cf. MT 5), também aqui Jesus desmascara os ritos farisaicos, fazendo-os empalidecer perante as exigências muito mais interio¬res e profundas da própria Lei, cujo ámago é a justiça, sobretudo na consciência.


Compreender a Palavra


Mais dois «ai de vós!» muito severos dirigidos aos escribas e aos fariseus, com a acusação bem pesada de serem «guias cegos» (v. 24). O exemplo aduzido por Jesus sobre os vários tipos de ta¬xas a pagar ao culto permite compreender a distância entre aquilo que Deus pede aos Seus fiéis – justiça, misericórdia, fidelidade – e a nossa pretensão de calcular a fé com as ofertas que fazemos. As ofertas não estão erradas em si mesmas, mas é o espírito com o qual se oferecem que torna a acção agradável ou desagradável a Deus. A acusação de cegueira é muito mais grave para quem nao só deve guiar-se a si mesmo, mas é ponto de referência tambem para os outros.
O caminho privilegiado para não errar e, por conseguinte, para aprender a ver bem as coisas é o de cuidar de si mesmo com uma atenção constante. Purificar a própria intenção, cuidar da formação da própria consciência para que esteja sempre límpida e serena, sem ambições de posse e de desregramentos, e o primei¬ro e o principal modo de sermos guias dos outros.


DA PALAVRA PARA A VIDA


«Limpa primeiro o copo por dentro, e assim o lado de fora também ficará limpo.» (Mr 23,26) Mesmo na censura, Jesus oferece um ensinamento: considerar com muita atenção não apenas os Mandamentos a observar, mas também a ordem com que se respeitam. A norma respeitante à limpeza dos co pos (metáfora do espirito humano capaz de acolher a água refrescante do Espírito) prevé que se lave tudo, mas Jesus impõe que em primeiro lugar se limpe o interior e depois o exterior. Parece haver uma prioridade dada à interioridade, àquele lugar onde a água e os alimentos devem caber. A in-terioridade, ou o coração segundo a tradição bíblica, é a sede dos pensamentos, dos projectos, dos desejos, das paixões, das decisões do homem; é aquele espaço interior onde se encon¬tra um pouco de tudo e donde, conforme a opção livre do homem, pode sair o bem ou o mal. É o lugar onde somos chamados com maior esforço a vigiar, para compreendermos de que é que somos habitados e a sermos capazes de decidir o que devemos tirar de nós. A limpeza do interior então não coincide com a eliminação das paixões que notamos que são negativas, mas com a capacidade de as integrar, para que não se tornem violência que sai de nós, sem que verdadeiramente o queiramos (Evangelho).
Também o Apóstolo Paulo se encontrou perante a acusação de cultivar duplos fins no seu ministério (primeira leitura,
anos ímpares), mas declara que procurou sempre no seu cora¬ção «agradar a Deus» (lTs 2,4), ou seja, viver a justiça na rela¬ção com Ele e cultivar sem parar a misericórdia para com os irmãos. É a procura da própria autenticidade diante de Deus que torna a pessoa luminosa e capaz de levar calor a todas as coisas. A primeira caridade a cultivar é a da verdade para connosco, não tanto para nos comprazermos de nós mesmos, mas para sermos justos diante de Deus fiel e para O agradar a Ele, que é luz e calor e Se torna próximo de todos os que são humildes de coração, sustentando-os com a Sua graça.
Oração
Pai Santo,
que ressuscitastes o vosso Filho
e nEle quisestes finalmente vencer a morte,
ajudai-nos a viver no tempo
a Sua mesma vida no Espírito,
e a ver todas as coisas
na luz radiosa da Sua ressurreição.

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I saw the Lord – Stainer

 

https://youtu.be/bpT9XUkd9I0

 

 

Original text and translations

English.png English text

Daily Bible Verse | God | Isaiah 6:1

 

 

 

I saw the Lord, sitting upon a throne, high and lifted up,
and his train filled the temple.
Above it stood the seraphims: each one had six wings;
with twain he covered his face,
and with twain he covered his feet,
and with twain he did fly.
And one cried unto another,
Holy, Holy, Holy is the Lord of Hosts:
the whole earth is full of his glory.
And the posts of the door moved at the voice of him that cried,
and the house was filled with smoke.

O Trinity! O Unity!
Be present as we worship Thee,
And with the songs that angels sing
Unite the hymns of praise we bring.
Amen.

S. Bartolomeu Apóstolo

INTRODUÇÃO

Teologia Luterana: 24 de agosto - São Bartolomeu, ApóstoloSão Bartolomeu (ou Natanael, como é chamado no Evangelho de João) foi um dos primeiros dos doze discípulos de Jesus. Sua casa ficava na cidade de Caná, na Galileia (Jo 21.2), onde Jesus realizou seu primeiro milagre. Ele foi convidado para ser um dos Doze por Filipe, que lhe disse haver encontrado o Messias na pessoa de Jesus de Nazaré (Jo 1.45). A hesitação inicial de Bartolomeu em crer, por causa da origem de Jesus de Nazaré, foi substituída rapidamente por uma declaração clara e inequívoca de fé: “Tu és o Filho de Deus! Tu és o Rei de Israel!” (Jo 1.49). Bartolomeu estava presente com os outros discípulos (Jo 21.1-13) quando tiveram o privilégio de ver, conversar e comer com o seu Senhor e Salvador ressuscitado. De acordo com alguns Pais da Igreja Antiga, Bartolomeu levou o Evangelho para a Armênia onde foi martirizado ao ser esfolado vivo.

Primeira leitura: Apocalipse 21, 9b-14

O Anjo falou-me dizendo: Vou mostrar-te a noiva, a esposa do Cordeiro.» 10E transportou-me, em espírito, a uma grande e alta montanha e mostrou-me a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, de junto de Deus. 11Tinha o resplendor da glória de Deus: brilhava como pedra preciosa, como pedra de jaspe cristalino; 12tinha uma grande e alta muralha com doze portas; nas portas havia doze anjos e em cada uma estava gravado o nome de uma das doze tribos de Israel: 13ao oriente havia três portas, ao norte três portas, ao sul três portas e ao ocidente três portas. 14A muralha da cidade tinha doze alicerces, nos quais estavam gravados doze nomes, os nomes dos doze Apóstolos do Cordeiro.

A Igreja, no Apocalipse, é a cidade santa, que recolhe as doze tribos de Israel, isto é, o novo Israel de Deus. Os seus muros apoiam-se sobre doze colunas, que são os doze apóstolos. No nosso texto, a Igreja é também chamada “noiva”, “a noiva, a esposa do Cordeiro” (v. 9), para evidenciar o vínculo de amor com que Deus Se ligou à humanidade, e Cristo se uniu à Igreja. Cada um dos apóstolos participa e testemunha este amor no seu ministério e, finalmente, no martírio. Por isso, os Doze são também chamados “Apóstolos do Cordeiro” (v. 14). De fato, não só exercem o ministério que Jesus hes confiou, mas também, e principalmente, participam no seu mistério pascal, bebendo com Ele o cálice (cf. Mt 20, 22).

Evangelho: João 1, 45-51

Naquele tempo, Filipe encontrou Natanael e disse-lhe: «Encontrámos aquele sobre quem escreveram Moisés, na Lei, e os Profetas: Jesus, filho de José de Nazaré.» 46Então disse-lhe Natanael: «De Nazaré pode vir alguma coisa boa?» Filipe respondeu-lhe: «Vem e verás!»47Jesus viu Natanael, que vinha ao seu encontro, e disse dele: «Aí vem um verdadeiro israelita, em quem não há fingimento.» 48Disse-lhe Natanael: «Donde me conheces?» Respondeu-lhe Jesus: «Antes de Filipe te chamar, Eu vi-te quando estavas debaixo da figueira!» 49Respondeu Natanael: «Rabi, Tu és o Filho de Deus! Tu és o Rei de Israel!»50Retorquiu-lhe Jesus: «Tu crês por Eu te ter dito: ‘Vi-te debaixo da figueira’? Hás-de ver coisas maiores do que estas!» 51E acrescentou: «Em verdade, em verdade vos digo: vereis o Céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo por meio do Filho do Homem.»

Jesus dirige a Natanael um elogio que o deixa surpreendido: “Aí vem um verdadeiro israelita, em quem não há fingimento.” (v. 47). Com efeito, as palavras de Jesus incluíam a verificação que nos deixa entrever um pouco mais o espírito de Natanael: o seu amor pela verdade. O apóstolo era um homem que procurava a verdade. A sua inteligência abre-se ao mistério que se revela. É o que também se verificará quando da primeira aparição de Jesus ressuscitado. Da procura passa à fé. Por isso, este apóstolo é um ícone do verdadeiro crente que, iluminado pela Palavra, agudiza a sua capacidade visiva interior e que, pela fé, reconhece em Jesus o Salvador esperado.

Meditatio

Jesus conhece o coração do homem. Por isso, pode chamar, com autoridade, aqueles que quer mais perto de si. O Senhor chama para pôr os homens em relação com o céu, para revelar o seu ser, que está em completa relação com o Pai e connosco, ponto de convergência do movimento de Deus rumo aos homens e do anseio dos homens por Deus: Filho do homem e Filho de Deus. Na verdade, quem se aproxima de Jesus vê o céu aberto e os anjos de Deus subir e descer sobre o Filho do homem.
Os Doze estão com Jesus porque devem ver o Pai agir e permanecer no Filho do homem, numa união que se manifestará plenamente na paixão de Jesus, quando for erguido na cruz e novamente introduzido na glória do Pai. Então se realizará p sonho de Jacob.
Todos somos chamados a esta profunda revelação. Na Eucaristia revivemos o mistério da morte e da glorificação de Jesus, sacerdote e vítima da nova aliança entre o Pai e os homens. E, com Ele, queremos ser também sacerdotes e vítimas fazendo a oblação de nós mesmos, para glória e alegria de Deus e para salvação da humanidade. O Senhor revela-se a nós como aos Apóstolos, os doze alicerces, sobre os quais se apoia a muralha da cidade, “a noiva, a esposa do Cordeiro” (v. 9).

Oratio

Senhor, reacende a nossa fé na contemplação dos mistérios que nos revelas, na festa do apóstolo Bartolomeu. Nós te agradecemos por nos teres reunido na Igreja. Nós te agradecemos por todos aqueles e aquelas que, de coração sincero, continuam a difundir no mundo inteiro, apoiados pelo teu Espírito Santo, a fé e o amor dos Apóstolos. Ámen.

Contemplatio

Deus compraz-se naqueles que caminham diante dele na simplicidade do seu coração (Prov. 11). Deus detesta os corações duplos e hipócritas. Aqueles que usam a dissimulação e a astúcia provocam a sua cólera (Job 36). O Espírito Santo retira-se daqueles que são duplos e dissimulados (Sab 1, 5). Natanael ganhou o coração de Nosso Senhor pela simplicidade e retidão do seu coração (Jo 1, 47). Deus não desprezará nunca a simplicidade, diz Job. Não rejeitará aqueles que se aproximam dele com simplicidade (Job 8,10). O Espírito Santo assegura-nos que os cumulará com os seus dons e as suas bênçãos (Prov. 28,10). O simples é bem sucedido nos seus desígnios e Deus abençoa-O. Segue os caminhos de Deus; pode caminhar com confiança (Prov. 10,9 e 29). Deus frustrará os que são dúplices e dará as suas graças aos humildes (Prov. 3,34). Os simples são acarinhados, estimados por Jesus, como aquelas crianças do Evangelho que Jesus atraía apesar dos seus apóstolos. «É imitando esta inocência e esta candura de crianças, dizia Jesus, que vos haveis de tornar agradáveis ao meu coração» (Mt 18). Como é que havemos de hesitar em amar e em praticar a simplicidade?(Leão Dehon, OSP 3, p. 48s.).

Actio

Repete muitas vezes e vive hoje a palavra:
“Rabi, Tu és o Filho de

 

S. Bartolomeu, Apóstolo

24 Agosto 2020

Um dos doze escolhidos . Receberam o  poder de Jesus . Identificado com Natanael, amigo de Filipe (cf. Jo 1, 43-51; 22, 2), era natural de Caná. Homem simples e reto, aberto à esperança de Israel. Teria sofrido o martírio na Pérsia  

PALAVRA

1ª Leitura
A Igreja, no Apocalipse, é a cidade santa novo Israel de Deus cujos muros se apoiam sobre as 12 colunas os doze apóstolos

É a noiva “a noiva, a esposa do Cordeiro” (v. 9),. Os  apóstolos exercem o ministério mas também, e principalmente, participam no seu mistério pascal, bebendo com Ele o cálice (cf. Mt 20, 22).

Natanael recebe um elogio “Aí vem um verdadeiro israelita, em quem não há fingimento.” (v. 47Recebe-o porque ele tinha amor à verdade que procurava e encontrou em Jesus que lhe apareceu após a ressureição. É o que também se verificará quando da primeira aparição de Jesus ressuscitado. Da procura passa à fé. Por isso, este apóstolo é um ícone do verdadeiro crente que, iluminado pela Palavra, agudiza a sua capacidade visiva interior e que, pela fé, reconhece em Jesus o Salvador esperado.

 

 

 

Lectio

Primeira leitura: Apocalipse 21, 9b-14

O Anjo falou-me dizendo: Vou mostrar-te a noiva, a esposa do Cordeiro.» 10E transportou-me, em espírito, a uma grande e alta montanha e mostrou-me a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, de junto de Deus. 11Tinha o resplendor da glória de Deus: brilhava como pedra preciosa, como pedra de jaspe cristalino; 12tinha uma grande e alta muralha com doze portas; nas portas havia doze anjos e em cada uma estava gravado o nome de uma das doze tribos de Israel: 13ao oriente havia três portas, ao norte três portas, ao sul três portas e ao ocidente três portas. 14A muralha da cidade tinha doze alicerces, nos quais estavam gravados doze nomes, os nomes dos doze Apóstolos do Cordeiro.

A Igreja, no Apocalipse, é a cidade santa, que recolhe as doze tribos de Israel, isto é, o novo Israel de Deus. Os seus muros apoiam-se sobre doze colunas, que são os doze apóstolos. No nosso texto, a Igreja é também chamada “noiva”, “a noiva, a esposa do Cordeiro” (v. 9), para evidenciar o vínculo de amor com que Deus Se ligou à humanidade, e Cristo se uniu à Igreja. Cada um dos apóstolos participa e testemunha este amor no seu ministério e, finalmente, no martírio. Por isso, os Doze são também chamados “Apóstolos do Cordeiro” (v. 14). De fato, não só exercem o ministério que Jesus hes confiou, mas também, e principalmente, participam no seu mistério pascal, bebendo com Ele o cálice (cf. Mt 20, 22).

Evangelho: João 1, 45-51

Naquele tempo, Filipe encontrou Natanael e disse-lhe: «Encontrámos aquele sobre quem escreveram Moisés, na Lei, e os Profetas: Jesus, filho de José de Nazaré.» 46Então disse-lhe Natanael: «De Nazaré pode vir alguma coisa boa?» Filipe respondeu-lhe: «Vem e verás!»47Jesus viu Natanael, que vinha ao seu encontro, e disse dele: «Aí vem um verdadeiro israelita, em quem não há fingimento.» 48Disse-lhe Natanael: «Donde me conheces?» Respondeu-lhe Jesus: «Antes de Filipe te chamar, Eu vi-te quando estavas debaixo da figueira!» 49Respondeu Natanael: «Rabi, Tu és o Filho de Deus! Tu és o Rei de Israel!»50Retorquiu-lhe Jesus: «Tu crês por Eu te ter dito: ‘Vi-te debaixo da figueira’? Hás-de ver coisas maiores do que estas!» 51E acrescentou: «Em verdade, em verdade vos digo: vereis o Céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo por meio do Filho do Homem.»

Jesus dirige a Natanael um elogio que o deixa surpreendido: “Aí vem um verdadeiro israelita, em quem não há fingimento.” (v. 47). Com efeito, as palavras de Jesus incluíam a verificação que nos deixa entrever um pouco mais o espírito de Natanael: o seu amor pela verdade. O apóstolo era um homem que procurava a verdade. A sua inteligência abre-se ao mistério que se revela. É o que também se verificará quando da primeira aparição de Jesus ressuscitado. Da procura passa à fé. Por isso, este apóstolo é um ícone do verdadeiro crente que, iluminado pela Palavra, agudiza a sua capacidade visiva interior e que, pela fé, reconhece em Jesus o Salvador esperado.

Meditatio

Jesus conhece o coração do homem. Por isso, pode chamar, com autoridade, aqueles que quer mais perto de si. O Senhor chama para pôr os homens em relação com o céu, para revelar o seu ser, que está em completa relação com o Pai e connosco, ponto de convergência do movimento de Deus rumo aos homens e do anseio dos homens por Deus: Filho do homem e Filho de Deus. Na verdade, quem se aproxima de Jesus vê o céu aberto e os anjos de Deus subir e descer sobre o Filho do homem.
Os Doze estão com Jesus porque devem ver o Pai agir e permanecer no Filho do homem, numa união que se manifestará plenamente na paixão de Jesus, quando for erguido na cruz e novamente introduzido na glória do Pai. Então se realizará p sonho de Jacob.
Todos somos chamados a esta profunda revelação. Na Eucaristia revivemos o mistério da morte e da glorificação de Jesus, sacerdote e vítima da nova aliança entre o Pai e os homens. E, com Ele, queremos ser também sacerdotes e vítimas fazendo a oblação de nós mesmos, para glória e alegria de Deus e para salvação da humanidade. O Senhor revela-se a nós como aos Apóstolos, os doze alicerces, sobre os quais se apoia a muralha da cidade, “a noiva, a esposa do Cordeiro” (v. 9).

Oratio

Senhor, reacende a nossa fé na contemplação dos mistérios que nos revelas, na festa do apóstolo Bartolomeu. Nós te agradecemos por nos teres reunido na Igreja. Nós te agradecemos por todos aqueles e aquelas que, de coração sincero, continuam a difundir no mundo inteiro, apoiados pelo teu Espírito Santo, a fé e o amor dos Apóstolos. Ámen.

Contemplatio

Deus compraz-se naqueles que caminham diante dele na simplicidade do seu coração (Prov. 11). Deus detesta os corações duplos e hipócritas. Aqueles que usam a dissimulação e a astúcia provocam a sua cólera (Job 36). O Espírito Santo retira-se daqueles que são duplos e dissimulados (Sab 1, 5). Natanael ganhou o coração de Nosso Senhor pela simplicidade e retidão do seu coração (Jo 1, 47). Deus não desprezará nunca a simplicidade, diz Job. Não rejeitará aqueles que se aproximam dele com simplicidade (Job 8,10). O Espírito Santo assegura-nos que os cumulará com os seus dons e as suas bênçãos (Prov. 28,10). O simples é bem sucedido nos seus desígnios e Deus abençoa-O. Segue os caminhos de Deus; pode caminhar com confiança (Prov. 10,9 e 29). Deus frustrará os que são dúplices e dará as suas graças aos humildes (Prov. 3,34). Os simples são acarinhados, estimados por Jesus, como aquelas crianças do Evangelho que Jesus atraía apesar dos seus apóstolos. «É imitando esta inocência e esta candura de crianças, dizia Jesus, que vos haveis de tornar agradáveis ao meu coração» (Mt 18). Como é que havemos de hesitar em amar e em praticar a simplicidade?(Leão Dehon, OSP 3, p. 48s.).

Actio

Repete muitas vezes e vive hoje a palavra:
“Rabi, Tu és o Filho de Deus! Tu és o Rei de Israel!” (Jo 1, 49).